Mostrar mensagens com a etiqueta LDM 200. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta LDM 200. Mostrar todas as mensagens

13/10/09

LANCHAS DE DESEMBARQUE MÉDIAS

(ACTUALIZADO)

Fuzileiros a desembarcar numa praia da LDM 425

TIPO DE NAVIO:
Lancha de Desembarque

(dados da classe LDM 400)

DESLOCAMENTO:
59,5 toneladas

DIMENSÕES:
17,8 x 5 x 1 metros

PROPULSÃO:
2 motores a diesel FODEN FD6 MK - 374hp
2 hélices

ENERGIA:
2 geradores C.A.V. accionados pelos motores principais de 24kVA

VELOCIDADE MÁXIMA:
9,2 nós (16 km)

AUTONOMIA:
220 milhas a 8,2 nós

GUARNIÇÃO:
Cabo: 1 (Patrão da lancha)
Marinheiros: 3
Total: 4

COMUNICAÇÕES:
- 1 Transreceptor NIMBUS 340 H;
- 1 Receptor CURLEW351 H;
- 1 Projectores de sinais DE 250W

EQUIPAMENTO:
- 1 Bote pneumático ZEBRO II;
- Casa do Leme com blindagem de 6mm

CAPACIDADE DE CARGA:
80 militares / 35 toneladas de carga / 1 viatura blindada até 32 toneladas / 1 camião de 6 toneladas / 2 viaturas ligeiras


Jipe WILLY's do Exército utilizado na "Operação Tridente" a ser reembarcado numa LDM

SISTEMAS DE ARMAS:
1 Peça OERLIKON Mk2 de 20mm/65 (2 Km de alcance)
2 Metralhadoras MG-42 de 7,62mm

DESIGNAÇÃO NATO:
LCM

NÚMERO DE AMURA:
UAM 122
LDM 426

BASE DE APOIO:
Base Naval de Lisboa

ANO DE CONSTRUÇÃO:
1967
1968

EMPREGO OPERACIONAL:
- Transporte e apoio logístico (mantimentos, munições, etc);
- Embarque e desembarque de tropas;
- Serviço público.

NOTAS:
• Por inerência à criação e mobilização das primeiras unidades de Fuzileiros (CF - Companhias de Fuzileiros Navais e DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais) para as ex-colónias africanas, na sequência do eclodir da Guerra do Ultramar em Março de 1961, surgiu a necessidade de apetrechar a Armada com meios navais de fundo chato para a realização de desembarques.
• Dos três tipos de embarcações construídas (LDP, LDM e LDG), foram às de média dimensão, LDM - Lanchas de Desembarque Médias, as fabricadas em maior número (65) e mais utilizadas nos três teatros de operações (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique), vocacionadas para navegar em águas ribeirinhas e interiores dos territórios.
• Apesar dos EUA advogarem a descolonização e demonstrarem relutância em autorizar as suas empresas em vender material de guerra a Portugal, foram adquiridas algumas embarcações do modelo USN LCM-6 da 2.ª Guerra Mundial em 2.ª mão, por intermédio de um processo indirecto com o desiderato de contornar parcialmente o diferendo político, criando-se a empresa privada Progresso Lda, que negociou directamente com o empresa Norte-americana "Fairbanks Morse" a aquisição de velhos excedentes da 2.ª Guerra Mundial,
dando origem à classe "LDM 100" em Janeiro de 1964, posteriormente obteve-se os respectivos planos de construção e desenvolveu-se os projectos de execução em estaleiros nacionais (Estaleiros Navais do Mondego).

• Existiram quatro classes de LDM's de concepção e construção nacional (Estaleiros Navais do Mondego e Arsenal do Alfeite) e uma classe (LDM 300) construídas nos EUA com ligeiras diferenças entre si:
- LDM 100: 21 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Julho de 1975);


- LDM 200: 5 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Janeiro de 1965);

Ldm 203 da classe LDM 200

Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 200


- LDM 300: 13 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Novembro de 1964);


LDM 304 da classe LDM 300

Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 300


- LDM 400: 26 unidades (construídas entre Agosto de 1964 e Outubro de 1977);


LDM 421 da classe LDM 400

Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 400


- LDM 500: 6 unidades (construídas entre Outubro de 1964 e Novembro de 1964).


LDM 503 da classe LDM 500

Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 500

• A sua distribuição pelos TO obedeceu a seguinte ordem:
- Angola:
Classe LDM 100: 108
Classe LDM 400: 401, 402, 403, 409
Total: 5

- Guiné-Bissau:
Classe LDM 100: 101, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118
Classe LDM 200: 201, 202, 203, 204, 205
Classe LDM 300: 301, 302, 302, 304, 305, 306, 307, 308, 309, 309, 310, 311, 312, 313
Classe LDM 400: 410 a 417
Total: 51

- Moçambique (Lago Niassa):
Classe LDM 400: 404, 405, 407, 408
Total: 4

- Portugal (para treino dos Fuzileiros):
Classe LDM 100: 119, 120, 121
Classe LDM 400: 406, 414, 418, 419, 420, 421, 422, 423, 424, 425, 426
Total: 14

• Em 15 de Outubro de 1965, as LDM's da classe 500 de fabrico nacional foram remuneradas e integradas na classe LDM 300 de origem Norte-americana e utilizadas na Guerra da Coreia (ex LDM 501 - LDM 308; ex LDM 502 - LDM 309; ex LDM 503 - LDM 310; ex LDM 504 - LDM 311; ex LDM 505 - LDM 312; ex LDM 506 - LDM 313).


LDM 504, posteriormente LDM 311 (Foto cedida por Eng. Lema Santos)

• Em 16 de Outubro de 1965, as seguintes LDM's da classe 100 foram remuneradas e integradas na classe LDM 200 (ex LDM 101 - LDM 204; ex LDM 102 - LDM 205.
• Eram o principal meio de desembarque da Marinha no que respeita ao emprego de Fuzileiros, aquando da execução de operações militares com a totalidade dos efectivos de uma CF (140 militares) ou de um DFE (80 militares), originando o binómio LDM-Fuzileiros.


Fuzileiros a desembarcar de uma LDM


Fuzileiros a reembarcar numa LDM

• Trata-se de um tipo de embarcação concebido para utilização temporária (máximo 48 horas), dado não dispor de meios de subsistência, não obstante a título de exemplo na Guiné-Bissau foram usadas em patrulhas de rios que chegavam em média às duas semanas, sendo de referir que tal situação ocorria em detrimento das condições de vida a bordo e sacrifício das suas guarnições.
• Em 1968, atendendo a necessidade de melhorar as condições de vida a bordo, aperfeiçoou-se a calafetagem da cobertura do poço das lanchas, foram instaladas arcas frigorificas de 50 kg e um sistema de ventilação, melhorando substancialmente a dieta alimentar e a moral das guarnições.
• Durante o conflito do Ultramar, devido à escassa rede rodoviária e em proveito das vias fluviais, parte dos transportes operacionais e reabastecimentos logísticos às guarnições militares e autoridades administrativas era efectuados por LDM's e LDG´s da Marinha Portuguesa, assim como eram utilizadas no escoamento dos produtos económicos.
• O emprego de LDM's e LDG's nas situações citadas no parágrafo anterior, no caso da Guiné-Bissau (multiplicidade de braços de mar e rios, grandes amplitudes de maré e rios muito sinuosos) atingia mais de 80%, percentagem esta que aumentou a partir de 25 de Março de 1973 com a diminuição de voos de carácter logístico da FAP, devido ao fogo anti-aéreo com recurso a mísseis terra-ar de fabrico soviético "SA-7 Grail Strella " por parte do PAIGC.
• Realizavam missões de fiscalização e patrulha de rios (por vezes reforçadas com grupos de combate de Fuzileiros), transporte de civis e Companhias do Exército e participavam na escolta de comboios de embarcações civis (batelões rebocados ou com motores de veio regulável Schottel da Marinha Mercantes [Casa Gouveia do Grupo CUF]).
• Pelo facto de serem dotadas de pouca velocidade, muitas foram alvo de ataques desencadeados a partir das margens pelo PAIGC na Guiné-Bissau, sendo o caso mais conhecido o da LDM 302, atacada e afundada três vezes; outras foram visadas pelo rebentamento de engenhos explosivos improvisados, submersos e de fabrico artesanal do PAIGC, em rios estreitos e pouco fundos, denominados por "minas aquáticas", em ambas as situações as respectivas guarnições tiveram algumas baixas (feridos e mortos), mas nunca deixaram de ripostar, honrando assim as dignas tradições da Marinha Portuguesa.
• Destaque para a verdadeira epopeia da deslocação de 4 LDM's da costa de Moçambique para o Lago Niassa em três operações: a LDM 404 em Dezembro de 1965 "Operação Atum", a LDM 405 e LDM 408 em Abril de 1966 e a LDM 407 em Agosto de 1967 "Operação Roaz", sendo transportadas primeiro por comboio ao longo de 500 km e posteriormente efectuando 250 km por camiões, numa zona de grande actividade da FRELIMO.
• Fruto das relações político-militares entre Portugal e o Malawi, a LDM 404 atribuída ao Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa, alcunhada de "Chipa", após ter sido desarmada foi facultada à companhia petrolífera SONAP (estabelecida no Malawi) com o desiderato de transportar combustível, permitindo abastecer navios e geradores da Base Naval de Metangula.
• Por vezes, após a passagem ao estado de desarmamento e abate ao efectivo das LDM's, a peça OERLIKON de 20mm era montada em estruturas de modo a reforçar a segurança de instalações navais.


Peça OERLIKON de 20mm em Moçambique


Peça OERLIKON de 20mm na Guiné-Bissau

• Finda a Guerra do Ultramar foram desprovidas de armamento, algumas LDM's mantiveram-se no serviço activo na Escola de Fuzileiros, outras reclassificadas de UAM - Unidade Auxiliar da Marinha, serviram de transporte e para faina geral na Base Naval do Alfeite (destaque para a LDM 421, utilizada como meio de recurso no Combate à Poluição Marítima).
• Em Dezembro de 1977, a LDM 426 destacada em AMSJ - Área Militar de S. Jacinto, sofreu um acidente que a deixou submersa, sendo recuperada como apoio do Navio-Balizador "Schultz Xavier".




LDM 426 após ter sido recuperada pelo Navio-Balizador "Scultz Xavier"
(Fotos do TCor Páraquedista Miguel Silva Machado)

• Na noite de 03 para 04 de Março de 1978, devido a uma avaria nos motores a LDM 419 atribuída ao Comando Naval dos Açores afundou-se 
a cerca de 10 milhas a NE do farol da Ponta Ribeirinha na Ilha do Faial, durante um temporal com ondulação forte quando transitava da Ilha de S. Jorge para a Ilha do Faial, sem baixas entre a guarnição que foi salva no último momento pela embarcação "Espalamaca" que efectuava ligações diárias entre o Faial e o Pico.
• A 16 Novembro de 1993, no âmbito da cooperação técnico-militar com Guiné-Bissau, a par da formação de Fuzileiros, a LDM 421 foi transferida para a Marinha Nacional da Guiné-Bissau, recebendo o n.º de amura LDM 100, tendo interagido com navios da Marinha Portuguesa no conflito civil de Junho de 1998.


LDM da Marinha Nacional da Guiné-Bissau junto da fragata "Corte Real"

• Em 30 de Outubro de 1997, três LDM's foram reclassificadas de UAM, passando a exibir os seguintes números de amura: UAM 119, UAM 120 e UAM 121, a qual se juntou em 25 de Novembro do mesmo ano a UAM 122.
• Em Abril de 1998 foi oferecida outra LDM à Guiné-Bissau, com a entrega formal realizada no cais do Pidjiguiti pelo Director-Geral de Política de Defesa Nacional, acompanhado do Cte. da Escola de Fuzileiros.
• Em Novembro 2001, a LDM 425 foi adquirida pela Câmara Municipal de Tavira à Marinha Portuguesa, recebendo o nome de "Medo das Cascas", a autarquia utiliza a embarcação para desempenhar serviços de desembarque e transporte no arquipélago ao largo de Tavira.


Foto: blog Barcos+Navios

• A 16 de Setembro 2005, a LDM 119 foi colocada nas imediações da entrada da Porta d' Armas da Base de Fuzileiros, em exposição estática e homenagem as guarnições destas embarcações.


LDM 119 em exposição estática

• Em Julho de 2006, a LDM 120 participou no programa "TV Turbo" da SIC Radical transportando veículos todo-terreno para o local de reportagem.
• Actualmente, somente restam duas unidades destes pequenos grandes navios no serviço activo:
- A UAM 122 na Escola dos Fuzileiros, utilizada para instrução.


UAM 122 a navegar (Foto cedida por Corpo de Fuzileiros)

- A LDM 426, atribuída a título permanente à AMSJ, guarnecida desde 1977 por diversas gerações de Pára-quedistas, servindo de transporte diário de militares e funcionários civis da unidade entre a AMSJ e o Forte da Barra do Porto de Aveiro.


LDM 426 (Foto de Serrano Rosa)

• Futuramente a Marinha Portuguesa será equipada com 4 lanchas de desembarque do tipo LCVP, como meios orgânicos do LPD / NPL (25 metros de comprimento, capacidade para 8 toneladas de carga [36 homens ou viaturas ligeiras]), propulsionadas por dois sistemas de jactos de água à popa e um à proa para manobra.

NOTAS:
Desenhos manuscritos da autoria de Luís Filipe Silva
Artigos do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's: