Mostrar mensagens com a etiqueta BLD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BLD. Mostrar todas as mensagens

18/01/15

PELOTÃO DE GUERRA ELECTRÓNICA DOS FUZILEIROS

           O Pelotão de Guerra Electrónica (PELGE) é um Pelotão que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.
           O PELGE integra o sistema de informações do BLD e é constituído por 02 secções: uma de medidas electrónicas de suporte ("Electronic Support Measures" - ESM), com 03 equipas de ESM e outra de contramedidas electrónicas ("Electronic Counter-Measures"), com 03 equipas de ECM.
           Depende operacionalmente do Oficial de comunicações e guerra electrónica do Estado-Maior do BLD, sendo o PELGE chefiado por um Sargento e cada uma das suas secções é chefiada por um Sargento, toda a guarnição é composta por Fuzileiros especializados em comunicações, com aperfeiçoamento em guerra electrónica.

















Tenda de campanha com estação fixa de Guerra Electrónica 
 
- O equipamento da secção ESM permite detectar, localizar, monitorizar, identificar e gravar as emissões electromágneticas de forças hostis situadas na zona de intervenção do BLD, mediante exploração do espectro electromagnético na área de comunicações, contribuindo para a avaliação da ameaça e da situação táctica, sendo por conseguinte, uma mais-valia no apoio ao processo de tomada de decisão do Comandante do BLD;
- O equipamento da secção ECM permite empastelar (“jamming”), decepcionar ou neutralizar electronicamente as emissões electromágneticas dos sistemas de comunicações (transmissão/recepção) e de informação de forças opositoras, com o desiderato de deteriorar a sua capacidade de Comando e Controlo (C2).

























Antena de Guerra Electrónica
 
           A capacidade dos equipamentos da secção ECM, possibilita inclusivo efectuar "jammer" sobre potenciais Engenhos Explosivos Improvisados (IEEI) ou Convencionais Terrestres (IEEC/T) detonáveis por rádio-controlo (RCIED’s), isto é, por recurso à emissão de um sinal electromagnético de maior potência que a faixa de frequência que está a ser utilizada por equipamentos de rádio-controlo, inibindo a sua utilização (transmissão/recepção) e consequente detonação.
           A detecção, localização, empastelamento, decepção ou neutralização na área de equipamentos não-comunicações por regra é incumbido a meios navais, ou através da integração de uma sub-unidade não orgânica no BLD, nomeadamente oriunda do Serviço (Arma) de Transmissões do Exército.

























Man-pack de Guerra Electrónica
 
           Tendo em linha de conta que o PELGE trata-se de uma Força-Tarefa ligeira, os seus equipamentos são caracterizados pelo baixo consumo energético e facilidade de operação, transporte, assim como de interligar com o Posto de Comando do BLD (transferência automática de dados).
           De salientar que a antena de guerra electrónica e respectiva consola podem ser montadas numa viatura, operando como estação semi-portátil, ou instaladas numa tenda de campanha operando como estação fixa, existe ainda estações portáteis "man-pack" que quando trabalham em conjunto com a guarnição da antena de guerra electrónica, podem ser empregues no método de triangulação para localizar uma estação emissora inimiga.















Viatura Táctica Especial de Guerra Electrónica / estação semi-portátil LAND ROVER DEFENDER

23/02/14

SECÇÃO DE VIGILÂNCIA DO CAMPO DE BATALHA





















Fuzileiro com câmera térmica THALES SOPHIE

          A Secção de Vigilância do Campo de Batalha (SECVCB) é uma secção adstrita à estrutura operacional da Companhia de Apoio de Fogos (CAF), que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.
          A SECVCB subdivide-se em 03 equipas de Vigilância de Campo de Batalha: 01 aérea e 02 terrestres, competindo-lhe detectar, localizar e informar de forma sistemática a presença de forças inimigas (pessoal, viaturas e suas actividades) na área de operações do BLD, isto é, na sua zona de intervenção.
 
























Fuzileiro com telémetro laser N/CROS MkIII

          Como Unidade de Vigilância de Campo de Batalha (recolha de informações e vigilância), é parte integrante do sistema de recolha de informação do BLD e depende operacionalmente de um Oficial de Informações.
          O seu conceito de emprego advoga que a vigilância da área de operações do BLD deve ser realizada por recurso ao emprego de meios visuais, áudio, electrónicos ou fotográficos, nomeadamente passivos (equipamentos de infravermelhos e intensificadores de imagem), com o desiderato de evitar denunciar a sua presença às forças opositoras.
 


















Imagem obtida por sistema de visão nocturna



Fuzileiro com monóculo de visualização nocturna AN/PVS-14

          Efectua a vigilância da área de operações do BLD, mesmo em condições de visibilidade e meteorológicas adversas, através da infiltração de modo dissimulado, para obter informações pormenorizadas de natureza operacional e táctico sobre o dispositivo das potenciais forças hostis.
          Dados que são transmitidos no mais curto espaço de tempo ao Elemento de Manobra (BF n.º 2), tentando tirar partido do factor surpresa, ou para executar patrulhas ou montagem de postos de observação.

























Fuzileiro com binóculos de visualização nocturna AN/PVS-23

15/12/13

SECÇÃO DE SAPADORES DA CAF

          A Secção de Sapadores (SECSAP) é uma secção adstrita à estrutura operacional da Companhia de Apoio de Fogos (CAF), que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.
          A SECSAP subdivide-se em 03 equipas de Sapadores, competindo-lhe primariamente a neutralização de obstáculos edificados por forças opositoras, nomeadamente minas AP / AC e fortificações do seu sistema defensivo que dificultem operações de desembarque, progressão no terreno ou a mobilidade táctica do BLD.
 


















Sapador em treino de desminagem

          Secundariamente tem por missão estabelecer obstáculos (como por exemplo instalar campos de minas anti-carro), à mobilidade das forças opositoras, por forma a negar-lhes a utilização de terreno ou infra-estruturas e, apoiar a preparação de posições defensivas do BLD.
          A execução de demolições ou neutralização de obstáculos (como por exemplo abrir passagens em campos de minas), visa a abertura de brechas no sistema defensivo de forças hostis, podendo a SECSAP ser empregue em apoio directo do BLD ou em reforço de uma unidade de FZ's.
























Sapador com fato de protecção EOD 8 e detector de metais Schiebel AN-19/2

          As equipas de Sapadores são responsáveis por fornecer o serviço de Sapadores (manuseamento de cargas explosivas, identificação, levantamento e destruição de engenhos explosivos convencionais, improvisados e NBQ).

30/01/12

PELOTÃO DE RECONHECIMENTO DA CAF


Elemento do PELREC com câmara digital dotada de teleobjectiva CANON ET-160 600mm f/4L IS de zoom e computador portátil TOSHIBA.

          O Pelotão de Reconhecimento (PELREC) é um pelotão adstrito à estrutura operacional da Companhia de Apoio de Fogos (CAF), que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.


Elementos do PELREC com binóculos STEINER M22 e carabina de precisão ACCURACY SUPER MAGNUM de .338

          O PELREC subdivide-se em 02 secções, cada uma com 03 equipas de Reconhecimento e 01 equipa de Sapadores de Combate.


Elemento do PELREC com monóculo de visualização nocturna AN/PVS-14

          As equipas de Reconhecimento são responsáveis por efectuar o reconhecimento (reconhecimento táctico).


Elemento do PELREC com telémetro laser N/CROS MkIII rádio transmissor


Elemento do PELREC com câmera térmica THALES SOPHIE

          As equipas de Sapadores de Combate são responsáveis por fornecer o serviço de sapadores (manuseamento cargas explosivas, identificação, levantamento e destruição de engenhos explosivos convencionais, improvisados e NBQ) em operações de desembarque e progressão no terreno.


Sapador do PELREC com fato de protecção EOD 8 e detector de metais Schiebel AN-19/2


Sapador do PELREC em treino de desminagem

          Tem capacidade para efectuar inserções rápidas em profundidade na área de operações como força avançada autónoma, por recurso a natação de superfície ou meios anfíbios, submarinos, terrestres ou aéreos antes do desembarque do BLD.


Elementos do PELREC em natação de superfície


Equipa do PELREC em bote pneumático ZODIAC Comando 470

          Efectua o reconhecimento dos seus objectivos através da infiltração de modo dissimulado na área de influência do BLD, quer para obter informações pormenorizadas de natureza operacional e táctico sobre o dispositivo das potenciais forças hostis.


Binómio de Snipers do PELREC (atirador e spotter) dissimulados no terreno com fatos de camuflagem "GHILLIE WOODLAND" e rede mimética

          Dados que são transmitidos no mais curto espaço de tempo ao Elemento de Manobra (BF n.º 2), tentando tirar partido do factor surpresa, ou para executar patrulhas ou montagem de postos de observação.


Binómio do PELREC a coordenar desembarque, dotoados de rádio transmissor e computador portátil TOSHIBA apetrechado com calculadora GUNZEN AFDC 1F

          Como unidade de reconhecimento, caso seja necessário, esta apta a operar isolada em terreno sobre controlo de forças hostis por longos períodos, a grande distância da base de apoio e com sustentação logística própria. Assim como efectuar o reconhecimento em condições de visibilidade e meteorológicas adversas e o guiamento terminal de meios de ataque aéreos a alvos e o controlo à distância dos seus elementos constituintes até ao escalão equipa.


Equipa de Reconhecimento do PELREC num Posto de Observação oculto no solo


Posto de Observação de Equipa de Reconhecimento do PELREC

11/12/11

PELOTÃO ANTI-AÉREO DA CAF

          O Pelotão Anti-aéreo (PELAA) é um pelotão adstrito à estrutura operacional da Companhia de Apoio de Fogos (CAF), que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.
          O PELAA não obstante, ainda não se encontra constituído, somente existe na documentação estruturante, sendo a defesa anti-aérea de momento efectuada por metralhadoras-pesadas BROWNING M2HB de 12,7mm (2,4 Km de alcance) ou assegurada por unidades navais ao largo da costa (peças de artilharia ou sistemas de mísseis anti-aéreos).


Metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm.

          Como sub-unidade da CAF, deverá ser capaz de garantir em quaisquer condições de visibilidade, a capacidade mínima de defesa anti-aérea próxima de curto alcance ao BLD, nos designados "sectores de sombra" da defesa aérea a cargo de unidades navais, dividindo-se em 02 secções:
- uma secção de radares com 02 equipas de radares;
- uma secção de mísseis anti-aéreos com 06 equipas postos de tiro.

          Futuramente o PELAA deverá ser equipado com 08 postos de tiro de mísseis anti-aéreos de curto-alcance tipo "MANPADS", que para além da função supracitada, devem garantir o respectivo apoio mútuo entre si e fornecer uma cobertura tão extensa quanto possível à área de intervenção do BLD.


O sistema portátil lança-míssil anti-aéreo de curto alcance STINGER, já utilizado pelo Exército Português, é por diversas razões um forte candidato a equipar o PELAA.

          Pese embora só se opte por iniciar a operação de desembarque anfíbio do BLD quando se detém a superioridade aérea no Teatro de Operações Anfíbio, não se deve descurar a possibilidade de as forças opositoras ainda possam dispor de alguma capacidade aérea que não tenha sido neutralizada.
          Pretende-se que o PELAA esteja integrado no sistema de defesa aérea da força anfíbia, com o objectivo de beneficiar da capacidade de aviso aéreo das unidades navais, tendo ainda como função adicional de contribuir na defesa anti-aérea próxima das unidades navais quando se encontra embarcado.

04/12/11

PELOTÃO ANTI-CARRO DA CAF


Jipe Land Rover Lightweight da UAF AF em 1990, com metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm, dotada do luneta intensificadora AN/PVS-4


Jipe Land Rover Lightweight da UAF AF em 1989, com metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm

          O Pelotão Anti-carro (PELACAR) é um pelotão adstrito à estrutura operacional da Companhia de Apoio de Fogos (CAF), que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.


Equipa anti-carro do PELACAR: Apontador de CARL GUSTAV, Apontador e Municiador de MILAN

          O PELACAR está organizado em Formação de Comando e 04 secções de armas combinadas, cada uma com 04 equipas, sendo que 02 equipas possuem mísseis anti-carro de médio alcance MILAN M1 / 2T / 3 e canhão sem recuo de curto alcance de 84mm CARL GUSTAV, as outras 02 equipas possuem metralhadoras-pesadas BROWNING M2HB de 12,7mm e lança-granadas automático HK GMG de 40mm.


Apontador de míssil filoguiado anti-carro MILAN (Foto: Corpo de Fuzileiros)


Apontador de lança-granadas automático HK GMG de 40mm dotado do sistema de pontaria nocturna ITT F7001

          A principal tarefa do PELACAR é garantir um dispositivo de protecção em profundidade do BLD contra forças blindadas opositoras, nomeadamente carros de combate e viaturas blindadas ou mecanizadas, mediante o emprego dos seus sistemas de armas com capacidade anti-carro de curto e médio alcance, para os neutralizar à maior distância possível e antes de constituírem uma ameaça directa às posições do BLD.


Equipa do PELACAR fazendo fogo com míssil filoguiado anti-carro MILAN, a bordo de um jipe TOYOTA LAND CRUISER, enquanto o resto da guarnição monta segurança (Foto: Corpo de Fuzileiros)

          Como tarefas secundárias, caso seja aconselhável atendendo à situação táctica, está preparado para efectuar reconhecimento pelo fogo, apoiar manobras ofensivas e defensivas das Companhias de Fuzileiros por recurso a apoio de fogo (directo e indirecto) planeado, executar ataques rápidos a alvos especificamente seleccionados, integrar escoltas de colunas motorizadas e destruir abrigos fortificados.


Elementos do PELACAR em desembarque anfíbio (Foto: Soldiers Raids)

          Regra geral os efectivos do PELACAR realizam o desembarque anfíbio apeados, munidos de mísseis MILAN (2 km de alcance) e canhão sem recuo CARL GUSTAV (700 m de alcance), posteriormente com o desembarque das suas viaturas, por inerência a mobilidade e poder de fogo do PELACAR aumenta de forma significativa, em virtude de passar a dispor também de metralhadoras-pesadas BROWNING (2,4 Km de alcance) e lança-granadas HK GMG (2,2 km de alcance).


Jipe TOYOTA LAND CRUISER com metralhadora-ligeira MG-3 de 7,62mm e míssil filoguiado anti-carro MILAN


Jipe TOYOTA LAND CRUISER com lança-granadas automático HK GMG de 40mm, dotado do sistema de pontaria nocturna ITT F7001


Jipe TOYOTA LAND CRUISER com metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm, dotada do sistema de pontaria nocturna ITT F7001

27/11/11

PELOTÃO DE MORTEIROS DA CAF


Secção do PELMORT da UAF em 1990, com UNIMOG 411 e morteiro TAMPELLA 120mm a reboque


Secção do PELMORT da UAF em 1985, com morteiro TAMPELLA de 120mm

         O Pelotão de Morteiros (PELMORT) é um pelotão adstrito à estrutura operacional da Companhia de Apoio de Fogos (CAF), que configura uma unidade de apoio de combate do Batalhão Ligeiro de Desembarque (BLD) do Corpo de Fuzileiros da Marinha de Guerra Portuguesa.
         O PELMORT divide-se em 02 secções, cada uma apetrechada com 08 morteiros de longo alcance:
- 04 morteiros médios ECIA L de 81mm (6 km de alcance);
- 04 morteiros pesados TAMPELLA Mk-A de 120mm rebocados (6,5 km de alcance).


Guarnição de Fuzileiros de morteiro TAMPELLA 120mm (Foto: Corpo de Fuzileiros)

         O PELMORT dispõe ainda de 02 Postos de Controlo de Tiro, cada um equipado com uma viatura ligeira todo-o-terreno com sistemas de controlo da sua secção, cuja função é manter a ligação com os observadores avançados e o Centro Coordenador de Apoio de Fogos, de modo a efectuar barragens de fogo curvo planeado, atender pedidos de apoio de fogo com vários tipos de calibre e projécteis, lançar cortinas de fumo, destruir abrigos fortificados, neutralizar pequenas concentrações de tropas e anotar os resultados dessas acções.


UNIMOG 1300 com morteiro TAMPELLA 120mm a reboque e morteiro ECIA de 81mm

         O PELMORT é responsável por fornecer apoio de fogo indirecto de armas pesadas à evolução de acções ofensivas e defensivas do BLD, utilizando para o efeito observadores avançados para orientar a precisão do fogo, mesmo quando ainda é possível dispor do apoio de fogo de unidades navais ao largo da costa.




















Observador Avançado a orientar a precisão do fogo


Guarnição de Fuzileiros de morteiro ECIA de 81mm

         Os morteiros são um sistema de armas colectivo de fácil emprego e manobra, que em certos tipos de terreno e circunstâncias tácticas facultam uma maior vantagem e eficácia operacional sobre forças opositoras, as suas guarnições de Fuzileiros estão treinados para efectuar salvas de tiro com rapidez em bases de fogos e retirar da posição imediatamente de modo a minimizar os efeitos do fogo de contra-bateria.


Guarnição de Fuzileiros de morteiro ECIA de 81mm em trânsito entre bases de fogo

26/02/10

NAVIO POLIVALENTE LOGÍSTICO

(ACTUALIZADO)

Desenho manuscrito com perspectiva 3D do projecto do NPL da autoria de Luís Filipe Silva

          A dispersão das três parcelas do território nacional (Portugal continental, Arquipélago dos Açores e Arquipélago da Madeira) [triângulo estratégico] distando largas centenas de milhas umas das outras, aliada à nossa extensa orla costeira e à sua pouca profundidade, aconselham a necessidade de um navio vocacionado para proporcionar a mobilidade estratégica por via marítima de Forças Expedicionárias Anfíbias de intervenção rápida, com capacidade de projecção, dissuasão e ainda para apoio e assistência a populações civis.
          Estrategicamente, capacidade expedicionária corresponde à aptidão de intervir militarmente no exterior, pressupondo a existência de meios orgânicos adequados e configurados para esse expresso propósito, quer no planeamento quer na execução.
          Desde da década de 90 que está previsto pelas sucessivas Leis de Programação Militar a construção e desenvolvimento de um Navio Anfíbio, publicamente conhecido por NPL (Navio Polivalente Logístico), sendo LPD (Landing Plantaform Dock) o termo técnico da NATO equivalente.
          O projecto visa que a construção seja fruto de uma parceria entre a Marinha de Guerra Portuguesa, Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) e da HDW (Estaleiros Alemães), sendo do conhecimento público que a preferência é por um projecto de navio baseado no tipo "Rotterdam / Johan de Witt", da Marinha de Guerra Holandesa, sofrendo as necessárias alterações para cumprir as especificações da Marinha Portuguesa.



Navio-Anfíbio "Johan de Witt" da Marinha de Guerra Holandesa

          O projecto técnico (doca com 880 m² e capacidade de embarque e manobra para LCVP e LCU, hangar com 510 m² e convés de voo com 1.300m² para helicópteros), orçado em 15 milhões de Euros faz parte das contrapartidas do concurso dos submarinos U209PN (classe "Tridente").


Desenho manuscrito da planta do NPL da autoria de Luís Filipe Silva

          O projecto técnico será facultado sem custos pela HDW (consórcio vencedor do concurso dos submarinos) que o desenhou entre Fevereiro de 2005 e Abril de 2007, segundo as especificações portuguesas e conta com o contributo de diversos organismos da Marinha, do Estado-Maior General das Forças Armadas e dos restantes ramos das Forças Armadas Portuguesas na definição dos requisitos técnicos do projecto.
          Trata-se de um navio orçado em 210 milhões de Euros e que servirá os 3 ramos das Forças Armadas, constituindo um meio fundamental para os desígnios da capacidade de projecção e permanência na zona de acção de Forças Expedicionárias Anfíbias no quadro de missões internacionais, cenários de conflito, apoio a crises humanitárias ou calamidades naturais.
          Em virtude de a sua construção é um objectivo nacional, decidido e aprovado pelo Governo em resolução do Conselho de Ministros, a sua materialização permitirá às Forças Armadas deterem mobilidade estratégica e a sustentação necessária a acções de salvaguarda dos interesses nacionais, no apoio à política externa do Estado, assegurar a evacuação de cidadãos nacionais de qualquer ponto do território nacional ou residentes no estrangeiro em áreas de crise ou conflito, tendo em linha de conta a evolução da conjuntura internacional, para além de uma efectiva capacidade de apoio à população civil em situações de emergência.
          O contrato foi assinado a 16 de Fevereiro de 2005 com os ENVC, tendo a entrega originalmente prevista para 2010; no entanto, no mesmo ano foi adiado o início da construção para 2009 com a entrega respectivamente para 2013.
          Porém, apesar do prazo de vigência do Contrato-Base com os ENVC ter sido prorrogado até 31 de Dezembro de 2008, através do Despacho 276/MDN/2007, actualmente é difícil de prever de modo sustentado a evolução deste projecto no tempo.
          Diversas empresas portuguesas participarão no projecto, como a EID que fornecerá diversos sistemas de comunicações, sendo de salientar que o navio está concebido para que a maioria dos seus sistemas sejam de tipo comercial, com o escopo de que possa ser construído num estaleiro com capacidade para construção de navios "roll-on roll-off" de médio porte.

          A guarnição será composta por 150 elementos, terá capacidade e acomodações adicionais para 22 elementos do Estado-Maior Naval, Conjunto ou do "Joint Headquarters Lisbon" e alojamento complementar para 150 pessoas por 24 horas ou 50 pessoas por 48 horas, o que justifica imperativamente a cidadela de protecção NBQ que incluirá os corredores de acesso lateral.
          Terá capacidade de projecção autónoma e sustentação por um período de 30 dias no Teatro de Operações (TO), até à chegada de reforços no caso de operações continuadas, da Força-Tarefa de assalto anfíbio denominada Batalhão Ligeiro de Desembarque ("Frame Work Unit") do Corpo de Fuzileiros, originando o binómio NPL-Fuzileiros, força esta organizada com carácter eventual e desenhada "Tailor Made & Mission Oriented":
- Elemento de Comando (Comando);
- Elemento de Manobra (Batalhão de Fuzileiros n.º 2: Companhias de Fuzileiros n.º 21, 22 e 23);
- Elemento de Apoio de Combate (Pelotão de Reconhecimento, Pelotão Anti-Carro, Pelotão de Morteiros, Pelotão Anti-Aéreo, Secção de Vigilância Campo Batalha, Secção de Sapadores, Secção de Guerra Electrónica);
- Elemento de Apoio de Serviços (Formação Comando DAP, Pelotão de Abastecimento, Pelotão de Manutenção, Pelotão de Transportes, Pelotão de Saúde, Pelotão de Polícia Naval, Secção de Descontaminação NBQ);
- Elemento de Assalto Anfíbio (Grupo de Botes de Assalto).


Desembarque de Fuzileiros

          O Batalhão Ligeiro de Desembarque [reduzido] é constituído por um total de 545 Fuzileiros (30 Oficiais, 62 Sargentos e 453 Praças) totalmente equipados, tendo o navio capacidade por inerência para o equivalente em forças terrestres.
          No que respeita à operação de desembarque, pode ser executada por via aérea (a partir de helicópteros) e por via marítima (mediante lanchas de desembarque, botes pneumáticos, blindados anfíbios do ou directamente nos portos).
          No tocante a meios aéreos, terá capacidade para 6 helicópteros médios (Lynx da EHM) ou 4 pesados (EH101 CSAR da FAP), ou combinações destes, será dotado de um hangar com 510 m² e um convés de voo com 1.300 m² com capacidade para operar com 2 helicópteros em simultâneo (banda F), acrescendo-se a capacidade de reabastecimento de combustível para helicópteros (250 toneladas / F44).
          Quanto a meios de superfície, terá capacidade de operar até estado do mar 4 e poderá ser apetrechado com:
- 53 Botes pneumáticos Zebro III;
- 4 Lanchas de desembarque do tipo LCVP com 25 metros de comprimento, capacidade para 8 toneladas de carga (36 militares ou 1 viatura ligeira), propulsionadas por dois sistemas de jactos de água à popa e um à proa para manobra;
- 1 Lancha de desembarque do tipo LCU com capacidade para 180 toneladas de carga (120 militares ou 3 carros de combate);
- 20 Viaturas Blindadas Anfíbias Ligeiras Anfíbias PANDUR II da CATT (Companhia de Apoio de Transportes Tácticos) do Corpo de Fuzileiros.


Blindado Anfíbio PANDUR II

          A operação de enchimento da doca demorará 2 horas e deverá atingir os 2 metros de profundidade de água (lastro: 4.200 toneladas).
          Também estará habilitado para efectuar o transporte de blindados da Brigada Mecanizada, de um Batalhão de Infantaria Mecanizada ou Esquadrões de Reconhecimento do Exército, para o qual estará provido de uma área de parqueamento de veículos com 900 m², com capacidade para viaturas ligeiras (22) e pesadas (76).



Blindado posto de comando M-577 A2


Blindado de luta anti-carro M-901 A1 ITV com lança-mísseis TOW e metralhadora-ligeira M60D de 7,62mm


Posto de Comando do Pelotão Sanitário do GCC ou BIMec M-577


Blindado de transporte de carga M-548 A1


Blindado M-113 com lança-mísseis anti-carro TOW M-220 e metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm


Blindado de transporte de tropas M-113 A2, com metralhadora-pesada BROMNING M2HB de 12,7mm


Blindado de socorro a carros de combate M-88 A1, com metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm


Blindado antiaéreo lança-mísseis M-48 A2 CHAPARRAL


Blindado 4x4 BRAVIA CHAIMITE V-600 porta-morteiro de 81mm

          Estará preparado inclusivo para suportar o peso de carros de combate Leopard 2A6 ou M-6o A3 TTS da Cavalaria do Exército, que podem ser desembarcados pela lancha de desembarque do tipo LCU (3 carros de combate) ou directamente pela porta lateral de acesso à garagem por estibordo.
          Em caso de necessidade como medida de recurso, pode transportar mais viaturas no hangar e no convés de voo em detrimento do transporte de helicópteros.



Carro de combate LEOPARD 2A6, com peça de 120mm e metralhadora-ligeira FN MAG-58 de 7,62mm


Carro de combate M-60 A3 TTS, com peça de 105mm e metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm

          De salientar que está previsto que o projecto colocará em prática as lições absorvidas por marinhas de guerra estrangeiras que operam navios semelhantes, tornando-se deste modo um navio de eleição em comparação com os seus congéneres:
• Da classe "Rotterdam" (casco, doca, convés de voo e respectivo hangar, instalações hospitalares e propulsão diesel-eléctrica), da classe "Johan de Witt" (sistemas de C2), ambas da Marinha de Guerra Holandesa;
• Da classe "Bay" (uso de pods em vez de veios), Marinha de Guerra Inglesa;
• Da classe "Foudre" (chaminés de dimensões reduzidas e maior armazenamento de combustível para helicópteros), Marinha de Guerra Francesa;
• Da classe "San Antonio" (mísseis RAM de defesa de ponto, em vez de canhões Vulcan PHALANX), Marinha de Guerra Norte-americana;
• Da classe "Galicia" (Radar 3D), Marinha de Guerra Espanhola.
          No entanto, pautar-se-á por atender a especificações nacionais sui generis, nomeadamente no que toca a padrões ergonómicos e funcionais de habitabilidade e ao emprego de botes pneumáticos Zebro III (53) do Corpo de Fuzileiros, para tal será dotado de duas portas laterais para o lançamento destas embarcações, bem como de uma estação de reabastecimento, depósito de combustível (20 m²), espaço de armazenamento e corredores próprios.
          É de salientar que um dos desideratos do projecto foi elaborar os requisitos técnicos de forma a permitir que o navio possa evoluir ao longo da sua vida operacional, mediante as disponibilidades financeiras do país e das necessidades da Marinha ou de tempos vindouros, dentro da filosofia "fitted for but not with", isto é, a estrutura do navio permite realizar modernizações no que concerne a armamento, sensores e equipamento com menores custos, num prazo relativamente curto, não requerendo alterações físicas na estrutura do navio, nem a sua imobilização em doca seca, como por exemplo incorporar um multisensor electro-óptico, sistema de IFF/SIF, sistema ESM ou instalar um sistema que permita receber um submersível de salvamento tipo LR5.
          Data dos anos 90 a pretensão da Marinha de Guerra Portuguesa para ser apetrechada com um navio de assalto anfíbio, tendo-lhe sido oferecido um navio LST da classe "Newport" pela Marinha Norte-americana, assim como, face à possibilidade da Marinha Australiana passar a reserva o seu navio LST "Tobruk", a Marinha Portuguesa manifestou interesse na sua aquisição em 1995, chegando inclusivé a enviar uma equipa de Oficiais a Sydney para inspeccionar o estado geral do navio em apreço.
          Em 2000, ainda ocorreram contactos com os estaleiros holandeses da "Royal Schelde" para a construção de um navio semelhante ao "Rotterdam" da Marinha de Guerra Holandesa, mas não tiveram posteriormente continuidade por falta de recursos económicos.
          Quando ocorre a necessidade de utilizar um navio desta natureza, a Marinha Portuguesa recorre a aliados da NATO, regra geral Espanha, tal foi o que sucedeu em Maio de 2008, durante o exercício "ESPABRAS", integrando uma Força de fuzileiros no "European Union Amphibious Battle Group" (EUABG) constituído pela "Spanish/Italian Landing Force", em que os 100 Fuzileiros portugueses (BF2 / UMD / BF / CATT) embarcaram a bordo do Navio-Anfíbio da Armada Espanhola "Galícia".
          No concernente ao transporte de equipamento pesado de forças nacionais, como por exemplo viaturas de reconhecimento ou mecanizadas do Exército, para participação em missões da NATO ou sob os auspícios do ONU como no Kosovo, Bósnia, Iraque [GNR], Timor-Leste, o Governo Português solicita sempre meios estrangeiros ou freta navios mercantes.



Blindado ligeiro de reconhecimento PANHARD VBL M-11 D 4x4 com metralhadora-ligeira BROWNING de 7,62mm


Blindado ligeiro de reconhecimento PANHARD VBL M-11 D 4x4 com metralhadora-ligeira BROWNING de 7,62mm e lança-mísseis filoguiado anti-carro MILAN


Blindado ligeiro de reconhecimento PANHARD VBL M-11 D 4x4 com torreta blindada PL 127/40, e metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm


Blindado ligeiro PANHARD VBL M-11 D 4x4 com metralhadora Brownning de 7,62mm e Radar de vigilância do campo de batalha AN/PPS-5B


Blindado de transporte de tropas 4x4 BRAVIA CHAIMITE V-200, com torre armada com metralhadora dupla de 7,62mm


Blindado ligeiro de reconhecimento CADILLAC GAGE V-150 S COMANDO 4x4 com peça CM90 Mk3 de 90mm e metralhadora-ligeira M60D de 7,62mm

          A necessidade de uma plataforma deste género já ficou comprovada por diversas ocasiões, podendo-se apontar a título de exemplo prático, o sucedido no golpe de Estado desencadeado em 7 de Junho de 1998 pela auto-denominada Junta Militar chefiada pelo Brigadeiro Assumane Mané, seguido de guerra civil na Guiné-Bissau que afastou o Presidente João Bernardo Vieira (Nino Vieira).
          O Governo Português encarregou as Forças Armadas de evacuar civis e militares nacionais, o Corpo Diplomático Português e de outros países da União Europeia, além de cidadãos de outras nacionalidades que solicitaram auxílio, assim como refugiados guineenses («Operação Crocodilo»).
          A Armada Portuguesa assumiu um papel preponderante e esteve à altura das missões que lhe foram atribuídas, empregando uma força com meios navais e 541 militares (533 homens e 8 mulheres), apesar de os meios disponibilizados não serem os mais adequados para a missão: uma Fragata, duas Corvetas e um Navio-Reabastecedor.



Refugiados a bordo da Fragata Vasco da Gama

          Não houve possibilidade de serem utilizadas as facilidades locais da Guiné-Bissau, como por exemplo o aeroporto, mas paralelamente utilizaram-se em alternativa e em grande escala dois helicópteros Lynx e botes pneumáticos Zebro III.


Evacuação de civis por Linx na Guiné-Bissau


Evacuação de civis por recurso a botes pneumáticos

          Nomeadamente no desembarque de tropas de elite da Marinha (Fuzileiros e DAE) e apoio aos seus objectivos, passando pelo controlo do Porto de Bissau, até à recolha de 1.237 refugiados.


DAE no cais do Porto de Bissau


DAE a proceder à evacuação de cidadãos nacionais

          A administração da empresa portuguesa PORTLINE disponibilizou ao Governo o Navio de Cabotagem porta-contentores civil "Ponta de Sagres", que se encontrava no limite das águas territoriais da Guiné-Bissau, para proceder a uma eventual evacuação de cidadãos nacionais devido ao crescente clima de insegurança, acção que se concretiza em 11 de Junho com apoio de pessoal militar da Embaixada Portuguesa em Bissau, transportando posteriormente para Dacar no Senegal 2.250 refugiados de 20 nacionalidades, 400 dos quais portugueses.


Desenho manuscrito do navio de cabotagem porta-contentores "Ponta de Sagres" da autoria de Luís Filipe Silva

          É de salientar que neste conflito a Diplomacia e a Marinha Portuguesa tiveram uma intervenção concertada no processo de paz para pôr fim às hostilidades, em virtude de terem actuado por iniciativa exclusivamente nacional, fora do quadro das alianças e servindo como mesa de conversações, inicialmente a bordo da Fragata "Vasco da Gama" e posteriormente na "Corte Real", entre as duas facções intervenientes na guerra civil a fim de se assinar o acordo de cessar-fogo («Operação Falcão»).
          Outros momentos em que se sentiu a necessidade de um navio desta natureza foi:
• Em 1997 durante a participação na «Operação Forrez», com o objectivo de evacuar cidadãos nacionais do conflito da República do Zaire;




Fuzileiros na Operação Forez no Zaire

• Em 1999 em Timor-Leste, no âmbito da missão da INTERFET / UNTAET para o processo de transição para a independência, com a presença de uma Companhia de Fuzileiros reforçada e uma Fragata com helicóptero;


Desembarque de Fuzileiros em Timor-Leste


Missão da UNTAET em Timor-Leste


Helicóptero na missão da INTERFET em Timor-Leste

• Em 2000, os Fuzileiros foram destacados para efectuar missões SAR e prestar ajuda humanitária às vítimas das cheias do Rio Save, em Moçambique.


Fuzileiros em missões SAR e de ajuda humanitária, nas cheias do Rio Save em Moçambique

          Mais recentemente, a nível internacional poderia ter sido empregue na ajuda internacional ao Haiti, nomeadamente apoiando a equipa nacional destacada e prolongando respectivamente a sua missão.
          A nível nacional, perante a calamidade que ocorreu na Ilha da Madeira em Fevereiro de 2010, podia apoiar a Protecção Civil e ser utilizado para transportar material pesado da Engenharia do Exército, conforme foi solicitado pelo Governo Regional.



Retroescavadora


Escavadora hidráulica


Moto-niveladora Volvo


Tractor de esteiras


Dumper VOLVO

          As Forças Armadas disponibilizaram de imediato diversos meios, tendo a Marinha empenhado a fragata "Corte Real" com um helicóptero Lynx, cuja a guarnição está certificada internacionalmente pelo Reino Unido para intervenção em operações de assistência humanitária em terra ("Operational Sea Training"), transportando uma equipa médica, uma equipa de Mergulhadores (7), duas secções de Fuzileiros, incluindo elementos do Destacamento de Acções Especiais para Resgate em Montanha (40) e o contentor DISTEX (equipamento para situações de emergência).
          Num passado recente ocorreu um sismo de grande intensidade (7.2 na escala de Richter), em Janeiro de 1980, no Grupo Central do Arquipélago dos Açores, afectando as ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa; em Outubro de 1997 em virtude da intensa precipitação ocorreu o deslizamento de terras em S. Miguel e em Julho de 1998 as ilhas do Faial, Pico e São Jorge foram afectadas por um sismo de magnitude 5,6 na escala de Richter.

          Para além da potencial polivalência de emprego e flexibilidade de missões civis ou militares, este tipo de navio será um meio de auxílio com um valor incalculável em operações de calamidade natural, apoio humanitária e de evacuação de cidadãos nacionais do estrangeiro.
          Nomeadamente empenhando o seu Destacamento de Saúde (35 elementos) e a sua infraestrutura hospitalar completa (400 m²), com capacidade de resposta médico-sanitária e médico-cirúrgica até 235 pacientes, ou em cenário de conflito funcionando como navio de recepção primária de baixas "Primary Casualty Receiving Ship",
com capacidade que lhe permitem cumprir com o Primeiro Escalão de Apoio Médico (E-1), após estabilização e tratamento dos pacientes, os meios aéreos podem proceder à evacuação para escalões médicos superiores (E-2 / E-3 / E-4):
- Enfermaria com 25 camas, sendo 10 para cuidados intensivos;
- Capacidade para acolher 200 macas;
- Salas de consulta;
- Sala de pequenos tratamentos e pensos;
- Sala de estomatologia com equipamento portátil;
- Triagem (classificação T1 / T2 / T3 / T4);
- Área para intervenções cirúrgicas com duas salas de operações (tempos operatórios T1 / T2 / T3);
- Área de esterilização de material cirúrgico e laboratório de análises;
- Câmara hiperbárica contentorizada de 20 pés (apoio a Mergulhadores);
- Equipamentos de radiologia, reanimação e anestesia;
- Área de armazenamento de sangue, farmácia e paiol de medicamentos.
          De realçar que está provido de meios próprios (lanchas de desembarque e helicópteros) para fazer a ligação com terra, sem necessidade de montagem prévia ou disponibilidade de facilidades locais adequadas, mesmo quando as instalações portuárias se encontrem danificadas ou sejam inexistentes.
          Em situações de calamidades graves, nomeadamente em ilhas, locais de difícil acesso ou zonas próximas do litoral, a sua capacidade de desembarque de pessoal especializado e respectivo equipamento de busca e salvamento (SAR), mediante os meios próprios em zonas costeiras de acesso dificultado por terra, prestar apoio nas comunicações, efectuar salvamento marítimo, evacuação das vítimas e a assistência médica conferem valências acrescidas.

          Não obstante, um meio com consideráveis valências (Transporte, Desembarque e Hospital) deverá ter em consideração todos os factores que dificultem a sua detecção (assinatura radar, assinatura de infravermelhos, assinatura magnética, assinatura acústica e controlo de emissões electromagnéticas), assim como possuir um mínimo de capacidade de defesa própria por camadas (hard e soft-kill): anti-míssil, anti-aérea, anti-torpedo e NBQ, ou tornar-se-à num alvo demasiado vulnerável, mesmo tendo em conta somente as ameaças assimétricas, tão em prol nos dias de hoje, para além de que não cumpriria com grande parte das directivas veiculadas pela NATO para este tipo de navios.
          Outra área a não descurar é a capacidade de gestão de plataforma e a de C2I (Comando, Controle e Informação) para exercer o Comando de Operações Anfíbias de média envergadura ao nível TG (escalão Brigada BLD), como será por regra o caso nacional, pelo que a sua inexistência significaria negar a sua própria natureza como navio anfíbio, uma vez que são capacidades basilares para o cumprimento de qualquer missão, conforme previsto nos "Requisitos Operacionais".
          Negligenciar as capacidades nos dois parágrafos supra-citados conduzirá a que Portugal nunca fique no comando como "framework nation" em espaços geográficos considerados como nossa área de influência (CPLP / PALOP); quando participe junto de aliados em missões que exijam interoperabilidade se fique limitado a funções secundárias, ou confinado a uma mera presença em crises de baixo grau de conflitualidade.

PRINCIPAIS TAREFAS A DESEMPENHAR:
• Participar nas operações de suporte humanitário funcionando como Navio-Hospital (evacuações médicas e sanitárias);
• Participar com forças nacionais ou multinacionais anfíbias ou em operações da NATO como "Primary Casualty Receiving Ship" (estará adstrito ao "Joint Headquarters Lisbon");
• Garantir o sustento das forças desembarcadas, inclusive o suporte sanitário, até a chegada de reforços no caso de operações continuadas;
• Participar nas forças nacionais ou multinacionais anfíbias em operações de paz (PK) e humanitárias sob os auspícios do ONU ou do OSCE;
• Participar nas tarefas de cooperação multilateral, nomeadamente com as forças de Fuzileiros dos CPLP / PALOP;
• Efectuar operações do interesse público e de Protecção Civil em situações de catástrofes naturais, mas também em todas as situações em que a sua capacidade de apoio o torne uma mais-valia;
• Funcionar como plataforma de suporte às operações de contra-terrorismo, e de combate ao narcotráfico e imigração ilegal, suportando forças de Fuzileiros e Mergulhadores.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO PROJECTO:
- Deslocamento: até 12.500 toneladas;
- Dimensões: até 170 x 27 x 6 metros;
- Velocidade máxima: 19 nós (35 km);
- Propulsão: diesel-eléctrica, 2 hélices e 1 propulsor de proa;
- Autonomia para 6,000 milhas a 14 nós / víveres para 30 dias;
- Aguada: 30 dias;
- Guarnição:
    Oficiais: 18
    Sargentos: 29
    Praças: 103
    Total: 150
- Capacidade total para 800 pessoas com bons padrões de habitabilidade;
- Força de desembarque de 600 Fuzileiros totalmente equipados;
- Área de parqueamento de veículos com 900 m²;
- Porta lateral de acesso à garagem por estibordo;
- Paióis de carga com 3.000 m³;
- Doca com 880 m² / 55 X 16 metros;
- 4 lanchas de desembarque do tipo LCVP;
- 1 lancha de desembarque do tipo LCU;
- 53 botes pneumáticos Zebro III;
- Capacidade para 6 helicópteros médios (Lynx) ou 4 pesados (EH101 CSAR da FAP);
- Hangar com 510 m², convés de voo com 1.300 m², 2 "Landing spots";
- Hospital com 400 m²;
- Combustível: 900 toneladas, óleo de lubrificação: 30 toneladas, gasolina: 15 toneladas, água potável: 300 toneladas.

EQUIPAMENTO:
- Capacidade e contramedidas de defesa anti-míssil, anti-aérea, anti-torpedo e protecção NBQ;
- Artilharia de pequeno (8 x 12,7mm) e médio (2 x 25 / 30mm) calibre;
- Radares de navegação e de busca ar/superfície;
- Sensores de guerra electrónica;
- Sistemas de comando e controlo (EDISOFT);
- Sistema integrador de informação (EDISOFT);
- Sistema integrado de comunicações [voz, audio e vídeo, HF, VHF, UHF, SATCOM e INMARSAT] (EID);
- Sistema integrado com capacidade de link de dados;
- Reabastecimento: Sistema "PROBE", sistema "Light Jack Stay" e "VERTREP".


NOTA:
Informação sobre o NPL no site do Estado-Maior da Armada: http://ema.marinha.pt/NR/rdonlyres/72A7DC0A-01C3-4B83-8817-3D50E89A2521/0/Navio_Polivalente_Logístico.pdf
Artigo do OPERACIONAL sobre a crise na Guiné-Bissau em 1998 e a capacidade militar nacional:
http://www.operacional.pt/a-crise-na-guine-e-a-capacidade-militar-nacional/