27/02/15

HISTÓRIA À VISTA - 37

          Retomando a rúbrica "História à vista", vou continuar a publicar artigos da autoria do VALM REF Adriano de Carvalho, redigidos em formato de Resenha Histórica do seu percurso profissional.
 
 
CAPÍTULO N.º II: "Bartolomeu Dias"

         A 09 de Agosto de 49, acabada que foi a especialização em Comunicações, embarquei e no Aviso de 1.ª classe “Bartolomeu Dias” onde servi cerca de 3 anos. Foi o navio onde me mantive mais tempo na Armada.
         O “B. Dias” encontrava-se na doca de Alcântara (estaleiros da antiga CUF) a terminar grandes fabricos de manutenção. Foi então nomeado comandante o CMG Negrão Neto (NN), que escolheu para Imediato o 2.º Comandante que tinha tido em V. Franca (Cap. Ten. Andrade e Silva).
         Embarcaram também pela mesma altura os 2.º Ten. Saturnino Monteiro (art.), Estácio dos Reis (elect.) e o Turibio de Abreu. (nav.). Registe-se que todos nós éramos oficiais muito novos, acabados de especializar, talvez porque os mais antigos não gostassem de servir com o comando escolhido.
         O Chefe de máquinas que nos antecedeu era o Eng. Coimbra. Foi mais tarde nomeado o Médico, Dr. Paz Pereira.
         A vida a bordo deste confortável navio, foi completamente estragada pela personalidade conturbada do Comandante. Não era estúpido, mas tinha falta de bom senso. Era muito dado a castigos por tudo e por nada e fazia pouco uso do sentido de responsabilidade. O pior de tudo no entanto, era sua completa negação para a manobra do navio nas suas atracações.
         Contava-se que nem sequer foi capaz de tirar a carta auto de condução militar que era válida para o país e que era passada pela unidade que comandava (Esc. de Mecânicos). Era sempre sugerido pelo Júri que praticasse mais um pouco…
         Dizia-se também que de outra vez enfiou o C. Torpedeiro que comandava, pelo gurupez da Sagres exclamando em voz alta: “eu pago tudo, eu pago tudo”. Claro que não pagou nada e aumentou a sua conta de “dívidas” à Fazenda Nacional…
         No entanto era bem visto pelas esferas superiores e é de reconhecer que apesar das suas deficiências, dedicou toda a sua vida a servir a Marinha.
         Todavia o Imediato que era um “yes man” também teve culpas no cartório. Basta dizer que quando entrava de licença e era substituído pelo Saturnino, a vida a bordo era muito mais sossegada. O segredo era não pôr inicialmente objecções às suas ideias extravagantes e no dia seguinte dizer-lhe com cuidado: “Sr. Comandante, estive a pensar sobre a sua ordem tal, e era de opinião que se reformulasse em alguns aspectos, etc". O homem então aceitava discutir e alterar as suas ideias.
         Isto foi ensinamento do Saturnino, crucial para se evitar muita chatice. Mas a vida no “B. Dias” não começou bem, visto que nos finais dos fabricos houve uma explosão nas frigoríficas (provocada por uma troca de garrafas de CO2 por Oxigénio), de que resultou 7 mortos, entre marujos e operários, um dos quais era o SubTen Eng. Taborda, dos meus tempos da EN. Tudo isto se deu quando o Comandante ficou viúvo e eu estava de licença, tendo-me apresentado logo que soube da ocorrência.
         Para não ser muito longo vou apenas referir-me às duas missões mais importantes que o navio desempenhou com o referido comando: Em Junho de 50 efectuaram-se as últimas manobras navais à portuguesa, ou seja antes de se aplicarem as normas NATO. De qualquer forma foram manobras de certa importância, pelo número de navios envolvidos.
         Além do “B. Dias”, entraram nas manobras três contra-torpedeiros, uma fragata, um submarino e dois patrulhas. As manobras realizaram-se entre a Madeira e Açores com descansos semanais no Funchal ou P. Delgada.
         O “B. Dias” era o navio-chefe e levava a bordo o Comodoro da F. Naval do Continente, CMG Ferraz, que tinha sido o Imediato do Carvalho Araújo no combate com o submarino alemão na 1.ª G. Guerra. Trazia como C. E. Maior o Cap. Ten. Castro e Silva e como ajudante o 2.º Ten. Limpo Serra.
         Quando passámos pela posição em que se tinha dado o combate com o submarino alemão, o Comodoro fez por intermédio do transmissor (TCS12) uma prelecção histórica para todos os navios de cerca de 10 minutos, sobre o que se tinha passado.
         Houve no entanto um Patrulha que não tinha boa recepção e que transmitiu no fim “say again”. Respondi “estas coisas não se repetem…”.
         O nosso Comandante NN (que tinha também alcunha de “nabiças” pois era semi-vegetariano, não aceitava facilmente ter a bordo quem mandasse mais do que ele e daí que as pegas com o Comodoro fossem constantes.
         Certa vez ao entrar no Funchal, o navio ia com excessivo andamento e o Comodoro já nervoso disse: “Oh Comandante não acha que vai depressa de mais?”. O NN perguntou-me: “acha Adriano?“ Respondi que sim e além de ter mudado o telégrafo para “devagar a vante”, fui avisando pelo telefone as Máquinas para se prepararem para marcha a ré a toda a força.
         O navio acabou por estacar a 6 metros das rochas do fundo do porto! Além disso estivemos várias vezes em risco de colisão durante as manobras, pois o NN enganava-se quase sempre nos cinemáticos. Nós, Oficiais, já há muito que tínhamos tomado a atitude de só darmos a nossa opinião quando ele já aflito pedia sugestões, aliás sempre tarde.  Noutras alturas tomava atitudes excessivamente realistas, tal como no exercício de abandonar o navio em Porto Santo, a que nem o cozinheiro de bordo escapou. Conclusão, estragou-se o almoço e as jangadas tiveram que ir para reparar no Arsenal.
         Mas a mais importante comissão desempenhada no meu tempo foi a volta de África, para instrução do curso de G. Marinhas “Pedro Alv. Cabral”, cujo chefe era o Dores Pinto e que incluía também o meu irmão.
         A viagem iniciou-se em Outubro de 50 e teve 5 meses de duração, com a extraordinária particularidade de termos tido sempre bom tempo. Tocámos os portos mais importantes das nossas possessões, incluindo S. João Baptista de Ajuda. Dobrámos o Cabo da Boa Esperança com mar espelhado, saímos pelo Canal do Suez e ainda escalámos Malta no Mediterrâneo.
         O ambiente a bordo que nunca foi bom, piorou com o embarque dos G. Marinhas. Para esta viagem embarcaram o 2.º Ten. Costa Santos (que substituiu o Turibio de Abreu) e o 1.º Ten. Vieira Coelho como Director de instrução dos G. Marinhas.
         Acabaram ambos por ser castigados, pois não tinham a nossa experiência de lidar com o NN. Fomos extraordinariamente bem recebidos em todos os portos onde tocámos, até porque na altura era Ministro do Ultramar o Alm. Sarmento Rodrigues.
         No Lobito onde o navio permaneceu 15 dias, teve lugar a visita às minas dos diamantes na Lunda e os Oficiais escolhidos fizeram greve à excursão, (devido ao mau ambiente) mas acabaram por ter ido com passagem de guia de marcha. Eu fazia parte deste grupo e ainda bem que fui obrigado, porque foi uma visita inesquecível.
         Andámos cerca de 1000 km de comboio e mais 600 de carro por estradas que se tornavam rios quando caiam grossas chuvadas.
         No entanto à chegada fomos alojados como príncipes. Eu e o Estácio ficámos numa moradia com criado que de manhã depois de nos servir um óptimo pequeno- almoço, apresentou-nos as nossas fardas brancas, lavadas e engomadas.
     Visitámos depois as diversas instalações e notava-se em tudo uma extraordinária organização. Por exemplo os carros de serviço eram todos da mesma marca e na garagem havia um grande armazém com todo o tipo de sobressalentes.
         Havia também um pequeno Hospital com muito bom aspecto, onde nos foi dado ver alguns indígenas que foram atacados por leões, nas proximidades.
         No departamento das minas exibiram a silhueta do nosso navio com diamantes estendidos numa mesa de ping-pong. Havia também um aparelho de raio X para examinar à saída os trabalhadores (de cor) que trabalhavam em turnos de 15 dias.
         Também fomos desafiados para um jogo de futebol e ofereceram-nos um baile de despedida, regado com champanhe francês, e as nossas mesas estavam gentilmente guarnecidas pelas senhoras locais (casadas) com lindos vestidos de baile.
    O Director das instalações era um engenheiro português que denunciava ser fora de série e certamente escolhido pelo Comandante Vilhena que comandava o negócio em Lisboa.
         No entanto o nosso NN escusou-se a participar na maioria das recepções oferecidas alegando o seu estado de viuvez. Das situações caricatas sucedidas nesta comissão, menciono as seguintes:
         Passados dois dias de largados de Lisboa, saiu do seu camarote e apareceu na câmara o Dr. Paz Pereira (um dos mais enjoados da nossa frota) que com ar desconfiado olhou para um e outro bordo e exclamou em voz alta: ”Afinal isto está uma excursão porreiríssima!”.
         A frase chegou ao ouvido do NN e daí sucedeu que nunca mais teve descanso, recebendo afazeres impostos por papelinhos do pequeno bloco de notas guarnecido com papel químico, onde registava as ordens dadas.
         Diga-se de passagem que várias vezes fizemos desaparecer o caderninho, o que deixava o nosso chefe desorientado. O certo é que uma das missões atribuídas ao Médico, foi a de fazer uma palestra aos G. Marinhas sobre o feito do nosso patrono, na dobragem do Cabo das Tormentas.
         A cerimónia decorreu na tolda, (em formatura) com a cidade à vista e mar de “patas” estanhado. Pensei cá para mim que nunca o “Mostrengo” fora tão enxovalhado, com tal prelecção proferida nas suas “ventas” pelo tipo mais enjoado de bordo…
         Visitámos depois Lourenço Marques onde permanecemos cerca de uma semana, decorreram várias cerimónias e fomos muito bem recebidos.
         Além de confraternizar por lá com alguns familiares, tive ainda o prazer de numa das recepções, encontrar um casal de Médicos que tinham sido meus condiscípulos no Liceu José Estêvão em Aveiro.
         Seguiu-se Inhambane e à entrada da barra entrou a bordo um “prático” de cor da Capitania local, a que o nosso NN “racisticamente“ não passou cartão. De facto se a tarde não estivesse tão ventosa, a manobra seria a de simples atracação a um molhe de cimento em T existente no interior do porto. Com a ventania, aconteceu a cena que apelidei de “Debandada” e que passo a descrever:
         Tocou à faina e ouviu-se pelo ETO a ordem: “Oh Imediato vamos atracar por bombordo.” O imediato ordenou os respectivos preparativos com cabos e defensas, mas os 10 minutos gastos, fizeram com que o vento o virasse o navio de 180º. Ordem - “Afinal Oh Imediato o navio quer atracar por estibordo.”.
         Entretanto uma banda tocava marchas militares no cais, à nossa espera. Mais 10 minutos a mudar a tralha e mais uma vez o vento mudou o navio de bordo. A cena repetiu-se por mais que uma hora, a banda já tocava com menos entusiasmo e de repente o “próprio navio se “chateou” com a demora e avançou de proa contra o cais.
         A banda quando viu a proa do navio avançar sobre eles, começou a desafinar e debandou (termo muito apropriado para a ocasião).
         O cais resistiu ao embate mas a nossa proa abriu uma grande boca. O Comandante como era seu hábito nas várias mossas que causava ao navio, chamou o Eng. Coimbra que desta vez declarou que a reparação da avaria estava fora das suas possibilidades.
         Aconselhou no entanto que se pedisse auxilio à oficina local dos caminhos-de-ferro que também se declarou incapaz, sugerindo-se no entanto que o rombo fosse tapado e soldado com folha-de-flandres. Foi o que se fez e depois de tudo pintadinho de cinzento a coisa ficou escapatória à vista, situação que durou até ao regresso a Lisboa. Não foi no entanto determinado a abertura de qualquer auto de ocorrência …
         Na Beira os G. Marinhas tinham um convite para visitar a Reserva Natural da Gorongoza, mas o nosso NN que estava zangado com os alunos recusou o convite, alegando que eles estavam cansados. Perderam uma visita de grande interesse e ainda por cima foram gozados pelas miúdas da terra.
         Os únicos portos estrangeiros que visitámos foi Mombaça e La Valeta (Malta) além de Alexandria, depois da saída do Canal do Suez, onde tivemos oportunidade de fazer uma excursão às pirâmides e ao Cairo (com dança do ventre em cabaret) tudo à nossa custa, claro.
         Recordo que em quase todos os locais onde estivemos, éramos desafiados para um jogo de futebol e não me lembro de termos perdido algum. Tínhamos uma selecção de elementos da guarnição e do curso de G. Marinhas em que eu e o meu irmão fazíamos parte, mas o elemento-chave da equipa era o Eng. Nabais, dotado de grande habilidade que aproveitava para fazer golos. Só que tínhamos poucas hipóteses de treino.
         Mesmo assim, desafiados pela selecção dos navios ingleses (cruzadores e destroyers) que se encontravam em Malta, ganhámos por 4/0. Ainda apareceu a bordo um oficial inglês para pedir desforra no dia seguinte e recusámos por falta de tempo para recuperarmos.
         Mas o dia da chegada a Malta coincidiu com o falecimento do Marechal Carmona e os navios de guerra ingleses estavam todos de bandeira a meia haste.
         Nós já sabíamos da notícia pela rádio mas o NN exigia comunicação oficial para fazer o mesmo. Veio então a bordo um Oficial inglês comunicar oficialmente o sucedido, mas ele só arreou a bandeira depois do almoço que ofereceu ao nosso cônsul….
         Finalmente chegámos a Lisboa e a casa. Já agora abro um parêntesis para contar que a minha filha mais velha que tinha nascido pouco tempo antes do início da viagem, recebeu-me muito bem, brincou comigo, mas já mais tarde perguntou à mãe: “Oh mãe, quando é que este homem se vai embora?” (percalços da vida de Marinha).
         Passadas umas semanas depois da chegada, tivemos o prazer de ver o nosso NN substituído pelo CMG Oliveira Lima que estava à muito tempo na “prateleira”, porque comandando uma força de Marinha não ligou nenhuma à passagem de uma formação da Legião Portuguesa.
          Trouxe como Imediato o Comandante Aragão, de forma que o navio passou a ter um “importante trio “ de Oficiais republicanos, contando com o Eng. Coimbra.
         O ambiente a bordo mudou completamente e a guarnição viu com agrado que o novo Comandante descia à Câmara de Oficiais para jogar bridge.  Certo dia chegou muito satisfeito dizendo a mim e ao Estácio que já tínhamos marcada uma comissão de viagem de instrução de Cadetes, aos Açores e Ceuta.
         Perguntámos-lhe então se ele sabia que o navio estava sem proa. Disse que o seu antecessor (com quem estava de relações cortadas desde o tempo de 2.º Ten.) apenas lhe tinha passado a chave da secretária. Lá se conseguiu uma entrada de emergência nos estaleiros do Arsenal do Alfeite, onde se reparou a avaria a tempo de iniciar a viagem.
         Lembro-me que em Ceuta (era na altura uma praça forte espanhola), fomos recebidos pelo General Comandante da Legião Espanhola (Queipo de Lhano) que num beberete brindou por Franco e Salazar. O Nosso Comandante respondeu com um brinde por Portugal e Espanha. Perdeu assim a condecoração que lhe estava preparada…
         Mas a comissão que mais me emocionou foi a da nossa ida a Brest para trazer para cá o féretro da Rainha D.ª. Amélia. Embarcou como representante da família real o Visconde de Asseca (parente do capelão que tinha tido na Escola Naval). O nosso Comandante apesar de republicano, exigiu que o Visconde fosse tratado a bordo com a maior cortesia, ficando instalado na camarinha do Comandante a navegar.
         As autoridades francesas tomaram o caso muito a sério e a cerimónia do embarque foi alvo de importantes honras militares (um batalhão de Marinha formado no cais e 21 tiros durante o içar do féretro, com apresentar armas).
         Diga-se de passagem que Salazar já tinha convidado a Rainha a visitar Portugal em 1945 (17 Maio a 30 de Junho) que a D. Amélia aceitou de bom grado, porque ela amava Portugal, apesar de lhe terem assassinado o marido e o filho mais velho na carruagem onde seguiam.
         Já agora conto que em Brest na noite anterior ao dia da cerimónia, calhou que num bar local elegante onde entrámos, fosse-mos (eu mais 2 camaradas) convidados gentilmente por umas senhoras a sentarmo-nos à mesa delas. A conversa teve por base a nossa rainha e às tantas disseram que nós tínhamos sido uns selvagens, ao matarmos-lhe o marido e o filho à queima-roupa na carruagem onde seguia toda a família real.
         Respondi que os compatriotas delas fizeram muito pior ao Luís XVI e à Maria Antonieta que foram à guilhotina na praça pública. Ficaram caladas.
         À chegada a Lisboa tínhamos 3 rebocadores à nossa espera para nos ajudarem a atracar ao cais SSE onde se encontrava o Salazar, sentado em bancada com os seus ministros, para assistirem ao desembarque do féretro e seguinte cerimonial.
         O nosso Comandante dispensou os rebocadores e atracou em manobra limpa no espaço que nos estava reservado. Para terminar apenas direi que passado uma semana, veio a bordo o Visconde de Asseca agradecer a forma como tinha sido tratado a bordo e ofereceu ao navio um quadro pintado pelo rei D. Carlos sobre uma fragata no Tejo. Mas eu já tinha 3 anos de navio e a minha saída era inevitável.
         O Com. O. Lima não só me louvou como me apresentou a oferta de um curso de electrónica nos E.U.A, provavelmente obtido em conversa com o Com. Ramos Pereira, que eu aceitei. A minha comissão no “B. Dias terminou em 7 JUL de 52.
         Foram entretanto nomeados mais três Oficiais (A. Leitão, H. Leitão e Wagner) para o referido curso em Great Lakes, perto de Chicago. Para contradizer a estatística só eu que era o mais velho, ainda por cá ando.
         O António Leitão ficou em n.º 1 do curso de cerca de 40 Oficiais (metade americanos e outra metade internacional). Eu e o A. Leitão tivemos a classificação de “out-standing”.
     Por isso só voltámos os dois da América em finais de Outubro de 53, pois estivemos mais 3 meses à espera de atender um estágio para o qual tínhamos sido nomeados, na fábrica da “Federal” que tinha vendido à nossa Marinha radiogoniómetros (DAK3) e instalado a linha telefónica da Marinha entre Lisboa e o Alfeite.
         Ficámos adidos às autoridades Navais Americanas em N. York, à espera do tal estágio, mas não fomos deixados parados. Recebemos guias para várias Bases Navais onde nos era dado assistir a exercícios da Marinha Americana. Estivemos assim em muitas cidades portuárias, pelo que ficámos a conhecer mais América do que a maioria dos naturais.
         O tal estágio durou 2 semanas sob a assistência de um excelente engenheiro de origem Judaica, com quem ficámos amigos. Achou que os nossos conhecimentos de electrónica estava fresco e fez-se o estágio em metade do tempo previsto. Depois confraternizou connosco e levou-nos a várias exposições ligadas a assuntos electrónicos, incluindo matéria de alta-fidelidade que estava em começo na altura.
         Tratei entretanto do regresso a Lisboa num paquete de luxo italiano, mas não me foi dado esse prazer por ter recebido ordens de Lisboa para me apresentar com urgência. Vim então de avião e na Superintendência passaram-me guia para a Escola de Mecânicos, onde afinal não havia urgência nenhuma por se estar ainda em férias.
         Aproveitei para entrar de licença, mas perdi estupidamente a viagem de paquete. Acrescento que nunca a Marinha teve qualquer proveito desse estágio porque nunca tal nos foi pedido.
         Em V. Franca fui instrutor de electrónica e fundei o respectivo curso na Armada sob a égide e apoio do Comandante C. Alm. Moreira.

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