08/08/16

ESTATÍSTICAS ARTIGO SUBMARINOS CLASSE TRIDENTE!

          Não tenho por hábito monitorizar as estatísticas do blogue, no entanto cativou-me a atenção o facto do artigo sobre os Submarinos da classe "Tridente", só relativo aos últimos 03 meses possuir um número anormal de visitas de um determinado país...
          Curiosamente, o nosso Submarino NRP "Tridente" participou recentemente no exercício da NATO: "BALTOPS 16" realizado em águas do Mar Báltico, onde mais uma vez, como é apanágio dos nossos 02 submarinos, fez um verdadeiro brilharete! 
          Meras coincidências?...
 
Artigo sobre SUBMARINOS DA CLASSE "TRIDENTE":
 
 

29/07/16

NAVIO DE APOIO LOGÍSTICO “SÃO MIGUEL” / 1.ª PARTE

NAVIO-MERCANTE:

          Começou a ser construído em 28 de Junho de 1961 pelos Estaleiros Navais KHW - “Kieler Howaldtswerke A.G.” de Kiel (construção n.º 1089), na antiga República Federal Alemã, sendo lançado à água a 19 de Maio de 1962, efectuando as provas de mar a 16 de Julho do mesmo ano.
      Foi construído em aço como cargueiro mercante, caracterizado por uma proa direita lançada, popa de cruzador, convés subido à ré e fundo chato, para a Companhia de Navegação norueguesa “Fjell Lines”, cujo armador era “A/S Luksefjell & AS Rudoll” do grupo “Olsen & Ugelstad” de Oslo - Noruega, recebendo o nome de “Sirefjell”.






















O "Sirefjell" na Noruega (Foto de Andre Opplysninger)

          A 05 de Agosto de 1971, o “Sirefjell” foi adquirido em Oslo - Noruega pela Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes SARL (SG) por 960 mil US Dólares, sucedendo-se a entrega formal do navio (embandeirado) a 27 de Agosto de 1971 em Toulon - França.
         De destacar que a aquisição foi efectuada conjuntamente com o navio gémeo “Haukefjell”, em virtude da “Fjell Lines” ter optado por reduzir a sua frota, sendo rebaptizados respectivamente de “Cabo Verde” (ex-“Sirefjell”) e “Cabo Bojador” (ex-“Haukefjell”).


















O "Cabo Verde" com as cores da SG - Sociedade Geral (Foto cedida por Reinaldo Delgado)

          A 02 de Setembro de 1971, realiza a sua viagem inaugural (após aquisição pela SG), sendo registado na Capitania do Porto de Lisboa a 26 de Outubro do mesmo ano (livro 18 / folha 105) e recebendo o Indicativo de Chamada: CSDB. A título de curiosidade é de salientar que o “Cabo Verde” e “Cabo Bojador” foram os dois últimos navios a integrar a frota da SG.
          A 30 de Dezembro de 1971, o “Cabo Verde”, tal como a restante frota e interesses marítimos da SG, é vendido à Companhia Nacional de Navegação (CNN) por 30 mil contos (150.000 €), ocorrendo a entrega formal do navio a 01 de Janeiro de 1972, fruto do facto da SG deixar de ser empresa armadora de navios e, ambas Companhias de Navegação integrantes do Grupo CUF.




















O "Cabo Verde" na Doca de Alcântara - Lisboa em Dezembro  de 1981 (Foto cedida por Luís Miguel Correia)

          A concentração dos transportes marítimos da SG na CNN deveu-se nomeadamente à política definida pelo então Ministro da Marinha Almirante Pereira Crespo, no sentido de reestruturar as grandes Companhias de Navegação nacionais em dois grupos, mais fortes e aptos a operar no mercado internacional, com o escopo de internacionalizar-se e expandir-se o sector.
          A 03 de Janeiro de 1972, o “Cabo Verde” é registado pela CNN na Capitania do Porto de Lisboa (livro 18 / folha 129) e matriculado na Conservatória do Registo Comercial de Lisboa a 05 de Janeiro do mesmo ano com o n.º 1462, satisfazendo as seguintes convenções:
- Convenção internacional para a salvaguarda da vida humana (1960);
- Convenção internacional das linhas de carga (1966).
          Na CNN, ao “Cabo Verde” foi atribuído a função de navio de comércio marítimo de longo curso e transporte de cargas, sendo utilizado para reforçar as ligações de Portugal com Cabo Verde e a Guiné-Bissau, passando a navegar como cargueiro e efectuando serviço regular nas carreiras entre:
- África Ocidental (Guiné-Bissau / Cabo Verde) e Europa (Portugal), mais tarde alargada ao Norte da Europa (Hamburgo - Alemanha, Antuérpia e Roterdão - Holanda);


















O "Cabo Verde" em Hamburgo - Alemanha




















O "Cabo Verde" em Roterdão - Holanda (Foto de Mike Griffiths)

- África Ocidental (Angola) e América do Norte (Canadá e New Orleans - EUA) a partir de 1983.
























O "Cabo Verde" a navegar no Rio Mississippi  / New Orleans  em Outubro 1983 (foto de Marc Piché)

          Por regra, na carreira da Guiné, transportava: contentores, vinho, carga geral solta, carga frigorífica e carga homogénea (leite em pó, doces, queijo, batatas, cereais, cimento, cigarros, aço, químicos, porcelana e brinquedos).
           Realizou a sua última viagem comercial entre Bissau e Lisboa de 17 a 19 de Setembro de 1985, fundeando no Rio Tejo, fretado pela PORTLINE, sendo nesse período arrestado (apreensão judicial de bens) em Hamburgo - Alemanha, como meio conservatório de garantia patrimonial no âmbito do processo de liquidação da CNN.

AUMENTO AO EFECTIVO DA ARMADA:

          Observando o disposto na Portaria n.º 952/85 de 23 de Dezembro do Ministério da Defesa Nacional, o navio com 23 anos foi aumentado ao efectivo dos navios da Marinha de Guerra Portuguesa, a contar desde 08 de Novembro de 1985 (data da celebração da escritura de compra e venda), como consequência do processo de extinção da CNN (Decreto-Lei n.º 138/85 de 3 de Maio).
          A aquisição foi previamente realizada ao abrigo do Despacho Conjunto do Secretário de Estado e das Finanças e do Secretário da Marinha Mercante de 08 de Junho de 1985, à Comissão Liquidatária da frota da CNN por 50 mil contos (250.000 €) a 06 de Setembro de 1985 (pese embora tenha havido uma negociação directa entre a CNN e a Armada), sendo rebaptizado de “São Miguel”.






















O "São Miguel" atracado na doca dias depois de aumentado ao efectivo da Armada

          Aumentado ao efectivo no estado de desarmamento como Navio de Apoio Logístico na situação de “operacional com limitações” (fruto das suas muitas limitações, apesar do seu relativo bom estado de conservação geral e dos alojamentos para a guarnição), recebeu como endereço radiotelegráfico: CTEF, indicativo de chamada internacional: NAMIGUEL, código mecanográfico: 1X459 e número de amura: A 5208.
























O "São Miguel" no Porto de Leixões, notar a ausência de nome e n.º de amura (Foto cedida por Francisco Cabral) 

          Passou ao estado de armamento normal em 12 de Fevereiro de 1986, tendo a sua lotação somente publicada em 20 de Janeiro de 1987 com uma guarnição composta por 37 elementos copiada dos moldes da Marinha Mercante (05 Oficiais, 08 Sargentos e 24 Praças), sendo destinado pela Armada para as seguintes tarefas no âmbito do Plano de Forças de Marinha:
• Transporte logístico de pessoal e material dos 3 ramos das FA’s e Forças de Segurança entre o Continente e as Regiões Autónomas;
• Participação em exercícios anfíbios de âmbito nacional, transportando material, viaturas pesadas e Forças de Fuzileiros;
• Lançamento ao mar de munições obsoletas e de resíduos industriais perigosos, de acordo com a decisão OSCOM 89/1 da Comissão de Oslo;
• Reforço do apoio às populações em situação de emergência.




















O "São Miguel" a navegar no Rio Tejo a 13 de Março de 1986, ainda com as cores da CNN (Foto cedida por Luís Miguel Correia)

          A título de curiosidade, aquando da sua aquisição surgiu um «boato de caserna» no seio da Armada que originou algum “granel” e que chegou a ter certa reprodução pública, no qual se afirmava que o navio foi adquirido já com destino a sucata, sendo que na verdade essa era a situação do seu navio-gémeo "Cabo Bojador".
          Não obstante, tal boato contribuiu para que o navio fosse durante os seus primeiros anos de serviço encarado como “mal-amado”, apelidado depreciativamente de "Ferrugem" ou "Cascão" e, rotulado de Navio-Mercante que sombreava o orgulho da Briosa, situação que se alterou muito graças aos esforços despendidos pelas suas 03 guarnições para o seu constante aprontamento e missões desempenhadas, conquistando mentes e corações, assim como ganhando o seu devido espaço para ombrear com os restantes navios da Briosa!

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS DO NAVIO:















Planta técnica do "São Miguel"

- Deslocamento:
Leve: 2.884 toneladas
Carregado: 8.422 toneladas
Porte bruto: 5.538 toneladas

- Dimensões:
108,2 x 15,6 x 7,53 metros (comprimento x largura x calado)
 Calado vazio – 2,96 metros à vante e 6,25 metros à ré

- Propulsão:
01 Motor Diesel MAN K6Z 60/105C directamente reversível a 2 tempos, 6 cilindros em linha, turbo-sobrealimentado, com 4.050 BHP a 150 RPM;
01 Hélice LIPS de bronze cunial de 5,450 kgs, passo direito de 5 pás, com 4 metros de diâmetro e 6 toneladas;
0 1 Leme de 6 toneladas, com 4,7 x 2,8 metros (altura x largura)

- Caldeiras:
01 Caldeira superior recuperativa (gastubular / vertical) - 1000 Kg/h 7 Kg/cm³ [aproveita o calor residual dos gases de evacuação do motor principal];
01 Caldeira inferior independente (aquitubular) - 1200 Kg/h 7 Kg/cm³ [com sistema de queima próprio];

- Energia:
03 Geradores Diesel BERGEN RTGB3 de 270 BHP a 600 RPM / 225 KVA / 440 V;

- Velocidade máxima:
15 nós (nafta) Cabo Verde
14,7 nós (nafta) São Miguel

- Velocidade de cruzeiro:
14,5 nós (nafta) Cabo Verde
12,5 nós (nafta) São Miguel

- Autonomia:
15 dias Cabo Verde
21 dias São Miguel

- N.º de amura:
A 5208

- Endereço radiotelegráfico:
CTEF

- Indicativo de chamada internacional:
NAMIGUEL

- Código mecanográfico:
1X459

- Guarnição:
05 Oficiais;
08 Sargentos;
24 Praças
Total: 37

- Capacidade de carga:
3.700 toneladas
Porão n.º 1: 2.250 m³
Porão nº 2: 3.325 m³ 
Porão nº 3: 817 m³ com tampa de escotilha isotérmica
06 Câmaras frigoríficas (-20º C a +6º C): 500 m³, 03 na coberta superior e 03 na coberta inferior do porão n.º 3
03 Câmaras frigoríficas de mantimentos (-18º C a +2º C), na coberta superior de Estibordo, para carne / peixe / vegetais

- Aparelhos de carga:
12 Guinchos de carga hidráulicos LEWIS STRAND [para manobra do próprio navio e manutenção de ferros e paus de carga];
06 Paus de carga hidráulicos /capacidade 03 toneladas (modelo 2A3);
06 Paus de carga hidráulicos / capacidade 05 toneladas (modelo A8);
01 Mastro de cesto com Pau Real / capacidade 25 toneladas [serve a escotilha n.º 2]

- Planos de estiva (para distribuição da carga):
          As operações de estiva decorriam sob plano, orientação e responsabilidade do Imediato, assim como efectuar os cálculos de estabilidade, tendo como auxiliares directos para a faina o Oficia encarregado da estiva e o Mestre.
- Plano A (atendendo à capacidade de elevação do aparelho de carga do navio)
- Plano B (independentemente do aparelho de carga do navio)
- Plano C (para paletes e carga geral solta)

- Capacidade de tanques:
Combustível:
- Nafta (Intermediate 15) 275,7 toneladas
- Marine Diesel 88,1 toneladas
Óleo de Lubrificação – 47,5 toneladas
Água Doce - 186 toneladas
Lastro - 770 toneladas
Vinho (4 tanques) 260 

- Consumo diário a navegar:
Nafta 14,500 toneladas
Marine diesel 1,000 toneladas
Água doce 6,500 toneladas
Lubrificantes 150 kgs

- Aparelhos lança-cabos:
04 Espingarda lança-cabos SHERMULLY SPRA de 45mm;
04 Foguetões com 300 jardas de alcance

- Equipamento de salvação marítima:
- 01 Baleeira em fibra de vidro [n.º 1] a remos e vela (54 pessoas) a Estibordo, com 7,90 x 2,60 x 1,12
- 01 Baleeira em fibra de vidro [n.º 2] com motor a diesel SAAB a 4 tempos (51 pessoas) a Bombordo, com 7,90 x 2,60 x 1,12
- 02 Jangadas pneumáticas RFD 25MM Mk5 (25 pessoas), colocadas nas asas da Ponte
- 01 Bóia-calção (aparelho de vai-e-vem)
- 36 Coletes de salvação individuais de enchimento automático
- 08 Bóias de salvação circulares de material flutuante:
   02 nas asas da Ponte;
   02 junto às baleeiras com aparelho de sinais luminosos e facho fumígeno;
   02 no pavimento das baleeiras com aparelho de sinais luminosos, junto das escadas que dão para ré;
   02 simples a ré, uma de cada bordo, junto às portas de acesso aos alojamentos da guarnição
  
- Equipamento de combate a incêndios:
- Detector de fumos automático com alarmes sonoros e visuais KIDDE RICH
- Bomba de incêndio (2 principais / 1 emergência)
- 12 Extintores de soda-ácido
- 18 Extintores de pó químico
- 27 Bocas de incêndio
 - 12 Mangueiras de lona revestidas interiormente de borracha (15 metros cumprimento por 52mm de diâmetro nominal)
- Pulverizadores de água salgada
- Sistema fixo de CO² para combate a incêndio nos porões e casa da máquina (composto por uma bateria de 37 garrafas de CO²)

- Equipamento de radar, navegação e comunicações:
- Radar KH 1600
- Radar KH 18/12 (substituído) por Radar ONDEX JRC-JMA 3525
- Receptor Satélite SATNAV SHIPMATE 5000 DS
- Receptor Satélite Raytheon GPS Navigator Raystar 920
- Receptor Sait Navtex 2 - XH5123
- Receptor Facsimile Furuno DFAX
- Sonda  ELAC LAZ 12 13T3
- Loran C
- Gónio Hagenuk
- Girobússola ANSCHUTZ K8052
- Girobússola SPERRY Mk27
- Radiogoniómetro Ondex Tayo TP - C338HS
- Odometro Chernikeef
- Anemometro Thies
- UHF JHV - 212/JRC
- VHF SAIT RT 2048
- Intercomunicador Manobras Electrofon Marine MYF 821 - 10
- Telefones de indução SIEMENS
- 2182 KH13 Watch Receiver Vigilant Sistem
- Apitos automáticos Tyfon/Kockums Signal Automatic Sistem
- Consola de Comunicações JRC NSD - 50 (TX)/NRO - 72 (RX)
- Oito Transreceptores VHF (DP 15's)
- TX/RX Life Boat da Marinetta
- Piloto Automático ANSCHUTZ
- 01 Lanterna ALDIS

- Equipamento diverso:
- 04 Ferros BYERS stochless, 02 à proa, 01 à popa e 01 sobressalente estirado no castelo de proa
- Consola de comunicações JRC (MF / VHF / HF)
- 02 Empilhadores CONVEYANCER

- Alojamentos:
16 Camarotes simples
12 Camarotes duplos
(total 40 elementos)

- Armamento:
02 Pistola de sinalização SHERMULLY SPRA de 38mm;
03 Pistola WALTHER P38 de 9mm;
04 Pistola-metralhadora FBP de 9mm,
20 Espingardas automáticas HK-G3 A2 de 7,62mm

16/06/16

LEITURAS À VISTA - 07

Para a 7.ª “LEITURA À VISTA”, recomendo o livro: "TRAIÇÃO - O Agente e a Professora", redigido por José Lucena Pinto, edição de autor.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
          O livro narra sobre factos ainda hoje controversos de carácter político, militar e social do passado recente da História de Portugal, incutindo sentimentos fortes ao leitor.
           Possui um enredo de leitura fácil e cativante, ombreando com uma história de vida, que espelha o modo de estar na vida do seu autor: "Um só rosto, uma só palavra".
 
          Os "Grupos de caça" da DGS existiram. Não era mais do que equipas de seis elementos, sendo um deles Agente, os outros elementos Agentes Auxiliares autóctones que, falavam perfeitamente as línguas das zonas onde os "grupos" actuavam.
          As deslocações para as zonas de intervenção eram executadas em jeep Land Rover, algumas vezes integradas em MVL - Movimento Viaturas de Logística. Também por Heli Allouete III ou outros meios.
          Os "Grupos de caça", eram fundamentalmente grupos de recolha de informações, estando muitas vezes oito dias em zonas de alto risco, camufladas dos olhares. Por vezes, havia contactos de fogo em que, tanto da parte do IN-Inimigo como dos "Grupos de caça" havia mortos e feridos. Uma homenagem aqui, ao primeiro mentor desses "Grupos de recolha de Informações " - Orlando Cristina.
         O livro, destina-se a divulgar em tom romanceado, a história da Brigada da DGS-Nampula que, constituía os três "Grupos de caça". Desde o humor de situações caricatas, passando pelo amor de um Agente e uma Professora, a recolha de informações em zonas de 100% de risco e as operações, algumas clandestinas em países limítrofes a Moçambique.
          Os Informadores a quem a DGS recorria, alguns em Embaixadas, foram de inestimável valor. Por fim, o livro aborda a traição política militar de que esses Agentes foram vítimas.

17/09/15

MERGULHADORES DA ARMADA NA GUERRA COLONIAL: TO DE MOÇAMBIQUE

          Durante a Guerra Colonial, no Teatro de Operações de Moçambique, os Mergulhadores da Armada estiveram destacados a nível de Secção no Navio de Apoio Logístico NRP "Sam Brás" e, na Vila de Augusto Cardoso (Base Naval de Metangula).






























Mergulhador-Sapador do Navio de Apoio Logístico NRP "Sam Brás" (Foto cedida por Cabo US Leite Veloso)

Mergulhadores-Sapadores da 1ª Secção destacada na Base Naval de Metangula no Lago Niassa (Foto de 1Ten US Rogério Domingues)
 
          A 21 de Novembro de 1969, foram aumentadas três Praças com especialização em Mergulhador-Sapador à guarnição do Navio de Apoio Logístico NRP "Sam Brás", quando este ainda se encontrava na doca seca de Rocha de Conde de Óbidos, formando a Equipa de Mergulho, chefiada pelo Oficial Chefe dos Serviços Gerais.
          Esta 1ª Secção de Mergulhadores-Sapadores prestou apoio à Capitânia de Porto Amélia e às docas secas da Capitânia do Porto de Lourenço Marques (actual Maputo) e à respectiva frota de rebocadores e dragas do Serviço de Dragagem da Marinha, procediam a missões de salvação marítima e vistoria às obras-vivas de navios mercantes, também efectuavam serviço de mergulho para os Caminhos de Ferro de Moçambique, entidade que geria todos os Portos e Águas que abasteciam as populações do interior.



































3.ª Secção de Mergulhadores-Sapadores do Navio de Apoio Logístico NRP "Sam Brás" em Porto Amélia (Foto cedida por SMOR US Armando Lobato)
 
          Em 1971, dois Mergulhadores-Sapadores deste navio procederam aos trabalhos de demolição (02 horas) das ruínas do Farol Vasconcellos e Sá, junto a Baía de Lourenço Marques (actual Maputo), por recurso a duas cargas dirigidas de 06 kg de dinamite.
          Esta Secção de Mergulhadores-Sapadores do Navio de Apoio Logístico NRP "Sam Brás" foi posteriormente rendida pelo mesmo número de elementos até 1975 (1.ª Secção 1969-1971, 2.ª Secção 1971-1973, 3.ª Secção 1973-1975).
         Ainda para Moçambique, a partir de 1968 foi destacada uma outra Secção de Mergulhadores-Sapadores (01 Sargento US, 01 Cabo US e 01 Marinheiro US) para a Vila de Augusto Cardoso (Base Naval de Metangula), de modo a garantir o apoio ao SAO e às unidades navais atribuídas ao Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa (5 LFP, 4 LDM e 3 LDP).






































Mergulhador-Sapador da 1.ª Secção equipado com fato de mergulho seco USD e garrafas de ar comprimido (Foto de 1Ten US Rogério Domingues)

2.ª Secção de Mergulhadores-Sapadores destacada na Base Naval de Metangula equipada com equipamento de mergulho autónomo de circuito fechado CDBA "Corvo" (Foto cedida por SMOR US Lopes Almeida)
 
          Esta unidade de Mergulhadores-Sapadores destacada na Base Naval de Metangula foi seguidamente rendida pelo mesmo número de elementos de dois em dois anos (1.ª Secção 1968-1970, 2.ª Secção 1970-1972, 3.ª Secção 1972-1974).
          Destaque para a 1.ª e 2.ª Secção de Mergulhadores-Sapadores destacadas entre 1968 e 1972 na Base aval de Metangula, que procederam à construção da muralha de pedra solta do cais de atracação das lanchas atribuídas à Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa.



















Mergulhador-Sapador da 1.ª Secção destacada em Metangula durante uma fase da construção da muralha de pedra solta do cais de atracação (Foto de 1Ten US Rogério Domingues)

Mergulhadores-Sapadores da 1.ª Secção destacada em Metangula a preparar cargas explosivas durante uma fase da construção da muralha de pedra solta do cais de atracação (Foto de 1Ten US Rogério Domingues)

Mergulhadores-Sapadores da 2.ª Secção destacada em Metangula durante os trabalhos de construção da muralha de pedra solta do cais de atracação (Foto de SMOR US Lopes Almeida)

Explosão subaquática de carga explosiva durante fase de construção da muralha de pedra solta do cais de atracação (Foto de SMOR US Lopes Almeida)

28/08/15

ANTIGAS VIATURAS DE COMUNICAÇÕES DOS FUZILEIROS: A "MIMOSA", A "ACÁCIA" E OS "OURIÇOS"

          Em finais de 1974, o Sistema de Comunicações do CCF foi todo reestruturado¹, para se adequar às novas realidades operacionais e redefinição de novos objetivos devido à descolonização de África, tendo sido concebido um sistema que incluía um Centro de Comunicações e uma Sala de Operações com terminais dos equipamentos na Força de Fuzileiros e um Centro de Comunicações na Escola de Fuzileiros.
          Incluiu igualmente viaturas tácticas especiais, ligeiras e pesadas, adaptadas na Força de Fuzileiros do Continente, para desempenhar a função de centros móveis de C32  ao nível de Batalhão e respectivas subunidades.

A "MIMOSA" à saída da Força de Fuzileiros do Continente, actual Base de FZ's (Foto cedida por José Lança)






































A "ACÁCIA" já em estado de abate ao efectivo, nas instalações da Escola de FZ's (Foto enviada por Macedo Pimentel)
 
          Algumas dessas viaturas eram 02 camiões a diesel BEDFORD RL-Type3  de 4 toneladas4, recuperadas do Depósito de Inúteis e apetrechadas no SAO da FFC, por iniciativa dos Oficiais referidos.
          Os camiões tinham por indicativo radiotelegráfico "MIMOSA" (AP-09-31)  e “ACÁCIA” (AP-09-32)5, sendo operados por Telegrafistas e Sinaleiros dos Centros de Comunicações da Força de FZ’s e da Escola de FZ’s respectivamente.






































Telegrafista a operar equipamento na "MIMOSA" (Foto de Valdemar Pereira)
 
          Eram totalmente equipados para comunicações fixas e móveis VHF e HF, acrescido de entre outras coisas com ar condicionado, gerador próprio atrelado, luz fluorescente, antena que podia ser montada entre dois mastros integrantes no próprio veículo, telefones de campanha, máquina de cifra, aparelhos de teste, demodulador, medidor ondas estacionárias, voltímetro electrónico, indicador de distorção, amplificador de potência e duas teleimpressoras.

Esquema do interior do contentor metálico da "MIMOSA" (Imagem cedida por CATT)
 
          Cada camião transportava um contentor metálico, construído como "Gaiola de Faraday", estavam preparados para servir de posto fixo/móvel de apoio à componente terrestre em exercícios ou operações aero-navais, prestavam igualmente apoio logístico a Unidades de FZ's, a partir da BTE (Base Temporária de Estacionamento), no tocante à substituição de equipamentos, carregamento de baterias6, durante fases de manobra.


 
A "MIMOSA", podendo-se observar o seu contentor metálico (Imagem cedida por Comando da CATT)

          Outras viaturas, que serviam como Posto de Comando Móvel, sendo operados por FZC7, eram 02 jeeps LAND ROVER 1/2ton Lightweight Series III Soft Top (AP-18-638  e AP-20-893), ambos equipados com vários equipamentos que permitam os seus dois Fuzileiros operadores cobrir todas as bandas de comunicações, assegurando o exercício do Comando e Controlo ao Comandante:
- 01 Transreceptor emissor-receptor RACAL TX/RX TR-15 A3 HF, com unidade de sintomia automática A55, chave de morse, microfone e antena de chicote;
- 02 Transreceptor emissor-receptor RACAL TX/RX IRET AN/PRC 239-6X-1 VHF, com carregador CA-29, acumulador AL 18/1 em caixa CA-236, suporte de montagem 41942 do AA e antena chicote TDB 6074A;
- 02 Transreceptor emissor-receptor RACAL TR-28 B2 HF;
- 01 Sistema integrado de comunicações STORNO CQM612 VHF/FM de 10W10;
- Fonte de alimentação constituído por 02 baterias de 12V.






































"OURIÇO", podendo-se visualizar as antenas de chicote traseiras (Foto cedida por SAJ FZC Valter Tavares Raposeiro)
 
          Quando imóveis também podiam empregar um conjunto de antenas portáteis (dipolo ou fio suspenso) que aumentavam a sua capacidade e, que fruto do seu aspecto carregado de antenas flexíveis de fibra, tinham como indicativo de chamada "OURIÇO".
          Este modelo de jeep Land Rover, foi escolhido para viatura ligeira de comunicações, atendendo a circunstância de já possuir de fábrica, pré-instalações para fixar antenas e cabos interiores ao longo da carroçaria, sendo estes últimos inclusivo já posicionados de modo a evitar interferências entre as várias bandas devido à potência dos aparelhos e corresponderem aos requisitos definidos pela OTAN.

"OURIÇO" durante um desfile motorizado de Fuzileiros (Foto cedida por José Miragaia Tomás)
 
          Eram viaturas limitadas aos 1,500kg de peso total, por forma a se poder efectuar-se VERTREP com um helicóptero PUMA da FAP, motivo pelo qual obrigou a escolha de baterias dos aparelhos de comunicação aquando do seu apetrechamento.

"OURIÇO" entrando a bordo de um helicóptero Norte-americano CH-53 Sea Stallion durante o exercício "PHIBEX 87" (Foto enviada por Macedo Pimentel)
 
          De frisar que os “OURIÇOS” foram pioneiros no Corpo de Fuzileiros na implementação de um requisito da OTAN (STANAG), que consistia na pintura das viaturas com tinta de baixo índice de refratância, cujas características ajudavam a atenuar a silhueta nos sensores de vigilância de campo de batalha, mais tarde estendido a outras viaturas e as redes de camuflado miméticas.

"OURIÇO" no regresso de um exercício com o DAE (Foto 1SARG FZC João Martins)
 
          As capacidades de C3 da "MIMOSA" e do "OURIÇO" foram testadas pela 1ª vez em Setembro de 1975, durante uma missão no âmbito das Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA de apoio às populações, em Vila Nova de Milfontes e no Rio Mira, onde participaram as Chaimites AP-19-34 e AP-19-35 e a Companhia de FZ's n.º 13 que acampou no local durante uma semana.

A "MIMOSA" exercendo funções de Posto de Comunicações  Fixo em exercícios (Foto cedida por CCF)
 
          A “MIMOSA” e “OURIÇO” foram inicialmente atribuídas ao BF n.º 3, para efeitos de condução e manutenção da viatura, sendo que o camião funcionava como Posto de Comando, Controlo e Comunicações fixo, estabelecendo igualmente contacto com o Comando da FFC e, o jeep funcionava como Posto de Comando Móvel, assegurando as comunicações com as unidades em exercício / operações bem como com o Elemento de Apoio de Combate, como por exemplo as viaturas blindadas “Chaimite” e as Secções de Morteiros, e com o Elemento de Apoio de Serviços como por exemplo a secção de reabastecimento e a secção de transportes.

Oficial Superior FZ português apresentando a Oficial estrangeiro a "MIMOSA", notar o gerador próprio atrelado (Fotos cedidas por CCF)
 
1- Exclusivamente por Oficiais FZ e de Marinha com especialidade em Comunicações.
2- Comando, Controlo e Comunicações.
3- RL (Long Wheelbase).
4- Os dois camiões já tinham servido em África, um em Moçambique e outro em Angola no Luso, sendo que os seus equipamentos foram sendo actualizados ao longo do tempo.
5- A “Mimosa” entrou ao serviço em 26/08/1964 e a “Acácia” entrou ao serviço em 26/08/1964, ambas foram abatida em 1990.
6 - Daí o indicativo de alcunha “Mimosa”.
7- Fuzileiro com especialização em Comunicações “Tele-fuzo”.
8- Existiram em períodos diferentes, sendo que o 1.º era a gasolina e perdeu-se por acidente a bordo do Navio de Reabastecimento NRP “São Gabriel”, durante um VERTREP com um helicóptero PUMA da FAP, entrou ao serviço em 31/12/1974 e foi abatido em 01/10/1991.
9- O 2.º era a diesel e entrou ao serviço em 23/02/1979 e foi abatido a 20/03/1997.
10- Com caixa de comando CB602, altifalante CS602 e microtelefone MT602 (todos à prova de água), placa metálica de instalação, antena de chicote AN 2103 e alimentação a 24V.

23/08/15

MERGULHADORES DA ARMADA NA DÉCADA DE 30 E 40 DO SÉCULO XX

          Em 1930, o Decreto n.º 18 344 de 17 de Maio, actualiza as remunerações especiais concedidas às Praças da Armada especializadas em Mergulhador, quando exercem qualquer serviço de mergulho, instrução ou execução.
          Tal decreto tinha também por finalidade aliciar o ingresso de Praças no concurso de extra-especialização em Mergulhador, em virtude de o mesmo ter ficado deserto anteriormente, quando aberto na Brigada de Mecânicos.
          O Decreto n.º 18 344 de 17 de Maio de 1930 é alterado pelo Decreto n.º 18 619 de 16 de Julho. Em complemento do decreto supracitado e pelos mesmos motivos, o Decreto n.º 18507 de 25 de Junho de 1930, reduz a altura e idade exigida ao pessoal concorrente ao concurso de extra-especialização em Mergulhador.
          A Portaria n.º 7395 de 3 de Agosto de 1932 aprova e coloca em execução na Armada as "Regras e sinais para o serviço de Mergulhadores".
          Em Agosto de 1947, em conjunto com a 3.ª Esquadrilha de Submarinos (classe "Neptuno"), são adquiridos à Inglaterra aparelhos de mergulho autónomo de circuito fechado com a utilização de 100% de O² respirável: "SIEBE GORMAN SALVUS" (10 metros de profundidade / fato de borracha com touca incorporada e máscara facial), para evacuação submarina de emergência da respectiva guarnição.
          Curiosamente, no entanto nos primeiros anos de serviço desta classe de submarinos, é optado superiormente que as guarnições destes submarinos continuem a utilizar o equipamento "DAVIS" para evacuação submarina de emergência.

Elementos da guarnição do submarino S160 NRP "Narval" em exercício de escape livre com equipamento "DAVIS" (Foto cedida por Cte. Alpoim Calvão)
          Está opção advém do facto de trata-se de um equipamento que também permite aos Mergulhadores da Armada Portuguesa empreender os primeiros treinos e exercícios de sabotagem submarina, nomeadamente atacando as obras vivas de navios. 
          Cumprindo-se o disposto no Decreto n.º 37 380 de 22 de Abril de 1949, é criado na "Direcção do Serviço de Submersíveis" uma "Secção de Mergulhadores e de Salvação", destinado à instrução de Mergulhadores e Mergulhadores-Guias.
          O ano de 1949 ficou marcado pelo facto da Armada contar somente com 08 Mergulhadores, tal situação deve-se fundamentalmente à parca remuneração concedida, esforço físico que o mergulho obriga e a falta de segurança dos equipamentos utilizados na época.
          Entretanto em Abril de 1949 é aprovado um Regulamento do Serviço de Mergulhadores da Armada [Portaria n.º 12 800 de 30 de Abril de 1949] que já prevê a instrução de mergulho a civis.

 Mergulhadores com fatos de mergulho em treino junto de submarinos da classe "Neptuno", a esquerda é possível observar o Navio de Apoio A5214 NRP "Medusa" (Foto cedida por Cte. Alpoim Calvão)
[Foto posterior à década de 40, meramente ilustrativa]

19/08/15

MERGULHADORES DA ARMADA NO INÍCIO DO SÉCULO XX

          Pela Portaria de 29 de Novembro de 1905 os programas dos cursos da Escola de Torpedos e Electricidade são reorganizados, sendo frequentados por Oficiais, Sargentos artífices e Praças Torpedeiro-electricistas, cursos que englobam na sua "2.ª classe" a instrução de Mergulhadores. Em 1907 entram em vigor na Armada as tabelas e descompressão de "Haldane".
          A data de 26 de Setembro de 1910, é reportado na revista portuguesa "Revista Ilustração Portuguesa" a utilização de Mergulhadores da Marinha equipados com escafandro clássico semi-autónomo de circuito aberto "SIEBE GORMAN", numa missão de salvamento marítimo a bordo do navio "S. Gabriel".







































Mergulhador da Marinha equipado com escafandro clássico semi-autónomo de circuito aberto "SIEBE GORMAN"

          Com o advento do primeiro submersível português, o NRP "Espadarte" a 15 de Abril de 1913, surgem quase de imediato os primeiros aparelhos de mergulho autónomo de circuito fechado com 100% de O² respirável: "DAVIS" (Davis Submarine Escape Apparatus), com capacidade para cerca de 10 metros de profundidade, que na verdade era destinado à evacuação submarina de emergência da guarnição, marcando o início da Marinha de Guerra Portuguesa na área do mergulho militar ligeiro de intervenção.






































Mergulhador da Armada com equipamento "DAVIS" (Foto cedida por 1Sarg. US José Ferreira Marques)

          Pela Portaria de 23 de Outubro de 1913 surge o 1.º Regulamento que promulga as "Disposições relativas ao serviço de Mergulhadores da Armada".
          Em Abril de 1922, em virtude desde 1919 não se habilitar nenhuma Praça em Mergulhador, são actualizadas as gratificações a Mergulhadores estipuladas na Portaria de 23 de Outubro de 1913, sob proposta da Escola de Torpedos e Electricistas [Decreto n.º 3160 de 22 de Abril de 1922], o próprio decreto menciona:
- "Para promover a concorrência às escolas de Mergulhadores, que há três anos não habilitam pessoal algum por falta de Praças que desejem especializar-se".
          Observando o disposto na Regulamentação de 2 de Setembro de 1924, os Mergulhadores são inseridos na recém-criada Brigada de Mecânicos [Decreto de 1 de Setembro de 1924], responsável pela instrução de electricidade, radiotelegrafia, máquinas, torpedos e minas.
          Ainda na década de 1920, o Navio de Salvamento NRP "Patrão Lopes" emprega nas suas missões de Salvação Marítima Mergulhadores da Armada com escafandro clássico semi-autónomo de circuito aberto "SIEBE GORMAN" (ver artigo).























Equipamento de mergulho diverso na Sala-Museu da Escola de Mergulhadores

Artigo sobre o Navio de Salvamento NRP "Patrão Lopes":
http://barcoavista.blogspot.pt/2015/06/mergulhadores-da-armada-e-o-navio-de.html