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07/05/15
HISTÓRIA À VISTA - 39
HISTÓRIA À VISTA N.º 39, da autoria do SAJ REF de Manobra Bernardino da Silva Torres (248650) de 86 anos, então conhecido por Cabo Silva, Patrão de uma LDP 107 em Santo António do Zaire - Angola.
Tenho muitas recordações da Marinha de Guerra Portuguesa, boas e menos boas, destas últimas, por exemplo a comandar uma LPD - Lancha de Desembarque Pequena em Santo António do Zaire - Angola.
Na tarde de 26 de Maio de 1973 deram-me conhecimento que um bote pneumático, com quatro Fuzileiros (um Primeiro-Sargento e três Praças) em que viajavam voltou-se e estes ficaram à deriva devido às grandes vagas alterosas e de muita corrente no rio Zaire, arrastou-os para o mar.
Assim que tive conhecimento do caso dei ordens a um dos motoristas para colocar a lancha a trabalhar, saí a toda a força com as duas Praças da guarnição em direcção à boca da barra, com a ajuda dos binóculos vi um dos Fuzileiros na crista da vaga alterosa com o calção na mão a pedir socorro, olhei para o céu, pedi a Deus coragem, sai a barra com ondas alterosas e vento forte a 10 milhas da costa.
A muito custo apanhei um a um os quatro Fuzileiros que se encontravam distantes uns dos outros, também consegui apanhar ainda o bote pneumático com motor fora de bordo e, o armamento que os Fuzileiros tinham amarrado ao referido bote.
Já de noite e graças à minha calma debaixo de grande ondulação consegui regressar, apesar das lanchas LPD’s serem muito frágeis, mas Deus esteve do meu lado. Quando cheguei ao quartel era já meia-noite, estava todo molhado, mas alegre por ter salvado estes camaradas militares de uma morte certa.
Gostava que se algum camarada ou até dos que salvei ler esta mensagem, que entre em contacto comigo: Sou o SAJ REF de Manobra Bernardino da Silva Torres (248650), então conhecido em Santo António do Zaire - Angola 1973 por Cabo Silva, resido em Águeda, o meu e-mail é Bernardino.torres@sapo.pt.
29/04/15
MERGULHADORES DA ARMADA NA GUERRA COLONIAL: TO DE ANGOLA
No Teatro de Operações de Angola, os Mergulhadores da Armada estiveram destacados como parte integrante da lotação de pessoal do Comando Naval de Angola, cujos Serviços Gerais disponham de Mergulhadores-Sapadores destacados para o Comando em 1970 e, que foram rendidos individualmente após perfazer em média 04 anos de Comissão de Serviço em virtude de prestar serviço no Comando Naval.
Esta Unidade de Mergulhadores-Sapadores foi sempre a nível de Secção, sendo constituída por: 01 Sargento US e 02 Praças US, mais tarde atendo a requisitos operacionais a Unidade recebeu o reforço de mais uma Praça US.
Mergulhador da Armada em treinos ao largo de Luanda (Foto cedida por Cte. Duarte Costa)
Mergulhador da Armada em treinos ao largo de Luanda (Foto cedida por Cte. Duarte Costa)
No entanto, é de referir que já anteriormente alguns navios da Marinha Portuguesa destacados em Comissão de Serviço em Angola, tinham incorporados nas suas guarnições Praças especializados em Mergulhadores-Vigias, a título de exemplo:
- Navio-Patrulha P582 "NRP Madeira" da classe "Príncipe" em 1962/1963;
- Navio-Patrulha P585 "NRP São Tomé" da classe "Príncipe" em 1967;
- Navio-Patrulha P584 "NRP Sal" da classe "Príncipe" em 1967.
Entre Julho de 1962 e Setembro de 1963, o Navio-Patrulha "NRP Madeira" recebe na sua guarnição duas Praças especializados em Mergulhadores-Vigias incluídos na lotação de outras classes, por este motivo antes de partir para uma comissão de serviço em Angola, foi-lhe montado a bordo um sistema com garrafas de ar comprimido que mediante um filtro adequado permitia o recarregamento das garrafas do equipamento de mergulho, dando maior autonomia ao emprego dos seus Mergulhadores-Vigias fora do porto de Luanda, onde eram recarregadas na empresa comercial "Angases".
Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha P582 "NRP Madeira" (Foto cedida por Cte. Duarte Costa)
Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha P582 "NRP Madeira" (Foto cedida por Cte. Duarte Costa)
No início de Dezembro de 1962, os Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha "NRP Madeira" realizaram por três vezes uma inspecção às obras-vivas do Navio-mercante de passageiros "Niassa" da CNN, durante a sua estadia no Porto Comercial de Luanda em operações de carregamento de material de guerra, por recurso a busca de querena, com o escopo de detectar potenciais minas-lapa colocados por supostos mergulhadores dos movimentos de guerrilha angolana.
A 01 de Junho de 1963, os
Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha "NRP Madeira" participam nas buscas de dois ocupantes de um jeep que caiu ao Rio Quanza, perto da localidade de Dondo em colaboração com elementos da Companhia de Fuzileiros n.º 1. Por vezes eram solicitados para recuperar material militar que se perdia em cursos de água.
Mergulhador-Vigia recupera uma espingarda automática HK G3 A4 de 7,62mm (Fotos cedidas por Cte. Duarte Costa)
Em 1967, uma Praça Mergulhador-Vigia da guarnição do Navio-Patrulha "NRP São Tomé" efectuou a avaliação das condições do casco de uma embarcação afundada junto ao extremo Norte do cais das INIC (Instalações Navais da Ilha do Cabo) - Luanda e, a possibilidade da sua destruição parcial por recurso a cargas explosivas ou corte de chapa, dado constituir um perigo a outros navios.
Em 1967, uma Praça Mergulhador-Vigia da guarnição do Navio-Patrulha "NRP São Tomé" efectuou a avaliação das condições do casco de uma embarcação afundada junto ao extremo Norte do cais das INIC (Instalações Navais da Ilha do Cabo) - Luanda e, a possibilidade da sua destruição parcial por recurso a cargas explosivas ou corte de chapa, dado constituir um perigo a outros navios.
Entre os dias 09 e 12 de Março de 1967, os Praças Mergulhadores-Vigias dos Navios-Patrulha "NRP São Tomé" e NRP "Sal", procederam à recuperação de uma camioneta de passageiros que caiu da ponte sobre o Rio Luquiche-Zadi, ficando totalmente submersa e em local com corrente muito forte.
Após reconhecimento e estabelecimento do plano de acção, a camioneta foi retirada para fora de água, com a colaboração do Batalhão de Artilharia 1853 destacado em Damba, após os Mergulhadores-Vigias terem conseguido passar um cabo de aço preso a duas das suas GMC's e máquinas de construção civil que estavam a arranjar o campo de aviação da localidade.
Fases da operação de recuperação da camioneta com Mergulhador-Vigia (Fotos cedidas por Cte. Duarte Costa)
Terminada a operação, foi redigido um relatório pelo então Cte. da LDG 102 "NRP Ariete" da classe "Alfange" que, coordenou toda a operação (por ter sido instrutor do CIMCM) e entregou ao Comando Naval de Angola, onde advogava a vantagem do CNA dispor de uma Secção de Mergulhadores-Sapadores, atendendo ao cada vez maior número de missões para Mergulhadores.
Posteriormente foram requisitados pelo Comando Naval de Angola uma equipa de 02 Mergulhadores-Sapadores para uma inspecção à Fragata NRP "Pacheco Pereira" e ao Navio-Patrulha NRP "S. Tomé", que foram transportados rapidamente pela FAP para Luanda com os respectivos equipamentos, que efecturaram a missão e conseguindo-se deste modo prolongar consideravelmente o período operacional dos referidos navios, demonstrando o quanto era necessário criar o quadro de Mergulhadores-Sapadores nos Comandos Navais.
Fases da operação de recuperação da camioneta com Mergulhador-Vigia (Fotos cedidas por Cte. Duarte Costa)
Terminada a operação, foi redigido um relatório pelo então Cte. da LDG 102 "NRP Ariete" da classe "Alfange" que, coordenou toda a operação (por ter sido instrutor do CIMCM) e entregou ao Comando Naval de Angola, onde advogava a vantagem do CNA dispor de uma Secção de Mergulhadores-Sapadores, atendendo ao cada vez maior número de missões para Mergulhadores.
Posteriormente foram requisitados pelo Comando Naval de Angola uma equipa de 02 Mergulhadores-Sapadores para uma inspecção à Fragata NRP "Pacheco Pereira" e ao Navio-Patrulha NRP "S. Tomé", que foram transportados rapidamente pela FAP para Luanda com os respectivos equipamentos, que efecturaram a missão e conseguindo-se deste modo prolongar consideravelmente o período operacional dos referidos navios, demonstrando o quanto era necessário criar o quadro de Mergulhadores-Sapadores nos Comandos Navais.
27/05/12
"HISTÓRIAS À VISTA" - 08
8.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do Marinheiro FZE José Rebelo / “Zezito” (nome de guerra).
DE CALÇAS CAÍDAS:
«Foi em Angola, no distrito do Cubango junto à fronteira com o sudoeste africano. Por determinação militar, fui nomeado para fazer segurança a duas dúzias de negros que numa pequena planície extraíam terra barrenta que depois de moldada e cozida, saíam quantidades de blocos de tijolos: o local ficava a cerca de 04 quilómetros do acampamento militar, local da minha pernoita e alimentação (todos os dias fazia aquele percurso apeado).
Na orla da planície onde decorria a escavação, confinava uma mata de baixo arvoredo muito parecido a medronheiros e aqui, “era a casa de banho ao ar livre”! Certo dia um negro por aqui encontrou um animal com poucos dias de nascido e me ofertou; reparei que o animal seria da família de gato e tremia muito, embrulhei-o no meu casaco camuflado e ao fim do dia levei para o acampamento; a rapaziada achou graça ao animal, fizeram-lhe uma cama num bocado de esponja, encheram-lhe a barriga de leite e pela manhã, o animal estava morto.
Voltei ao trabalho e mais ou menos a meio da manhã, vou a mata fazer as minhas necessidades: ponho a G3 no chão ali ao meu lado, desaperto o cinto, baixo as calças e já de cocras, aparece-me um corpulento gato soprando de boca aberta, bigodes estendidos andando e parando já perto de mim, não me mexi e na posição que estava com a mão direita apanho um punhado de terra e mando para o sacudir, mais agitado ficou como a preparar o salto, foi aqui que eu disse:
- "O diabo do gato quer mesmo atirar-se a mim!".
Na posição que estava quase sem me mexer pego na G3 e numa rajada curta, mato o gato. (assim o denominei por gato pelo facto de nunca ter visto uma chita, animal de grande perigosidade que atraída pelo cheiro do meu casaco vinha quebrar o resgate do filho e teve este fim).
Na sequência deste incidente que teve a consequência do disparo de uma rajada de tiros, os negros imediatamente fugiram, (quando saí da mata já não vi nenhum) foram ter ao acampamento a informar que os bandidos matou tropa… Meia hora depois, aparece no local, duas viaturas carregadas de pessoal, surpresos ao verem-me vivo para lhes contar o sucedido.
Estas histórias são exactamente o que pretendem ser; histórias vividas na guerra. Foram tempos que ajudaram a passar outros tempos que eu agora registo como se fosse contado informalmente no prazer de uma conversa entre amigos.»
DE CALÇAS CAÍDAS:
«Foi em Angola, no distrito do Cubango junto à fronteira com o sudoeste africano. Por determinação militar, fui nomeado para fazer segurança a duas dúzias de negros que numa pequena planície extraíam terra barrenta que depois de moldada e cozida, saíam quantidades de blocos de tijolos: o local ficava a cerca de 04 quilómetros do acampamento militar, local da minha pernoita e alimentação (todos os dias fazia aquele percurso apeado).
Na orla da planície onde decorria a escavação, confinava uma mata de baixo arvoredo muito parecido a medronheiros e aqui, “era a casa de banho ao ar livre”! Certo dia um negro por aqui encontrou um animal com poucos dias de nascido e me ofertou; reparei que o animal seria da família de gato e tremia muito, embrulhei-o no meu casaco camuflado e ao fim do dia levei para o acampamento; a rapaziada achou graça ao animal, fizeram-lhe uma cama num bocado de esponja, encheram-lhe a barriga de leite e pela manhã, o animal estava morto.
Voltei ao trabalho e mais ou menos a meio da manhã, vou a mata fazer as minhas necessidades: ponho a G3 no chão ali ao meu lado, desaperto o cinto, baixo as calças e já de cocras, aparece-me um corpulento gato soprando de boca aberta, bigodes estendidos andando e parando já perto de mim, não me mexi e na posição que estava com a mão direita apanho um punhado de terra e mando para o sacudir, mais agitado ficou como a preparar o salto, foi aqui que eu disse:
- "O diabo do gato quer mesmo atirar-se a mim!".
Na posição que estava quase sem me mexer pego na G3 e numa rajada curta, mato o gato. (assim o denominei por gato pelo facto de nunca ter visto uma chita, animal de grande perigosidade que atraída pelo cheiro do meu casaco vinha quebrar o resgate do filho e teve este fim).
Na sequência deste incidente que teve a consequência do disparo de uma rajada de tiros, os negros imediatamente fugiram, (quando saí da mata já não vi nenhum) foram ter ao acampamento a informar que os bandidos matou tropa… Meia hora depois, aparece no local, duas viaturas carregadas de pessoal, surpresos ao verem-me vivo para lhes contar o sucedido.
Estas histórias são exactamente o que pretendem ser; histórias vividas na guerra. Foram tempos que ajudaram a passar outros tempos que eu agora registo como se fosse contado informalmente no prazer de uma conversa entre amigos.»
13/04/12
"HISTÓRIAS À VISTA" - 04
4.ª “HISTÓRIA À VISTA”, sobre Fuzileiros Especiais do DFE nº 2, em Comissão de Serviço em Angola entre 1965/1967, da autoria do Marinheiro FZE José Rebelo e SAJ REF Afonso Brandão, este último além de ser especializado nas armas de FZE e Mergulhador-Sapador (Comissão de Serviço na Guiné-Bissau na Secção n.º1 de Mergulhadores-Sapadores entre 1970/1972), é o administrador e seu grande dinamizador dos seguintes blogues:
- http://angola-dfe2-1965a1967.blogspot.com/
- http://fuzileiromergulhador.blogspot.com/
- http://fuzileiromergulhador.no.comunidades.net/
- http://cadetesdomar.no.comunidades.net/index.php
DE CABINDA À ZAMBIA:
«Dezembro de 1966, a UNITA ataca violentamente Vila Teixeira de Sousa, a região do Cazombo a Leste de Angola, com a vizinha Zâmbia ao lado.
Fiz parte de um grupo de combate de cerca de 40 Fuzileiros que um dia lhes nasceu o sol a 2000 e tal quilómetros da capital Luanda. Desta vez nas margens direita do Rio Zambeze mesmo ali às portas da Zâmbia (Lumbala Velha).
Mochila no chão, G3 encostada à perna direita, fumava um cigarro e observava toda a área que me confinava um rio bastante largo com um caudal pouco navegável naquela época do ano e uma mata dispersa longitudinal às margens com clareiras aqui e ali, após esta minha breve observação falava eu para os meus botões:
- "Hum, isto aqui vai cantar mais fino, 40 Fuzileiros vazados de fome, com meia dúzia de botes remendados, isto vai ser um festival".
No dia seguinte logo ao amanhecer, botes na água e lá vamos nós rio abaixo com o máximo silêncio, encostados a uma das margens que nos oferecia melhor navegabilidade em caso de ser necessário utilizar a velocidade, quando o sol raiou então constatamos que o rio era muito mais perigoso que o julgávamos ser, estava infestado de corpulentos jacarés que embora nós treinados a saltar por cima destes obstáculos, não deixava de ser sempre um risco quando não se fosse mais rápido que a acção do próprio, continuamos a descer o rio e não se deslumbrava sinais de cubatas ou palhotas nas margens.
A determinado ponto invertemos o sentido e subimos o rio antes que se fizesse noite, regressa-mos ao ponto de partida sem confrontos, mas com plena certeza de terem sido de perto observados os nossos movimentos, não tardariam a testar as nossas capacidades de acção.
Dois dias depois, 25 Fuzileiros do grupo partiram da Lumbala para o Cazombo, afim de escoltar uma Lancha por terra com destino a Lumbala, 30 minutos após a nossa partida de Lumbala, fomos terrivelmente emboscados na picada, com uma barragem de fogo de armas automáticas à distancia de pouco mais de 10 metros que nos fez rastejar em sua direcção, mas impedidos pelo rebentamento de várias granadas, mantivemos por alguns minutos um forte duelo de fogo, ouvimos gritos como dizendo:
- "Angola é nossa"
O fogo diminuiu após o disparo certeiro do nosso Lança-Granadas-Foguete, permitindo-nos um avanço de poucas dezenas de metros que culminou na fuga rápida do inimigo, deixando no terreno 2 mortos e nós com um saldo de 12 feridos.
Os poucos Fuzileiros que ficaram no acampamento comandados por um Sargento, ao ouvirem os rebentamentos das granadas e o matraquear das armas automáticas, imediatamente largaram em botes rio acima navegando em velocidade pelo leito do rio, com o objectivo de fazerem o envolvimento ao inimigo ou os surpreender na travessia do rio para a margem oposta.
Percorridas cerca de duas milhas avistaram umas canoas que apressadamente rumavam para a margem infiltrando-se na orla da densa mata abrindo rajadas de fogo contínuo para os botes, estes debaixo de fogo intenso largam da zona da morte e embicam à margem esquerda abrindo fogo de Bazuca e calaram o inimigo.
Fizeram uma batida na zona da margem esquerda encontrando mortos e alguns feridos, assim terminou o dia 28 de Dezembro de 1966, vivido na minha pessoa como interveniente na acção.»
- http://angola-dfe2-1965a1967.blogspot.com/
- http://fuzileiromergulhador.blogspot.com/
- http://fuzileiromergulhador.no.comunidades.net/
- http://cadetesdomar.no.comunidades.net/index.php
DE CABINDA À ZAMBIA:
«Dezembro de 1966, a UNITA ataca violentamente Vila Teixeira de Sousa, a região do Cazombo a Leste de Angola, com a vizinha Zâmbia ao lado.
Fiz parte de um grupo de combate de cerca de 40 Fuzileiros que um dia lhes nasceu o sol a 2000 e tal quilómetros da capital Luanda. Desta vez nas margens direita do Rio Zambeze mesmo ali às portas da Zâmbia (Lumbala Velha).
Mochila no chão, G3 encostada à perna direita, fumava um cigarro e observava toda a área que me confinava um rio bastante largo com um caudal pouco navegável naquela época do ano e uma mata dispersa longitudinal às margens com clareiras aqui e ali, após esta minha breve observação falava eu para os meus botões:
- "Hum, isto aqui vai cantar mais fino, 40 Fuzileiros vazados de fome, com meia dúzia de botes remendados, isto vai ser um festival".
No dia seguinte logo ao amanhecer, botes na água e lá vamos nós rio abaixo com o máximo silêncio, encostados a uma das margens que nos oferecia melhor navegabilidade em caso de ser necessário utilizar a velocidade, quando o sol raiou então constatamos que o rio era muito mais perigoso que o julgávamos ser, estava infestado de corpulentos jacarés que embora nós treinados a saltar por cima destes obstáculos, não deixava de ser sempre um risco quando não se fosse mais rápido que a acção do próprio, continuamos a descer o rio e não se deslumbrava sinais de cubatas ou palhotas nas margens.
A determinado ponto invertemos o sentido e subimos o rio antes que se fizesse noite, regressa-mos ao ponto de partida sem confrontos, mas com plena certeza de terem sido de perto observados os nossos movimentos, não tardariam a testar as nossas capacidades de acção.
Dois dias depois, 25 Fuzileiros do grupo partiram da Lumbala para o Cazombo, afim de escoltar uma Lancha por terra com destino a Lumbala, 30 minutos após a nossa partida de Lumbala, fomos terrivelmente emboscados na picada, com uma barragem de fogo de armas automáticas à distancia de pouco mais de 10 metros que nos fez rastejar em sua direcção, mas impedidos pelo rebentamento de várias granadas, mantivemos por alguns minutos um forte duelo de fogo, ouvimos gritos como dizendo:
- "Angola é nossa"
O fogo diminuiu após o disparo certeiro do nosso Lança-Granadas-Foguete, permitindo-nos um avanço de poucas dezenas de metros que culminou na fuga rápida do inimigo, deixando no terreno 2 mortos e nós com um saldo de 12 feridos.
Os poucos Fuzileiros que ficaram no acampamento comandados por um Sargento, ao ouvirem os rebentamentos das granadas e o matraquear das armas automáticas, imediatamente largaram em botes rio acima navegando em velocidade pelo leito do rio, com o objectivo de fazerem o envolvimento ao inimigo ou os surpreender na travessia do rio para a margem oposta.
Percorridas cerca de duas milhas avistaram umas canoas que apressadamente rumavam para a margem infiltrando-se na orla da densa mata abrindo rajadas de fogo contínuo para os botes, estes debaixo de fogo intenso largam da zona da morte e embicam à margem esquerda abrindo fogo de Bazuca e calaram o inimigo.
Fizeram uma batida na zona da margem esquerda encontrando mortos e alguns feridos, assim terminou o dia 28 de Dezembro de 1966, vivido na minha pessoa como interveniente na acção.»
03/04/12
"HISTÓRIAS À VISTA" - 03
3.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do FZE Mário Manso, personalidade carismática da Associação de Fuzileiros, versando sobre ocorrências nas suas duas Comissões de serviço em Angola, pautadas por valores como a Camaradagem, Espírito de Corpo e Sentido do Dever (cívico e militar).
COINCIDÊNCIAS DA GUERRA:
«Há coisas que presenciámos, que nos marcam de forma muito intensa e para toda a vida. Um dia decorria o ano de 1962, depois de mais uns jogos de matraquilhos no Bairro Alto, onde uns quantos chulecos, que por ali sobreviviam usando os seus expedientes, me resgatavam para com eles jogar, confrontando o seu dinheiro em apostas por cada jogo, com outros habituais adversários.
Certo dia, de um momento para o outro, arma-se um arraial de pancada, onde estavam envolvidos mais de meia dúzia de combatentes, sendo três deles marujos de cordão vermelho no braço esquerdo. Eram umas máquinas na arte de bem bater de tal forma, que me levou mais tarde a ir prá Marinha e para os seus Fuzileiros, a esses Camaradas devo em certa medida a minha decisão afectuosa. Aconteceu em conversas à posterior, já na Escola de Fuzileiros vir a falar dessas cenas, com dois desses três intervenientes.
Este foi o princípio de uma longa caminhada que, a dias de fazer 50 anos de ter entrado na Escola de Vale de Zebro, eu sinta que valeu a pena ter feito tal opção.
Depois de cumpridos todos os testes da escolaridade necessária para obter o direito à Boina, sou de seguida integrado num Destacamento de Fuzileiros Especiais que cumpriu uma Comissão de quase 26 meses em Angola. É desta unidade que foram premiados os primeiros feridos e morto, em combate nesta província ultramarina.
A mim calhou-me, a primeira bala a marcar um Fuzileiro neste território. Também na mesma operação, mais dois Camaradas foram feridos, tendo um falecido e o outro ficado deficiente. Passados alguns dias, sou chamado ao Comando Naval de Angola à presença do Sr. Almirante, se bem me lembro de nome Laurindo dos Santos.
Tentou convencer-me a vir de avião para Lisboa para recuperação. Disse-lhe que gostaria mais de ir com os meus Camaradas para o Zaire! Ele voltou de novo a insistir para que aproveitasse. E foi com alguns argumentos, que hoje reconheço um pouco imbecis, porque reflectiram alguma ignorância, que lhe voltei a manifestar o meu desejo de ir com o Destacamento. Pois que mesmo limitado podia contar com todos eles. Pois ali estavam os Camaradas, que disseram ao Telegrafista, que avisasse o Piloto, que ou pousava, ou levaria uma rajada, porque mostrava estar amedrontado e com receio de me ir recolher.
E foi com estes pressupostos que consegui demover o Sr. Almirante, a deixar-me seguir com a minha unidade de combate. Fui parar ao posto do Tridente, o mais a montante do Rio Zaire, antes de Nóqui onde havia um Quartel do Exército e o rio deixava de ter a sua margem esquerda a banhar onterritório de Angola.
E foi deste local onde alguns dias depois de ali termos chegado, que também andei, mesmo limitado, a levar de bote Soldados da margem Angolana, onde tinham caído numas armadilhas por eles mesmo colocadas, tendo nessa noite, feito algumas viagens transportando-os até Noqui.
Só mais tarde apercebi-me que a intenção do Sr. Almirante era atribuir-me o prémio Governador-geral de Angola. Nem tudo foi perdido porque um louvor, deu-me a hipótese de não pagar as propinas da minha Filha quando frequentou a Universidade, o que não foi mau.
Volto de novo a uma 2.ª Comissão, passados cinco meses de ter regressado da anterior. Uma curiosidade, é que o Cte. era o mesmo e nesta unidade mais de 30 elementos farão também da sua segunda Comissão.
Quando de novo em Cabinda na Lagoa do Massabi, tive a incumbência de matar a malvada ao pessoal, como Cabo de rancho. Este cargo dava-me uma certa liberdade, pelo que levou-me a ocupar parte de algumas noites a fazer “psicó”, num povo que se situava a mais ou menos 30 minutos de bote do nosso posto. Ai ficava enquanto a patrulha cumpria a sua missão na lagoa, fazendo companhia a uma Maria que já antes na 1.ª Comissão tinha-me desafiado.
Ao falar nisto hoje, arrepio-me do perigo que se é capaz de correr, por aquela coisa! É também na permanência naquele posto que certo dia com um outro Camarada, resgatámos 03 homens do Exército nas margens da lagoa, que se haviam perdido quando na manhã do dia anterior, tentaram nas imediações do seu Quartel ido fazer uma caçada, mas por se terem desorientado ali vieram ter.
Quando experimentávamos a operacionalidade de um motor, com registo de avaria da última patrulha, e relativamente distante do nosso posto, ouvimos tiros! Pela experiência, logo apercebi-me de que eram tiros a denunciar a presença, pelo que, avançamos até à margem e os recuperamos. Caso passasse a patrulha na altura, teria sido mais complicado, por alguma manifesta menos experiência e poderiam abrir fogo, sentindo-se emboscados.
Levados para o posto, com eles não estive mais de uma hora, tempo que mediou o dar-lhes de comer e beber, e a chegada dos carros para os levar para o seu Quartel, que entretanto tinha sido informado, este que ficava ainda a um razoável distância, homens que nunca mais vi, mas mesmo assim, anos mais tarde venho a encontrar-me com um desses elementos, na altura namorado de uma amiga da minha hoje Mulher. Uma pura mas grande coincidência!
Depois das apresentações feitas pela minha namorada, logo lhe disse que o conhecia de qualquer lado! Depois de exploradas várias hipóteses, disse-me que tinha estado em Cabinda, de imediato perguntei-lhe se não era o camarada caçador do Exército que se tinha perdido e um dia foi recuperado pelos Fuzos nas margens da lagoa do Massabi? É claro que foi um momento de alguma emoção, porque tantas vezes já tinha falado no caso, e sempre dizia que muito gostaria de nos encontrar! Hoje o Mário Manso e o Mário de Sousa são dois grandes Amigos - mesmo dois irmãos.
Alguns dias depois, aconteceu um jogo de futebol com um grupo dos chamados “T’ÉS grupos de guerrilheiros” que se tinham entregado. Como Cabo de rancho coube-me, fazer as honras da casa ao Sargento que com os outros elementos almoçaram connosco. Logo tomei a iniciativa da conversa, começando por a orientar no sentido de saber coisas da guerrilha.
Depois de debitar-me locais de treino, forma como entravam depois no território Angolano e a sua deslocação até aos pontos destinados a cada grupo, foi um desenrolar constante de acontecimentos emoldurantes, alguns deles por mim já vividos entre 63/65, com algumas peripécias deveras interessantes.
A certa altura do meu questionário, ele diz-me que em fins de Março 1964 um grupo muito complicado lhes tinham queimado os acampamentos e destruídos os seus mantimentos, etc, etc. A certa altura da conversa, logo que me falou na casa de zinco e mata vinte e oito de Maio, eu já com os pêlos em pé!
Pergunto-lhe:
- "Então e não deram tiros no pessoal?".
- "Sim logo à entrada da mata fizemos emboscada e matámos!".
- "Então, como é que sabe?" Questionei.
- "O heli foi buscar morto.".
Como estava de calções, levantei-me e disse-lhe que esse morto era eu. Ao mesmo tempo que lhe mostrava o local onde tinha levado o tiro, retribui-me de imediato de forma angustiante, levantando a camisa para amostragem das suas cicatrizes daquela “nossa” guerra.
O desespero estava bem patenteado no rosto daquele ex-guerrilheiro, mas que eu logo acalmei com um abraço, deixando-o assim mais calmo. Foi um momento também, muito especial da minha vida esta coincidência, em que dois ex-inimigos, que antes se confrontaram estavam agora ali frente a frente, desta vez do mesmo lado da barricada.
Quando estive no Hospital Militar, um Médico de Marinha que lá tinha-me assistido, tinha prometido um almoço aos seus colegas, quando lá aparecesse um Fuzo ferido. Certo dia, uns anos mais tarde estando o meu Pai doente, o Médico da Caixa de Previdência é chamado, e logo que entrou disse para comigo:
- "Conheço esta cara!".
Quando no final da consulta perguntei-lhe se não tinha estado no Hospital em Luanda e disse-me que sim, interroguei-o se não se lembra de mim? Respondeu-me perguntando-me: se eu não era aquele primeiro Fuzileiro ferido em Angola, na operação onde houve mais dois baleados tendo um morrido, e que lhe tinha feito perder um almoço? Os dois tínhamos acertado nos palpites.
Estas quatro coincidências marcaram-me para todo o sempre! Como é que isto pode acontecer!? Isso deve-se provavelmente a uma outra guerra; mas sem armas».
Fuzileiro uma vez, Fuzileiro para sempre!...
COINCIDÊNCIAS DA GUERRA:
«Há coisas que presenciámos, que nos marcam de forma muito intensa e para toda a vida. Um dia decorria o ano de 1962, depois de mais uns jogos de matraquilhos no Bairro Alto, onde uns quantos chulecos, que por ali sobreviviam usando os seus expedientes, me resgatavam para com eles jogar, confrontando o seu dinheiro em apostas por cada jogo, com outros habituais adversários.
Certo dia, de um momento para o outro, arma-se um arraial de pancada, onde estavam envolvidos mais de meia dúzia de combatentes, sendo três deles marujos de cordão vermelho no braço esquerdo. Eram umas máquinas na arte de bem bater de tal forma, que me levou mais tarde a ir prá Marinha e para os seus Fuzileiros, a esses Camaradas devo em certa medida a minha decisão afectuosa. Aconteceu em conversas à posterior, já na Escola de Fuzileiros vir a falar dessas cenas, com dois desses três intervenientes.
Este foi o princípio de uma longa caminhada que, a dias de fazer 50 anos de ter entrado na Escola de Vale de Zebro, eu sinta que valeu a pena ter feito tal opção.
Depois de cumpridos todos os testes da escolaridade necessária para obter o direito à Boina, sou de seguida integrado num Destacamento de Fuzileiros Especiais que cumpriu uma Comissão de quase 26 meses em Angola. É desta unidade que foram premiados os primeiros feridos e morto, em combate nesta província ultramarina.
A mim calhou-me, a primeira bala a marcar um Fuzileiro neste território. Também na mesma operação, mais dois Camaradas foram feridos, tendo um falecido e o outro ficado deficiente. Passados alguns dias, sou chamado ao Comando Naval de Angola à presença do Sr. Almirante, se bem me lembro de nome Laurindo dos Santos.
Tentou convencer-me a vir de avião para Lisboa para recuperação. Disse-lhe que gostaria mais de ir com os meus Camaradas para o Zaire! Ele voltou de novo a insistir para que aproveitasse. E foi com alguns argumentos, que hoje reconheço um pouco imbecis, porque reflectiram alguma ignorância, que lhe voltei a manifestar o meu desejo de ir com o Destacamento. Pois que mesmo limitado podia contar com todos eles. Pois ali estavam os Camaradas, que disseram ao Telegrafista, que avisasse o Piloto, que ou pousava, ou levaria uma rajada, porque mostrava estar amedrontado e com receio de me ir recolher.
E foi com estes pressupostos que consegui demover o Sr. Almirante, a deixar-me seguir com a minha unidade de combate. Fui parar ao posto do Tridente, o mais a montante do Rio Zaire, antes de Nóqui onde havia um Quartel do Exército e o rio deixava de ter a sua margem esquerda a banhar onterritório de Angola.
E foi deste local onde alguns dias depois de ali termos chegado, que também andei, mesmo limitado, a levar de bote Soldados da margem Angolana, onde tinham caído numas armadilhas por eles mesmo colocadas, tendo nessa noite, feito algumas viagens transportando-os até Noqui.
Só mais tarde apercebi-me que a intenção do Sr. Almirante era atribuir-me o prémio Governador-geral de Angola. Nem tudo foi perdido porque um louvor, deu-me a hipótese de não pagar as propinas da minha Filha quando frequentou a Universidade, o que não foi mau.
Volto de novo a uma 2.ª Comissão, passados cinco meses de ter regressado da anterior. Uma curiosidade, é que o Cte. era o mesmo e nesta unidade mais de 30 elementos farão também da sua segunda Comissão.
Quando de novo em Cabinda na Lagoa do Massabi, tive a incumbência de matar a malvada ao pessoal, como Cabo de rancho. Este cargo dava-me uma certa liberdade, pelo que levou-me a ocupar parte de algumas noites a fazer “psicó”, num povo que se situava a mais ou menos 30 minutos de bote do nosso posto. Ai ficava enquanto a patrulha cumpria a sua missão na lagoa, fazendo companhia a uma Maria que já antes na 1.ª Comissão tinha-me desafiado.
Ao falar nisto hoje, arrepio-me do perigo que se é capaz de correr, por aquela coisa! É também na permanência naquele posto que certo dia com um outro Camarada, resgatámos 03 homens do Exército nas margens da lagoa, que se haviam perdido quando na manhã do dia anterior, tentaram nas imediações do seu Quartel ido fazer uma caçada, mas por se terem desorientado ali vieram ter.
Quando experimentávamos a operacionalidade de um motor, com registo de avaria da última patrulha, e relativamente distante do nosso posto, ouvimos tiros! Pela experiência, logo apercebi-me de que eram tiros a denunciar a presença, pelo que, avançamos até à margem e os recuperamos. Caso passasse a patrulha na altura, teria sido mais complicado, por alguma manifesta menos experiência e poderiam abrir fogo, sentindo-se emboscados.
Levados para o posto, com eles não estive mais de uma hora, tempo que mediou o dar-lhes de comer e beber, e a chegada dos carros para os levar para o seu Quartel, que entretanto tinha sido informado, este que ficava ainda a um razoável distância, homens que nunca mais vi, mas mesmo assim, anos mais tarde venho a encontrar-me com um desses elementos, na altura namorado de uma amiga da minha hoje Mulher. Uma pura mas grande coincidência!
Depois das apresentações feitas pela minha namorada, logo lhe disse que o conhecia de qualquer lado! Depois de exploradas várias hipóteses, disse-me que tinha estado em Cabinda, de imediato perguntei-lhe se não era o camarada caçador do Exército que se tinha perdido e um dia foi recuperado pelos Fuzos nas margens da lagoa do Massabi? É claro que foi um momento de alguma emoção, porque tantas vezes já tinha falado no caso, e sempre dizia que muito gostaria de nos encontrar! Hoje o Mário Manso e o Mário de Sousa são dois grandes Amigos - mesmo dois irmãos.
Alguns dias depois, aconteceu um jogo de futebol com um grupo dos chamados “T’ÉS grupos de guerrilheiros” que se tinham entregado. Como Cabo de rancho coube-me, fazer as honras da casa ao Sargento que com os outros elementos almoçaram connosco. Logo tomei a iniciativa da conversa, começando por a orientar no sentido de saber coisas da guerrilha.
Depois de debitar-me locais de treino, forma como entravam depois no território Angolano e a sua deslocação até aos pontos destinados a cada grupo, foi um desenrolar constante de acontecimentos emoldurantes, alguns deles por mim já vividos entre 63/65, com algumas peripécias deveras interessantes.
A certa altura do meu questionário, ele diz-me que em fins de Março 1964 um grupo muito complicado lhes tinham queimado os acampamentos e destruídos os seus mantimentos, etc, etc. A certa altura da conversa, logo que me falou na casa de zinco e mata vinte e oito de Maio, eu já com os pêlos em pé!
Pergunto-lhe:
- "Então e não deram tiros no pessoal?".
- "Sim logo à entrada da mata fizemos emboscada e matámos!".
- "Então, como é que sabe?" Questionei.
- "O heli foi buscar morto.".
Como estava de calções, levantei-me e disse-lhe que esse morto era eu. Ao mesmo tempo que lhe mostrava o local onde tinha levado o tiro, retribui-me de imediato de forma angustiante, levantando a camisa para amostragem das suas cicatrizes daquela “nossa” guerra.
O desespero estava bem patenteado no rosto daquele ex-guerrilheiro, mas que eu logo acalmei com um abraço, deixando-o assim mais calmo. Foi um momento também, muito especial da minha vida esta coincidência, em que dois ex-inimigos, que antes se confrontaram estavam agora ali frente a frente, desta vez do mesmo lado da barricada.
Quando estive no Hospital Militar, um Médico de Marinha que lá tinha-me assistido, tinha prometido um almoço aos seus colegas, quando lá aparecesse um Fuzo ferido. Certo dia, uns anos mais tarde estando o meu Pai doente, o Médico da Caixa de Previdência é chamado, e logo que entrou disse para comigo:
- "Conheço esta cara!".
Quando no final da consulta perguntei-lhe se não tinha estado no Hospital em Luanda e disse-me que sim, interroguei-o se não se lembra de mim? Respondeu-me perguntando-me: se eu não era aquele primeiro Fuzileiro ferido em Angola, na operação onde houve mais dois baleados tendo um morrido, e que lhe tinha feito perder um almoço? Os dois tínhamos acertado nos palpites.
Estas quatro coincidências marcaram-me para todo o sempre! Como é que isto pode acontecer!? Isso deve-se provavelmente a uma outra guerra; mas sem armas».
Fuzileiro uma vez, Fuzileiro para sempre!...
13/03/11
FUZILEIROS NA GUERRA COLONIAL
(ACTUALIZADO)
No ano em que se comemora os 50 anos da criação da Escola de Fuzileiros, eis uma resenha redigida com o objectivo de recordar a Guerra Colonial, tendo em linha de conta que como acontecimento histórico do passado recente da Nação, traduziu-se na prática no 1.º "teste de fogo" aos ensinamentos ministrados na Escola de Fuzileiros e ao seu produto, as gerações de militares que desde 1961 ostentam a Boina dos Fuzileiros.
DÉCADA DE 60
Os Fuzileiros participaram activamente com 12.255 militares durante toda a Guerra Colonial (1961 a 1974), nos três TO - Teatros de Operações onde se desenrolou o conflito bélico:
• Angola: - Rio Zaire, Dembos, Rio Lungué-Bungo, Rio Zambeze, Rio Cubango; - 17 DFE's e 22 CF's destacados;
• Guiné-Bissau: - Bissau, Rio Cacheu, Cacine, Cumbijã; - 27 DFE's e 12 CF's destacados;
• Moçambique: - Cabo Delgado, Niassa, Tete, Lourenço Marques; - 19 DFE's e 12 CF's destacados.
Foram das principais forças militares portuguesas mobilizadas para o combate de contra-guerrilha, criando-se para o efeito 3 tipo de unidades de combate:
• DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais: 13 unidades metropolitanas e 3 africanas, cada uma inicialmente com 75 e a partir de 1967 com 80 efectivos (4 Oficiais, 6 Sargentos, 14 Cabos, 32 Marinheiros e 24 Grumetes), divididos em três grupos de assalto vocacionados para missões de combate ofensivo de limitada duração e penetração na orla costeira (golpes de mão) e realização de operações conjuntas com os outros ramos das FA's;
• CF - Companhias de Fuzileiros Navais: 12 unidades, cada uma com 140 efectivos (7 Oficiais, 8 Sargentos, 13 Cabos, 36 Marinheiros e 76 Grumetes), divididos por três pelotões de atiradores e uma formação de comando, composta pela secção de comando e uma secção de quartéis. Dispunham ainda de uma secção de abastecimento, secção de secretaria, secção de comunicações e secção de saúde, competia-lhes a missão de patrulhamento, escolta de comboios fluviais de embarcações mercantes, desempenhar o serviço de Polícia Naval e montar segurança a navios, aquartelamentos e Comandos Navais;
• Pelotões Independentes: 4 unidades, cada uma com 43 efectivos (2 Oficiais, 2 Sargentos, 4 Cabos, 13 Marinheiros e 22 Grumetes), tratou-se de unidades destacadas para o Ultramar e integradas no dispositivo local da Marinha, nomeadamente no Arquipélago de Cabo Verde.
De salientar que por regra cada Fuzileiro cumpria duas comissões de serviço no Ultramar, integrado num DFE ou CF, existindo inclusivo diversos militares, nomeadamente entre as classes de Sargentos e Praças, que cumpriram até 4 comissões, cada uma de 2 anos de serviço.
Tal particularidade justifica-se em virtude de todas as unidades de Fuzileiros, nesta época serem formadas por militares do Quadro Permanente e Voluntários, o que traduzia-se num determinado número de militares com experiência de combate, que por inerência contribuia para o aumento do desempenho operacional da respectiva unidade.
Finda a comissão de serviço no Ultramar, a unidade de Fuzileiros regressava a Portugal, sendo os seus efectivos rendidos na totalidade, no entanto mantinha o mesmo n.º de designação como unidade militar, que após nova constituição orgânica, destacava novamente para África em comissão de serviço, somente a Marinha de Guerra Portuguesa dos 3 ramos das FA's adoptou este sistema de rendição de unidades militares.

Guarnição do DFE n.º 2 destacado em comissão de serviço em Angola entre 1965-1967 (Foto cedida por SAJ Afonso Brandão / FZE e Mergulhador-Sapador)
Em 10 de Novembro de 1961, após concluir a instrução e formação em Portugal, parte para Angola num DC6 da FAP a primeira unidade de Fuzileiros, o DFE n.º 1 [Portaria n.º 18 774 de 13 de Outubro de 1961], composta por 2 Oficiais, 4 Sargentos, 9 Marinheiros e 60 Grumetes, iniciando a sua comissão no âmbito das operações de reocupação militar do Norte de Angola.
Em Junho de 1962, desembarca na Guiné-Bissau o DFE n.º 2, com o escopo de reforçar o dispositivo militar, participa juntamente com o DFE n.º 7 e DFE n.º 8 na «Operação Tridente» na ilha do Como, e nas buscas para localizar o Sargento Lobato, Piloto de um avião T6 da FAP que caiu após embate com o respectivo "asa", sobrevivendo à queda do aparelho e seria feito prisioneiro pelo PAIGC.
Em Outubro de 1962, desembarca a Moçambique a CF n.º 2, tendo por missão garantir a defesa e segurança do Comando Naval de Moçambique em Lourenço Marques (actual Maputo), tendo um dos seus pelotões destacado para Metangula, no Lago Niassa.
- OS MEIOS UTILIZADOS
No que concerne à dotação orgânica de material, a Marinha de Guerra Portuguesa atendendo à guerra de guerrilha que ocorria nos TO's, apetrechou as unidades de Fuzileiros com meios ligeiros de baixo custo, fácil operação e manutenção.
Ao longo do conflito, os meios adoptados pouco evoluiram e as unidades de Fuzileiros adequavam casuisticamente os meios empregues conforme a missão a executar.
Tendo por exemplo a guarnição de um DFE, esta era equipada com os seguintes meios:
• ARMAMENTO:
- Armas individuais:
- Lapiseira-pistola .22¹ (3);
- Pistolas WALTHER P-38 de 9mm (13);
- Espingardas .22 (2); caçadeiras de 12mm (2);
- Espingardas HK G3A2 m/963 de 7,62mm com bipé (8);
- Espingardas HK G3A2 m/963 de 7,62mm (63 + 9 de reserva).
- Armas de apoio:
- Lança-chamas MARAÑOZA² (1);
- Metralhadoras-ligeiras MG-42 mod.59 de 7,62mm (2);
- Lança-Rockets ARMADA 69 ou OGMA de 37mm (2 + 12 granadas SNEB);
- LGF INSTALAZA 58-B "BAZOOKA" ou LGF FIRESTONE H/29 A1 B1 de 88,9mm (2 + 12 granadas);
- Morteiros pesados TAMPELLA 120mm³ (2 + 36 granadas);
- Morteiros médios ECIA 81mm (2 + 36 granadas);
- Morteiros ligeiros M2M/52 de 60mm (2 + 36 granadas);
- Morteirete 60 mm (2 + 36 granadas);
- Peça OERLIKON Mk2 de 20mm³;
- Peça BOFORS de 40mm.
Peça Bofors de 40mm na Pedra do Feitiço - Angola
- Armamento explosivo:
- Granadas de mão ofensivas SPEL m/962;
- Granadas de mão defensivas SPEL m/963;
- Granadas de mão BIVALENTE PRB 423;
- Granadas de mão de fumo SPEL;
- Granadas incendiárias;
- Granadas armadilhas;
- Cordão detonante²;
- Dilagramas M26A1 "ALG" ou ARMADA 64 (24).
¹ Defesa pessoal de Oficiais;
² Parte da dotação mas pouco utilizado;
³ Utilizado na defesa de instalações
(TAMPELLA na Vila Cacheu - Guiné-Bissau / OERLIKON na Tabanca Grande - Guiné-Bissau).
• COMUNICAÇÕES:
- Apitos (5);
- Transreceptor AN/PRC-6 ou AN/PRC-10 (2);
- Transreceptor HF 156 (2);
- Transreceptor AN/PRC-116 (20);

Marinheiro C "radiotelegrafista" do DFE n.º 9 no Mágué velho
(A partir dos finais da década de 60)
- Transreceptor AN/PRC-216 ou AN/PRC-236 B (2);
- Emissor / receptor RACAL TR-28 B2 HF (2).
• MEIOS TERRESTRES:
- Jipes 4x4 LAND ROVER (3);
- Mercedes UNIMOG 401 / 404;
- Berliet TRAMAGAL;
- Camião de carga SCANIA VABIS ou BEDFORD (1).
• MEIOS ANFÍBIOS:
- Botes pneumáticos ZODIAC ou ZEBRO III (12);
- Motores MERCURY de 50cv (12);
- Botes de fibra de vidro (sintex) "MARUJO".
Bote de fibra de vidro (sintex) "MARUJO"
• FARDAMENTO:
- Fato de combate camuflado padrão "LAGARTO" de 2 peças, acolchoado nos joelhos, cotovelos e ombros, dispondo de 16 bolsos e fechos Zippo; fato de macaco de 1 só peça;
- Botas de combate em cabedal "Botas de Fuzileiro" (estanques e resistentes) ou de lona;
- Meias de enchimento;
- Poncho camuflado com capuz; - Rede mosquiteira de pescoço;
- Cinturão.
• EQUIPAMENTO DIVERSO:
- Máquina fotográfica de 16mm (2);
- Máquina de escrever (1);
- Binóculos (4);
- Bússolas SILVA (10);
- Relógios à prova de água AQUASTAR (10);
- Lanternas estanques (10);
- Filtros para água CATADIN (12),
- Algemas (3);
- Lápis dermográfico;
- Lapiseira de sinais;
- Kit sanitário;
- Faca de combate;
- Cantil de 1 litro
- Very-lights.
• CÃES DE GUERRA: (ler artigo)
- OFICIAIS FUZILEIROS DA RESERVA NAVAL
Paralelamente no mesmo período temporal e com o início do conflito colonial a carência de Oficiais aumentará substancialmente, deste modo a partir do 4º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval (6 de Outubro de 1961) em diante, a Reserva Naval também contribuiu com Oficiais Subalternos para as unidades de Fuzileiros [Portaria 18 393 de 12 de Abril de 1961].
Os Cadetes que frequentavam o Curso de Oficial da Reserva Naval na Escola Naval eram oriundos de mancebos com frequência universitária ou já detentor de Curso Superior Universitário que se voluntariavam ou eram convocados a cumprir o SMO, observando o disposto na Portaria n.º 18 393 de 18 de Abril de 1961:
- Escola Superior de Belas-Artes;
- Faculdade de Ciências;
- Faculdade de Direito;
- Faculdade de Economia;
- Faculdade de Letras;
- Instituto Nacional de Educação Física;
- Instituto Superior de Agronomia;
- Instituto Superior de Estudos Ultramarinos;
- Instituto Superior Técnico.
A Reserva Naval registou inclusivo maiores taxas de integração de Oficiais Subalternos nas unidades de Fuzileiros, por regra integrando como Imediato, 3.º e 4.º Oficial, que os Oficiais Subalternos oriundos do Quadro Permanente: - 82 Oficiais da RN em 139 Oficiais integrados nos DFE, correspondendo a 56%; - 217 Oficiais da RN em 328 Oficiais integrados nas CF, correspondendo a 66%;
De destacar que diversos Oficiais oriundos da RN, após ingresso nos QP's da Armada, comandaram DFE's e CF's.
A título de exemplo o 4º CFORN forneceu 9 Oficiais que integraram as CF n.º 1 e n.º 2, destacadas respectivamente para Angola e Moçambique.
DÉCADA DE 70
É de realçar que a durante o conflito colonial, a Guiné-Bissau e Moçambique foram os TO's onde as unidades de Fuzileiros foram colocadas mais à prova, no que concerne à capacidade operacional e resistência física e psicológica, devido às particularidades sui generis do terreno, clima, organização e capacidade de combate da guerrilha do PAIGC (poder de fogo e "fornilhos") e FRELIMO (implantação de minas A/P e A/C).
No caso da Guiné-Bissau, no início da guerra os Fuzileiros estavam aquartelados na cidade de Bissau e subordinados ao Comando de Defesa Marítima da Guiné (criado pelo Decreto-lei 41 990 de 3 de Dezembro de 1958 e activado em Maio de 1959), actuando na razão de um DFE por bacia hidrográfica (Cacheu, Geba / Corubal e Buba / Cacine).

Fuzileiros em operações em zona de tarrafo da Guiné-Bissau
No entanto, com o evoluir da guerra, meios de combate e efectivos nas unidades PAIGC, que se materializou numa quase transformação de guerra de guerrilha para convencional, foi necessário ajustar o dispositivo e os Fuzileiros também foram destacados para junto das fronteiras Norte e Sul, sendo atribuídos a um COP - Comando Operacional ou CAOP - Comando de Agrupamento Operacional, nomeadamente para reforço das acções de contra-penetração de guerrilheiros do PAIGC vindo do Senegal ou da Guiné Conakry.
Em Moçambique, os Fuzileiros operaram nos distritos de Cabo Delgado, Tete e Niassa, sendo este último juntamente com o seu Lago Niassa o cenário por excelência, com bases em Metangula e Coubé, cada uma com um DFE destacado, este distrito era também denominado de "Estado de Minas Gerais" pelas forças portuguesas, em virtude da profusão de minas A/C e A/P colocadas pela FRELIMO.
- OS DESTACAMENTOS DE FUZILEIROS ESPECIAIS AFRICANOS
Atendendo ao esforço em termos de recursos humanos que Guerra de Ultramar necessitava e dentro da política de africanização do conflito, são constituídos somente na Guiné-Bissau a partir de Abril de 1970, no Centro de Instrução e Preparação de Fuzileiros Especiais Africanos em Bolama, os únicos DFE africanos: DFE 21 [21 de Abril de 1970], DFE 22 [16 de Novembro de 1971] e DFE 23 [1 de Julho de 1974].
No entanto o DFE 23 nunca chegou a ser formalmente activado, sendo os 3 DFE's africanos desactivados em 25 de Agosto de 1974.
Tratou-se de unidades guarnecidos por Oficiais, Sargentos e algumas Praças metropolitanos (Comandante, Imediato, quartel-mestre, radiotelegrafista [telefuzo], enfermeiro, etc), sendo as restantes Praças recrutados entre voluntários da população nativa da província, regra geral dando-se preferência aos assalariados do Comando de Defesa Marítima, de Serviços da Marinha, guias de unidades de Fuzileiros, estivadores e pessoal oriundo de companhias de milícias ou caçadores nativos.



Guiões dos DFE's Africanos 21, 22 e 23
A 22 de Novembro de 1970, o DFE n.º 21 (Africano) participou na «Operação Mar Verde», na Guiné-Conakry, competindo-lhe a missão de atacar a prisão “La Montaigne”.
- BAIXAS ENTRE OS FUZILEIROS
Segundo a Comissão COLOREDO, durante todo o conflito, os Fuzileiros tiveram 185 baixas mortais, sendo que entre os feridos, 50% dos mesmos foram vítimas do efeito de minas A/P, A/C ou "fornilhos":
• Angola: [57 mortos] 13 em combate; 34 por acidente e 10 por doença;
• Guiné-Bissau: [99 mortos] 55 em combate; 35 por acidente e 9 por doença;
• Moçambique: [29 mortos] 13 em combate; 10 por acidente e 6 por doença.
O único Oficial que faleceu em combate foi um 2TEN FZ da Reserva Naval da CF n.º 1, oriundo do 18.º CFORN, em Junho de 1973, no Chilombo - Leste de Angola.
Findo o conflito do Ultramar e extinção dos Comandos Navais e de Defesa Marítima das ex-colónias em 1975, com a finalidade de uniformizar de modo mais profícuo procedimentos operacionais e administrativos, tornou-se necessário estruturar em Batalhões as Companhias de Fuzileiros existentes, criando-se os Batalhões de Fuzileiros n.º 1, 2, 3 e 4 [Portaria n.º 258/75 de 16 de Abril].
DÉCADA DE 60
Os Fuzileiros participaram activamente com 12.255 militares durante toda a Guerra Colonial (1961 a 1974), nos três TO - Teatros de Operações onde se desenrolou o conflito bélico:
• Angola: - Rio Zaire, Dembos, Rio Lungué-Bungo, Rio Zambeze, Rio Cubango; - 17 DFE's e 22 CF's destacados;
• Guiné-Bissau: - Bissau, Rio Cacheu, Cacine, Cumbijã; - 27 DFE's e 12 CF's destacados;
• Moçambique: - Cabo Delgado, Niassa, Tete, Lourenço Marques; - 19 DFE's e 12 CF's destacados.
Foram das principais forças militares portuguesas mobilizadas para o combate de contra-guerrilha, criando-se para o efeito 3 tipo de unidades de combate:
• DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais: 13 unidades metropolitanas e 3 africanas, cada uma inicialmente com 75 e a partir de 1967 com 80 efectivos (4 Oficiais, 6 Sargentos, 14 Cabos, 32 Marinheiros e 24 Grumetes), divididos em três grupos de assalto vocacionados para missões de combate ofensivo de limitada duração e penetração na orla costeira (golpes de mão) e realização de operações conjuntas com os outros ramos das FA's;
• CF - Companhias de Fuzileiros Navais: 12 unidades, cada uma com 140 efectivos (7 Oficiais, 8 Sargentos, 13 Cabos, 36 Marinheiros e 76 Grumetes), divididos por três pelotões de atiradores e uma formação de comando, composta pela secção de comando e uma secção de quartéis. Dispunham ainda de uma secção de abastecimento, secção de secretaria, secção de comunicações e secção de saúde, competia-lhes a missão de patrulhamento, escolta de comboios fluviais de embarcações mercantes, desempenhar o serviço de Polícia Naval e montar segurança a navios, aquartelamentos e Comandos Navais;
• Pelotões Independentes: 4 unidades, cada uma com 43 efectivos (2 Oficiais, 2 Sargentos, 4 Cabos, 13 Marinheiros e 22 Grumetes), tratou-se de unidades destacadas para o Ultramar e integradas no dispositivo local da Marinha, nomeadamente no Arquipélago de Cabo Verde.
De salientar que por regra cada Fuzileiro cumpria duas comissões de serviço no Ultramar, integrado num DFE ou CF, existindo inclusivo diversos militares, nomeadamente entre as classes de Sargentos e Praças, que cumpriram até 4 comissões, cada uma de 2 anos de serviço.
Tal particularidade justifica-se em virtude de todas as unidades de Fuzileiros, nesta época serem formadas por militares do Quadro Permanente e Voluntários, o que traduzia-se num determinado número de militares com experiência de combate, que por inerência contribuia para o aumento do desempenho operacional da respectiva unidade.
Finda a comissão de serviço no Ultramar, a unidade de Fuzileiros regressava a Portugal, sendo os seus efectivos rendidos na totalidade, no entanto mantinha o mesmo n.º de designação como unidade militar, que após nova constituição orgânica, destacava novamente para África em comissão de serviço, somente a Marinha de Guerra Portuguesa dos 3 ramos das FA's adoptou este sistema de rendição de unidades militares.

Guarnição do DFE n.º 2 destacado em comissão de serviço em Angola entre 1965-1967 (Foto cedida por SAJ Afonso Brandão / FZE e Mergulhador-Sapador)
Em 10 de Novembro de 1961, após concluir a instrução e formação em Portugal, parte para Angola num DC6 da FAP a primeira unidade de Fuzileiros, o DFE n.º 1 [Portaria n.º 18 774 de 13 de Outubro de 1961], composta por 2 Oficiais, 4 Sargentos, 9 Marinheiros e 60 Grumetes, iniciando a sua comissão no âmbito das operações de reocupação militar do Norte de Angola.
Em Junho de 1962, desembarca na Guiné-Bissau o DFE n.º 2, com o escopo de reforçar o dispositivo militar, participa juntamente com o DFE n.º 7 e DFE n.º 8 na «Operação Tridente» na ilha do Como, e nas buscas para localizar o Sargento Lobato, Piloto de um avião T6 da FAP que caiu após embate com o respectivo "asa", sobrevivendo à queda do aparelho e seria feito prisioneiro pelo PAIGC.
Em Outubro de 1962, desembarca a Moçambique a CF n.º 2, tendo por missão garantir a defesa e segurança do Comando Naval de Moçambique em Lourenço Marques (actual Maputo), tendo um dos seus pelotões destacado para Metangula, no Lago Niassa.
- OS MEIOS UTILIZADOS
No que concerne à dotação orgânica de material, a Marinha de Guerra Portuguesa atendendo à guerra de guerrilha que ocorria nos TO's, apetrechou as unidades de Fuzileiros com meios ligeiros de baixo custo, fácil operação e manutenção.
Ao longo do conflito, os meios adoptados pouco evoluiram e as unidades de Fuzileiros adequavam casuisticamente os meios empregues conforme a missão a executar.
Tendo por exemplo a guarnição de um DFE, esta era equipada com os seguintes meios:
• ARMAMENTO:
- Armas individuais:
- Lapiseira-pistola .22¹ (3);
- Pistolas WALTHER P-38 de 9mm (13);
- Espingardas .22 (2); caçadeiras de 12mm (2);
- Espingardas HK G3A2 m/963 de 7,62mm com bipé (8);
- Espingardas HK G3A2 m/963 de 7,62mm (63 + 9 de reserva).
- Armas de apoio:
- Lança-chamas MARAÑOZA² (1);
- Metralhadoras-ligeiras MG-42 mod.59 de 7,62mm (2);
- Lança-Rockets ARMADA 69 ou OGMA de 37mm (2 + 12 granadas SNEB);
- LGF INSTALAZA 58-B "BAZOOKA" ou LGF FIRESTONE H/29 A1 B1 de 88,9mm (2 + 12 granadas);
- Morteiros pesados TAMPELLA 120mm³ (2 + 36 granadas);
- Morteiros médios ECIA 81mm (2 + 36 granadas);
- Morteiros ligeiros M2M/52 de 60mm (2 + 36 granadas);
- Morteirete 60 mm (2 + 36 granadas);
- Peça OERLIKON Mk2 de 20mm³;
- Peça BOFORS de 40mm.
Peça Bofors de 40mm na Pedra do Feitiço - Angola
- Armamento explosivo:
- Granadas de mão ofensivas SPEL m/962;
- Granadas de mão defensivas SPEL m/963;
- Granadas de mão BIVALENTE PRB 423;
- Granadas de mão de fumo SPEL;
- Granadas incendiárias;
- Granadas armadilhas;
- Cordão detonante²;
- Dilagramas M26A1 "ALG" ou ARMADA 64 (24).
¹ Defesa pessoal de Oficiais;
² Parte da dotação mas pouco utilizado;
³ Utilizado na defesa de instalações
(TAMPELLA na Vila Cacheu - Guiné-Bissau / OERLIKON na Tabanca Grande - Guiné-Bissau).
• COMUNICAÇÕES:
- Apitos (5);
- Transreceptor AN/PRC-6 ou AN/PRC-10 (2);
- Transreceptor HF 156 (2);
- Transreceptor AN/PRC-116 (20);
Marinheiro C "radiotelegrafista" do DFE n.º 9 no Mágué velho
(A partir dos finais da década de 60)
- Transreceptor AN/PRC-216 ou AN/PRC-236 B (2);
- Emissor / receptor RACAL TR-28 B2 HF (2).
• MEIOS TERRESTRES:
- Jipes 4x4 LAND ROVER (3);
- Mercedes UNIMOG 401 / 404;
- Berliet TRAMAGAL;
- Camião de carga SCANIA VABIS ou BEDFORD (1).
• MEIOS ANFÍBIOS:
- Botes pneumáticos ZODIAC ou ZEBRO III (12);
- Motores MERCURY de 50cv (12);
- Botes de fibra de vidro (sintex) "MARUJO".
Bote de fibra de vidro (sintex) "MARUJO"
• FARDAMENTO:
- Fato de combate camuflado padrão "LAGARTO" de 2 peças, acolchoado nos joelhos, cotovelos e ombros, dispondo de 16 bolsos e fechos Zippo; fato de macaco de 1 só peça;
- Botas de combate em cabedal "Botas de Fuzileiro" (estanques e resistentes) ou de lona;
- Meias de enchimento;
- Poncho camuflado com capuz; - Rede mosquiteira de pescoço;
- Cinturão.
• EQUIPAMENTO DIVERSO:
- Máquina fotográfica de 16mm (2);
- Máquina de escrever (1);
- Binóculos (4);
- Bússolas SILVA (10);
- Relógios à prova de água AQUASTAR (10);
- Lanternas estanques (10);
- Filtros para água CATADIN (12),
- Algemas (3);
- Lápis dermográfico;
- Lapiseira de sinais;
- Kit sanitário;
- Faca de combate;
- Cantil de 1 litro
- Very-lights.
• CÃES DE GUERRA: (ler artigo)
- OFICIAIS FUZILEIROS DA RESERVA NAVAL
Paralelamente no mesmo período temporal e com o início do conflito colonial a carência de Oficiais aumentará substancialmente, deste modo a partir do 4º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval (6 de Outubro de 1961) em diante, a Reserva Naval também contribuiu com Oficiais Subalternos para as unidades de Fuzileiros [Portaria 18 393 de 12 de Abril de 1961].
Os Cadetes que frequentavam o Curso de Oficial da Reserva Naval na Escola Naval eram oriundos de mancebos com frequência universitária ou já detentor de Curso Superior Universitário que se voluntariavam ou eram convocados a cumprir o SMO, observando o disposto na Portaria n.º 18 393 de 18 de Abril de 1961:
- Escola Superior de Belas-Artes;
- Faculdade de Ciências;
- Faculdade de Direito;
- Faculdade de Economia;
- Faculdade de Letras;
- Instituto Nacional de Educação Física;
- Instituto Superior de Agronomia;
- Instituto Superior de Estudos Ultramarinos;
- Instituto Superior Técnico.
A Reserva Naval registou inclusivo maiores taxas de integração de Oficiais Subalternos nas unidades de Fuzileiros, por regra integrando como Imediato, 3.º e 4.º Oficial, que os Oficiais Subalternos oriundos do Quadro Permanente: - 82 Oficiais da RN em 139 Oficiais integrados nos DFE, correspondendo a 56%; - 217 Oficiais da RN em 328 Oficiais integrados nas CF, correspondendo a 66%;
De destacar que diversos Oficiais oriundos da RN, após ingresso nos QP's da Armada, comandaram DFE's e CF's.
A título de exemplo o 4º CFORN forneceu 9 Oficiais que integraram as CF n.º 1 e n.º 2, destacadas respectivamente para Angola e Moçambique.
DÉCADA DE 70
É de realçar que a durante o conflito colonial, a Guiné-Bissau e Moçambique foram os TO's onde as unidades de Fuzileiros foram colocadas mais à prova, no que concerne à capacidade operacional e resistência física e psicológica, devido às particularidades sui generis do terreno, clima, organização e capacidade de combate da guerrilha do PAIGC (poder de fogo e "fornilhos") e FRELIMO (implantação de minas A/P e A/C).
No caso da Guiné-Bissau, no início da guerra os Fuzileiros estavam aquartelados na cidade de Bissau e subordinados ao Comando de Defesa Marítima da Guiné (criado pelo Decreto-lei 41 990 de 3 de Dezembro de 1958 e activado em Maio de 1959), actuando na razão de um DFE por bacia hidrográfica (Cacheu, Geba / Corubal e Buba / Cacine).

Fuzileiros em operações em zona de tarrafo da Guiné-Bissau
No entanto, com o evoluir da guerra, meios de combate e efectivos nas unidades PAIGC, que se materializou numa quase transformação de guerra de guerrilha para convencional, foi necessário ajustar o dispositivo e os Fuzileiros também foram destacados para junto das fronteiras Norte e Sul, sendo atribuídos a um COP - Comando Operacional ou CAOP - Comando de Agrupamento Operacional, nomeadamente para reforço das acções de contra-penetração de guerrilheiros do PAIGC vindo do Senegal ou da Guiné Conakry.
Em Moçambique, os Fuzileiros operaram nos distritos de Cabo Delgado, Tete e Niassa, sendo este último juntamente com o seu Lago Niassa o cenário por excelência, com bases em Metangula e Coubé, cada uma com um DFE destacado, este distrito era também denominado de "Estado de Minas Gerais" pelas forças portuguesas, em virtude da profusão de minas A/C e A/P colocadas pela FRELIMO.
- OS DESTACAMENTOS DE FUZILEIROS ESPECIAIS AFRICANOS
Atendendo ao esforço em termos de recursos humanos que Guerra de Ultramar necessitava e dentro da política de africanização do conflito, são constituídos somente na Guiné-Bissau a partir de Abril de 1970, no Centro de Instrução e Preparação de Fuzileiros Especiais Africanos em Bolama, os únicos DFE africanos: DFE 21 [21 de Abril de 1970], DFE 22 [16 de Novembro de 1971] e DFE 23 [1 de Julho de 1974].
No entanto o DFE 23 nunca chegou a ser formalmente activado, sendo os 3 DFE's africanos desactivados em 25 de Agosto de 1974.
Tratou-se de unidades guarnecidos por Oficiais, Sargentos e algumas Praças metropolitanos (Comandante, Imediato, quartel-mestre, radiotelegrafista [telefuzo], enfermeiro, etc), sendo as restantes Praças recrutados entre voluntários da população nativa da província, regra geral dando-se preferência aos assalariados do Comando de Defesa Marítima, de Serviços da Marinha, guias de unidades de Fuzileiros, estivadores e pessoal oriundo de companhias de milícias ou caçadores nativos.



Guiões dos DFE's Africanos 21, 22 e 23
A 22 de Novembro de 1970, o DFE n.º 21 (Africano) participou na «Operação Mar Verde», na Guiné-Conakry, competindo-lhe a missão de atacar a prisão “La Montaigne”.
- BAIXAS ENTRE OS FUZILEIROS
Segundo a Comissão COLOREDO, durante todo o conflito, os Fuzileiros tiveram 185 baixas mortais, sendo que entre os feridos, 50% dos mesmos foram vítimas do efeito de minas A/P, A/C ou "fornilhos":
• Angola: [57 mortos] 13 em combate; 34 por acidente e 10 por doença;
• Guiné-Bissau: [99 mortos] 55 em combate; 35 por acidente e 9 por doença;
• Moçambique: [29 mortos] 13 em combate; 10 por acidente e 6 por doença.
O único Oficial que faleceu em combate foi um 2TEN FZ da Reserva Naval da CF n.º 1, oriundo do 18.º CFORN, em Junho de 1973, no Chilombo - Leste de Angola.
Findo o conflito do Ultramar e extinção dos Comandos Navais e de Defesa Marítima das ex-colónias em 1975, com a finalidade de uniformizar de modo mais profícuo procedimentos operacionais e administrativos, tornou-se necessário estruturar em Batalhões as Companhias de Fuzileiros existentes, criando-se os Batalhões de Fuzileiros n.º 1, 2, 3 e 4 [Portaria n.º 258/75 de 16 de Abril].
13/10/09
LANCHAS DE DESEMBARQUE MÉDIAS
(ACTUALIZADO)

Fuzileiros a desembarcar numa praia da LDM 425
- LDM 200: 5 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Janeiro de 1965);
- LDM 300: 13 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Novembro de 1964);

LDM 304 da classe LDM 300
- LDM 400: 26 unidades (construídas entre Agosto de 1964 e Outubro de 1977);
Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 400
- LDM 500: 6 unidades (construídas entre Outubro de 1964 e Novembro de 1964).
• A sua distribuição pelos TO obedeceu a seguinte ordem:
- Angola:
Classe LDM 100: 108
Classe LDM 400: 401, 402, 403, 409
Total: 5
- Guiné-Bissau:
Classe LDM 100: 101, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118
Classe LDM 200: 201, 202, 203, 204, 205
Classe LDM 300: 301, 302, 302, 304, 305, 306, 307, 308, 309, 309, 310, 311, 312, 313
Classe LDM 400: 410 a 417
Total: 51
- Moçambique (Lago Niassa):
Classe LDM 400: 404, 405, 407, 408
Total: 4
- Portugal (para treino dos Fuzileiros):
Classe LDM 100: 119, 120, 121
Classe LDM 400: 406, 414, 418, 419, 420, 421, 422, 423, 424, 425, 426
Total: 14
• Em 15 de Outubro de 1965, as LDM's da classe 500 de fabrico nacional foram remuneradas e integradas na classe LDM 300 de origem Norte-americana e utilizadas na Guerra da Coreia (ex LDM 501 - LDM 308; ex LDM 502 - LDM 309; ex LDM 503 - LDM 310; ex LDM 504 - LDM 311; ex LDM 505 - LDM 312; ex LDM 506 - LDM 313).

LDM 504, posteriormente LDM 311 (Foto cedida por Eng. Lema Santos)
• Em 16 de Outubro de 1965, as seguintes LDM's da classe 100 foram remuneradas e integradas na classe LDM 200 (ex LDM 101 - LDM 204; ex LDM 102 - LDM 205.
• Eram o principal meio de desembarque da Marinha no que respeita ao emprego de Fuzileiros, aquando da execução de operações militares com a totalidade dos efectivos de uma CF (140 militares) ou de um DFE (80 militares), originando o binómio LDM-Fuzileiros.

Fuzileiros a desembarcar de uma LDM

Fuzileiros a reembarcar numa LDM
• Trata-se de um tipo de embarcação concebido para utilização temporária (máximo 48 horas), dado não dispor de meios de subsistência, não obstante a título de exemplo na Guiné-Bissau foram usadas em patrulhas de rios que chegavam em média às duas semanas, sendo de referir que tal situação ocorria em detrimento das condições de vida a bordo e sacrifício das suas guarnições.
• Em 1968, atendendo a necessidade de melhorar as condições de vida a bordo, aperfeiçoou-se a calafetagem da cobertura do poço das lanchas, foram instaladas arcas frigorificas de 50 kg e um sistema de ventilação, melhorando substancialmente a dieta alimentar e a moral das guarnições.
• Durante o conflito do Ultramar, devido à escassa rede rodoviária e em proveito das vias fluviais, parte dos transportes operacionais e reabastecimentos logísticos às guarnições militares e autoridades administrativas era efectuados por LDM's e LDG´s da Marinha Portuguesa, assim como eram utilizadas no escoamento dos produtos económicos.
• O emprego de LDM's e LDG's nas situações citadas no parágrafo anterior, no caso da Guiné-Bissau (multiplicidade de braços de mar e rios, grandes amplitudes de maré e rios muito sinuosos) atingia mais de 80%, percentagem esta que aumentou a partir de 25 de Março de 1973 com a diminuição de voos de carácter logístico da FAP, devido ao fogo anti-aéreo com recurso a mísseis terra-ar de fabrico soviético "SA-7 Grail Strella " por parte do PAIGC.
• Realizavam missões de fiscalização e patrulha de rios (por vezes reforçadas com grupos de combate de Fuzileiros), transporte de civis e Companhias do Exército e participavam na escolta de comboios de embarcações civis (batelões rebocados ou com motores de veio regulável Schottel da Marinha Mercantes [Casa Gouveia do Grupo CUF]).
• Pelo facto de serem dotadas de pouca velocidade, muitas foram alvo de ataques desencadeados a partir das margens pelo PAIGC na Guiné-Bissau, sendo o caso mais conhecido o da LDM 302, atacada e afundada três vezes; outras foram visadas pelo rebentamento de engenhos explosivos improvisados, submersos e de fabrico artesanal do PAIGC, em rios estreitos e pouco fundos, denominados por "minas aquáticas", em ambas as situações as respectivas guarnições tiveram algumas baixas (feridos e mortos), mas nunca deixaram de ripostar, honrando assim as dignas tradições da Marinha Portuguesa.
• Destaque para a verdadeira epopeia da deslocação de 4 LDM's da costa de Moçambique para o Lago Niassa em três operações: a LDM 404 em Dezembro de 1965 "Operação Atum", a LDM 405 e LDM 408 em Abril de 1966 e a LDM 407 em Agosto de 1967 "Operação Roaz", sendo transportadas primeiro por comboio ao longo de 500 km e posteriormente efectuando 250 km por camiões, numa zona de grande actividade da FRELIMO.
• Fruto das relações político-militares entre Portugal e o Malawi, a LDM 404 atribuída ao Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa, alcunhada de "Chipa", após ter sido desarmada foi facultada à companhia petrolífera SONAP (estabelecida no Malawi) com o desiderato de transportar combustível, permitindo abastecer navios e geradores da Base Naval de Metangula.
• Por vezes, após a passagem ao estado de desarmamento e abate ao efectivo das LDM's, a peça OERLIKON de 20mm era montada em estruturas de modo a reforçar a segurança de instalações navais.

Peça OERLIKON de 20mm em Moçambique

Peça OERLIKON de 20mm na Guiné-Bissau
• Finda a Guerra do Ultramar foram desprovidas de armamento, algumas LDM's mantiveram-se no serviço activo na Escola de Fuzileiros, outras reclassificadas de UAM - Unidade Auxiliar da Marinha, serviram de transporte e para faina geral na Base Naval do Alfeite (destaque para a LDM 421, utilizada como meio de recurso no Combate à Poluição Marítima).
• Em Dezembro de 1977, a LDM 426 destacada em AMSJ - Área Militar de S. Jacinto, sofreu um acidente que a deixou submersa, sendo recuperada como apoio do Navio-Balizador "Schultz Xavier".


LDM 426 após ter sido recuperada pelo Navio-Balizador "Scultz Xavier"

LDM da Marinha Nacional da Guiné-Bissau junto da fragata "Corte Real"
• Em 30 de Outubro de 1997, três LDM's foram reclassificadas de UAM, passando a exibir os seguintes números de amura: UAM 119, UAM 120 e UAM 121, a qual se juntou em 25 de Novembro do mesmo ano a UAM 122.
• Em Abril de 1998 foi oferecida outra LDM à Guiné-Bissau, com a entrega formal realizada no cais do Pidjiguiti pelo Director-Geral de Política de Defesa Nacional, acompanhado do Cte. da Escola de Fuzileiros.
• Em Novembro 2001, a LDM 425 foi adquirida pela Câmara Municipal de Tavira à Marinha Portuguesa, recebendo o nome de "Medo das Cascas", a autarquia utiliza a embarcação para desempenhar serviços de desembarque e transporte no arquipélago ao largo de Tavira.

Foto: blog Barcos+Navios
• A 16 de Setembro 2005, a LDM 119 foi colocada nas imediações da entrada da Porta d' Armas da Base de Fuzileiros, em exposição estática e homenagem as guarnições destas embarcações.

LDM 119 em exposição estática
• Em Julho de 2006, a LDM 120 participou no programa "TV Turbo" da SIC Radical transportando veículos todo-terreno para o local de reportagem.
• Actualmente, somente restam duas unidades destes pequenos grandes navios no serviço activo:
NOTAS:

Fuzileiros a desembarcar numa praia da LDM 425
TIPO DE NAVIO:
Lancha de Desembarque
(dados da classe LDM 400)
DESLOCAMENTO:
59,5 toneladas
DIMENSÕES:
17,8 x 5 x 1 metros
PROPULSÃO:
2 motores a diesel FODEN FD6 MK - 374hp
2 hélices
ENERGIA:
2 geradores C.A.V. accionados pelos motores principais de 24kVA
VELOCIDADE MÁXIMA:
9,2 nós (16 km)
AUTONOMIA:
220 milhas a 8,2 nós
GUARNIÇÃO:
Cabo: 1 (Patrão da lancha)
Marinheiros: 3
Total: 4
COMUNICAÇÕES:
- 1 Transreceptor NIMBUS 340 H;
- 1 Receptor CURLEW351 H;
- 1 Projectores de sinais DE 250W
EQUIPAMENTO:
- 1 Bote pneumático ZEBRO II;
- Casa do Leme com blindagem de 6mm
CAPACIDADE DE CARGA:
80 militares / 35 toneladas de carga / 1 viatura blindada até 32 toneladas / 1 camião de 6 toneladas / 2 viaturas ligeiras

Jipe WILLY's do Exército utilizado na "Operação Tridente" a ser reembarcado numa LDM
SISTEMAS DE ARMAS:
1 Peça OERLIKON Mk2 de 20mm/65 (2 Km de alcance)
2 Metralhadoras MG-42 de 7,62mm
DESIGNAÇÃO NATO:
LCM
NÚMERO DE AMURA:
UAM 122
LDM 426
BASE DE APOIO:
Base Naval de Lisboa
ANO DE CONSTRUÇÃO:
1967
1968
EMPREGO OPERACIONAL:
- Transporte e apoio logístico (mantimentos, munições, etc);
- Embarque e desembarque de tropas;
- Serviço público.
NOTAS:
• Por inerência à criação e mobilização das primeiras unidades de Fuzileiros (CF - Companhias de Fuzileiros Navais e DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais) para as ex-colónias africanas, na sequência do eclodir da Guerra do Ultramar em Março de 1961, surgiu a necessidade de apetrechar a Armada com meios navais de fundo chato para a realização de desembarques.
• Dos três tipos de embarcações construídas (LDP, LDM e LDG), foram às de média dimensão, LDM - Lanchas de Desembarque Médias, as fabricadas em maior número (65) e mais utilizadas nos três teatros de operações (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique), vocacionadas para navegar em águas ribeirinhas e interiores dos territórios.
• Apesar dos EUA advogarem a descolonização e demonstrarem relutância em autorizar as suas empresas em vender material de guerra a Portugal, foram adquiridas algumas embarcações do modelo USN LCM-6 da 2.ª Guerra Mundial em 2.ª mão, por intermédio de um processo indirecto com o desiderato de contornar parcialmente o diferendo político, criando-se a empresa privada Progresso Lda, que negociou directamente com o empresa Norte-americana "Fairbanks Morse" a aquisição de velhos excedentes da 2.ª Guerra Mundial, dando origem à classe "LDM 100" em Janeiro de 1964, posteriormente obteve-se os respectivos planos de construção e desenvolveu-se os projectos de execução em estaleiros nacionais (Estaleiros Navais do Mondego).
• Existiram quatro classes de LDM's de concepção e construção nacional (Estaleiros Navais do Mondego e Arsenal do Alfeite) e uma classe (LDM 300) construídas nos EUA com ligeiras diferenças entre si:
Lancha de Desembarque
(dados da classe LDM 400)
DESLOCAMENTO:
59,5 toneladas
DIMENSÕES:
17,8 x 5 x 1 metros
PROPULSÃO:
2 motores a diesel FODEN FD6 MK - 374hp
2 hélices
ENERGIA:
2 geradores C.A.V. accionados pelos motores principais de 24kVA
VELOCIDADE MÁXIMA:
9,2 nós (16 km)
AUTONOMIA:
220 milhas a 8,2 nós
GUARNIÇÃO:
Cabo: 1 (Patrão da lancha)
Marinheiros: 3
Total: 4
COMUNICAÇÕES:
- 1 Transreceptor NIMBUS 340 H;
- 1 Receptor CURLEW351 H;
- 1 Projectores de sinais DE 250W
EQUIPAMENTO:
- 1 Bote pneumático ZEBRO II;
- Casa do Leme com blindagem de 6mm
CAPACIDADE DE CARGA:
80 militares / 35 toneladas de carga / 1 viatura blindada até 32 toneladas / 1 camião de 6 toneladas / 2 viaturas ligeiras

Jipe WILLY's do Exército utilizado na "Operação Tridente" a ser reembarcado numa LDM
SISTEMAS DE ARMAS:
1 Peça OERLIKON Mk2 de 20mm/65 (2 Km de alcance)
2 Metralhadoras MG-42 de 7,62mm
DESIGNAÇÃO NATO:
LCM
NÚMERO DE AMURA:
UAM 122
LDM 426
BASE DE APOIO:
Base Naval de Lisboa
ANO DE CONSTRUÇÃO:
1967
1968
EMPREGO OPERACIONAL:
- Transporte e apoio logístico (mantimentos, munições, etc);
- Embarque e desembarque de tropas;
- Serviço público.
NOTAS:
• Por inerência à criação e mobilização das primeiras unidades de Fuzileiros (CF - Companhias de Fuzileiros Navais e DFE - Destacamentos de Fuzileiros Especiais) para as ex-colónias africanas, na sequência do eclodir da Guerra do Ultramar em Março de 1961, surgiu a necessidade de apetrechar a Armada com meios navais de fundo chato para a realização de desembarques.
• Dos três tipos de embarcações construídas (LDP, LDM e LDG), foram às de média dimensão, LDM - Lanchas de Desembarque Médias, as fabricadas em maior número (65) e mais utilizadas nos três teatros de operações (Angola, Guiné-Bissau e Moçambique), vocacionadas para navegar em águas ribeirinhas e interiores dos territórios.
• Apesar dos EUA advogarem a descolonização e demonstrarem relutância em autorizar as suas empresas em vender material de guerra a Portugal, foram adquiridas algumas embarcações do modelo USN LCM-6 da 2.ª Guerra Mundial em 2.ª mão, por intermédio de um processo indirecto com o desiderato de contornar parcialmente o diferendo político, criando-se a empresa privada Progresso Lda, que negociou directamente com o empresa Norte-americana "Fairbanks Morse" a aquisição de velhos excedentes da 2.ª Guerra Mundial, dando origem à classe "LDM 100" em Janeiro de 1964, posteriormente obteve-se os respectivos planos de construção e desenvolveu-se os projectos de execução em estaleiros nacionais (Estaleiros Navais do Mondego).
• Existiram quatro classes de LDM's de concepção e construção nacional (Estaleiros Navais do Mondego e Arsenal do Alfeite) e uma classe (LDM 300) construídas nos EUA com ligeiras diferenças entre si:
- LDM 100: 21 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Julho de 1975);
- LDM 200: 5 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Janeiro de 1965);
Ldm 203 da classe LDM 200
Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 200
- LDM 300: 13 unidades (construídas entre Janeiro de 1964 e Novembro de 1964);

LDM 304 da classe LDM 300
Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 300
- LDM 400: 26 unidades (construídas entre Agosto de 1964 e Outubro de 1977);
Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 400
- LDM 500: 6 unidades (construídas entre Outubro de 1964 e Novembro de 1964).
Artigo do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's da classe 500
• A sua distribuição pelos TO obedeceu a seguinte ordem:
Classe LDM 100: 108
Classe LDM 400: 401, 402, 403, 409
Total: 5
- Guiné-Bissau:
Classe LDM 100: 101, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 115, 116, 117, 118
Classe LDM 200: 201, 202, 203, 204, 205
Classe LDM 300: 301, 302, 302, 304, 305, 306, 307, 308, 309, 309, 310, 311, 312, 313
Classe LDM 400: 410 a 417
Total: 51
- Moçambique (Lago Niassa):
Classe LDM 400: 404, 405, 407, 408
Total: 4
- Portugal (para treino dos Fuzileiros):
Classe LDM 100: 119, 120, 121
Classe LDM 400: 406, 414, 418, 419, 420, 421, 422, 423, 424, 425, 426
Total: 14
• Em 15 de Outubro de 1965, as LDM's da classe 500 de fabrico nacional foram remuneradas e integradas na classe LDM 300 de origem Norte-americana e utilizadas na Guerra da Coreia (ex LDM 501 - LDM 308; ex LDM 502 - LDM 309; ex LDM 503 - LDM 310; ex LDM 504 - LDM 311; ex LDM 505 - LDM 312; ex LDM 506 - LDM 313).

LDM 504, posteriormente LDM 311 (Foto cedida por Eng. Lema Santos)
• Em 16 de Outubro de 1965, as seguintes LDM's da classe 100 foram remuneradas e integradas na classe LDM 200 (ex LDM 101 - LDM 204; ex LDM 102 - LDM 205.
• Eram o principal meio de desembarque da Marinha no que respeita ao emprego de Fuzileiros, aquando da execução de operações militares com a totalidade dos efectivos de uma CF (140 militares) ou de um DFE (80 militares), originando o binómio LDM-Fuzileiros.

Fuzileiros a desembarcar de uma LDM

Fuzileiros a reembarcar numa LDM
• Trata-se de um tipo de embarcação concebido para utilização temporária (máximo 48 horas), dado não dispor de meios de subsistência, não obstante a título de exemplo na Guiné-Bissau foram usadas em patrulhas de rios que chegavam em média às duas semanas, sendo de referir que tal situação ocorria em detrimento das condições de vida a bordo e sacrifício das suas guarnições.
• Em 1968, atendendo a necessidade de melhorar as condições de vida a bordo, aperfeiçoou-se a calafetagem da cobertura do poço das lanchas, foram instaladas arcas frigorificas de 50 kg e um sistema de ventilação, melhorando substancialmente a dieta alimentar e a moral das guarnições.
• Durante o conflito do Ultramar, devido à escassa rede rodoviária e em proveito das vias fluviais, parte dos transportes operacionais e reabastecimentos logísticos às guarnições militares e autoridades administrativas era efectuados por LDM's e LDG´s da Marinha Portuguesa, assim como eram utilizadas no escoamento dos produtos económicos.
• O emprego de LDM's e LDG's nas situações citadas no parágrafo anterior, no caso da Guiné-Bissau (multiplicidade de braços de mar e rios, grandes amplitudes de maré e rios muito sinuosos) atingia mais de 80%, percentagem esta que aumentou a partir de 25 de Março de 1973 com a diminuição de voos de carácter logístico da FAP, devido ao fogo anti-aéreo com recurso a mísseis terra-ar de fabrico soviético "SA-7 Grail Strella " por parte do PAIGC.
• Realizavam missões de fiscalização e patrulha de rios (por vezes reforçadas com grupos de combate de Fuzileiros), transporte de civis e Companhias do Exército e participavam na escolta de comboios de embarcações civis (batelões rebocados ou com motores de veio regulável Schottel da Marinha Mercantes [Casa Gouveia do Grupo CUF]).
• Pelo facto de serem dotadas de pouca velocidade, muitas foram alvo de ataques desencadeados a partir das margens pelo PAIGC na Guiné-Bissau, sendo o caso mais conhecido o da LDM 302, atacada e afundada três vezes; outras foram visadas pelo rebentamento de engenhos explosivos improvisados, submersos e de fabrico artesanal do PAIGC, em rios estreitos e pouco fundos, denominados por "minas aquáticas", em ambas as situações as respectivas guarnições tiveram algumas baixas (feridos e mortos), mas nunca deixaram de ripostar, honrando assim as dignas tradições da Marinha Portuguesa.
• Destaque para a verdadeira epopeia da deslocação de 4 LDM's da costa de Moçambique para o Lago Niassa em três operações: a LDM 404 em Dezembro de 1965 "Operação Atum", a LDM 405 e LDM 408 em Abril de 1966 e a LDM 407 em Agosto de 1967 "Operação Roaz", sendo transportadas primeiro por comboio ao longo de 500 km e posteriormente efectuando 250 km por camiões, numa zona de grande actividade da FRELIMO.
• Fruto das relações político-militares entre Portugal e o Malawi, a LDM 404 atribuída ao Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa, alcunhada de "Chipa", após ter sido desarmada foi facultada à companhia petrolífera SONAP (estabelecida no Malawi) com o desiderato de transportar combustível, permitindo abastecer navios e geradores da Base Naval de Metangula.
• Por vezes, após a passagem ao estado de desarmamento e abate ao efectivo das LDM's, a peça OERLIKON de 20mm era montada em estruturas de modo a reforçar a segurança de instalações navais.

Peça OERLIKON de 20mm em Moçambique

Peça OERLIKON de 20mm na Guiné-Bissau
• Finda a Guerra do Ultramar foram desprovidas de armamento, algumas LDM's mantiveram-se no serviço activo na Escola de Fuzileiros, outras reclassificadas de UAM - Unidade Auxiliar da Marinha, serviram de transporte e para faina geral na Base Naval do Alfeite (destaque para a LDM 421, utilizada como meio de recurso no Combate à Poluição Marítima).
• Em Dezembro de 1977, a LDM 426 destacada em AMSJ - Área Militar de S. Jacinto, sofreu um acidente que a deixou submersa, sendo recuperada como apoio do Navio-Balizador "Schultz Xavier".


LDM 426 após ter sido recuperada pelo Navio-Balizador "Scultz Xavier"
(Fotos do TCor Páraquedista Miguel Silva Machado)
• Na noite de 03 para 04 de Março de 1978, devido a uma avaria nos motores a LDM 419 atribuída ao Comando Naval dos Açores afundou-se a cerca de 10 milhas a NE do farol da Ponta Ribeirinha na Ilha do Faial, durante um temporal com ondulação forte quando transitava da Ilha de S. Jorge para a Ilha do Faial, sem baixas entre a guarnição que foi salva no último momento pela embarcação "Espalamaca" que efectuava ligações diárias entre o Faial e o Pico.
• Na noite de 03 para 04 de Março de 1978, devido a uma avaria nos motores a LDM 419 atribuída ao Comando Naval dos Açores afundou-se a cerca de 10 milhas a NE do farol da Ponta Ribeirinha na Ilha do Faial, durante um temporal com ondulação forte quando transitava da Ilha de S. Jorge para a Ilha do Faial, sem baixas entre a guarnição que foi salva no último momento pela embarcação "Espalamaca" que efectuava ligações diárias entre o Faial e o Pico.
• A 16 Novembro de 1993, no âmbito da cooperação técnico-militar com Guiné-Bissau, a par da formação de Fuzileiros, a LDM 421 foi transferida para a Marinha Nacional da Guiné-Bissau, recebendo o n.º de amura LDM 100, tendo interagido com navios da Marinha Portuguesa no conflito civil de Junho de 1998.
LDM da Marinha Nacional da Guiné-Bissau junto da fragata "Corte Real"
• Em 30 de Outubro de 1997, três LDM's foram reclassificadas de UAM, passando a exibir os seguintes números de amura: UAM 119, UAM 120 e UAM 121, a qual se juntou em 25 de Novembro do mesmo ano a UAM 122.
• Em Abril de 1998 foi oferecida outra LDM à Guiné-Bissau, com a entrega formal realizada no cais do Pidjiguiti pelo Director-Geral de Política de Defesa Nacional, acompanhado do Cte. da Escola de Fuzileiros.
• Em Novembro 2001, a LDM 425 foi adquirida pela Câmara Municipal de Tavira à Marinha Portuguesa, recebendo o nome de "Medo das Cascas", a autarquia utiliza a embarcação para desempenhar serviços de desembarque e transporte no arquipélago ao largo de Tavira.
Foto: blog Barcos+Navios
• A 16 de Setembro 2005, a LDM 119 foi colocada nas imediações da entrada da Porta d' Armas da Base de Fuzileiros, em exposição estática e homenagem as guarnições destas embarcações.
LDM 119 em exposição estática
• Em Julho de 2006, a LDM 120 participou no programa "TV Turbo" da SIC Radical transportando veículos todo-terreno para o local de reportagem.
• Actualmente, somente restam duas unidades destes pequenos grandes navios no serviço activo:
- A UAM 122 na Escola dos Fuzileiros, utilizada para instrução.

UAM 122 a navegar (Foto cedida por Corpo de Fuzileiros)
- A LDM 426, atribuída a título permanente à AMSJ, guarnecida desde 1977 por diversas gerações de Pára-quedistas, servindo de transporte diário de militares e funcionários civis da unidade entre a AMSJ e o Forte da Barra do Porto de Aveiro.

LDM 426 (Foto de Serrano Rosa)
• Futuramente a Marinha Portuguesa será equipada com 4 lanchas de desembarque do tipo LCVP, como meios orgânicos do LPD / NPL (25 metros de comprimento, capacidade para 8 toneladas de carga [36 homens ou viaturas ligeiras]), propulsionadas por dois sistemas de jactos de água à popa e um à proa para manobra.

UAM 122 a navegar (Foto cedida por Corpo de Fuzileiros)
- A LDM 426, atribuída a título permanente à AMSJ, guarnecida desde 1977 por diversas gerações de Pára-quedistas, servindo de transporte diário de militares e funcionários civis da unidade entre a AMSJ e o Forte da Barra do Porto de Aveiro.

LDM 426 (Foto de Serrano Rosa)
• Futuramente a Marinha Portuguesa será equipada com 4 lanchas de desembarque do tipo LCVP, como meios orgânicos do LPD / NPL (25 metros de comprimento, capacidade para 8 toneladas de carga [36 homens ou viaturas ligeiras]), propulsionadas por dois sistemas de jactos de água à popa e um à proa para manobra.
NOTAS:
Desenhos manuscritos da autoria de Luís Filipe Silva
Artigos do Blog da Reserva Naval sobre as LDM's:
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