
Submarino "TRIDENTE"
Desde os anos 90 que a Marinha de Guerra Portuguesa necessita de substituir os vetustos submarinos da classe "Albacora", tendo a unidade restante da esquadrilha, o "Barracuda" uns respeitosos 41 anos de serviço activo e é de momento o submarino mais velho na NATO com 46.636 horas de navegação.
Neste contexto em 21 de Abril de 2004 foi assinado entre o Estado Português e o "German Submarine Consortium" um contrato de aquisição de dois submarinos convencionais apetrechados com o moderno sistema de propulsão independente de ar AIP (células de combustível).
No mesmo dia foi assinado um contrato de contrapartidas e também ficou garantido a formação e o adestramento das duas primeiras guarnições, de um grupo de instrutores, de pessoal militar e civil da Esquadrilha de Submarinos e do Arsenal do Alfeite responsáveis pelos três escalões de manutenção.
Posteriormente foi adjudicado aos Estaleiros alemães HDW "Howaldtswercke Deutsche Werft", em Kiel, a construção dos submarinos que formarão a 5.ª Esquadrilha de Submarinos da Marinha de Guerra Portuguesa.
No dia 15 de Julho de 2008, decorreu nas instalações dos Estaleiros HDW, Kiel - Alemanha, a cerimónia de lançamento à água do 1.º submarino, o "NRP Tridente" / S167 e a 18 de Junho de 2009, a cerimónia de baptismo do 2.º submarino, o "NRP Arpão" / S168.
Os submarinos apesar de serem designados de tipo U209PN, são na realidade do tipo U-214 com modificações exigidas pelo Estado Português, trata-se pois de um modelo que apresenta a combinação de características dos submarinos alemães da classe "U209" (disposição interna dos compartimentos e equipamentos) e da classe "U-214" (perfil do casco; assinaturas de radar, acústica, magnética; emissões de infra-vermelhos e visual baixas, por recurso a fairing e deplumers), propriedades que já reflecte a preocupação com a redução da probabilidade de intercepção e aumenta a capacidade de sobrevivência, exemplo mais visível, são as linhas angulosas da torre.
O 1.º (NRP Tridente / S167 / SUBTRIDENTE) será recebido no 1.º semestre de 2010, e o 2.º (NRP Arpão / S168 / SUBARPÃO) no 1.º trimestre de 2011, estão orçados em 900 milhões de Euros e serão pagos pelo Ministério da Defesa em sistema de leasing durante 15 anos, tratando-se de um sistema de armas optimizado para operar tanto em águas pouco profundas como em águas oceânicas, com a capacidade de usar armas em ambos os cenários e capazes de efectuar longos percursos em imersão, graças ao aumento da autonomia em imersão profunda, por recurso ao sistema de propulsão independente de ar AIP.
Os cascos foram construídos em aço de alta resistência 80 HLES (aço de 80 Kg/cm² de carga de rotura), dotados do sistema "degaussing system" que permite manipular a assinatura magnética conforme o que se pretende tacticamente, sendo de salientar que todas as estruturas, incluindo os mastros, são revestidas com material radar-absorvente de transmissões electromagnéticas e electroacústicas.
O sistema de propulsão híbrido, bem como o Centro de Informações de Combate, estão montado sobre um suporte de vácuo elástico, com o desiderato de reduzir as vibrações e isolar o sinal acústico produzido pelo mesmo, constituído por:
- 2 motores a Diesel MTU Friedrichshafen de 16V;
- 1 motor eléctrico de íman permanente Siemens AG PEM de 160 kW;
- Sistema AIP [Polymer Electrolyte Membrane] com 120kW de potência por módulo;
- 1 hélice de baixo ruído e alto rendimento.
Existe muito poucas saliências expostas no casco, bem como aberturas, com o escopo de reduzir ao máximo o ruído do fluxo do mar e aumentar o alcance prático de detecção do sistema de detecção electroacústico do próprio submarino.
Não necessita de navegar frequentemente à cota periscópica para recarregar as baterias de propulsão (navegação snorkel) e têm ainda capacidade de fundear, particularidades que a par das referidas nos parágrafos supracitados, diminui o risco de exposição a uma possível detecção por potências ameaças, sejam elas aéreas ou de superfície.
A empresa portuguesa Autosil participou em 70% da produção das baterias de 300 Kw dos submarinos, assim como garante a manutenção e a substituição dos respectivos componentes ao longo de toda a vida útil dos submarinos, a EIDSOFT - Empresa Portuguesa de Investigação e Desenvolvimento de Electrónica, forneceu os sistemas de comunicações e a empresa EURONAVY, a tinta de revestimento dos cascos.

Esquema do submarino U209PN
No que concerne à capacidade ofensiva, os sistemas de armas serão dotados de 8 tubos lança-armas à proa com lotação máxima para 16 armas:
- Torpedos pesados filoguiado ASW / ASUW de origem italiana BLACK SHARK de 533mm / velocidade superior a 50 nós, dotados de uma avançada cabeça acústica, com um alcance superior a 50 Km e capazes de navegar de forma extremamente silenciosa, tendo em linha de conta que é um torpedo;
- Minas multi-influência MN 102 MURENA de origem italiana, na razão de duas minas em vez de um torpedo, podendo lançar inclusivo "dummies" de exercício;

Mina multi-influência MN 102 MURENA
- Destaque para o facto de 4 dos tubos lança-armas serem equipados com o WES (Weapon Expulsion System) que permite lançar mísseis anti-navio UGM-84 SUB-HARPOON Block II, com um alcance superior a 140 Km, navegação orientada por GPS, passíveis de atacar alvos em terra.
Existe ainda a possibilidade futura de aquisição de mísseis anti-aéreos lançados em cápsulas pelos tubos lança-armas, para o qual os submarinos já estão preparados, como o novo míssil filoguiado por fibra óptica IDAS (Interactive Defence and Attack System for Submarines), tendo o míssil capacidade de emergir a 10 km de distância do submarino e alcance superior a 60 km, idealizado para ser empregues contra helicópteros ASW em "dipping" e aviões de patrulha marítima voando a baixa altitude ou como meio adicional até 12 milhas, contra navios e outros alvos de superfície, tais como baterias de artilharia costeira e instalações portuárias.
No tocante à capacidade de auto-defensa, está equipado com o sistema integrado de contramedidas anti-torpedo de reacção rápida CIRCE, que consiste numa unidade de C2 (comando e controle) de lançamento múltiplo de pequenos veículos submarinos (jammers e emuladores) de 120 x 12,7cm, actuando como uma solução soft-kill.
Estes veículos agem como bloqueadores e despistadores, dotados de hidrofones e emissores acústicos integrados, gerando um sinal acústico maior que o produzido pelo próprio submarino, de modo a tentar criar uma cortina de ruído e cegar o sonar do torpedo inimigo para esconder o submarino, enquanto isso os emuladores tentam reproduzir o eco que recebem da emissão sonar da ameaça, emulando assim um alvo para que o torpedo efectue sucessivos ataques ao emulador, indicando uma falsa posição do submarino ao sonar do torpedo inimigo, tendo em vista afastar a ameaça do submarino pelo desgaste do combustível do torpedo inimigo.

Contramedidas anti-torpedo de reacção rápida CIRCE
Para além dos diversos sonares que equipam os submarinos, a classe está apetrechada com um sistema sonar de detecção de minas (Mine Avoidance) a duas frequências, que tem o acréscimo de também fornecer dados de navegação adicionais.
É pois em virtude do sistema de propulsão híbrido (diesel, eléctrico e AIP), aliado ao CWCS (Command and Weapon Control System) que classifica os alvos e gera os respectivos dados para emprego de armas, completado pelo Sistema de Combate ISUS 90-50, desenhado para as nossas necessidades e passível de actualizações futuras, que caracterizam a superioridade táctica suis generis destes submarinos, combinando todos os sensores (mastro, periscópios e sonares), sistema de armas (torpedos, minas e mísseis) e sistema de navegação.
A título de exemplo, pode recorrer ao sistema AIP em operações de patrulha e interceptação ou padrão de busca ultra-silencioso, a velocidades de 2 a superior a 4 nós.
A nível de mobilidade estratégica podem manter a velocidade máxima superior a 20 nós por horas seguidas, cumprir uma vasta gama de missões, quer em "Shallow Waters" (águas costeiras) quer em "Deep Waters" (águas profundas) do Oceano Atlântico, Oceano Índico, Mar Mediterrâneo, Mar das Caraíbas e Golfo Pérsico, 240 dias por ano e com autonomia para 45 dias, sendo de salientar que o sistema AIP confere uma autonomia superior a 14 dias em imersão profunda, ao inverso da classe "Albacora" que se limitava ao Atlântico Norte, Mediterrâneo ocidental e no máximo a 14 horas em imersão profunda.
Somente necessitam de emergir até à cota periscópica para efectuar o lançamento ou recolha com grande discrição, a partir de uma câmara de mergulho instalada na torre, de 11 elementos das Operações Especiais da Marinha (DAE) ou do Grupo de Mergulhadores de Combate (GMC) do DMS n.º 1, totalmente equipados, mediante a utilização do equipamento de mergulho "LAR VII COMBI".
Mediante a "wire-antenna" (limitado à cota de operação de 100 metros) conseguem recebem toda a informação via VLF, LF, MF ou VHF provinda do Comando da Esquadrilha de Submarinos.
O alto grau de automação materializa-se numa guarnição reduzida e permite o aumento da lotação de recargas de armas, a capacidade de produção interna de água doce suficiente para torneiras e chuveiros.
Destaque para a introdução de novos padrões de habitabilidade, com maior privacidade nos alojamentos de Oficiais e casas de banho, e em que cada militar terá direito ao seu próprio beliche em áreas de reduzidos níveis de ruído, aumentando deste modo as condições de vida a bordo, de referir que os submarinos estão habilitados para receber elementos femininos na guarnição em alojamento próprio, não obstante os Sargentos e as Praças residem juntos num compartimento amplo e sem portas.
De realçar que o treino das guarnições em terra e mar, no Centro Naval Alemão de "Eckernforde", é da responsabilidade do departamento de formação da HDW, composto quase todo por ex-submarinistas alemães, tratando-se de um treino de reconversão, isto porque os requisitos que a Marinha Portuguesa colocou para as futuras guarnições pressupõe que os instruendos sejam submarinistas com pelo menos 4 anos de experiência, 6.000 horas de navegação em imersão e obtido a nota de 70% no teste de aferição de Inglês, em virtude de a formação ser ministrada na língua inglesa.
Em Abril de 2009, 40 elementos da Esquadrilha de Submarinos receberam formação em escape / ascensão livre na "Escuela de Submarinos de Cartagena".
A fase final de toda a formação está dividida em três fases: 1.ª "System Instruction", a 2.ª "Pier Training" e a 3.ª "Sea Training".
Trata-se de uma plataforma que não descura o meio ambiente, razão pela qual é apetrechado com dispositivos de prevenção de poluição por hidrocarbonetos, assim como prima pelo grande número de sistemas de sobrevivência, escape e salvamento:
- Sistema de salvamento de emergência EADS Space Transportation RESUS dimensionados para 43 pessoas (33 guarnição + 11 operações especiais);
- 2 Jangadas salva-vidas accionáveis até à profundidade de colapso;
- Sistema de ar respirável de emergência (BIBS) com tomadas dispersas por todo o navio;
- Uma plataforma de salvamento em cada compartimento estanque;
- Dotações de emergência para 7 dias;
- Dois compartimentos estanques até à profundidade de colapso;
- Fatos de escape para cada elemento da guarnição até 180 metros.
Tal como as fragatas da classe "Vasco da Gama" têm a vantagem de serem de construção modular, que permite a execução de uma futura modernização e integração de sistemas de armas, sensores ou propulsão com menores custos, prazo ou alterações físicas na estrutura do navio, conjunto de características que traduziu-se num indiscutível salto tecnológico na arma submarina da Armada.
Trata-se de submarinos convencionais extremamente silenciosos, dotados de um sistema de combate, comando e controlo, sensores e sistemas de armas de alto padrão e última geração, tornam-se num meio naval extremamente eficaz, credível, com grande poder de ataque e elevado grau de adaptabilidade a qualquer situação e nível do espectro do conflito.
É um factor de dissuasão credível por excelência, sobretudo no que concerne a acções preventivas, dissuasoras e defensivas da estratégia diplomática, proporcionando valências que num país com limitações na edificação do seu sistema de forças, decorrentes da sua dimensão e potencial económico e financeiro, permite a Marinha Portuguesa deter um meio de prestígio, com múltiplas opções de emprego, equalizador de poderes e ver assegurado a continuidade indispensável da sua capacidade submarina e "know-how", que detém desde 1913.
Para além de Portugal, também outras Marinhas de Guerra utilizam ou encomendaram submarinos da classe "U-214", ou derivados "U-212" classificados como os primeiros submarinos do mundo virtualmente impossíveis de detectar: Alemanha, Coreia do Sul, Grécia, Itália, Israel, Paquistão e Turquia.
De salientar que a Grécia optou por cancelar o seu contrato devido a dificuldades financeiras do conhecimento de todos, e o Paquistão presenciou ao cancelamento do seu contrato, por parte do governo alemão, em virtude da instabilidade política em que vive entre as suas fronteiras e não só.
Um dos submarinos da Marinha da Coreia do Sul, bateu o recorde mundial de autonomia submersa por submarinos convencionais.

Modelo do submarino U209PN
PRINCIPAIS TAREFAS A DESEMPENHAR:
• Protecção avançada às forças navais;
• Protecção da navegação costeira e oceânica;
• Vigilância e recolha de informações discretas junto à costa;
• Monitorização de comunicações junto à costa (indicators & warnings);
• Ataques selectivos a interesses de alto valor estratégico na zona litoral de um opositor;
• Interdição de áreas focais junto a portos, costa ou zonas de navegação de elevado interesse para o opositor;
• Estabelecimento de campos de minas ofensivos;
• Integração em forças combinadas e/ou conjuntas em acções de apoio avançado;
• Acções de negação do uso do mar em áreas oceânicas;
• Patrulha de área oceânica, anti-submarina e/ou anti-superfície;
• Vigilância da ZEE no quadro de uma política de dissuasão a infracções ambientais e de segurança;
• Vigilância discreta da infiltração de material ou indivíduos em áreas costeiras;
• Combate às ameaças assimétricas (terrorismo, tráfico de droga e armas, imigração, poluição);
• Introdução e recolha discreta de elementos das Operações Especiais da Marinha na costa;
• Acções de representação nacional.
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
- Deslocamento: 2,020 toneladas (em imersão);
- Dimensões: 67,9 x 6,3 x 6,6 metros;
- Velocidade máxima superior a 20 nós (41 km) submerso;
- Velocidade máxima superior a 10 nós (18 km) à superfície;
- Velocidade máxima superior a 4 nós (7 km) sistema AIP;
- Profundidade máxima de operação superior a 300 metros;
- Profundidade de colapso superior a 500 metros;
- Autonomia: 7.350 milhas a 8 nós/45 dias;
- Guarnição:
Oficiais: 7
Sargentos: 10
Praças: 16
Total: 33
- Capacidade adicional: 11 (militares das Operações Especiais)
EQUIPAMENTO:
- Sistema GPS;
- Mastro com sistema ESM UME-200 (2 aos 18 Ghz), integrando a antena ELINT (ELectronic INTelligence) TIMNEX II da SAAB Avitronics e a antena COMINT (COMmunications INTelligence) MEDAV GmbH CRS-8000 LF/MF/HF/VHF/UHF (300 kHz a 3 GHz);
- Sistema ICCS Mod 5 (Sistema Integrado de Controlo de Comunicações);
- Sistema integrado de contramedidas anti-torpedo de reacção rápida CIRCE;
- Radar de navegação SPHINX da Thales, banda I (? Km de alcance);
- Sonar cilíndrico STN Atlas Elektronik DBQS-40 de média frequência (detecção e identificação passiva a longa distância);
- Sonar de flanco de baixa frequência (transição de frequências médias para baixas);
- Sonar de detecção de distâncias por métodos passivos;
- Sonar de detecção de emissão electroacústicas;
- Sonar de detecção de ruído próprio;
- Sonar activo;
- Sonar de detecção de minas;
- Sensor de aviso de emissões laser, montado na torre do submarino da SAAB Avitronics;
- Sistema de navegação inercial Raytheon MINS;
- Sistema de combate Atlas Elektronik GmbH ISUS 90-50 (detecção acústica / electromagnética);
- Mastro optrónico (sensor vídeo de alta resolução, detector de distância a laser, sistema combinado de ESM/GPS) com antena ESMA-5 e o periscópio de ataque Carl Zeiss Optronik GmbH SERO 15 (vídeo a cores, laser range-finder) com antena RWR (Radar Warning Receiver) de aviso de emissões radar;
- Periscópio de busca Carl Zeiss Optronik GmbH SERO 14 (câmara digital de alta resolução, FLIR, optical range finder);
- Periscópio de ataque Carl Zeiss Optronik GmbH SERO 15 (vídeo a cores, laser range-finder) com antena RWR de aviso de emissões radar.





































































































































































































































































