31/05/12

"HISTÓRIAS À VISTA" - 09

          9.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do CALM REF Nunes da Silva, nascido a 15/05/25 e ingresso na Armada a 06/09/43.
          Consiste num relatório redigido em 04/02/67 sobre os acontecimentos registados em Macau, entre Dezembro de 1966 e Janeiro de 1967, sendo este Oficial General à época dos factos CTEN, exercendo o cargo de Comandante da Defesa Marítima de Macau.

Clique nos links para visualizar documentos PDF:
- Relatório:
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxham1uc2lsdmF3ZWJzaXRlfGd4OjY2OWY5ZGM5Njk3YTQ3ODI

- Anexos parte 1:
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxham1uc2lsdmF3ZWJzaXRlfGd4OjcyYjY0M2M2OTZjZGI1MTk

- Anexos parte 2:
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxham1uc2lsdmF3ZWJzaXRlfGd4OjdmZGRjY2Q5YjQyNThhNWE





No Facebook:
- Comissão em Macau 1966:
http://www.facebook.com/#!/media/set/?set=oa.10150171329337555&type=1
- Comissão em Macau 1967:
http://www.facebook.com/#!/media/set/?set=oa.10150171334212555&type=1
- Comissão em Macau 1968 parte 1:
http://www.facebook.com/media/set/?set=oa.10150171428657555&type=1
- Comissão em Macau 1968 parte 2:
http://www.facebook.com/groups/26556752554/photos/#!/media/set/?set=oa.10150171438877555&type=1
- Comissão em Macau 1968 parte 3: http://www.facebook.com/groups/26556752554/photos/#!/media/set/?set=oa.10150171455327555&type=1


TESTEMUNHO HISTÓRICO DE UMA COMISSÃO EM MACAU: http://barcoavista.blogspot.pt/2010/11/testemunho-historico-de-uma-comissao-em.html

27/05/12

"HISTÓRIAS À VISTA" - 08

          8.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do Marinheiro FZE José Rebelo / “Zezito” (nome de guerra).

DE CALÇAS CAÍDAS:

          «Foi em Angola, no distrito do Cubango junto à fronteira com o sudoeste africano. Por determinação militar, fui nomeado para fazer segurança a duas dúzias de negros que numa pequena planície extraíam terra barrenta que depois de moldada e cozida, saíam quantidades de blocos de tijolos: o local ficava a cerca de 04 quilómetros do acampamento militar, local da minha pernoita e alimentação (todos os dias fazia aquele percurso apeado).
          Na orla da planície onde decorria a escavação, confinava uma mata de baixo arvoredo muito parecido a medronheiros e aqui, “era a casa de banho ao ar livre”! Certo dia um negro por aqui encontrou um animal com poucos dias de nascido e me ofertou; reparei que o animal seria da família de gato e tremia muito, embrulhei-o no meu casaco camuflado e ao fim do dia levei para o acampamento; a rapaziada achou graça ao animal, fizeram-lhe uma cama num bocado de esponja, encheram-lhe a barriga de leite e pela manhã, o animal estava morto.

          Voltei ao trabalho e mais ou menos a meio da manhã, vou a mata fazer as minhas necessidades: ponho a G3 no chão ali ao meu lado, desaperto o cinto, baixo as calças e já de cocras, aparece-me um corpulento gato soprando de boca aberta, bigodes estendidos andando e parando já perto de mim, não me mexi e na posição que estava com a mão direita apanho um punhado de terra e mando para o sacudir, mais agitado ficou como a preparar o salto, foi aqui que eu disse:
- "O diabo do gato quer mesmo atirar-se a mim!".
          Na posição que estava quase sem me mexer pego na G3 e numa rajada curta, mato o gato. (assim o denominei por gato pelo facto de nunca ter visto uma chita, animal de grande perigosidade que atraída pelo cheiro do meu casaco vinha quebrar o resgate do filho e teve este fim).

          Na sequência deste incidente que teve a consequência do disparo de uma rajada de tiros, os negros imediatamente fugiram, (quando saí da mata já não vi nenhum) foram ter ao acampamento a informar que os bandidos matou tropa… Meia hora depois, aparece no local, duas viaturas carregadas de pessoal, surpresos ao verem-me vivo para lhes contar o sucedido.
          Estas histórias são exactamente o que pretendem ser; histórias vividas na guerra. Foram tempos que ajudaram a passar outros tempos que eu agora registo como se fosse contado informalmente no prazer de uma conversa entre amigos.»

24/05/12

"HISTÓRIAS À VISTA" - 07

          7.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do CMG REF Alpoim Calvão, à época dos factos 2.º Tenente, frequentando juntamente com mais 03 Praças portugueses um Curso de Mergulhadores-Sapadores no Reino Unido.
          Este artigo foi redigido em 1960, originalmente para os Anais do Clube Militar Naval [cota: 90, 1960, p. 565-568, ilust.], entidade a quem agradeço a cedência do artigo, nomeadamente ao Cte. Moita Gurriana.

EPISÓDIOS DA NEUTRALIZAÇÃO DE MINAS:

          «Fazíamos parte do «Bomb and Mine Disposal Team» da H.M.S. «Vernon». As vicissitudes do curso de «Clearance Diving», que frequentávamos na altura, tinham-nos integrado na citada equipa, composta de experimentado pessoal da Royal British Navy, e tendo por chefe o Tenente Stuart Honour CDO, MBE, homem com grande prática de neutralização de minas, adquirida em Bizerta, Alexandria, etc, durante a passada guerra:
- "You know fellow, mines are easy things. I have disposed nine thousands, and I am still alive. Oh! Good stuff, this beer".
          Tínhamos acabado a parte teórica do curso e estávamos ansiosos (?) de aplicar os conhecimentos adquiridos em minas reais, das autênticas, que quase diariamente, dão à costa no Sul de Inglaterra. Restos perigosos de uma guerra terminada há quinze anos.
          A «Bomb and Mine Disposal Organization» funciona, em traços largos, da seguinte maneira: Os três Serviços — Marinha, Exército e Força Aérea — dispõem de unidades móveis especializadas, sempre prontas a seguir para o local onde foi descoberto um objecto suspeito. Esta comunicação é quase sempre feita, telefonicamente, pela Polícia ou por civis da «Mine Watching Organization» e, além de assinalar a possível bomba ou mina, dá elementos sobre a aparência externa, dimensões aproximadas e outras características que ajudem a classificar o objecto.
          A responsabilidade dos Serviços, que não é rígida, pois existe grande espírito de colaboração entre as diversas unidades, é definida da seguinte maneira:
a) A Marinha é responsável pela neutralização de todos os dispositivos explosivos que se encontrem dentro de propriedades do Almirantado, em docas e praias, e das minas contra navios lançadas em terra.
b) A Força Aérea é responsável pela neutralização de todos os dispositivos explosivos que se encontrem em propriedades da Força Aérea e dos dispositivos britânicos, lançados no estrangeiro.
c) O Exército é responsável pela neutralização de todos os dispositivos explosivos, que não sejam da conta dos outros dois serviços.
          A evacuação dos lugares e outras medidas necessárias estão a cargo da Polícia. Recebida a comunicação, a unidade de «B. & M. D.» dirige-se ao local e procura identificar o objecto. Por vezes são bidons vazios ou latas velhas, em que a imaginação de um polícia mais zeloso quis ver um mortífero engenho de combate. Mas, honra seja feita aos dignos «constables», a maior parte das vezes são minas ou bombas, vivas, provenientes de exercícios ou da guerra, e que é necessário tornar inofensivas.
          Sempre que o local o permita, utiliza-se a contra-minagem, fácil e segura, pois destrói completamente a mina. Contudo, em algumas ocasiões — caso de minas que aparecem em praias populosas e onde haja habitações nas proximidades — é preciso neutralizar a mina, de modo a torná-la inerte, o que permite o seu transporte para um sítio onde se possa realizar a ulterior destruição.

          Numa manhã de Novembro de 1959, foram assinalados dois objectos com forma de mina, em Aldwich e Wittering, na costa SE da Grã-Bretanha. Partimos imediatamente para a primeira das localidades citadas, onde chegamos pelas onze da manhã, depois de algumas paragens pelos «pubs» do caminho, onde o nosso amigo Honour fazia grande estrago na cerveja e em certas empadas de carne, muito saborosas:
- "Oh! Good stuff, this bitter!".
          Aliás a sua experiência indicava-lhe que depois de se «começar» uma mina não há intervalos para comida, e por conseguinte, mais valia iniciar o trabalho com o estômago cheio. Na nossa qualidade de alunos fomos encarregados de identificar o objecto. De binóculo na mão e à cautelosa distância de 200 jardas (como mandam as regras), fácil nos foi concluir que se tratava de uma mina inglesa, Mk17, de contacto.
          Iniciámos então a neutralização, verificando primeiro que a alavanca de fundear não estava armada e inutilizando os esterilizadores. Como a tampa superior se mostrava teimosa em não ceder, resistindo mesmo às marteladas que Honour lhe deu (devemos confessar que esta operação nos afligiu bastante, pois ainda estávamos convencidos que as minas eram coisas delicadas:
- "Rubbish, you see?".
          Empregou-se explosivo plástico, que cortou a caixa da mina como se fosse manteiga. Tornámos a sentir outro nó no estômago, quando Honour meteu a cabeça, fumando, dentro da caixa da mina para extrair o detonador. A frequência com que quebrava as regras de segurança que se afadigara a ensinar-nos, levou-nos por vezes, e injustamente, a duvidar da sua sanidade mental.
          Acabado o trabalho, e já com a inevitável caneca de cerveja na mão, perguntámos-lhe o «por quê». Respondeu-nos que o seu longo contacto com minas o tornava descuidado. Estava na altura de pedir outra comissão. E disse-nos:
"As primeiras cem fazem-se com todas as regras. Mas depois perde-se-lhes o respeito".
          Seguimos então para Wittering, onde chegámos já pela tardinha. Desejaríamos encontrar uma «Mina korabelnaya», mas deparou-se-nos outra Mk17, bastante enterrada na areia. Extraído o detonador, surgiu o problema de desenterrar a mina.
          Algumas cargas de TNT, fizeram-na saltar como uma bola de ténis e acarretaram-nos uma curiosa descompostura dada por um velhote que apareceu na praia, com um «pekinois» debaixo do braço, afirmando irritado, que ia participar às autoridades navais a explosão das cargas, pois o cãozinho assustara-se muito e ainda estava nervoso como podíamos observar! Azares do ofício...
          O regresso a Portsmouth realizou-se noite alta. E, quando ansiávamos por reparar o desgaste nervoso sofrido durante o dia, outro telefonema: uma caixa de mina em Brognor-Regis. Já passava das duas da manhã quando iniciámos o trabalho, que se afigurava fácil.
          Infelizmente tal não sucedeu: ao explodir a carga de contra-minagem, o invólucro da mina partiu-se em dois e, um dos pedaços, tomando uma trajectória imprevista, cortou cerce o braço direito dum dos componentes da equipa, a dois passos de nós.
          Com esta despretensiosa narração de alguns episódios da guerra de minas, quisemos demonstrar como o trabalho do Mergulhador-Sapador é movimentado, diverso, algo perigoso e contudo, sempre interessante.»

23/05/12

DFE's AFRICANOS

          Encontra-se patente no blogue da Reserva Naval (http://reservanaval.blogspot.pt/), da autoria do Eng. Lema Santos (8.º CEORN) diversos artigos sobre os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos (DFE n.º 21, DFE n.º 22 e DFE n.º 23), unidades unicamente criadas na Guiné-Bissau:

- Guiné, 1974 - DFE 21, DFE 22, DFE 23
Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos
Resumo da Actividade Operacional 1970/1974-VI

- Guiné, 1974 - DFE 21, DFE 22, DFE 23
Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos
Resumo da Actividade Operacional 1970/1974-V
- Guiné, 1973 - DFE 21, DFE 22, DFE 23
Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos
Resumo da Actividade Operacional 1970/1974-IV
- Guiné, 1972 - DFE 21, DFE 22, DFE 23
Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos
Resumo da Actividade Operacional 1970/1974-III
- Guiné, 1971 - DFE 21, DFE 22, DFE 23
Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos
Resumo da Actividade Operacional 1970/1974-II
- Guiné, 1970 - DFE 21, DFE 22, DFE 23
Os Destacamentos de Fuzileiros Especiais Africanos
Resumo da Actividade Operacional 1970/1974 - I
- Guiné, 1974 - DFE 23
O terceiro Destacamento de Fuzileiros Especiais Africano
- Guiné, 1971/1974 - DFE 22
O segundo Destacamento de Fuzileiros Especiais Africano
- Guiné, 1970/1974 - DFE 21
O primeiro Destacamento de Fuzileiros Especiais Africano

16/05/12

"HISTÓRIAS À VISTA" - 06

          6.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do VALM REF Adriano de Carvalho, nascido a 07/10/23 e ingresso na Armada a 04/08/42.

OS ANANASES:

          «Como era do curriculum, no fim do 2.º Ano da Escola Naval embarcámos no Aviso "João de Lisboa" para a viagem de instrução que consistia numa cruzeiro pelos Açores e Madeira, para assim termos oportunidade de dar aplicação prática conhecimentos de navegação apreendidos entretanto.
          O navio era muito pequeno para alojar além da guarnição 33 Cadetes, mais um capelão e um oficial instrutor da Escola Naval, de forma que dormíamos pelos cantos e víamo-nos atrapalhados para satisfazermos as nossas necessidades higiénicas, devido às bichas.
          Tínhamos no entanto ao nosso dispor uma pequena câmara, para convivermos nas poucas horas vagas que nos restavam. Por sua vez o Capelão (Pde. C.S.) ocupava o camarote anexo cujo conjunto, em princípio, constituía o alojamento do Comandante a navegar.
          Aconteceu que na passagem por Ponta Delgada, alguém mimoseou o nosso Capelão com uns 06 ananases, ainda verdes, para irem amadurecendo até Lisboa. Ora o nosso guia espiritual teve a triste ideia de pendurá-los numa corda na referida câmara, sobre a mesa.
          De início isso não nos prejudicava muito porque o espaço útil não foi afectado. Simplesmente com o decorrer dos dias da viagem, os ananases começaram a amadurecer e a espalhar um aroma próprio que cada vez mais desafiava a nossa gula. Certa tarde a nossa resistência soçobrou. Mandamos vir uma garrafa de vinho do Porto e fomos a eles. Não restou nenhum para amostra.
          Começámos então a ficar preocupados com as prováveis consequências, mas ideias para resolver a situação não apareciam, até que alguém foi tocado pelo Espírito Santo e surgiu pendurado na corda um bonito cartão com os dizeres:

"DEUS OS DEU DEUS OS LEVOU".

          O capelão quando viu o cartão em vez dos ananases, esboçou um sorriso amarelo mas não teve coragem de participar de nós. Deixo-lhe aqui homenagens pelo desportivismo.

PÓS "KEATING":

          Após a minha promoção a 2ºTenente depois de um ano em Guarda-Marinha e ter ainda andado na fiscalização da pesca como imediato da LF "Dourada" no Norte e "Bicuda" no Sul, embarquei no Navio Petroleiro "Sam Brás" onde servi durante cerca de um ano como encarregado da navegação.
          Naquela época o "Sam Brás" era o único Petroleiro que o país dispunha em tempo de grandes restrições de combustíveis devido à guerra, de forma que não havia praticamente paragem entre as sucessivas viagens de reabastecimento de gasóleo, gasolina, etc. Lembro-me ter feito viagens ao Médio Oriente (Bahrain), Aruba, Curaçau, Venezuela e até à Califórnia.
          O Oficial de Administração Naval era o L.C. um tipo quem se dizia ser o 1ºTenente mais antigo do mundo pois tinha quase vinte anos de posto. Era um sujeito um tanto ou quanto primitivo embora boa pessoa. No que respeita a conhecimento de línguas era como a tia do Eça de Queiroz que só falava português e quando lá fora queria ovos estrelados se punha de cócoras e a cacarejar.
          Ora numa viagem que fizemos a Port Arthur (no Texas) aconteceu que andando eu e o E.R. a passear pela terra (que era uma pequena cidade tipicamente americana de ruas perpendiculares umas às outras e casas de madeira), ao passarmos junto a um Drug Store ouvimos lá dentro forte barulheira feminina.
          Entrámos e vimos que havia uma roda de empregadas em grande risota e envolvendo alguém que depressa descobrimos ser o nosso L.C. que entretanto ladrava e se coçava, proporcionando assim "big show". Perguntámos então ao nosso L.C. que história era aquela.
          Respondeu-nos que tinha uma encomenda de um Mar-e-Guerra em Lisboa que lhe tinha pedido para trazer pós para as pulgas dos cães e que as parvas não havia maneira de o entenderem!»

01/05/12

FUZILEIROS NA BÓSNIA-HERZEGOVINA

(ACTUALIZADO)

















Força de Fuzileiros DELTA com a Bandeira Nacional de partida para a Bósnia-Herzegovina (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

          As FA's portuguesas no âmbito da missão de Apoio à Paz «SFOR II» na Bósnia-Herzegovina, marcaram presença militar ao longo de 16 anos, entre Janeiro de 1996 e Dezembro de 2011, sendo as principais localidades palco das Operações de Apoio à Paz: Rogatica, Vitkovice, Mostar, Visoko, Sarajevo e Srebrenica.
          Em 12 de Julho de 1999, no âmbito da operação «JOINT FORCE da NATO», foi decidido mediante um Despacho Conjunto do CEMA e CEME, constituir uma Força Conjunta de escalão Batalhão, integrando respectivamente militares dos dois ramos das FA’s (Marinha de Guerra Portuguesa e do Exército Português).
















Pelotão da CF n.º 21 em desfile nas ruas de Rogatica (Foto: Corpo de Fuzileiros)

          No que concerne à Marinha de Guerra Portuguesa, esta fez-se representar pela sua Infantaria Naval de combate, com uma Força de Fuzileiros designada “DELTA”, entre 01 de Setembro de 1999 e 09 de Agosto de 2000, constituída por Estado-Maior, Grupo de Comando e Serviços e a Companhia de Fuzileiros n.º 21 (CF n.º 21) do Batalhão de Fuzileiros n.º 2 (num total de 120 militares), tendo sido dividida com aquartelamento em Rogatica, Sarajevo e Vitkovice, juntamente com as Companhias do Exército Português.
          Em Rogatica (num antigo Hotel), ficou parte da Força e o Comando do Agrupamento; em Sarajevo, ficou destacado uma Secção para operar a Plataforma Logística, cuja função visava fazer a ponte entre a chegada de carga do Aeroporto e a Força no terreno; em Vitckovice (numa antiga fábrica), ficou o resto da Força juntamente com o Companhia de Serviços e Manutenção.
          A unidade “DELTA” estava por sua vez integrada na Força Nacional Conjunta Marinha – Exército de escalão Batalhão (BATTLE GROUP), designado “Agrupamento Conjunto ALFA”, adstrito ao Contingente Militar Português da «SFOR II», constituindo a sua OPRES (Reserva Operacional Terrestre), como Força de Intervenção do COMSFOR (Comando da Força de Estabilização) da NATO «SFOR II».
          Como Força de Intervenção, o “Agrupamento Conjunto ALFA”, como unidade flexível e robusta vocacionada para lidar com problemas de segurança, podia ser empenhada à ordem do COMSFOR em qualquer local do TO (Teatro de Operações) Bósnia-Herzegovina, em regime de prontidão de 08 horas, nomeadamente para executar “SURGE OPERATIONS”, reforçar as Divisões Multinacionais realizando “FRAMEWORK OPERATIONS” e garantir a segurança do Campo Militar de Visoko.


















Força de Fuzileiros DELTA (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

          Quanto à operacionalidade, a título de exemplo destaca-se:
- Participação no exercício «JOINT RESOLVE XIX» entre 22 e 26 de Maio de 2000, na zona de Mostar (Divisão Multinacional Sueste) a nível do “Agrupamento Conjunto ALFA”;















Fuzileiros junto de um helicóptero UH-60 Black Hawk da US Army, durante o exercício JOINT RESOLVE XIX (Foto: Corpo de Fuzileiros)

- A CF n.º 21 reforçou o “1st Battalion, 64th Infantry” da Divisão Multinacional Norte, sob Comando Norte-americano;
- Execução de patrulhas nocturnas;


















Guarnição de CHAIMITE composta por Fuzileiros, durante uma patrulha nocturna (foto cedida por SAJ FZ Jorge Piriquito)

- Realização de patrulhas conjuntas com outras forças estrangeiras;


































Fuzileiros e tropas canadianas durante patrulha conjunta (fotos cedidas por SAJ FZ Jorge Piriquito)

- Inspecção a locais de armazenamento de armamento com outras forças estrangeiras;


















Fuzileiros em patrulha apeada junto a vias rodoviárias (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

- Exercício de Tiro real em Glamoc, em 17 de Março de 2000 e entre 23 e 24 de Agosto de 2000, com todo o tipo de armamento orgânico distribuído;



































Fuzileiros em exercício de tiro real com armamento orgânico (fotos cedidas por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

- Na zona de Srebrenica entre 19 Junho e 15 de Julho de 2000, um Pelotão de Fuzileiros da CF n.º 21 realizou várias missões de reforço à Divisão Multinacional Norte e a Divisão Multinacional Noroeste, esta última sob Comando Britânico.



















Guarnição de CHAIMITE composta por Fuzileiros de partida para patrulha a partir do "Camp Dobol" (foto cedida por SAJ FZ Jorge Piriquito)


















Coluna de viaturas no "Camp Dobol" (foto cedida por SAJ FZ Jorge Piriquito)

          No tocante a armamento orgânico, os Fuzileiros foram apetrechados com:
- Pistola WALTHER P-38 de 9mm;
- Espingarda Automática HK G3 A4 de 7,62mm, com culatra retrátil;
- Espingarda Automática HK G3 TGS de 7,62mm, com lança-granadas HK-79 de 40mm acoplado;
- Metralhadora-ligeira MG-3 de 7,62mm;
- Metralhadora-ligeira BROWNING de 7,62mm;
- Metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm;
- Lança-granadas-foguetes LAW de 66mm;
- Canhão sem recuo CARL GUSTAV M3 CRS de 84mm;
- Morteirete FBP de 60mm;
- Posto de tiro do míssil filoguiado anti-carro MILAN M1.


















Fuzileiros com armamento e viaturas orgânicas (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

          Quanto a viaturas orgânicas, a partir de Janeiro de 2000, os Fuzileiros foram equipados com os seguintes meios terrestres cedidos pelo Exército Português:
- 10 Viaturas ligeiras 4x4 UMM ALTER D;
- 03 Viaturas tácticas médias IVECCO 4010 D;
- 01 Viatura Pesada Pronto-Socorro M-816;
- 10 Viaturas blindadas de transporte de tropas 4x4 BRAVIA CHAIMITE V-200, com metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm.


















Parque de viaturas dos Fuzileiros em Visoko (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

















Parque de CHAIMITES atribuídas aos Fuzileiros em Visoko (foto cedida por SAJ FZ Jorge Piriquito)

          De salientar que a Força de Fuzileiros “DELTA” foi inclusivamente escolhida por duas publicações periódicas estrangeiras para artigos de reportagem:
- Uma sobre o 3.º Pelotão da CF n.º 21 dotada de CHAIMITES, pela revista do Exército Norte-americano "Talon" (Abril de 2000);
- Outra sobre o exercício de Tiro real em Glamoc, em 17 de Março de 2000, com todo o tipo de armamento orgânico distribuído, pelo boletim “SFOR Informer Online”.

















































Revista talon (imagens cedidas por SAJ FZ Jorge Piriquito)










































Boletim SFOR Informer Online (imagens cedidas por SAJ FZ Jorge Piriquito)

          O transbordo de Portugal dos efectivos dos Fuzileiros (11 Oficiais, 15 Sargentos e 94 Praças) para o TO da Bósnia-Herzegovina foi efectuado por via de 04 voos TAM e 01 voo civil entre 04 de Janeiro e 03 de Fevereiro de 2000.
          Anteriormente à entrada no TO, a Força de Fuzileiros “DELTA” no que tange ao Aprontamento, realizou um na Base de Fuzileiros entre 07 e 25 de Junho de 1999 nas seguintes áreas:
- Treino físico;
- Vigilância de áreas sensíveis;
- Montagem de “check-points”;
- Patrulhamentos motorizados / apeados;
- Procedimentos de comunicações;
- Controlo de multidões;
- Operações aeromóveis;
- Combate em áreas edificadas;
- Aprontamento sanitário.
          Seguido de outro Aprontamento no Regimento de Infantaria n.º 3 em Beja, consistindo em Treino Operacional e participação nos Exercícios “BLI 992” e “HERMES 99".


















Fuzileiros a interagir com crianças bósnias (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

          Entre Junho e Julho de 1999, foram frequentados por Fuzileiros os seguintes cursos / estágios:
- “Operações de Apoio à Paz” por 06 Oficiais FZ’s, 13 Sargentos FZ’s e 93 Praças na EPI do Exército em Mafra;
- “Chefe de carro VBTP V-200” por 03 Oficiais FZ’s e 10 Sargentos FZ’s na EPC do Exército em Santarém;
- “Condutor de VBTP V-200” por 13 Praças FZ’s no RC n.º 6 do Exército em Braga;
- “Procedimentos administrativo-logísticos” por 01 Oficial FZ e 01 Sargento FZ na EPAM do Exército na Póvoa do Varzim;
- “Meios de Comunicações” por 04 Praças FZ’s na EPT do Exército no Porto.


















Coluna de viaturas guarnecidas por Fuzileiros (foto cedida por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

          Já no TO da Bósnia-Herzegovina foram efectuados Treinos Operacionais com o objectivo de manter o Regime de Prontidão de 08 horas:
- Reconhecimento a nível de Pelotão e Companhia;
- Tiro real;
- Treino de condução e de transmissões;
- Diversas operações a nível de Pelotão nas Divisões;
- Orientações sobre o TO junto das Divisões;
- Treino de técnicas específicas;
- Treino com helicópteros UH-60 “Black Hawk” da US Army.

































Fuzileiros em treino com helicópteros UH-60 Black Hawk da US Army (fotos cedidas por Cabo FZ António Lourenço / Associação de Fuzileiros)

          Com o objectivo de não descurar a moral e bem-estar no TO da Bósnia-Herzegovina, os Fuzileiros dispunham de vários meios didácticos e realizaram diversas actividades:
- Projecção de vídeo-filmes;
- Festas de aniversário;
- Biblioteca / Videoteca;
- Grupo musical;
- Campeonatos de xadrez;
- Campeonatos desportivos;
- Intercâmbios desportivos com FA’s de outras nacionalidades e civis locais;
- Concurso de fotografia;
- Visitas a locais com interesse cultural/histórico.


















Fuzileiro conductor (FZV) de viatura táctica média IVECCO 4010 D (Foto: Corpo de Fuzileiros)

          Terminada a missão foi compilado um processo documental na área das Informações, onde consta o Relatório de Fim de Missão, versando sobre as experiências e ensinamentos recolhidos, que foram posteriormente transmitidos em palestras efectuadas sobre Operações de Apoio à Paz no Corpo de Fuzileiros.
          Acresce-se ainda que no ano de 2000, um Oficial Superior Fuzileiro (CTEN FZ) cumpriu uma Comissão de Serviço na Bósnia-Herzegovina, na qualidade de Chefe da Missão de Observadores da União Europeia em Sarajevo, constituída por 50 elementos civis e militares de diferentes países da Europa, no âmbito da «European Union Monitor Mission» para os Balcãs.
          Estes observadores tinham por tarefa diária realizarem patrulhas e estabelecerem contactos com as entidades e população obtendo informações (judiciais, económicas, políticas e militares), que eram a posteriori relatadas nos seus relatórios diários e entregues nos respectivos Ministérios de Negócios Estrangeiros.