19/12/14

FILME DAS FRAGATAS NRP "DIOGO CÃO" E NRP "CORTE REAL"

           Mais um filme de 8mm a cores no canal de youtube deste blogue, cedido pelo Cte. José Rodrigues de Oliveira (CMG M FZE REF), onde é possível observar as Fragatas da mesma classe: NRP "Diogo Cão" F333 e NRP "Corte Real" F334 a navegar a par e efectuar reabastecimento. Trata-se de antigos contratorpedeiros da classe "John C. Butler", cedidos a Portugal em 1957 pelos EUA ao abrigo do Acordo de Defesa e Assistência Mútua.

https://www.youtube.com/watch?v=eRQfkuz1ocM&index=1&list=UUwBcnHbUtMJN7bAnj4mM6Jg

15/12/14

HISTÓRIA À VISTA - 36

          HISTÓRIA À VISTA N.º 36, última da série sobre o Navio de Apoio Logístico A5208 NRP "São Miguel", enviada pelo 1.º Comandante do Navio de Apoio “NRP São Miguel” - CMG REF Oliveira e Costa (1985-1988) e, escrita pelo então Mestre do Navio João Vasconcelos.
 
Nota prévia:
          Quando há cerca de 15 dias enviei pelo correio, via ordinária, ao Mestre Vasconcelos, Mestre do NRP “São Miguel” durante o meu Comando, a “Memória N.º 1 – É Doce…”, onde referia a ocorrência de água aberta, na primeira noite da primeira saída do navio, na latitude de Sines, não sabia qual seria a reacção do mesmo já que, o episódio então contado, acontecera há 25 anos.
          Em 1988 deixei o navio e, 9 anos mais tarde, em 1997, encontrámo-nos de novo, por um período de duas semanas, na Exposição do Dia da Marinha, realizado no Porto, no Palácio da Alfândega.
          A resposta não se fez tardar e vinha na forma de mais uma “Memória” tão singela quanto enternecedora. Entendi dever ser numerada e acrescentada às já existentes, passando a ser a número 15.
          De facto, a experiência de vida naquele navio, o “nosso” navio, continua bem presente e impressa em nós, acalentando o encantamento da saudade que, teimosamente, vem preenchendo a alma de quem teve a felicidade de nele servir. Uma palavra de agradecimento ao Senhor Mestre Vasconcelos, também ele, um dos esteios do NRP “São Miguel”.
 
MEMÓRIA n.º 15: "Odisseia"

          Em 10-11-85 cerca das 10:00 apresentaram-se 03 Sargentos no N/M Cabo Verde, Sarg. E Vaz, Sarg. M.Q. Canceiro e Sarg. M. Vasconcelos. Foi estranha a nossa apresentação, fomos apresentados a dois civis, logo nos informaram tratar-se do Mestre do navio e do 1º de Máquinas.
          No dia seguinte fomos apresentados ao senhor Capitão-tenente Meireles que era o Imediato do navio, informou-nos qual era o nosso papel a bordo e os objectivos pretendidos.
          Acabado de tirar o curso de manobra, sem experiência para um navio daquela envergadura e pouco pessoal, há que tentar fugir daqui, mas em boa hora não consegui, foi uma experiência enriquecedora para a minha vida profissional, militar e civil.
          O pessoal foi aparecendo a conta-gotas, parecia que éramos atirados para uma ilha deserta que ninguém queria habitar, nem ouvir falar, ilha essa que andava à deriva no Rio Tejo sem dono, ora cais de St.ª Apolónia ora Doca da Marinha e vice-versa.
          Todos os dias os tripulantes da Marinha-mercante nos massacravam, vocês não são capazes de tirar o navio do cais, nem carregar um saco de batatas para bordo, isto fazia-nos doer a alma, eles bem sabiam o mal que tinham feito.
          Um dia apareceu um senhor à civil a bordo logo nos disseram aquele senhor vai ser o Comandante do navio. Uns dias passados foi apresentado à pouca guarnição do Cabo Verde o senhor Cap. Frag. Oliveira Costa como Comandante do navio.
          A partir desse dia tínhamos um Comandante a bordo, cedo nos apercebemos que o Comandante partilhava da nossa ansiedade que era pôr o navio a navegar, calar a boca dos agoirentos da mercante.
          Toda a guarnição militar do ainda N/M “Cabo Verde” lançou-se ao trabalho não olhando a esforços e sacrifícios, passar do N/M “Cabo Verde” a NRP “São Miguel”.
          Quero aqui destacar dois Sargentos E. Vaz e MQ. Canceiro, não se pouparam a sacrifícios, sábados, domingos lá estavam a bordo, tentar reparar a avaria.
          Um domingo estava eu de serviço a bordo, apareceu Vaz e Canceiro:
- “Mestre queremos almoço”, como não havia rancho a bordo lá fui eu comprar uns frangos assados, quando me aproximava do navio o Vaz gritava:
- “Já tudo trabalha”, olhei para a chaminé do navio, esta largava fumo foi uma grande alegria para todos, dormiram a bordo.
          A partir desse dia estava traçado um novo destino para o jovem NRP “São Miguel”, novas e difíceis missões o esperavam, todas elas cumpridas. Foi esta a odisseia de um punhado de marinheiros com uma missão espinhosa a cumprir, dignificar o nome da Marinha de Guerra Portuguesa.
          Por ironia do destino o NRP “São Miguel” só ficou completo com as cores da Marinha de Guerra Portuguesa na ilha de São Vicente - Cabo Verde, foram pintados parte dos paus de carga e pau real.
          Todo este trabalho a bordo do NRP “São Miguel” foi doce, assim como doces hão-de ser os dias de vida que temos para viver.
          Senhor Comandante Oliveira e Costa, estou-lhe muito grato por depois de todos estes anos ainda se lembrar de mim. Aceite um doce abraço deste seu Mestre e amigo - João Vasconcelos.

03/12/14

29/11/14

FILME DE EXERCÍCIOS DO CURSO DE FUZILEIROS ESPECIAIS DE 1963

          Novo filme de 8mm a cores no canal de youtube deste blogue, cedido pelo Cte. José Rodrigues de Oliveira (CMG M FZE REF), sobre exercícios de desembarque de instruendos do Curso de Fuzileiro Especial de 1963, por recurso a Lancha de Desembarque Pequena - LD3 e, exercícios de destreza na "Pista de Combate" da Escola de Fuzileiros.

https://www.youtube.com/watch?v=_nVxXnqbWG8&list=UUwBcnHbUtMJN7bAnj4mM6Jg&index=1

16/11/14

FILME DAS COMEMORAÇÕES HENRIQUINAS DE 1960

          Mais um filme de 8mm a cores no canal de youtube deste blogue, cedido pelo Cte. José Rodrigues de Oliveira (CMG M FZE REF), sobre o histórico Desfile Naval em Sagres no âmbito das Comemorações Henriquinas de 1960, com a participação de mais de 50 Unidades Navais de várias nações.
          É possível observar a navegar no Rio Tejo o submarino S151 "NRP Náutilo" da classe "Neptuno", o Draga-minas M418 "Corvo" da classe "São Jorge", surge ainda atracado o Aviso de 1.ª classe "Bartolomeu Dias", pequenas embarcações e o Paquete "Vera Cruz" a navejar:
 
 

10/11/14

FILME DO BOTE-AERODESLIZANTE

          Publiquei no canal de youtube deste blogue um filme de 8mm a cores, cedido pelo Cte. José Rodrigues de Oliveira (CMG M FZE REF), gravado na Ria Formosa, ao largo da Quinta do Ludo, situada em Loulé - Algarve, onde surge o bote-aerodeslizante a navegar:
https://www.youtube.com/watch?v=df9JTiIO4LE&list=UUwBcnHbUtMJN7bAnj4mM6Jg

Artigo sobre o Bote-aero-deslizante:

28/09/14

"OLHARES SOBRE O AFEGANISTÃO" / 1.ª PARTE

           1.ª Parte da Foto-reportagem "Olhares sobre o Afeganistão" sobre a participação de Fuzileiros no Contingente Nacional (FND-PRT ISAF) destacado no Afeganistão, entre Setembro de 2010 a Abril de 2011. Texto e imagens compilado pelo SAJ FZ RES Rogério Pinho e Silva:
 
"OLHARES SOBRE O AFEGANISTÃO"
 
           Desde a chegada ao 1º BIMEC em Stª Margarida em Agosto de 2010, passando pelo RI 14 em Viseu para dar continuidade ao aprontamento, pelo decorrer da cerimónia de entrega do Estandarte Nacional, pela partida para o TO em Cabul, pelo cumprimento da missão e regresso, decorreram mais de duzentos dias de intensa e incansável actividade que nem o calor extremo, o frio agudizante e o pó intragável conseguiram esmorecer!
 
           Espero, através desta foto-reportagem, dar a conhecer um pouco do que foi a missão, das dificuldades de comunicação, do frio intenso e do calor extremo, mas também da alegria e do prazer que sentimos com a amizade daquela gente simples e carregada de sofrimento!




















Treino na carreira de tiro (1º BIMEC)




















Treino de patrulha




















Treino sobre viaturas Hummer (RI 14 Viseu)




















Treino de reacção a emboscada




















Cerimónia entrega Estandarte Nacional




















Desfile após a cerimónia
 
           A partida do aeroporto de Figo Maduro aconteceu por volta da 01.00horas do dia 29Nov.2010. As despedidas são sempre angustiantes. O que se diz dos atentados é interpretado por cada um da forma possível, mas a coragem de cumprir a tarefa que se recebeu está acima de tudo! Durante o voo, nunca preguei olho, embora à volta muita gente “passasse pelas brasas”. Isso permitiu-me ir fotografando alguns aspectos da viagem.




















Elementos da Associação de Fuzileiros



















Cumprimentos de despedida




















Subida para o avião




















Durante o voo de 07 horas




















Imagem do voo




















Entrada no vale de Cabul

           À chegada ao aeroporto de Cabul, a observação em redor deixa-nos preocupados. Estamos num vale rodeado de montanhas, donde seria muito fácil lançar um ataque com resultados catastróficos. Aguardámos o transporte blindado que só chegou umas sete horas depois, começava já a escurecer!
 



















Saída do avião




















Transporte blindado Norte-americano

           Alguns dias depois, após termos na nossa posse a identificação necessária, podemos finalmente sair de Camp WhereHouse para efectuar o reconhecimento da zona onde iríamos trabalhar. O choque entre as duas civilizações é tremendo; separam-nos cerca de 395 anos!
 



















Reconhecimento ao KMTC




















Reconhecimento da área de exercícios




















Treino para ministrar a formação




















Aula sobre tipos de patrulhas

           Preparada a formação, iniciámos o nosso dia-a-dia com os alunos do curso de Sargentos do ANA, ministrado inicialmente, em conjunto com a equipa de militares Romenos, nas instalações do KMTC, (Kabul Military Training Center). Mais tarde viemos a assumir, sozinhos, a formação de todo o curso que oscilava entre os 200 e os 240 militares. Para a formação existia apenas uma sala, onde colocar todos estes militares era sem dúvida complicado.
 




































Aspecto da sala de aula




















Algumas matérias são dadas ao ar livre



















Aqui a concentração é um desafio...





















Treino de posições para a carreira de tiro

























Castigos para os distraídos

           Parte das aulas são dadas ao ar livre, muitas vezes por falta de espaço. O calor constante, algumas vezes chuva ou neve e o ruído envolvente, não permitem grande concentração. O produto final dos cursos deixa-nos angustiados porque queríamos muito mais qualidade.
           A carreira de tiro é sem dúvida a nossa grande preocupação. Com os constantes atentados que vitimaram muitos soldados da NATO e recentemente o atentado na carreira de tiro com os militares Espanhóis, fazem com que a todo o momento os nossos olhares percorram completamente a linha de tiro na procura de algum movimento ou atitude estranha. Gostávamos de envergar a boina do Fuzileiro, mas o bom senso e as regras ditam que na carreira de tiro todos os militares portugueses usam capacete kevlar, colete anti bala e se acharem necessário têm a arma pronta a fazer fogo.




















Transporte para a área de exercícios




















Avanço para objectivo





















Carreira de tiro




















Tiro com munição real




















Viatura portuguesa de controlo























































Tiro em condições adversas

           A visita do Comandante da FND PRT ao KMTC teve como objectivo a observação da forma como decorriam os trabalhos na área da formação e inteirar-se de algumas dificuldades que se depararam aos militares portugueses.
 



















Visita a Camp Álamo




















Comando do TLC (Time Líder Course)





































Aspectos da formação

           De salientar a introdução do CAE (combate em áreas edificadas), que veio a fazer parte do curso do TLC. Foram também cedidas ajudas em material de apoio didáctico e auxiliares de instrução, que os militares afegãos receberam com imensa alegria. A área de exercícios é tão extensa e eles mudam tão rapidamente de planos que chegámos a andar cerca de duas horas à procura da nossa companhia de alunos.
 



















Em conversa com o Major do TLC




















Controlo das munições




















Municiando com munições de salva




















Perímetro defensivo





































Treino de CAE





































Oferta de material de apoio

           Decorrido algum tempo, decidimos que, para fomentar a camaradagem entre os instrutores afegãos que trabalhavam connosco, um almoço seria interessante, uma vez que poderíamos também dar a conhecer a gastronomia portuguesa. O evento decorreu em Camp WereHouse e foi, sem dúvida, muito interessante.
 




































Aspectos do almoço




















Troca de lembranças




















Foto para a posteridade
 
           O Natal é a época da nostalgia. Eu não sou muito ligado a estas coisas, à excepção do jantar em família que considero o ponto alto. Por estar ligado à comissão de acompanhamento do bar, era nossa missão retratar, de forma mais ou menos fiel, o Natal de Portugal, por isso construímos um Presépio. A camaradagem que se vive nestes dias é mais acentuada porque nos tornamos efectivamente uma família.
 










































Imagens do Presépio