22/05/10

PETIÇÃO ONLINE: "SALVEM O MUSEU DA MARINHA"

PETIÇÃO ONLINE: "SALVEM O MUSEU DA MARINHA"

PETIÇÃO ONLINE

          A passagem do espólio do Museu de Marinha português para o novo Museu da Viagem ou qualquer outro museu, como proposto pelo Ministério da Cultura, significará a morte do Museu de Marinha criado pelo Rei D.Luís. Este é um dos mais prestigiados museus do mundo na sua área, que conta com algumas colecções únicas - entre elas, a maior colecção de astrolábios do mundo nas mãos de uma entidade pública e uma das mais extraordinárias colecções de modelos de navios em todo o mundo.

          Ao longo das últimas décadas, todos os directores do Museu de Marinha batalharam para preservar e alargar o espólio do museu contra todas as dificuldades financeiras que podemos imaginar, incluindo a inércia inerente às instituições do Estado e que atingem a maior parte dos museus em Portugal.

          O Governo vem agora dizer que quer investir num novo museu à custa do Museu de Marinha.

          Ajude a salvar este Museu único com mais de 150 anos e assine esta petição.

Obrigado

Os signatários

PETIÇÃO ONLINE

07/05/10

A BOINA DOS FUZILEIROS

(ACTUALIZADO)


          A famosa Boina de Fuzileiro "azul ferrete" a que apenas tinham direito os Oficiais do Quadro Permanente ou Oficiais Fuzileiros da Reserva Naval, Sargentos e Praças com o curso de Fuzileiros Especiais, obtido na Escola de Fuzileiros desde de 1961, remonta ao tempo da chegada, após formação no Reino Unido, dos 4 primeiros instrutores (um 2º Tenente da classe de Marinha e três Marinheiros da classe Monitores de Educação Física a Portugal.


Os 4 primeiros Fuzileiros com a Boina Verde dos "Royal Marines Comandos" (Foto original cedida por Cte. Pascoal Rodrigues)


Boina e distintivo dos "Royal Marines Comandos" do SAJ FZE Mário Claudino, cedido pela sua esposa à Sala-Museu do Fuzileiro

          Optou-se por adoptar a partir de Janeiro de 1961, uma boina de cor "azul ferrete" com a âncora da Armada, em virtude de que as Tropas Pára-quedistas já utilizar a Boina Verde desde 9 de Julho de 1955, determinado por despacho do então Ministro da Defesa Nacional (legalizada a 1 de Janeiro de 1956), cor esta também usada pelos "Royal Marines Comandos" como símbolo de Forças de Élite.


Boina de Fuzileiro Especial

          A Boina assume para o Fuzileiro um significado de orgulho, honra e prestígio na Força Militar em que presta ou já prestou serviço activo, as duas fitas pretas da Boina, significam entrada e saída do quartel, ou seja o Bom dia e a Boa tarde, assim como o luto e respeito pelos camaradas mortos da unidade.
          Na sequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, a boina deixou de ser da exclusividade dos Fuzileiros Especiais, sendo extensiva a todos os militares do Corpo de Fuzileiros, com o intuito de eliminar uma indesejável diferenciação entre «Fuzileiros Especiais» e «Fuzileiros Navais» que contribuia para a quebra de coesão na unidade.


Actual Boina de Fuzileiro

          O "ganhar a Boina" por parte dos instruendos do Batalhão de Instrução da Escola de Fuzileiros, é desde 1961 o culminar do respectivo Curso Básico de Fuzileiro, actualmente com 15 módulos e a duração de 9 meses.
          É também o reconhecimento da aptidão do militar por parte da instituição que ministra o curso e restantes camaradas d'armas, assim como funciona como factor de união, conjuntamente com o Hino dos Fuzileiros e a Sala-Museu do Fuzileiro, entre as diversas gerações de Fuzileiros.


O garbo do desfile de um Pelotão de elementos da Associação de Fuzileiros, sob o comando do SMOR FZE José Talhadas, precedidos do SMOR FZE José Coisinhas na qualidade de Porta-Estandarte da entidade (Foto cedida por SAJ Afonso Brandão / FZE e Mergulhador-Sapador)

          De salientar que a partir de Fevereiro de 1986, o distintivo foi substituído pelo modelo actualmente em vigor, observando o disposto no Despacho CEMA n.º 10/86 de 4 de Fevereiro, sendo que o 1SARG FZC João Manuel da Fonseca colaborou a convite do então Comandante da CF n.º 21 do BF n.º 2, na qualidade de artista plástico, na co-autoria do desenho.


Desenho do projecto do actual distintivo, da co-autoria do 1SARG FZC João Manuel da Fonseca (Imagem cedida pelo artista em apreço)


Actual Distintivo de Fuzileiro em vigor
 

Poema de Mário Manso dedicado a Boina dos Fuzileiros

Artigos do Tcor Miguel Machado:
- Jornal Exército / Junho 2003;
- Revista Boina Verde n.º 155 de Dezembro de 1990

20/04/10

PATENTES DA MARINHA


Almirante da ArmadaAlmiranteVice-almiranteContra-almiranteComodoro

OFICIAIS GENERAIS

Capitão-de-mar-e-guerraCapitão-de-fragataCapitão-tenente

OFICIAIS SUPERIORES

Primeiro-tenenteSegundo-tenenteGuarda-marinha / Sub-tenente Aspirante

OFICIAIS SUBALTERNOS

Sargento-mor

Sargento-morSargento-chefeSargento-ajudante

Primeiro-sargento

Primeiro-sargentoSegundo-sargentoPrimeiro-subsargentoSegundo-subsargento

SARGENTOS

Cabo

Primeiro-marinheiro

Cabo

Primeiro-marinheiro

Segundo-marinheiro

Grumete

PRAÇAS

24/03/10

GLOSSÁRIO DE SIGLAS NAVAIS

         Este glossário tem por finalidade dar a conhecer o significado de abreviaturas, siglas e termos utilizados na Marinha, Exército e Força Aérea Portuguesa, empregues em artigos já publicados ou a publicar futuramente neste blog, nomeadamente aos leitores menos familiarizados com os mesmos:

ORDEM ALFABÉTICA

A / B / C / D / E / F / G / H / I / J / L / M / N / O / P / R / S / T / U / V / Z

A

AAW - Anti-Air Warfare (Guerra anti-aérea)

ABU - Auxiliary Buoy Tender (Navio-Balizador)

AÇOR - Exercício Conjunto do Comando Operacional dos Açores

AGS - Auxiliary General Survey Ship (Navio de Pesquisa)

AGSC - Auxiliary General Survey Ship Coastal (Navio de Pesquisa Costeiro)

AIP - Air Independent Propulsion (Propulsão independente de ar)

AOR - Auxiliary Oil Repleanishment (Navio Reabastecedor de combustível)

APC - Armoured Personnel Carrier (Veículo blindado de transporte de tropas)

ASUW - Anti-Surface Warfare (Guerra de superfície)

ASW - Anti-Submarine Warfare (Guerra anti-submarina)

AXL - Auxiliary Training Ship, Small (Navio-Escola Pequeno)

AXS - Auxiliary Training Ship, Sail (Navio-Escola à vela)

B

BF - Batalhão de Fuzileiros / Base de Fuzileiros

BLD - Batalhão Ligeiro de Desembarque

C

CAEDMA - Curso de Aperfeiçoamento de Explosivos, Demolições, Minas e Armadilhas

CAF - Companhia de Apoio de Fogos

CATT - Companhia de Apoio de Transportes Tácticos

CDBA - Clearance Divers Breathing Apparatus

CCAÇ - Companhia de Caçadores (Exército)

CDMG - Comando de Defesa Marítima da Guiné

CEMA - Chefe do Estado-Maior da Armada

CF - Companhia de Fuzileiros

CIMCM Centro de Instrução de Minas e Contramedidas

CIOE Centro de Instrução de Operações Especiais

CIWS - Close-in Weapons Sistem (Sistema de Armas de Defesa Próxima)

CODOG - COmbined Diesel Or Gas (Propulsão Combinada de diesel ou turbinas a gás)

COLOREDO - Comissão Eventual Para Localização e Recolha de Documentação da Marinha Sobre a Sua Acção nas Operações Militares em África e Timor

CONTEX - Exercício operacional do Comando Naval na área do Continente

CPLP - Comunidade de Países de Língua Portuguesa

CPV - Command Post Vehicle (Viaturas Posto de Comando)

CSAR - Combat Search and Rescue (Busca e Salvamento em Combate)

CTSFA - Centro de Treino de Sobrevivência da Força Aérea

CUF - Companhia União Fabril

CWCS - Command and Weapon Control System (Sistema de Comando e Controlo de Armas)

D

DAE - Destacamento de Acções Especiais / Departamento de Armas e Electrónica [navios]

DFLI - Departamento de Formação de Língua Inglesa

DFE - Destacamento de Fuzileiros Especiais

DGS - Direcção Geral de Segurança

DISTEX - Disaster Exercise (Exercício de catástrofe natural)

DMS - Destacamento de Mergulhadores Sapadores

DOE - Destacamento de Operações Especiais

E

ECM - Electronic Counter Measures

EHM - Esquadrilha de Helicópteros da Marinha

ELA - Escola de Limitações de Avarias, actualmente designada por Departamento de Limitação de Avarias do ETNA

ENVC - Estaleiros Navais de Viana do Castelo

EOD - Explosive Ordnance Disposal (inactivação de engenhos explosivos)

EPE - Escola Prática de Engenharia

EPT - Escola Prática de Transmissões

ESM - Electronic Support Measures (Sistemas Passivos de Guerra Electrónica)

ETAT - Escola de Tropas Aerotransportadas

EUA - Estados Unidos da América

EUROMARFOR - European Maritime Force (Força Naval Europeia)

EW - Electronic Warfare (Guerra Electrónica)

F

FAP - Força Aérea Portuguesa

FELINO - Exercício combinado no âmbito da CPLP, destinado a treinar forças de Operações
Especiais

FF - Frigate (Fragata)

FFGH - Frigate Guided Missile, Helo Capable (Fragata Lança Mísseis com Helicóptero)

FLIR - Forward Looking Infra-Red System (Sistema de visualização por infra-vermelhos)

FORREG - Força de Recolha na República da Guiné-Bissau

FS - Frigate Small / Corvette (Corveta)

FZ - Fuzileiro

FZE - Fuzileiro Especial

G

GMC - Grupo de Mergulhadores de Combate

GNR - Guarda Nacional Republicana

GPS - Global Positioning System (Posição Global por Satélite)

H

HE - High Explosive (alto explosivo)

HELICAST - Lançamento de pessoal com ou sem equipamento de mergulho para a água

I

ICV - Infantry Carrier Vehicle (Viaturas de Transporte de Pessoal)

IDAS - Interactive Defence and Attack System for Submarines

IEEC - Inactivação de Engenhos Explosivos Convencionais

IFF - Identification Friendly or Foe (Sistema de Identificação de Amigo ou Inimigo)

IFV - Infantry Fighting Vehicle (Veículo de combate de infantaria)

IGE - Instituto Geográfico do Exército

INTERFET - International Force East Timor (Força Internacional de Timor-Leste)

J

JCET - Joint Combined Exercise Training (Exercício Combinado e Conjunto de Forças Especiais)

L

LARC - Light Amphibiuos Resupply and Cargo (Lancha Anfíbia de Reabastecimento e Carga)

LCM - Landing Craft Mechanized

LCU - Landing Craft Utility (Lancha de Desembarque Utilitária)

LDG - Lancha de Desembarque Grande

LDM - Lancha de Desembarque Média

LDP - Lancha de Desembarque Pequena

LFC - Lancha de Fiscalização Costeira

LFP - Lancha de Fiscalização Pequena

LGF - lança-granadas-foguetes

LPD - Landing Platform Dock

LPM - Lei de Programação Militar

M

MCM - Mine Countermeasures (Contramedidas de minas)

MCV - Mortar Carrier Vehicle (Viatura Porta-Morteiro)

MEDEVAC - Medical Evacuation (Evacuações médicas)

MDN - Ministério de Defesa Nacional

MEKO - Mahrzweck Kobination (combinação multifuncional)

N

NAVOCFORMED - Naval On-Call Force for the Mediterranean (Força Naval em Prevenção no Mediterrâneo)

NATO - North Atlantic Treaty Organization (Organização do Tratado do Atlântico Norte)

NBQ - Nuclear, Biológica e Química

NCP - Navio de Combate à Poluição

NPL - Navio Polivalente Logístico

NPO - Navio de Patrulha Oceânico

NRP - Navio da República Portuguesa

NTM - Navio de Treino de Mar

O

ONU - Organização das Nações Unidas

OSCE - Organização para a Segurança e Cooperação na Europa

OSN - Ordenança do Serviço Naval

P

PAIGC - Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde

PALOP - Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa

PBR - Patrol Boat River (Navio-Patrulha Fluvial)

PC - Patrol Craft (Navio-Patrulha)

PELBORD - Pelotão de Abordagem

PELREC - Pelotão de Reconhecimento

PHIBEX -Exercício operacional de operações anfíbias

PIDE - Polícia Internacional e de Defesa do Estado

PIDDAC - Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central

PJ - Polícia Judiciária

PREC - Processo Revolucionário Em Curso

PRFV - Plástico Reforçado a Fibra de Vidro

PSP - Polícia Segurança Pública

R

RESCOM - Resgate de Combate

S

SIFICAP - Sistema de Fiscalização e Controlo da Actividade da Pesca

SAR - Search and Rescue (Busca e Salvamento)

SATCOM - Satellite Communications (Comunicações por Satélite)

SMS - Secção de Mergulhadores Sapadores

SNMG1 - Standing NATO Maritime Group 1 (Grupo Marítimo Permanente da NATO 1), substituiu a STANAVFORLANT

SNMG2 - Standing NATO Maritime Group 2 (Grupo Marítimo Permanente da NATO 2), substituiu a NAVOCFORMED

SSK - Killer Submarine (Submarino convencional de Guerra Anti-submarino)

STANAVFORLANT - Standing Naval Force of the Atlantic (Força Naval Permanente do Atlântico)

SUPINTREP - Relatório Suplementar de Informação

T

TIRM - Troço Internacional do Rio Minho

TO - Teatro de operações

U

UAM - Unidade Auxiliar da Marinha

UDT - Underwater Demolition Team

UEO - Organização da União Europeia

UMD - Unidade de Meios de Desembarque

UN - Mergulhador Normal

UNMISET - United Nations Mission in East Timor (Missão da ONU em Timor-Leste)

UNTAET - United Nations Transition for East Timor (Administração Transitória da ONU para Timor-Leste)

URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

US - Mergulhador Sapador

USD - Underwater Swiming Dress

V

VERTREP - Vertical Replenishment (Reabastecimento vertical efectuado por helicóptero)

VLS - Vertical Launch System (Sistema de lançamento Vertical)

Z

ZARCO - Exercício Conjunto do Comando Operacional da Madeira

ZEE - Zona Económica Exclusiva

26/02/10

NAVIO POLIVALENTE LOGÍSTICO

(ACTUALIZADO)

Desenho manuscrito com perspectiva 3D do projecto do NPL da autoria de Luís Filipe Silva

          A dispersão das três parcelas do território nacional (Portugal continental, Arquipélago dos Açores e Arquipélago da Madeira) [triângulo estratégico] distando largas centenas de milhas umas das outras, aliada à nossa extensa orla costeira e à sua pouca profundidade, aconselham a necessidade de um navio vocacionado para proporcionar a mobilidade estratégica por via marítima de Forças Expedicionárias Anfíbias de intervenção rápida, com capacidade de projecção, dissuasão e ainda para apoio e assistência a populações civis.
          Estrategicamente, capacidade expedicionária corresponde à aptidão de intervir militarmente no exterior, pressupondo a existência de meios orgânicos adequados e configurados para esse expresso propósito, quer no planeamento quer na execução.
          Desde da década de 90 que está previsto pelas sucessivas Leis de Programação Militar a construção e desenvolvimento de um Navio Anfíbio, publicamente conhecido por NPL (Navio Polivalente Logístico), sendo LPD (Landing Plantaform Dock) o termo técnico da NATO equivalente.
          O projecto visa que a construção seja fruto de uma parceria entre a Marinha de Guerra Portuguesa, Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) e da HDW (Estaleiros Alemães), sendo do conhecimento público que a preferência é por um projecto de navio baseado no tipo "Rotterdam / Johan de Witt", da Marinha de Guerra Holandesa, sofrendo as necessárias alterações para cumprir as especificações da Marinha Portuguesa.



Navio-Anfíbio "Johan de Witt" da Marinha de Guerra Holandesa

          O projecto técnico (doca com 880 m² e capacidade de embarque e manobra para LCVP e LCU, hangar com 510 m² e convés de voo com 1.300m² para helicópteros), orçado em 15 milhões de Euros faz parte das contrapartidas do concurso dos submarinos U209PN (classe "Tridente").


Desenho manuscrito da planta do NPL da autoria de Luís Filipe Silva

          O projecto técnico será facultado sem custos pela HDW (consórcio vencedor do concurso dos submarinos) que o desenhou entre Fevereiro de 2005 e Abril de 2007, segundo as especificações portuguesas e conta com o contributo de diversos organismos da Marinha, do Estado-Maior General das Forças Armadas e dos restantes ramos das Forças Armadas Portuguesas na definição dos requisitos técnicos do projecto.
          Trata-se de um navio orçado em 210 milhões de Euros e que servirá os 3 ramos das Forças Armadas, constituindo um meio fundamental para os desígnios da capacidade de projecção e permanência na zona de acção de Forças Expedicionárias Anfíbias no quadro de missões internacionais, cenários de conflito, apoio a crises humanitárias ou calamidades naturais.
          Em virtude de a sua construção é um objectivo nacional, decidido e aprovado pelo Governo em resolução do Conselho de Ministros, a sua materialização permitirá às Forças Armadas deterem mobilidade estratégica e a sustentação necessária a acções de salvaguarda dos interesses nacionais, no apoio à política externa do Estado, assegurar a evacuação de cidadãos nacionais de qualquer ponto do território nacional ou residentes no estrangeiro em áreas de crise ou conflito, tendo em linha de conta a evolução da conjuntura internacional, para além de uma efectiva capacidade de apoio à população civil em situações de emergência.
          O contrato foi assinado a 16 de Fevereiro de 2005 com os ENVC, tendo a entrega originalmente prevista para 2010; no entanto, no mesmo ano foi adiado o início da construção para 2009 com a entrega respectivamente para 2013.
          Porém, apesar do prazo de vigência do Contrato-Base com os ENVC ter sido prorrogado até 31 de Dezembro de 2008, através do Despacho 276/MDN/2007, actualmente é difícil de prever de modo sustentado a evolução deste projecto no tempo.
          Diversas empresas portuguesas participarão no projecto, como a EID que fornecerá diversos sistemas de comunicações, sendo de salientar que o navio está concebido para que a maioria dos seus sistemas sejam de tipo comercial, com o escopo de que possa ser construído num estaleiro com capacidade para construção de navios "roll-on roll-off" de médio porte.

          A guarnição será composta por 150 elementos, terá capacidade e acomodações adicionais para 22 elementos do Estado-Maior Naval, Conjunto ou do "Joint Headquarters Lisbon" e alojamento complementar para 150 pessoas por 24 horas ou 50 pessoas por 48 horas, o que justifica imperativamente a cidadela de protecção NBQ que incluirá os corredores de acesso lateral.
          Terá capacidade de projecção autónoma e sustentação por um período de 30 dias no Teatro de Operações (TO), até à chegada de reforços no caso de operações continuadas, da Força-Tarefa de assalto anfíbio denominada Batalhão Ligeiro de Desembarque ("Frame Work Unit") do Corpo de Fuzileiros, originando o binómio NPL-Fuzileiros, força esta organizada com carácter eventual e desenhada "Tailor Made & Mission Oriented":
- Elemento de Comando (Comando);
- Elemento de Manobra (Batalhão de Fuzileiros n.º 2: Companhias de Fuzileiros n.º 21, 22 e 23);
- Elemento de Apoio de Combate (Pelotão de Reconhecimento, Pelotão Anti-Carro, Pelotão de Morteiros, Pelotão Anti-Aéreo, Secção de Vigilância Campo Batalha, Secção de Sapadores, Secção de Guerra Electrónica);
- Elemento de Apoio de Serviços (Formação Comando DAP, Pelotão de Abastecimento, Pelotão de Manutenção, Pelotão de Transportes, Pelotão de Saúde, Pelotão de Polícia Naval, Secção de Descontaminação NBQ);
- Elemento de Assalto Anfíbio (Grupo de Botes de Assalto).


Desembarque de Fuzileiros

          O Batalhão Ligeiro de Desembarque [reduzido] é constituído por um total de 545 Fuzileiros (30 Oficiais, 62 Sargentos e 453 Praças) totalmente equipados, tendo o navio capacidade por inerência para o equivalente em forças terrestres.
          No que respeita à operação de desembarque, pode ser executada por via aérea (a partir de helicópteros) e por via marítima (mediante lanchas de desembarque, botes pneumáticos, blindados anfíbios do ou directamente nos portos).
          No tocante a meios aéreos, terá capacidade para 6 helicópteros médios (Lynx da EHM) ou 4 pesados (EH101 CSAR da FAP), ou combinações destes, será dotado de um hangar com 510 m² e um convés de voo com 1.300 m² com capacidade para operar com 2 helicópteros em simultâneo (banda F), acrescendo-se a capacidade de reabastecimento de combustível para helicópteros (250 toneladas / F44).
          Quanto a meios de superfície, terá capacidade de operar até estado do mar 4 e poderá ser apetrechado com:
- 53 Botes pneumáticos Zebro III;
- 4 Lanchas de desembarque do tipo LCVP com 25 metros de comprimento, capacidade para 8 toneladas de carga (36 militares ou 1 viatura ligeira), propulsionadas por dois sistemas de jactos de água à popa e um à proa para manobra;
- 1 Lancha de desembarque do tipo LCU com capacidade para 180 toneladas de carga (120 militares ou 3 carros de combate);
- 20 Viaturas Blindadas Anfíbias Ligeiras Anfíbias PANDUR II da CATT (Companhia de Apoio de Transportes Tácticos) do Corpo de Fuzileiros.


Blindado Anfíbio PANDUR II

          A operação de enchimento da doca demorará 2 horas e deverá atingir os 2 metros de profundidade de água (lastro: 4.200 toneladas).
          Também estará habilitado para efectuar o transporte de blindados da Brigada Mecanizada, de um Batalhão de Infantaria Mecanizada ou Esquadrões de Reconhecimento do Exército, para o qual estará provido de uma área de parqueamento de veículos com 900 m², com capacidade para viaturas ligeiras (22) e pesadas (76).



Blindado posto de comando M-577 A2


Blindado de luta anti-carro M-901 A1 ITV com lança-mísseis TOW e metralhadora-ligeira M60D de 7,62mm


Posto de Comando do Pelotão Sanitário do GCC ou BIMec M-577


Blindado de transporte de carga M-548 A1


Blindado M-113 com lança-mísseis anti-carro TOW M-220 e metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm


Blindado de transporte de tropas M-113 A2, com metralhadora-pesada BROMNING M2HB de 12,7mm


Blindado de socorro a carros de combate M-88 A1, com metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm


Blindado antiaéreo lança-mísseis M-48 A2 CHAPARRAL


Blindado 4x4 BRAVIA CHAIMITE V-600 porta-morteiro de 81mm

          Estará preparado inclusivo para suportar o peso de carros de combate Leopard 2A6 ou M-6o A3 TTS da Cavalaria do Exército, que podem ser desembarcados pela lancha de desembarque do tipo LCU (3 carros de combate) ou directamente pela porta lateral de acesso à garagem por estibordo.
          Em caso de necessidade como medida de recurso, pode transportar mais viaturas no hangar e no convés de voo em detrimento do transporte de helicópteros.



Carro de combate LEOPARD 2A6, com peça de 120mm e metralhadora-ligeira FN MAG-58 de 7,62mm


Carro de combate M-60 A3 TTS, com peça de 105mm e metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm

          De salientar que está previsto que o projecto colocará em prática as lições absorvidas por marinhas de guerra estrangeiras que operam navios semelhantes, tornando-se deste modo um navio de eleição em comparação com os seus congéneres:
• Da classe "Rotterdam" (casco, doca, convés de voo e respectivo hangar, instalações hospitalares e propulsão diesel-eléctrica), da classe "Johan de Witt" (sistemas de C2), ambas da Marinha de Guerra Holandesa;
• Da classe "Bay" (uso de pods em vez de veios), Marinha de Guerra Inglesa;
• Da classe "Foudre" (chaminés de dimensões reduzidas e maior armazenamento de combustível para helicópteros), Marinha de Guerra Francesa;
• Da classe "San Antonio" (mísseis RAM de defesa de ponto, em vez de canhões Vulcan PHALANX), Marinha de Guerra Norte-americana;
• Da classe "Galicia" (Radar 3D), Marinha de Guerra Espanhola.
          No entanto, pautar-se-á por atender a especificações nacionais sui generis, nomeadamente no que toca a padrões ergonómicos e funcionais de habitabilidade e ao emprego de botes pneumáticos Zebro III (53) do Corpo de Fuzileiros, para tal será dotado de duas portas laterais para o lançamento destas embarcações, bem como de uma estação de reabastecimento, depósito de combustível (20 m²), espaço de armazenamento e corredores próprios.
          É de salientar que um dos desideratos do projecto foi elaborar os requisitos técnicos de forma a permitir que o navio possa evoluir ao longo da sua vida operacional, mediante as disponibilidades financeiras do país e das necessidades da Marinha ou de tempos vindouros, dentro da filosofia "fitted for but not with", isto é, a estrutura do navio permite realizar modernizações no que concerne a armamento, sensores e equipamento com menores custos, num prazo relativamente curto, não requerendo alterações físicas na estrutura do navio, nem a sua imobilização em doca seca, como por exemplo incorporar um multisensor electro-óptico, sistema de IFF/SIF, sistema ESM ou instalar um sistema que permita receber um submersível de salvamento tipo LR5.
          Data dos anos 90 a pretensão da Marinha de Guerra Portuguesa para ser apetrechada com um navio de assalto anfíbio, tendo-lhe sido oferecido um navio LST da classe "Newport" pela Marinha Norte-americana, assim como, face à possibilidade da Marinha Australiana passar a reserva o seu navio LST "Tobruk", a Marinha Portuguesa manifestou interesse na sua aquisição em 1995, chegando inclusivé a enviar uma equipa de Oficiais a Sydney para inspeccionar o estado geral do navio em apreço.
          Em 2000, ainda ocorreram contactos com os estaleiros holandeses da "Royal Schelde" para a construção de um navio semelhante ao "Rotterdam" da Marinha de Guerra Holandesa, mas não tiveram posteriormente continuidade por falta de recursos económicos.
          Quando ocorre a necessidade de utilizar um navio desta natureza, a Marinha Portuguesa recorre a aliados da NATO, regra geral Espanha, tal foi o que sucedeu em Maio de 2008, durante o exercício "ESPABRAS", integrando uma Força de fuzileiros no "European Union Amphibious Battle Group" (EUABG) constituído pela "Spanish/Italian Landing Force", em que os 100 Fuzileiros portugueses (BF2 / UMD / BF / CATT) embarcaram a bordo do Navio-Anfíbio da Armada Espanhola "Galícia".
          No concernente ao transporte de equipamento pesado de forças nacionais, como por exemplo viaturas de reconhecimento ou mecanizadas do Exército, para participação em missões da NATO ou sob os auspícios do ONU como no Kosovo, Bósnia, Iraque [GNR], Timor-Leste, o Governo Português solicita sempre meios estrangeiros ou freta navios mercantes.



Blindado ligeiro de reconhecimento PANHARD VBL M-11 D 4x4 com metralhadora-ligeira BROWNING de 7,62mm


Blindado ligeiro de reconhecimento PANHARD VBL M-11 D 4x4 com metralhadora-ligeira BROWNING de 7,62mm e lança-mísseis filoguiado anti-carro MILAN


Blindado ligeiro de reconhecimento PANHARD VBL M-11 D 4x4 com torreta blindada PL 127/40, e metralhadora-pesada BROWNING M2HB de 12,7mm


Blindado ligeiro PANHARD VBL M-11 D 4x4 com metralhadora Brownning de 7,62mm e Radar de vigilância do campo de batalha AN/PPS-5B


Blindado de transporte de tropas 4x4 BRAVIA CHAIMITE V-200, com torre armada com metralhadora dupla de 7,62mm


Blindado ligeiro de reconhecimento CADILLAC GAGE V-150 S COMANDO 4x4 com peça CM90 Mk3 de 90mm e metralhadora-ligeira M60D de 7,62mm

          A necessidade de uma plataforma deste género já ficou comprovada por diversas ocasiões, podendo-se apontar a título de exemplo prático, o sucedido no golpe de Estado desencadeado em 7 de Junho de 1998 pela auto-denominada Junta Militar chefiada pelo Brigadeiro Assumane Mané, seguido de guerra civil na Guiné-Bissau que afastou o Presidente João Bernardo Vieira (Nino Vieira).
          O Governo Português encarregou as Forças Armadas de evacuar civis e militares nacionais, o Corpo Diplomático Português e de outros países da União Europeia, além de cidadãos de outras nacionalidades que solicitaram auxílio, assim como refugiados guineenses («Operação Crocodilo»).
          A Armada Portuguesa assumiu um papel preponderante e esteve à altura das missões que lhe foram atribuídas, empregando uma força com meios navais e 541 militares (533 homens e 8 mulheres), apesar de os meios disponibilizados não serem os mais adequados para a missão: uma Fragata, duas Corvetas e um Navio-Reabastecedor.



Refugiados a bordo da Fragata Vasco da Gama

          Não houve possibilidade de serem utilizadas as facilidades locais da Guiné-Bissau, como por exemplo o aeroporto, mas paralelamente utilizaram-se em alternativa e em grande escala dois helicópteros Lynx e botes pneumáticos Zebro III.


Evacuação de civis por Linx na Guiné-Bissau


Evacuação de civis por recurso a botes pneumáticos

          Nomeadamente no desembarque de tropas de elite da Marinha (Fuzileiros e DAE) e apoio aos seus objectivos, passando pelo controlo do Porto de Bissau, até à recolha de 1.237 refugiados.


DAE no cais do Porto de Bissau


DAE a proceder à evacuação de cidadãos nacionais

          A administração da empresa portuguesa PORTLINE disponibilizou ao Governo o Navio de Cabotagem porta-contentores civil "Ponta de Sagres", que se encontrava no limite das águas territoriais da Guiné-Bissau, para proceder a uma eventual evacuação de cidadãos nacionais devido ao crescente clima de insegurança, acção que se concretiza em 11 de Junho com apoio de pessoal militar da Embaixada Portuguesa em Bissau, transportando posteriormente para Dacar no Senegal 2.250 refugiados de 20 nacionalidades, 400 dos quais portugueses.


Desenho manuscrito do navio de cabotagem porta-contentores "Ponta de Sagres" da autoria de Luís Filipe Silva

          É de salientar que neste conflito a Diplomacia e a Marinha Portuguesa tiveram uma intervenção concertada no processo de paz para pôr fim às hostilidades, em virtude de terem actuado por iniciativa exclusivamente nacional, fora do quadro das alianças e servindo como mesa de conversações, inicialmente a bordo da Fragata "Vasco da Gama" e posteriormente na "Corte Real", entre as duas facções intervenientes na guerra civil a fim de se assinar o acordo de cessar-fogo («Operação Falcão»).
          Outros momentos em que se sentiu a necessidade de um navio desta natureza foi:
• Em 1997 durante a participação na «Operação Forrez», com o objectivo de evacuar cidadãos nacionais do conflito da República do Zaire;




Fuzileiros na Operação Forez no Zaire

• Em 1999 em Timor-Leste, no âmbito da missão da INTERFET / UNTAET para o processo de transição para a independência, com a presença de uma Companhia de Fuzileiros reforçada e uma Fragata com helicóptero;


Desembarque de Fuzileiros em Timor-Leste


Missão da UNTAET em Timor-Leste


Helicóptero na missão da INTERFET em Timor-Leste

• Em 2000, os Fuzileiros foram destacados para efectuar missões SAR e prestar ajuda humanitária às vítimas das cheias do Rio Save, em Moçambique.


Fuzileiros em missões SAR e de ajuda humanitária, nas cheias do Rio Save em Moçambique

          Mais recentemente, a nível internacional poderia ter sido empregue na ajuda internacional ao Haiti, nomeadamente apoiando a equipa nacional destacada e prolongando respectivamente a sua missão.
          A nível nacional, perante a calamidade que ocorreu na Ilha da Madeira em Fevereiro de 2010, podia apoiar a Protecção Civil e ser utilizado para transportar material pesado da Engenharia do Exército, conforme foi solicitado pelo Governo Regional.



Retroescavadora


Escavadora hidráulica


Moto-niveladora Volvo


Tractor de esteiras


Dumper VOLVO

          As Forças Armadas disponibilizaram de imediato diversos meios, tendo a Marinha empenhado a fragata "Corte Real" com um helicóptero Lynx, cuja a guarnição está certificada internacionalmente pelo Reino Unido para intervenção em operações de assistência humanitária em terra ("Operational Sea Training"), transportando uma equipa médica, uma equipa de Mergulhadores (7), duas secções de Fuzileiros, incluindo elementos do Destacamento de Acções Especiais para Resgate em Montanha (40) e o contentor DISTEX (equipamento para situações de emergência).
          Num passado recente ocorreu um sismo de grande intensidade (7.2 na escala de Richter), em Janeiro de 1980, no Grupo Central do Arquipélago dos Açores, afectando as ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa; em Outubro de 1997 em virtude da intensa precipitação ocorreu o deslizamento de terras em S. Miguel e em Julho de 1998 as ilhas do Faial, Pico e São Jorge foram afectadas por um sismo de magnitude 5,6 na escala de Richter.

          Para além da potencial polivalência de emprego e flexibilidade de missões civis ou militares, este tipo de navio será um meio de auxílio com um valor incalculável em operações de calamidade natural, apoio humanitária e de evacuação de cidadãos nacionais do estrangeiro.
          Nomeadamente empenhando o seu Destacamento de Saúde (35 elementos) e a sua infraestrutura hospitalar completa (400 m²), com capacidade de resposta médico-sanitária e médico-cirúrgica até 235 pacientes, ou em cenário de conflito funcionando como navio de recepção primária de baixas "Primary Casualty Receiving Ship",
com capacidade que lhe permitem cumprir com o Primeiro Escalão de Apoio Médico (E-1), após estabilização e tratamento dos pacientes, os meios aéreos podem proceder à evacuação para escalões médicos superiores (E-2 / E-3 / E-4):
- Enfermaria com 25 camas, sendo 10 para cuidados intensivos;
- Capacidade para acolher 200 macas;
- Salas de consulta;
- Sala de pequenos tratamentos e pensos;
- Sala de estomatologia com equipamento portátil;
- Triagem (classificação T1 / T2 / T3 / T4);
- Área para intervenções cirúrgicas com duas salas de operações (tempos operatórios T1 / T2 / T3);
- Área de esterilização de material cirúrgico e laboratório de análises;
- Câmara hiperbárica contentorizada de 20 pés (apoio a Mergulhadores);
- Equipamentos de radiologia, reanimação e anestesia;
- Área de armazenamento de sangue, farmácia e paiol de medicamentos.
          De realçar que está provido de meios próprios (lanchas de desembarque e helicópteros) para fazer a ligação com terra, sem necessidade de montagem prévia ou disponibilidade de facilidades locais adequadas, mesmo quando as instalações portuárias se encontrem danificadas ou sejam inexistentes.
          Em situações de calamidades graves, nomeadamente em ilhas, locais de difícil acesso ou zonas próximas do litoral, a sua capacidade de desembarque de pessoal especializado e respectivo equipamento de busca e salvamento (SAR), mediante os meios próprios em zonas costeiras de acesso dificultado por terra, prestar apoio nas comunicações, efectuar salvamento marítimo, evacuação das vítimas e a assistência médica conferem valências acrescidas.

          Não obstante, um meio com consideráveis valências (Transporte, Desembarque e Hospital) deverá ter em consideração todos os factores que dificultem a sua detecção (assinatura radar, assinatura de infravermelhos, assinatura magnética, assinatura acústica e controlo de emissões electromagnéticas), assim como possuir um mínimo de capacidade de defesa própria por camadas (hard e soft-kill): anti-míssil, anti-aérea, anti-torpedo e NBQ, ou tornar-se-à num alvo demasiado vulnerável, mesmo tendo em conta somente as ameaças assimétricas, tão em prol nos dias de hoje, para além de que não cumpriria com grande parte das directivas veiculadas pela NATO para este tipo de navios.
          Outra área a não descurar é a capacidade de gestão de plataforma e a de C2I (Comando, Controle e Informação) para exercer o Comando de Operações Anfíbias de média envergadura ao nível TG (escalão Brigada BLD), como será por regra o caso nacional, pelo que a sua inexistência significaria negar a sua própria natureza como navio anfíbio, uma vez que são capacidades basilares para o cumprimento de qualquer missão, conforme previsto nos "Requisitos Operacionais".
          Negligenciar as capacidades nos dois parágrafos supra-citados conduzirá a que Portugal nunca fique no comando como "framework nation" em espaços geográficos considerados como nossa área de influência (CPLP / PALOP); quando participe junto de aliados em missões que exijam interoperabilidade se fique limitado a funções secundárias, ou confinado a uma mera presença em crises de baixo grau de conflitualidade.

PRINCIPAIS TAREFAS A DESEMPENHAR:
• Participar nas operações de suporte humanitário funcionando como Navio-Hospital (evacuações médicas e sanitárias);
• Participar com forças nacionais ou multinacionais anfíbias ou em operações da NATO como "Primary Casualty Receiving Ship" (estará adstrito ao "Joint Headquarters Lisbon");
• Garantir o sustento das forças desembarcadas, inclusive o suporte sanitário, até a chegada de reforços no caso de operações continuadas;
• Participar nas forças nacionais ou multinacionais anfíbias em operações de paz (PK) e humanitárias sob os auspícios do ONU ou do OSCE;
• Participar nas tarefas de cooperação multilateral, nomeadamente com as forças de Fuzileiros dos CPLP / PALOP;
• Efectuar operações do interesse público e de Protecção Civil em situações de catástrofes naturais, mas também em todas as situações em que a sua capacidade de apoio o torne uma mais-valia;
• Funcionar como plataforma de suporte às operações de contra-terrorismo, e de combate ao narcotráfico e imigração ilegal, suportando forças de Fuzileiros e Mergulhadores.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO PROJECTO:
- Deslocamento: até 12.500 toneladas;
- Dimensões: até 170 x 27 x 6 metros;
- Velocidade máxima: 19 nós (35 km);
- Propulsão: diesel-eléctrica, 2 hélices e 1 propulsor de proa;
- Autonomia para 6,000 milhas a 14 nós / víveres para 30 dias;
- Aguada: 30 dias;
- Guarnição:
    Oficiais: 18
    Sargentos: 29
    Praças: 103
    Total: 150
- Capacidade total para 800 pessoas com bons padrões de habitabilidade;
- Força de desembarque de 600 Fuzileiros totalmente equipados;
- Área de parqueamento de veículos com 900 m²;
- Porta lateral de acesso à garagem por estibordo;
- Paióis de carga com 3.000 m³;
- Doca com 880 m² / 55 X 16 metros;
- 4 lanchas de desembarque do tipo LCVP;
- 1 lancha de desembarque do tipo LCU;
- 53 botes pneumáticos Zebro III;
- Capacidade para 6 helicópteros médios (Lynx) ou 4 pesados (EH101 CSAR da FAP);
- Hangar com 510 m², convés de voo com 1.300 m², 2 "Landing spots";
- Hospital com 400 m²;
- Combustível: 900 toneladas, óleo de lubrificação: 30 toneladas, gasolina: 15 toneladas, água potável: 300 toneladas.

EQUIPAMENTO:
- Capacidade e contramedidas de defesa anti-míssil, anti-aérea, anti-torpedo e protecção NBQ;
- Artilharia de pequeno (8 x 12,7mm) e médio (2 x 25 / 30mm) calibre;
- Radares de navegação e de busca ar/superfície;
- Sensores de guerra electrónica;
- Sistemas de comando e controlo (EDISOFT);
- Sistema integrador de informação (EDISOFT);
- Sistema integrado de comunicações [voz, audio e vídeo, HF, VHF, UHF, SATCOM e INMARSAT] (EID);
- Sistema integrado com capacidade de link de dados;
- Reabastecimento: Sistema "PROBE", sistema "Light Jack Stay" e "VERTREP".


NOTA:
Informação sobre o NPL no site do Estado-Maior da Armada: http://ema.marinha.pt/NR/rdonlyres/72A7DC0A-01C3-4B83-8817-3D50E89A2521/0/Navio_Polivalente_Logístico.pdf
Artigo do OPERACIONAL sobre a crise na Guiné-Bissau em 1998 e a capacidade militar nacional:
http://www.operacional.pt/a-crise-na-guine-e-a-capacidade-militar-nacional/