27/08/10

NAVIO DE APOIO "MEDUSA"

RECORDANDO NAVIOS DE UM PASSADO RECENTE

Desenho manuscrito da autoria de Luís Filipe Silva

          A 16 de Novembro de 1959 o navio de lançamento e reparação de cabos Submarinos "USS Portunus", (ARC-1) construído inicialmente nos Estaleiros Federal Shipbuilding and Drydock Company, Newark, New Jersey - EUA, como Navio de Desembarque em 01 de Agosto de 1944 (LSM 275) e galardoado com uma Medalha de participação na Batalha de Okinawa na 2.ª Guerra Mundial, é cedido à Marinha de Guerra Portuguesa ao abrigo do MDAP - "Mutual Defence and Assistance Program".

Navio de Desembarque "LSM 275"


Navio de lançamento e reparação de cabos submarinos "USS Portunus"

          Comissionado a 18 de Novembro do mesmo ano [Portaria n.º 17 431 de 18 de Novembro de 1959] e rebaptizado de "Medusa" (A 5214) é classificado como Navio de Apoio aos Mergulhadores sendo adstrito à Esquadrilha de Submersíveis em 23 de Dezembro de 1959.
          Logo após a cerimónia de transferência para a Marinha de Guerra Portuguesa, iniciou um período de treinos no mar. Entre os dias 17 e 25 de Novembro de 1959, iniciou por quatro vezes a viagem do Porto de New York com destino a Lisboa, tendo regressado a New York por registar diversas avarias (falhas nos alternadores, fortes vibrações na hélice de Estibordo, motor de Bombordo, separador de óleo de combustível).
          A 29 de Novembro de 1959, na companhia do Navio de Apoio Logístico "S. Brás" da Marinha Portuguesa, rumou a Lisboa, fazendo escala no Porto do Funchal entre 10 e 12 de Dezembro, durante o percurso registou novas avarias, entrou no Porto de Lisboa em 15 de Dezembro de 1959 fundeando no QNG, no dia seguinte atracou na Base Naval do Alfeite.

Navio de Apoio "Medusa"

          Como Navio de Apoio aos Mergulhadores usufruindo de dois poços a meia-nau (antigos redutos porta-cabos), foi somente utilizado como base flutuante na instrução de mergulho, função que desempenha até 1968.

Redutos porta-cabos utilizados para instrução de mergulho

          Não obstante, face às sucessivas avarias e aos problemas de navegabilidade devido à sua quilha plana, a sua actividade alternava entre estar atracado na Base Naval do Alfeite, fornecer energia eléctrica (corrente alternada de 440V / 60 c/s) a navios em reparação e ao Arsenal do Alfeite, ou subir ao Plano Inclinado do Arsenal do Alfeite.


Navio de Apoio "Medusa" atracado na Base Naval do Alfeite (Foto cedida por Eng. Lema Santos)

          Em 24 de Setembro de 1964, foi deslocado para o Arsenal do Alfeite com o escopo de ser modificado em Navio de Apoio aos Fuzileiros e posteriormente ser atribuído a título permanente ao Comando de Defesa Marítima da Guiné-Bissau (criado pelo Decreto-lei 41 990 de 3 de Dezembro de 1958 e activado em Maio de 1959).
          Em 27 de Dezembro de 1965, observando o disposto na Portaria n.º 21 746 de 1965, passou a designar-se "S. Rafael", em Julho de 1969 por decisão superior do Estado-Maior da Armada, cessa os fabricos de transformação em Navio de Apoio aos Fuzileiros no Arsenal do Alfeite e passa a ser classificado como Navio de Apoio aos submarinos da classe "Albacora", da modificação entretanto realizada à superestrutura do navio, sobressai a remoção do tambor porta-cabos de proa.
          Para contrabalançar a inoperacionalidade do "Medusa", que entretanto é utilizado para servir de alojamento às guarnições dos navios em reparação nos Estaleiros Navais do Alfeite e também para facilitar registos de tempo de embarque a Oficiais, Sargentos e Praças, a UAM de madeira "Gato Preto", oriunda do Serviço de Desmagnetização da Armada é utilizada pelos Mergulhadores em missões e exercícios em águas costeiras.

UAM "Gato Preto"

          A 02 de Fevereiro de 1972, o Navio de Apoio "Medusa" passou ao estado de desarmamento e a 07 de Janeiro de 1976 é abatido ao efectivo dos navios da Armada, com apenas 395 horas de navegação realizadas ao serviço da Marinha Portuguesa entre 1959 e 1976.

2 comentários:

  1. Conheci este navio quando tive de ir dormir nele uns tempos, enquanto a minha querida fragata Diogo Cão / F333 estava em reparações.
    Tinha um aspecto desajeitado e era mesmo feio, segundo me contaram na altura a malta da guarnição, os americanos deram o navio com os motores num estado miserável, não admira que só desse problemas!
    Seja como for, está mais uma vez de parabéns, o artigo está como todos os outros excelente e bem esmiuçado, algumas coisas desconhecia por completo.

    1 abraço
    Arlindo Gomes 1.º Tenente SEG

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  2. Também conheci este navio em 1962, quando estava a bordo da Diogo Cão em reparação no Arsenal e o Medusa estava atracado a nós para fornecer energia elétrica e como estava com os poços cheios de água, era por nós utilizada como piscina.

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