22/05/13

ARTE MILITAR NAVAL - 02

          Na senda desta nova rubrica e, no âmbito do "CENTENÁRIO DOS SUBMARINOS EM PORTUGAL", apresento os desenhos manuscritos de Luís Filipe Silva, correspondentes às 04 classes de submarinos que foram operadas pela Esquadrilha de Submarinos da Marinha Portuguesa, acrescido da actual 5.ª Esquadrilha - classe "Tridente":

1.ª ESQUADRILHA:
Configuração do 1.º Submarino Português "Espadarte".

Configuração dos Submarinos "Hidra", "Foca" e "Golfinho" da classe "Espadarte.

2.ª ESQUADRILHA:

Configuração dos Submarinos da 2.ª Esquadrilha - Classe "Delfim".

3.ª ESQUADRILHA:


Configuração dos Submarinos da 3.ª Esquadrilha - classe "N".

4.ª ESQUADRILHA:
Configuração dos Submarinos da 4.ª Esquadrilha - classe "Albacora".

Artigo sobre os Submarinos da classe "Albacora":
http://barcoavista.blogspot.pt/2009/10/submarinos-da-classe-albacora.html

5.ª ESQUADRILHA:

Configuração dos Submarinos da 5.ª Esquadrilha - classe "Tridente".

Artigo sobre os Submarinos da classe "Tridente":
http://barcoavista.blogspot.pt/2010/01/submarinos-da-classe-tridente.html


NOTA:
EXPOSIÇÃO SUBMARINOS EM PORTUGAL:
http://barcoavista.blogspot.pt/2013/02/exposicao-submarinos-em-portugal.html

MICRO-SITE DO CENTENÁRIO DE SUBMARINOS EM PORTUGAL: http://www.marinha.pt/centenariosubmarinos/index.html

12/05/13

FOTO-REPORTAGEM DO "DIA NACIONAL DOS CADETES DO MAR" E DO "APELO AOS RESERVISTAS DE PORTUGAL"

Fotografias registadas e legendas compiladas pelo FZE Mário Manso:
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

 
 
 
 
 
Fragata “D. Fernando II e Glória”, uma jóia da Coroa da nossa República.

















O Sr. Almirante da Comissão Cultural de Marinha – Almirante Bossa Dionísio, conversando com o Comandante dos Cadetes do Mar Fuzileiros, SMOR José Talhadas.
 
















Os representantes franceses dos Cadetes do Mar cumprimentando os Cadetes do Mar Fuzileiros.

















O Sr. Cte. Belém Ribeiro num pequeno “briefing”, com alguns dos colaboradores deste 1.º dia do Aniversário dos Cadetes do Mar e do Exército.

 















Um grupo de Jovens Cadetes antes da formatura que iria dar início ao evento junto da Fragata “Fernando II e Glória”.

 















Os Cadetes Fuzos, ouvindo atentamente o seu Comandante.

















Imagem que vale mais que muitas palavras, são dois entusiastas colaboradores nesta nobre tarefa a quem muito se deve parte do êxito já alcançado.

 















Gerações diferentes com objectivos comuns.

















A Bandeira Nacional esteve efusiva no cumprimento aos visitantes, envolvendo todos, com o seu característico som, quando fustigada pelo vento.

















Depois dos cumprimentos apresentados às entidades e convidados, pelos Cadetes em formatura, o Sr. Comandante da Fragata “D. Fernando II e Glória” e por inerência Comandante do Corpo de Cadetes do Mar - Rocha e Abreu, proferiu algumas palavras alusivas ao dia.

















Na Base Naval de novo em formatura, para continuação das cerimónias.

 















Em continência, cumprimentando as várias entidades que se associaram a este dia de festa, para os Cadetes e seus Familiares.

















Em continência aos Hinos Nacionais, que a Banda da nossa Armada tão bem executa.
 



















Os Cadetes Fuzileiros na sua marcha em acelerado, em continência às autoridades presentes.

















Final da cerimónia na Base Naval. Falariam certamente de que no futuro, Portugal tem Jovens, a quem a Pátria, pode confiar a defesa dos valores, que a têm mantido como Nação Independente.

















Escutando com muita atenção, as explicações que eram transmitidas pelo Oficial do Navio.

















Em continência à Bandeira Nacional antes de entrar a bordo, como mandam os regulamentos.

















Agora na Ponte de Comando deliciando-se com todo o seu equipamento, o que os levou a fazer várias perguntas ao Camarada, que se disponibilizou para colaborar neste dia.

















Os Cadetes mais jovens sentiram-se como se por dia, pertencessem à guarnição.

















Este foi de facto o local que mais interessou todos os Jovens, exigindo esclarecimentos minuciosos. Obrigado a toda a guarnição. A nossa gratidão pela disponibilidade com que nos receberam.

















Os Cadetes de Mar Fuzileiros, numa agradecida continência aos Camaradas do Navio visitado.

















Os Cadetes do Mar mais Jovens, descendo o portaló, um sintomático final de uma festa, que jamais vão esquecer.

















Que “A PÁTRIA HONRAI QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA”, nunca se fique só, pelas palavras. Depois de 50 anos de me ter alistado na nossa Marinha, eu Mário Manso, contínuo grato.

















No dia 28 a Universidade Lusíada apoiou o evento, em que se fazia um Apelo ao Reservistas de Portugal. As entidades apreciam uma exposição, evocando os 150 anos da Medalha Militar em Portugal.

















O Sr. Prof. Adriano Moreira com os seus interlocutores ambos Militares de carreira, em que a envolvência Militar na Sociedade Portuguesa, não estaria longe!

















A mesa sob a presidência do General Loureiro dos Santos, tendo no Sr. Cte. Bellem Ribeiro, um extraordinário estratega, intervinha no momento o representante francês dos Cadetes do Mar.

















Assistência interessada, com alguns dos vários intervenientes.

















São um exemplo estas Senhoras! Que com um extraordinário talento e dedicação se entregam à causa dos Cadetes do Mar. E que também a este evento não faltaram.

















Assinatura de protocolos com o GAMMA.

















Mais assinaturas de protocolos, aqui com um dos representantes Franceses.

















Aqui com o Director do Museu de Marinha.

















O Sr. Prof. Adriano Moreira, que com a eloquência que todos lhe conhecemos, envolveu todos os presentes. Mesmo estando em Bragança, não se escusou ao convite.

















O Sr. Almirante Reis Rodrigues, da Comissão Portuguesa do Atlântico, no uso da palavra.

















No uso da palavra, o Sr. General Director do Instituto de Defesa Nacional.

















O Sr. General do Exército, em representação do General CEME.

















O Sr. General da Força Aérea, em representação do General CEMFA, Ramo das FA’s que ainda não tem os seus Cadetes do Ar.

















O elemento da Direcção da Academia Falerística de Portugal, falando sobre a Medalha Militar e, a necessidade de algumas alterações.

 O Sr. Almirante Carvalho Abreu, no momento da sua intervenção, em representação do almirante CEMA, Comandante em Chefe honorário do Corpo de Cadetes do Mar de Portugal.



















O autor desta Foto-reportagem: FZE Mário Manso em continência.

01/05/13

“HISTÓRIAS À VISTA” - 29

          29.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do CMG REF Lopes Mendonça, à época dos factos 2.º Tenente, Comandante da Secção de Mergulhadores-Sapadores n.º 1. Este artigo foi redigido originalmente para o site do Curso da Escola Naval de 1961  "Nuno Tristão" (http://www.cursont.pt/cnt/index.html), a quem agradeço a cedência deste artigo, nomeadamente ao Cte. Alves Jesus.

GUINÉ - 1968 "E LÁ, PUS A PATA NA POÇA..."

          Vários camaradas têm vindo a sugerir que relate a minha "epopeia" por terras da Guiné-Bissau. Tem sido difícil arrancar a passagem à escrita, do que me vai na memória, do ocorrido em tempos idos - quarenta e três anos passados.
          Sem que nada o fizesse prever, em Maio de 1968, era eu um jovem Segundo-Tenente, fui nomeado, para substituir, na Guiné, o Comandante da Secção Número 1 de Mergulhadores Sapadores (SECSAPAMARUM).
          A trouxa foi arranjada, as vacinas postas em dia e numa bela noite de Maio, três Oficiais da Marinha ocupam os seus lugares no avião que os levaria ao aeroporto de Bissalanca. Curiosamente os três eram futuros Comandantes de Unidades navais.
Os primeiros contactos com a Guiné não agradam, antevêem um clima inóspito, quente e húmido.
          Em Bissau, a chegada de avião vindo de Lisboa era a quebra de rotina... o dia de São Avião. Os militares vinham até ao aeroporto recolher notícias da "metrópole", receber encomendas que um portador trazia. Era também motivo de convívio.
          Feitas as apresentações, que as praxes militares e os seus protocolos obrigam, cada um dos Oficiais seguiu para as suas Unidades.
A partir desse dia seguiu-se o render de comando da Unidade de Mergulhadores.
          O Comando foi-me entregue com enorme cuidado e todo o pormenor pelo Marques Pinto que, zeloso, demorou cerca de um mês a elucidar-me de todos os pormenores militares e civis.
          Ainda planeámos, em conjunto, a mudança de hélices de uma lancha da classe "Argos", feito considerado, na altura, de muito importante. Provou-se que os Mergulhadores tinham capacidade técnica para, debaixo de água, mudar um hélice de 420 quilos. Infelizmente o Manel não pôde assistir à execução, pois já tinha regressado a Lisboa.
          A vida decorria normalmente, os trabalhos de rotina passavam-se entre a Secção de Mergulhadores e o Serviço de Armamento, de que tinha herdado a sua chefia.
          A SECSAPAMARUM acorria a apanhar armamento caído ao mar, ajudava a desobstruir rios, fazia os seus treinos especiais na ilha de Bolama. Fez parte da equipa que foi socorrer a LDM (Lancha de Desembarque Média) 302, que tinha sido mais uma vez bombardeada e totalmente danificada, lá para as bandas do Cacheu, muito próximo da futura base de Ganturé. Tive aqui a primeira noção dos horrores da guerra e da sua brutalidade. Lembro-me perfeitamente do estado psicológico e físico em que encontrámos o Patrão e o Artilheiro da LDM, bem como dos danos sofridos na lancha.
          No Serviço de Armamento procurava-se manter em estado operacional todo o equipamento, munições e explosivos atribuídos ao Comando da Defesa Marítima da Guiné. Muita burocracia, muito papel se despendia para se dar um tiro; afinal estávamos em guerra...
          A família tinha chegado a Bissau em finais de Julho. Mulher e filha iniciaram-se na partilha da vida nestas terras africanas. A filhota teve grandes problemas de adaptação ao calor húmido.
          Entretanto tinha-me recusado, por escrito, a "comandar" os comboios a Bedanda não pelos perigos que estes comboios sofriam, com ataques em locais estreitos, já conhecidos, mas sim por uma questão de princípio. Se tinha sido nomeado Comandante de uma pequena Unidade naval, exigi que me desnomeassem dessa Unidade e me nomeassem para a outra. Isto causou certo burburinho, pois era mais complicado fazer do que ordenar. Mas ganhei esta batalha e o respeito dos superiores.
          Em finais de Agosto de 1968, tive conhecimento que um Destacamento de Fuzileiros tinha deparado numa clareira junto à foz do rio Cujanene (pequeno afluente do rio Cacheu) com um conjunto de minas, cerca de 10, que ainda se conseguiam detectar. Após uma pequena reunião com os restantes 5 elementos que constituíam a Unidade de Mergulhadores, fui ao Comando da Defesa Marítima informar que a Secção Número 1 de Mergulhadores Sapadores estava pronta para destruir o campo minado ou proceder à inactivação do armamento, caso fosse necessário. Ao contrário do que esperava, começaram a ser levantados vários problemas:
- ”Então o senhor ainda há pouco tempo recusou-se a ir no comboio de Bedanda e agora vem com esta?"; "O Mendonça sabe que por cada mina levantada recebe-se 100 escudos?"; "O Destacamento de Fuzileiros é que as descobriu e agora os Mergulhadores é que ficam com o dinheiro!".
          Estas e outras questões levantadas levaram a que só 15 dias depois a Unidade recebesse ordem para a destruição do campo de minas.
          É interessante sublinhar, que o que acelerou a ordem foi a declaração assinada individualmente por cada Mergulhador, informando que se escusavam a receber qualquer dinheiro ou benesse, motivada pela destruição do campo de minas e propunham a entrega do dinheiro na sua totalidade à Cruz Vermelha.
          16 de Setembro, ao alvorecer, a LFG (Lancha de Fiscalização Grande) "Orion" deu fundo ao ferro próximo da foz do rio Cujanene, perto do local onde tempos antes a LDM 302 tinha sido bombardeada.
          Preparado o material e equipamento, seguimos para o local do campo de minas em botes de borracha, devidamente escoltados por elementos do Destacamento de Fuzileiros.
          Após um breve reconhecimento da zona, constatou-se que as minas já estavam submersas no lodo e nem um rasto se avistava que desse indício da sua localização.
          Avancei, de acordo com o que tínhamos planeado, com mais duas Praças para o local onde se presumia estarem colocadas as minas. Utilizamos a técnica da deslocação de joelhos, com uma sonda metálica para picar o terreno. Os métodos mais modernos, como detector de metais ou de variação de campo magnético, ainda não existiam na Marinha.
          A primeira mina foi detectada. Com a calma possível estudámos a morfologia do terreno que a circundava e como o solo era apresentado. Este estudo foi de importância fundamental, pois ajudou-nos a detectar as 14 minas existentes no local. Cada mina detectada era sinalizada com uma pequena bandeira.
          Para a área da clareira, a densidade de minas colocadas era enorme. O número de minas detectadas condizia com o anteriormente mencionado pelos Fuzileiros. Considerámo-nos com imensa sorte, pois num tempo relativamente curto e sem grandes problemas, estávamos a cumprir a nossa missão.
          Restava só montar e colocar as cargas explosivas necessárias para proceder à sua explosão e destruir o campo minado. Esta tarefa esteve a cargo do Sargento e das outras Praças.
          Observava a forma como estavam a ser colocadas as cargas e a sua ligação, na zona que tinha sido "batida" por nós e onde nada indiciava que se ocultasse mais alguma mina.
          Em determinada altura, ao apoiar-me com mais força sobre o pé direito, lembro-me de ter ouvido um clique metálico e.... depois foi tudo muito rápido, sentindo-me como que a cair num colchão de penas, com muitas penas à minha volta. Só me lembro de me encontrar deitado num bote de borracha com o Marinheiro (hoje Oficial Superior, o CFR Malagueta Pais Mamede), a fazer um garrote na minha perna direita (de tal forma apertou a perna que ainda hoje me dói). O Sargento Rodrigues Neves é que teve a coragem de me erguer do campo minado, em cima do qual tinha caído, e colocado no bote.
          Devido à forma como o Pais Mamede me tratou não entrei em estado de choque. Sei que berrava, não de dor mas de raiva, e ele deu-me um berro para me calar. Calei-me e consegui manter a calma que nestas alturas é tão necessária.
Seguiu-se a evacuação, primeiro para a LFG.
          O transbordo do bote para a LFG foi dramático. Lembro-me de ouvir o Pais Mamede gritar:
-"Ajudem-me, já estou sem forças e daqui a nada o homem cai à água".
          O pessoal que estava no convés da LFG ao ver-me deve ter ficado horrorizado e a sua primeira reacção foi de fuga. Quem da lancha deu a primeira mão foi o então Governador-Geral António de Spínola que, com o seu exemplo, evitou que desse um mergulho forçado.
          Com os cuidados possíveis, fui parar ao refeitório das Praças, improvisado em sala de primeiros socorros. Aí fui assistido por dois Médicos e vários Enfermeiros (na altura estava a decorrer uma operação com Fuzileiros e por isso estava a bordo uma equipa de pessoal de saúde). Enquanto estava a ser assistido, ouço a voz do Sargento Neves:
-"O campo acaba de ser destruído. Cumprimos a missão!".
          Estabilizado, fui embarcado numa Lancha de Desembarque, passado para terra no cais de Ganturé, e dali para um helicóptero.
          Ao embarcar no helicóptero, mais um percalço, a Enfermeira Paraquedista só me embarcava com uma transfusão de sangue. Os Médicos bem diziam que não era preciso, mas ela recusava-se a fazê-lo. Os Médicos acabaram por ceder e lá vim com o saco do sangue pendurado (ainda hoje me pergunto se não foi esta transfusão a responsável por uma mononucleose infecciosa que contraí mais tarde no nosso Hospital da Marinha). No trajecto até Bissau, por estar consciente, tive a oportunidade de ver um tornado em formação; que espectáculo maravilhoso!
Depois, seguiram-se várias peripécias e, para não enfastiar muito o leitor, irei referenciar apenas algumas.
Já na sala de operações, o Soldado maqueiro pede-me autorização para cortar as minhas cuecas...
          Ainda no Hospital 243 (o Hospital Militar de Bissau), quando me faziam a higiene diária, a Enfermeira informa-me que o ditador Salazar tinha caído de uma cadeira e o seu estado tinha prognóstico reservado. À minha afirmação de que esse "sacana" devia ter morrido, tive como resposta uma forte dor no escroto. Ela tinha-me retirado um enorme estilhaço de madeira sem aviso prévio. Mais tarde vim a saber que era casada com um PIDE.
          A minha chegada ao Hospital da Marinha também a retenho, pois além da família que me foi esperar, tive uma sensação extraordinária ao ver e sentir os lençóis da cama que me albergou durante quase 3 longos meses. Os lençóis eram muito brancos e aveludados, há já muito que não sabia o que era esta palamenta.
          No Hospital da Marinha a vida passou a ser rotineira, extraordinariamente bem tratado. Partilhada com muitos camaradas que se "aboletavam" no quarto para verem os Jogos Olímpicos, que pela primeira vez apareciam naquela maravilhosa pantalha. Retenho dessa época o parceiro de infortúnio, Segundo-tenente Sarmento Coelho, Fuzileiro da Reserva Naval, evacuado de Angola com 18 tiros no corpo, tendo por isso ficado a ostentar o título de "Coelho à caçador".
          Foi ainda no Hospital da Marinha, que ao ler a Ordem, tive conhecimento de que o meu acidente tinha sido considerado em "Serviço". Fiquei extremamente combalido e indignado. Valeu-me o meu Pai, que também indignado com o desfecho do despacho, falou com o seu amigo, o então Ministro da Marinha Manuel Pereira Crespo, que de imediato alterou o despacho para "Campanha". Na altura, para ser considerado em combate, pressupunha-se haver troteio.
          Depois do Natal, passado em família, vieram os preparativos para receber uma prótese. A Marinha, como sempre, procurou o melhor local e decidiu-se por me enviar para a Alemanha, Hamburgo, talvez explorando os acordos da Base de Beja. Seguiu-se um período de triagem, que obrigatoriamente tinha de ser feito no Hospital Militar Principal, num anexo sito na Av. Artilharia Um em Lisboa.
          Ainda guardo a sensação de ter passado a fazer parte das personagens da "Divina Comédia" (Inferno) de Dante, quando, pela primeira vez, fui à consulta. Essa sensação de difícil descrição é única e só aqueles que por lá passaram poderão partilhá-la. Homens sem mãos, sem pernas, cegos, surdos, tetraplégicos, de tudo um pouco circulava, sem direito a se exporem fora das 4 paredes. Era assim que o fascismo escondia dos olhares do povo os mártires / estropiados da Guerra Colonial.
          De Hamburgo, as poucas recordações que tenho são boas e dignas de registo. Foi lá que coloquei a minha primeira prótese e comecei a andar, só por si é mesmo um facto extraordinário. A equipa médica e de enfermagem tinham uma dedicação ímpar (todos eles, em momentos diferentes, foram homenageados pela ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas). Guardo também dois tipos de solidariedade e entre ajuda; a dos pacientes que partilhavam a mesma enfermaria (Oficiais, Sargentos e Praças) e a dos portugueses emigrantes que nos visitavam e connosco conviviam.
Após três meses de estadia em Hamburgo regresso a Portugal.
          Estamos em 1969. Esse ano passei-o quase todo de licença da Junta. Foram muitos os camaradas do NT que me visitaram e deram solidariedade. O papel que eles desempenharam na minha reabilitação foi muito importante. Na altura ainda não haviam psicólogos e técnicos avançados na terapia de grupo. Foram eles e nós deficientes que desempenharam esse papel. Peço que me desculpem não mencionar os seus nomes mas, com receio de me esquecer de algum, prefiro deixar assim.
          A meu pedido, regressei às fileiras voltando para a Escola de Mergulhadores. Queria provar a mim próprio que era capaz de voltar a mergulhar. E consegui-o!.
          Mais poderia contar... Tal como o papel dos Oficiais, Sargentos e Praças na minha inclusão na "família dos Mergulhadores", pois a eles devo muito o ultrapassar dos medos e receios de voltar a mergulhar sem um pé.... até me adaptaram um fato e manufacturaram umas canadianas, numa liga mais própria para andarem dentro de água.
          Em 1976, essencialmente por força do Decreto-Lei 43/76 de 20 de Janeiro, tomo a difícil resolução de passar à reforma. Este diploma, embora reparasse muitas injustiças e clarificasse situações, não permitia a quem optasse pelo serviço activo, prosseguir a sua carreira até ao mais alto posto da hierarquia.
          Passei a dedicar-me à luta desenvolvida pelo Movimento dos Deficientes Portugueses e suas famílias pela melhoria da qualidade de vida desta camada social e pela sua inclusão na sociedade. Até aos dias de hoje é nesse Pelotão que marcho...

25/04/13

300.000 VISITAS AO BLOGUE BARCO À VISTA

          O blogue BARCO À VISTA ultrapassou as 300.000 visitas registadas desde 18/06/2009, totalizando até ao momento:
- 138 artigos publicados;
- 188 seguidores;
- 503 comentários aos artigos publicados.
 
O autor agradece a todos os leitores!

QUAL É A TUA ONDA?

 
          O site do Instituto Hidrográfico dispõe uma página de apoio ao Surf: “Qual é a tua Onda?”, fruto do Protocolo de Colaboração assinado com a Federação Portuguesa de Surf, que permite ter conhecimento da previsão das condições para a prática de Surf, em várias praias da costa portuguesa.
          Esta aplicação - a previsão das condições para a prática de Surf, visa apoiar o desenvolvimento desta actividade em Portugal, através da produção e divulgação das previsões detalhadas da agitação marítima que rebenta nas nossas praias.
          Esta informação, única no nosso país, resulta da combinação de um conhecimento preciso da topografia litoral aliado à modelação detalhada do ciclo de vida da agitação marítima, validada por uma rede de observação em tempo real.
 
MAIS INFORMAÇÕES:

08/04/13

ARTE MILITAR NAVAL - 01

(ACTUALIZADO)

          Seguindo uma concepção do blogue Defesa Nacional, apresentando pinturas de material militar utilizado pelas nossas Forças Armadas, decidi igualmente promover os desenhos de navios da Marinha de Guerra Portuguesa de um antigo Marinheiro da "Briosa":
          Luís Filipe Silva, 60 anos, natural de Lisboa (Bairro América), ingressou na Armada em Outubro de 1974, na Escola de Alunos Marinheiros (G1EA em Vila Franca de Xira).
          Concluída a Recruta, frequentou o ITE e o 1.º grau da especialidade de Radarista igualmente em Vila Franca. Entre 06/10/1975 e 31/01/1977 fez parte da guarnição da Corveta NRP "João Coutinho", tendo efectuado uma Comissão de Serviço de 03 meses no Arquipélago dos Açores.
          Morando em Lisboa com uma janela virada para o Rio Tejo, no tempo em que muitos navios fundeavam ao largo, ao observá-los atentamente, nutriu uma paixão por navios.
          Em 1970, com o intuito de divulgar os navios portugueses, começou a dedicar-se ao desenho manuscrito dos navios no activo e, mais tarde não havendo nenhuma publicação com os navios de propulsão mecânica da Armada, resolve começar a compilar em catálogo quase todos os navios da Armada, tendo inclusivo estendido o seu trabalho à Marinha Mercante.
          Passados 43 anos, ainda hoje continua a actualizar dentro do possível os desenhos manuscritos da sua autoria, todos eles encontram-se patentes no Fórum Defesa, vários têm sido utilizados para ilustrar artigos neste blogue e  os que retratam Navios-Hidrográficos da Marinha de Guerra Portuguesa, são utilizados na contracapa da Revista da Armada.
 Configuração das Corvetas da classe "João Coutinho" na actualidade desde 2006 e em 1975.

Artigo sobre as corvetas da classe "João Coutinho":
http://barcoavista.blogspot.pt/2009/11/corvetas-da-classe-joao-coutinho.html

03/04/13

“HISTÓRIAS À VISTA” - 28

          28.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do 1.º Comandante do Navio de Apoio “NRP São Miguel” - CMG REF Oliveira e Costa (1985-1988), narrando a chegada do NRP "São Miguel" a Moçambique.
 
MEMÓRIA N.º 10: Sr. Mestre apita à Faina dentro de meia hora...
 
          28OUT87. Era a primeira vez depois da Independência, doze anos já passados, que um navio da Marinha de Guerra Portuguesa vinha a Moçambique. Uma aragem morna envolvia e percorria todo o navio. Estávamos cansados e aquela temperatura amena sabia-nos muito bem.
            Alguns estavam gratos, profundamente gratos, por estarem ali navegando à vista da nunca esquecida Lourenço Marques hoje, bela como antigamente, a Cidade de Maputo, fazendo-os recordar, comovidamente, quanto do seu passado distante e próximo. Pedaços que interiorizavam, desde os bancos da Escola Primária. De novo concretizava-se o sonho secreto de, simplesmente, voltar a Moçambique, entrelaçar-se nessa terra saudosa, conviver com as suas gentes e recordar também quanto da sua vida ali pertencia.
          Outros, que pela primeira vez demandavam aquelas latitudes, “tentavam apanhar” tudo o que ao seu lado ia sendo relembrado, comungando com admiração e respeito, da ansiedade dos primeiros bem como das recordações relatadas com tanto arrebatamento. Naqueles momentos só o Piloto russo destoava que, tagarelando, ia entremeando na sua conversa, perguntas que nada tinham que ver com as qualidades náuticas do navio!
          O Dr., na asa da Ponte, com a máquina de filmar, ia recolhendo as vistas, e o ambiente do momento, actividade que mereceu primeiro olhares reprovadores do Piloto e depois referências verbais sobre a segurança. Ri-me na cara dele e não liguei mais ao assunto! Havia outras coisas com que me preocupar, pois a maré vazava com força e seguíamos junto a terra, contudo a partir dessa altura comecei a tirar fotografias a tudo o que mexia e não mexia.
          Por fim o Piloto já ia identificando os diversos locais antes de serem fotografados! O Imediato, que mais recentemente por lá tinha passado, ia recordando, na maioria das vezes jocosamente, naquela sua maneira de ser tão própria, acontecimentos e peripécias vividas deixando em todos boa disposição e o desejo de desembarcarem rapidamente!
          O cheiro da terra ia invadindo o navio e impregnando-se em nós. Conforme o navio avançava iam surgindo novas informações e explicações de coisas do “antigamente” e de tantas histórias então vividas, perante a curiosidade e muita atenção dos presentes. Íamos atracar na zona do cais, atribuída aos navios de guerra, quando do tempo da Administração Portuguesa, uma simpática deferência conforme viemos a saber mais tarde.
          Largámos o ferro de BB e atracámos por EB. Dobrámos a amarração e foi passada a prancha em cuja sanefa, de lona azul-marinho, se lia em letra garrafal de um branco brilhante NRP SÃO MIGUEL. Ao Piloto foi oferecida uma garrafa de Vinho do Porto que agradeceu, com um forte aperto de mão, desnecessário face ao sorriso e olhar guloso que mostrou ao recebê-la!
          O Oficial de Ligação foi o primeiro a entrar a bordo. Apresentou-se e cumprimentou-me bem como ao Imediato, Mestre Vasconcelos e Sarg. FZ Sezinando. De forma respeitosa, mas muito à-vontade, apresentou-se perguntando logo de seguida se a viagem tinha corrido bem, que nos dava as boas vindas e pediu o Manifesto de Carga. A minha experiência da Capitania do Porto da Horta veio ao de cima. Fiquei surpreso e perguntei-lhe para que queria o manifesto de carga do navio. Respondeu, sempre a sorrir, que era para entregar na Alfandega para serem pagas as taxas devidas dizendo-o com naturalidade e rematando com um sorriso.
          Quando, a 12SET87, atracados no MOTBAY (Military Ocean Terminal Bayonne Newark N. Jersey) a Ordem Soberana de Malta recusou o embarque da sua oferta de 2.200 toneladas devido a divergências entre a Ordem e o Governo de Moçambique, através do seu Embaixador na ONU, impondo uma percentagem na distribuição (50% para o Governo e 50% para as confissões religiosas) querendo, além disso, que fossem dispensados certos artigos, que as autoridades dos EUA não permitiram retirar do bolo geral, ficando assim reduzido, a menos de 200 toneladas, o material que ali carregámos, oferta singular, de um Cavaleiro da Ordem Soberana de Malta, dirigida à ADRA (Adventist Development and Relieve Agency), em Maputo, e à Caritas, em Nacala.
          A “pedrinha” que, no MOTBAY, se “alojara no meu sapato” quando foi decidido não embarcar a oferta da Ordem Soberana de Malta transformara-se, com aquele pedido inopinado, e naquele momento, numa muito incómoda “pedra”! Devagar e com calma expliquei ao Oficial de ligação, Sr. Guarda Marinha Teodoro dos Santos Lingande (que nos acompanhou, ao longo de toda a nossa estada em Moçambique, tendo-se tornado mais um elemento da guarnição, “destacado” para o navio logo nesse primeiro dia) que o NRP “São Miguel” era um navio da Marinha de Guerra Portuguesa, que não tinha Manifesto de Carga e transportava uma oferta do Governo de Portugal, “País irmão mais velho”, em resposta ao pedido internacional feito pelo seu governo.
          Como que justificando o seu pedido informava que a ajuda que chega ao porto de Maputo é sempre onerada das taxas devidas. Senti que estava num impasse. A “pedra no sapato roía-me o pé dolorosamente”! Também com um sorriso disse ao Sr. Guarda Marinha Teodoro que, naquelas condições, não se efectuaria qualquer descarga e que sairia para o mar pedindo-lhe que diligenciasse, junto de quem de direito, para rever a situação dizendo, de seguida, ao Oficial Imediato para preparar o navio pois íamos largar e ao Mestre “Sr. Mestre apita à Faina dentro de meia hora.. .”.
          O GM Teodoro “compreendeu” a situação. Pediu licença para ir a terra, informou que estaria de volta logo lhe fosse possível e… por onde entrou, saiu! Senti-me só. Lembrei-me de uma situação também delicada passada comigo em finais de 1976, era eu Capitão do Porto da Horta, quando retive a embarcação de pesca “Trio de Ribamar”, de Peniche, que entrara no Porto da Horta não trazendo pessoal qualificado, para a governar, nem meios de salvação para a sua tripulação.
          A pressão do Comando Naval dos Açores (CNA) era insuportável. A minha posição irredutível. “A embarcação só será autorizada a seguir viagem logo apresente pessoal qualificado para a governar e tenha meios de salvação embarcados ou então, muito simplesmente, enviarem uma mensagem para a libertar nas condições em que se encontra”.
          Com algumas peripécias pelo meio fui chamado ao então Comodoro Comandante do CNA. Apanhei o avião da SATA para S. Miguel e no dia seguinte, logo de manhã, regressei, também de avião, para a Ilha do Faial. Mantive a minha posição tendo sido informado de que o Secretário de Estado das Pescas, Pedro Coelho, telefonara solicitando a libertação da embarcação e depois o Sr. General Ramalho Eanes tinha também telefonado para saber o que se estava a passar com a embarcação “Trio de Ribamar”.
          Agradeci a frontalidade das informações que me passara e limitei-me a responder, ao Sr. Comodoro, que reiterava a posição anteriormente assumida insistindo que para libertar a embarcação teriam de ser reunidas as condições já, por mim, aduzidas. Alguns dias mais tarde a embarcação saía do Porto da Horta, com destino a Lisboa, sendo comboiada até meio da viagem, por uma Corveta, em comissão nos Açores, sendo aí rendida por uma outra, saída de Lisboa, que comboiou a “Trio de Ribamar” até ao final da viagem.
          Como meios de salvação levava uma balsa pneumática cedida por um Aviocar que, por isso, ficou retido na Placa, no Aeroporto da Horta, aguardando a sua devolução. Chegada a Lisboa a Balsa foi enviada por via aérea para a Ilha Terceira e daí transportada, noutro Aviocar, para a Ilha do Faial onde foi entregue permitindo o regresso do avião que ali ficara retido à Base das Lajes! Triste, hilariante e… verídico!
          Mais tarde, numa recepção, dei-me a conhecer a Pedro Coelho que “se lembrou” imediatamente daquela “ocorrência” para, logo a seguir, virando-se para a minha mulher lhe dar os parabéns pela integridade do marido! O tempo passava… os que estavam à prancha ali continuaram como que grudados ao pavimento. Surge então uma viatura, que estaciona junto ao navio e dela sai o GM que, subindo a prancha em acelerado, nos trás a notícia de que “tudo estava resolvido e que o navio podia efectuar a descarga sem quaisquer formalidades! ”.
          O Imediato saiu com o Mestre para preparar o navio para a descarga, o Sarg. FZ Sezinando manteve-se à prancha, com o seu pessoal, e eu convidei o GM Teodoro a vir à Câmara de Oficiais para beber um Whisky! A partir daí o bem-parecido e sorridente Oficial de ligação “estacionou” a bordo mantendo com toda a guarnição um relacionamento fácil, amigável e caloroso que muito facilitou toda a actividade do “São Miguel” durante a permanência nas águas de Moçambique.
          Apreciei o convívio com o GM Teodoro. Por ele soube muito da vida de Moçambique das suas gentes e dos portugueses que por lá ainda labutavam. Apesar de jovem e ainda Guarda Marinha percebi ser um homem ponderado e muito bem informado. Sabedor da sua área de actividade profissional, não escamoteei quaisquer respostas às suas perguntas e senti reciprocidade na forma como nos acolhia.
          Durante a nossa passagem por Moçambique fomos bem tratados e respeitados. Talvez o mesmo não diga o Ten. Pico. Certa tarde, quando chegava ao navio de bicicleta “Made in China”, acabada de comprar, deixou-a junto à prancha que subiu para vir a bordo. A maré estava cheia e a prancha estava íngreme e escorregadia. As amplitudes de maré eram grandes o que nos obrigava a colocar a prancha, ora na Ponte ora no convés, tornando mais seguro e fácil a passagem de e para o navio. Quem estava de serviço reparou num homem saindo da multidão e correndo com agilidade, saltou, montou na bicicleta e sumiu no meio da confusão de pessoas que acompanhavam a descarga, na esperança de recolher algum material que caísse das camionetas!
          Nunca mais soube do Guarda Marinha Teodoro mas daqui lhe envio um pensamento de gratidão pela amizade com que nos presenteou e acrescento a carta enviada pelo comando do NRP “São Miguel” ao Director das Relações Internacionais do Ministério da Defesa de Moçambique onde é manifestado o reconhecimento pela actividade desenvolvida pelo Oficial de Ligação.
Ex.mo Sr. Tenente General Pedro Odallah Dig.mo Director das Relações Internacionais do Ministério da Defesa Nacional de Moçambique.
          Ex.mo Senhor na hora do regresso a Lisboa desta histórica viagem, do primeiro navio de guerra português que escalou Moçambique depois da sua independência, muito agradeço a V. Ex.ª todo o cuidado e atenções dispensadas ao navio ao longo da nossa permanência em Moçambique de que todos levamos gratas recordações.
          Peço licença para louvar a escolha criteriosa do Guarda Marinha Teodoro dos Santos Lingande para oficial de ligação sem o qual a nossa missão teria sido muito mais demorada e mesmo por vezes de difícil execução. Oficial ponderado e modesto soube sempre com muita cortesia, dedicação e respeito resolver todas as situações a que foi chamado demonstrando competência e brio profissional que o credenciaram junto do comando do NRP “São Miguel” como um excelente e imprescindível elemento que consideramos muito honrosamente como fazendo parte da guarnição deste navio.
            Espero que o sucesso desta histórica viagem sirva de exemplo e convite para um verdadeiro estreitamento de amizade e dos laços de cooperação com Moçambique. Respeitosos cumprimentos.”.
          Ainda e para que conste, sinto a obrigação de registar, nesta primeira Memória do navio em Moçambique, que diariamente, enquanto atracados, nos Portos de Maputo, Beira e Nacala na cerimónia de içar e arriar a bandeira o pessoal à vista, no cais, descobria-se e parado aguardava respeitosamente o final da cerimónia para continuar o seu caminho. Por diversas vezes me senti comovido. Ainda corria muito do bom e generoso sangue português nas veias daquele povo…
 
Um saudoso e agradecido abraço ao GM Teodoro.