18/06/13

4.º ANIVERSÁRIO DO BLOGUE BARCO À VISTA

 
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16/06/13

“HISTÓRIAS À VISTA” - 31

          No âmbito do "CENTENÁRIO DOS SUBMARINOS EM PORTUGAL", apresento a 31.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do Comandante Cunha Serra (CMG REF), Oficial da Armada especializado em Armas Submarinas e com o curso de especialização em Submarinos.
 
AS PEQUENAS INJUSTIÇAS DA MARINHA
 
          Esta pequena história de Marinheiros tem o mar como cenário e os homens que serviram nos navios da Marinha de Guerra Portuguesa como protagonistas. Passou-se a bordo de um submarino a navegar algures no Oceano Atlântico há mais de 30 anos…
          Para quem está menos habituado a este tipo de navios, importa dizer que os submarinos são navios vocacionados para navegarem quase exclusivamente abaixo da superfície das águas do mar e que, por conseguinte, só raramente o fazem à superfície, apenas quando necessitam de se deslocar mais rapidamente em trânsito, já que conseguem manter uma velocidade média de deslocação três vezes superior à que normalmente utilizam quando mergulhados nas águas do oceano.
          Outra característica muito particular dos submarinos prende-se com a sua habitabilidade essencialmente “espartana” em que a exiguidade do espaço disponível para o total de homens que o guarnecem e as duras condições de vida, moldam uma “mentalidade” muito particular quer na vivência de bordo quer no relacionamento profissional e humano entre Oficiais, Sargentos e Praças, contribuindo para formar aquilo que se designa como “espírito submarinista” que, sem beliscar minimamente o relacionamento hierárquico normal existente entre as diferentes categorias militares, proporciona uma vivência humana peculiar e única, só possível num tipo de navio onde qualquer má decisão ou qualquer manobra executada por qualquer homem que participa, ao seu nível, na condução do navio, pode significar a perda irremediável do mesmo e a consequente morte de toda a guarnição.
            Nesse começo de dia já distante, navegava penosamente o tal submarino à superfície, debaixo de forte tormenta com chuva e vento forte, com mar grosso a alteroso.
          Na ponte, os homens de quarto entorpecidos pelo frio, encharcados pela chuva e pela surriada levantada pelo vento quase ciclónico, permanentemente desequilibrados e nauseados pelo balanço tipo “parafuso” que o mar desencontrado provocava na estrutura metálica, contavam mentalmente os minutos em falta para serem rendidos e poderem descer para o interior do submarino onde, apesar do cheiro característico e permanente que o caracteriza e na altura agravado com o odor acre de restos de comida recentemente regurgitada, sempre seria possível encontrar um pouco mais de calor que permitisse aliviar aquela sensação extremamente desagradável de humidade impregnada até aos ossos.
          No interior do navio, o mesmo forte balanço provocava os seus maiores ou menores efeitos no estado físico dos homens, fazendo com que a grande maioria da guarnição, à excepção dos que estavam de serviço de quarto, se tivessem refugiado nos respectivos alojamentos onde, as poucas conversas que se ouviam não passavam de meros sussurros, quase totalmente abafados pelo rugido característico dos motores “diesel” à máxima potência possível face ao estado do mar.
            Na câmara de Oficiais, localizado a vante do navio e exposta em permanência à passagem obrigatória de pessoal que tinha que se deslocar entre o alojamento das Praças situado no extremo de vante e os postos de serviço do navio localizados mais a ré, o ambiente estava mais animado e um grupo de 4 Oficiais, incluindo o Comandante e o Imediato, sentados à mesa de refeições procuravam, não sem alguma dificuldade por força do balanço, sorver as suas chávenas de café e comer as suas torradas acabadas de fazer na copa de Oficiais pelo Oficial mais moderno, já que a cozinha se encontrava encerrada há várias horas e o homem de apoio à copa estava há mais de meia hora a “deitar a carga ao mar” na ponte do navio.
          Por coincidência, quase todos os Oficiais presentes naquele momento na câmara eram verdadeiros “Lobos de Mar” praticamente imunes ao enjoo, fosse qual fosse o tipo ou grau de intensidade de balanço, pelo que a conversa desenrolava-se de forma quase normal e os comentários jocosos surgiam com alguma frequência, sempre que na copa se ouvia o ruído correspondente ao estilhaçar de algum prato ou chávena em resultado de mais um brusco safanão que o mar no seu movimento desencontrado provocava ao longo do interior do navio.
          Nesse momento, saído de trás da cortina de acesso ao alojamento das Praças e num passo o mais sincronizado possível com os movimentos bruscos do navio que faria inveja a qualquer pobre bêbado em último estado de embriaguez, surge a figura de um dos Marinheiros mais carismáticos de bordo, competentíssimo homem do leme do seu quarto, normalmente sempre bem-disposto e de resposta fácil, fazendo um esforço evidente para manter a dignidade que o enjoo naquele momento lhe queria roubar, pálido, desgrenhado, tentando passar o mais direito possível perante aquela pequena plateia que naturalmente o olhava. Parou solidamente agarrado à antepara do alojamento, encarou lentamente os Oficiais que comiam o seu pequeno-almoço um a um com a evidente “inveja” que o seu estômago revoltado exigia, respirou fundo como que a tomar ânimo para dizer algo muito importante, sorriu palidamente e, depois de pedir autorização ao Comandante para falar, disse:
- “Senhor Comandante, peço desculpa o atrevimento mas eu acho que Deus não é justo! É que até no enjoo, os Oficiais são beneficiados. Desejo bom apetite a todos já que o meu se foi há muitas horas…”.
          E desapareceu bamboleante atrás da cortina de acesso à área operacional do navio a caminho de mais quatro horas de serviço de quarto.
            Algumas horas depois da ocorrência deste episódio, o submarino voltou ao seu mundo de águas profundas onde o silêncio absoluto e a quietude da massa líquida que o rodeia retemperam de imediato a força anímica dos homens que rapidamente esquecem as horas menos boas que acabaram de passar e que normalmente nunca mais serão recordadas, excepto para quem acabou de contar esta história…e que sabe o que é o enjoo.

09/06/13

REPORTAGEM SOBRE OS SUBMARINOS NA SOCIEDADE DAS NAÇÕES

          Reportagem da Sociedade das Nações (SIC Notícias) de 08-06-2013: "As estratégias da força naval portuguesa".
          As mais-valias e as capacidades dos Submarinos da Armada Portuguesa são o tema do Sociedade das Nações desta semana.
          Os novos Submarinos portugueses constituem a ponta de lança do controlo dos mares territoriais e da defesa de Portugal e da Europa contra novas ameaças, da pirataria ao banditismo, dos poluidores aos traficantes.

Parabéns aos militares entrevistados!


Artigo sobre os Submarinos da classe "Tridente":

31/05/13

OFICIAIS SOBREVIVENTES DO CURSO "D. JOÃO DE CASTRO" CELEBRAM 70 ANOS NA ARMADA



















          No passado dia 09 de Maio de 2013, os Oficiais sobreviventes do Curso da Escola Naval de 1943 “D. João de Castro” comemoraram a efeméride inédita dos seus 70 anos de ingresso na Armada.
          O Sr. Almirante Nunes da Silva (com quem mantenho contacto desde 2008 e tive o prazer de conhecer pessoalmente no dia 28 de Abril do corrente ano), com um excelente domínio das novas tecnologias da informação, presenteou-me com um DVD interactivo com diversos convívios, desde que ingressaram na Escola Naval até aos dias de hoje. Uma cópia do DVD encontra-se na Biblioteca Central de Marinha para eventual consulta de quem estiver interessado.
          No seu blogue pessoal: "Espaço AJ Nunes da Silva" (http://ajnsilva.wordpress.com) colocou os clips de vídeo mais significativos do DVD, correspondendo ao começo do Curso em 1943 e às cerimónias comemorativas dos 70 anos:

Sobreviventes do Curso "D. João de Castro" celebram
70 ANOS na ARMADA

Convocatória
























O Curso em 1943 (70 anos atrás):
- Razão da existência do Curso

















- Embarque no Navio-Escola “NRP SAGRES”


















- No 1.º Centenário da Escola Naval


















Começo do Curso da Escola Naval "D. João de Castro":
http://ajnsilva.wordpress.com/2013/05/26/o-curso-d-joao-de-castro-da-escola-naval-comeco-em-1943/

Em 2013:
- Concentração na Casa da Balança

















- Chegada à Escola Naval
















- Boas Vindas da Escola Naval

















- Assinando o Livro de Honra
















Sobreviventes do Curso "D. João de Castro" celebram 70 ANOS na ARMADA - 2013 (parte 1):
http://ajnsilva.wordpress.com/2013/05/26/sobreviventes-do-curso-d-joao-de-castro-celebram-70-anos-na-armada-parte-1/

- Missa pelos camaradas Falecidos
















- Descerramento da Placa Comemorativa dos 70 ANOS do Curso "D. João de Castro" (1943-2013)
















- Apresentação sobre a História e Actualidade da Escola Naval
































Sobreviventes do Curso D. João de Castro celebram 70 ANOS na ARMADA - 2013 (parte 2):
http://ajnsilva.wordpress.com/2013/05/26/sobreviventes-do-curso-d-joao-de-castro-celebram-70-anos-na-armada-parte-2/

- Demonstração no Simulador de Navegação
















Sobreviventes do Curso D. João de Castro celebram 70 ANOS na ARMADA - 2013 (parte 3):
http://ajnsilva.wordpress.com/2013/05/26/sobreviventes-do-curso-d-joao-de-castro-celebram-70-anos-na-armada-2013-parte-3/

- A foto dos sobreviventes do Curso, com o Comandante da Escola Naval
























- Exortação e Desfile do Corpo de Alunos
















































Sobreviventes do Curso D. João de Castro celebram 70 ANOS na ARMADA - 2013 (parte 4):
http://ajnsilva.wordpress.com/2013/05/26/sobreviventes-do-curso-d-joao-de-castro-celebram-70-anos-na-armada-2013-parte-4/

- Almoço na Camarinha do Comandante
































- Visita ao Museu da Escola Naval
















- Despedidas
















Sobreviventes do Curso D. João de Castro celebram 70 ANOS na ARMADA - 2013 (parte 5):
http://ajnsilva.wordpress.com/2013/05/26/sobreviventes-do-curso-d-joao-de-castro-celebram-70-anos-na-armada-2013-parte-5/

26/05/13

“HISTÓRIAS À VISTA” - 30

          30.ª “HISTÓRIA À VISTA”, da autoria do 1.º Comandante do Navio de Apoio “NRP São Miguel” - CMG REF Oliveira e Costa (1985-1988), narrando a partida do NRP "São Miguel" dos Açores e chegada aos EUA.
 
MEMÓRIA N.º 11: It's a sign of good luck!
 
          Deixei o Porto da Horta com um sentimento de magoada tristeza… para logo a seguir ser despertado, como por uma bofetada, pela visão imponente da vertente do Pico, iluminada por um sol forte em tarde sem nuvens, encimada por um chapéu de neve branca e luzente. Vivera aquela imagem durante cinco anos da janela do meu gabinete, na Capitania, e o seu poder hipnótico continuava omnipotente.
          Alterámos a proa para Sul e depois para W aproveitando a sota, de mar e vento, que a Ilha nos oferecia. O tempo estava bom. Com os Capelinhos à vista já se fazia sentir a ondulação e foi com eles para ré do través que fomos jantar. O navio tinha um comportamento melhor do que quando chegara ao Faial. O jantar foi agradável, como de costume. Era sempre agradável quando nos reuníamos.
          Pela frente tínhamos uma singradura franca, de oito dias, sem obstáculos, até aos “States”. Ficámos na Ponte até depois da meia-noite gozando o convívio, o tempo calmo e uma silenciosa noite, inocente e maravilhosamente enluarada. Sem navegação à vista havia mais proximidade entre todos. Estávamos de novo sozinhos no mar imenso mas, desta vez, sabíamos de muita gente preocupada connosco e com o sucesso da missão. Era um sentimento gratificante.
          Apesar de estar fora de Lisboa continuava a manter contacto diário com o Gabinete do CEMA dando conta do nosso dia-a-dia. Aí, no Comandante Abrantes Lopes, tinha um atento, preocupado e muito amigo ouvinte. Amizade que se fortalecera nos Açores comigo na Horta, Ilha do Faial, e ele no Comando Naval dos Açores, Ilha de S. Miguel.
          Quando da Dinamização Cultural, no Arquipélago, não autorizei uma Sessão de Esclarecimento, na Estação Rádio Naval da Horta (ERNH), de que era Director por acumulação, dentro do período de serviço remetendo para fora dessas horas a sua concretização nas vezes que fossem consideradas necessárias e oportunas.
          O Cabo de manobra encarregue desses esclarecimentos sentindo-se desautorizado, voltou ao navio, que o levara até ao Faial e, regressado a S. Miguel, “exigiu o meu saneamento imediato” ao Comandante Emanuel Ricou, então Comandante Naval dos Açores. Na qualidade de Capitão do Porto e de Director da ERNH, participara em todas as Reuniões, Assembleias e Sessões de Esclarecimento levadas a efeito, na Ilha do Faial, após o 25ABR, onde o Capitão do Porto, Comandante Militar, Comandante da Guarda-fiscal e Comandante da PSP tinham lugares “cativos”.
          O Comandante Naval reuniu com o seu Estado-maior e aí valeu-me a posição assumida pelo então Comandante Abrantes Lopes. Mais tarde, no Comando da Defesa Marítima do Porto de Lisboa (CDMPL) o mesmo Cabo, cruzou-se comigo, não deixando de me criar algumas situações no mínimo embaraçosas, na qualidade de Patrão da LDM, atribuída ao “Serviço de Combate à Poluição do Mar por Hidrocarbonetos” e, estacionada na Doca do Bom Sucesso, na área do CDMPL. Enfim… pessoalmente, não lhe guardo qualquer ressentimento ou malquerença. Ponto final.
          O tempo foi passando e a amizade foi-se fortalecendo. No NRP “São Miguel” foi, o Cte. Abrantes Lopes, então colocado no Gabinete do Almirante CEMA, um dos seus “Anjos da Guarda”. Diariamente comunicava com o gabinete dando conta da vida a bordo. Apesar de ter uma guarnição experiente e unida era perceptível o “amansar” de cada um, como que baixando o seu “metabolismo”, conforme se ia entrando mar adentro! Navegando numa área sem navegação os dias ficavam mais longos e calmos.
          Formavam-se grupos, no exterior, antes das refeições e, depois dos serviços, era ver o pessoal pelo convés e pela tolda em amena cavaqueira, que o bom tempo convidava, desfrutando da vida que, ali no mar sem fim, nos era proporcionada e onde eu aproveitava para, “en passant”, aquilatar da disposição e sentir do pessoal.
          À mesa o “faz favor”, “obrigado” e “com licença” fazia parte da refeição! Respirava-se boa disposição, respeito, consideração, alegria e muito entusiasmo. A Missão começara de forma auspiciosa! Como desejava que aquele convívio se prolongasse pelos próximos quatro meses! Esperava que aquela delicadeza de trato não fosse “arranhada” deixando perceber o surgimento de um qualquer cansaço interior.
          Tínhamos deixado a cidade da Horta e oito dias depois, numa viagem calma e sem incidentes, fazíamos a aproximação a “Ambrose Light” onde contávamos chegar aos primeiros alvores. Já na véspera o mar começara a coalhar-se de navegação surgindo do nada e de todas as direcções e, ao fim do dia qual “caminho da formiga”, dava para entender a existência de um Canal de Navegação para e de “Ambrose Light”.
          A noite estava escura como breu. Reduzimos a velocidade e só com luzes de navegação “alinhámos” o navio pelo canal! Lembrei-me da primeira saída, dois anos antes, quando passámos pelas “Lanes”, no Cabo de S. Vicente, só que nessa altura já íamos com os primeiros alvores e agora mais parecia que navegávamos num ninho de vespas em ocultação de luzes!
          Cinco milhas antes de “entrar na rotunda” de “Ambrose Light” contactámos, via rádio, com a unidade da “Guarda Costeira” que ali se deslocara para nos dar as boas vindas e “indicar” o caminho. Às tantas pediram-nos para ligar as luzes do navio pois não nos identificavam… Quando as “acendemos” percebemos alguns risos pois navegavam meia milha à nossa proa.
          Saboreámos o momento e cumpridos os procedimentos continuamos para MOTBAY. A confusão gerada, viemos depois a saber, deveu-se a não termos a silhueta tradicional de navio de guerra e trazermos pintada a faixa, encarnada e fosforescente, por cima das janelas da Ponte e a toda a sua largura, faixa obrigatória a toda a navegação mercante que demandasse os EUA, e que nunca retirámos mesmo quando mais tarde o navio foi pintado de cinzento.
          Fizemos a subida do rio com Piloto civil. Já perto do Terminal Militar um falcão, trazendo nas garras uma pequena ave que caçara, poisou no Pau Real, merecendo do Piloto o comentário:
- “It's a sign of good luck!”.
          Próximo do Terminal Militar embarcou outro Piloto, agora militar, que faria a entrada e atracação. Deu para ver que os dois “não se davam”! O civil, quando da entrada do militar, limitou-se a entregar-lhe o navio com um simples movimento da mão sentando-se, de seguida, na cadeira alta existente na Ponte, lugar que só deixaria quando desembarcou!
          Eu nos telégrafos, meu posto de faina (!). O Piloto militar colocou-se ao meu lado e ia dando as suas orientações. Depois de diversas manobras, que considerei desnecessárias, deu para entender que o navio iria demorar na atracação! Apesar de não haver nem corrente nem vento, atracar o navio por EB, com um só hélice de passo direito, deslocando cinco mil toneladas, 108 metros de comprimento, fundo chato e sem seguimento davam ao “São Miguel”, na ausência de rebocadores, um comportamento algo complicado para ele!
          Resolvi “ajudar” e quando no final de uma aproximação solicitou uma nova proa e “máquina devagar a ré” entendi abreviar a faina dizendo “assim como vai” e meti “máquina a ré toda”. Pelo canto do olho reparei no sorriso do Piloto civil que, continuando sentado, estendeu o braço direito com a mão fechada e polegar para cima, dirigindo-me um silencioso cumprimento.
          O navio atracou. “Fica assim. Amarra a ficar!”. Duas horas depois já todos tinham pisado o cais! Tínhamos feito oito dias de navegação calma e com bom tempo, sem avarias de registo. Dois dias antes de “Ambrose Light” começámos a ver navegação que ia aumentando conforme nos aproximávamos. A “calma do campo” estava a dar lugar ao “bulício das grandes cidades”. Todo o cuidado e atenção eram agora necessários.
          A vida a bordo era bem diferente da de um navio de guerra. Era o espaço, o ruído, o movimento do pessoal, o convívio e o reduzido número de pessoas que se juntavam. Havia mais tempo para pensar e isso deixava-nos mais “desprotegidos” fazendo com que mais facilmente nos conhecêssemos. Seguia com atenção o comportamento de todos e esperava manter o óptimo relacionamento que se verificara até ali.
          Para isso contava com o excelente conjunto de Oficiais embarcados e, em particular, com o Oficial Imediato possuidor de uma predisposição especial para conduzir homens. Contudo, com 12 dias viajados, interiorizei que a nível social e de bem-estar deveria dedicar especial atenção ao Sarg. Enfermeiro profissionalmente muito bom mas, socialmente, dado ao murmúrio fácil, por vezes raiando o quezilento.
          De facto o NRP “São Miguel” era um “convento no alto mar” convidando-nos a uma vida recatada, simples, silenciosa e contemplativa. O ruído que se percebia da Casa da Máquina fazia parte do silêncio que nos envolvia.
          Atracados no MOTBAY efectuámos o carregamento de uma muito reduzida parte, do que estava inicialmente programado, menos de 200 toneladas quando esperávamos embarcar 2.200. Foi uma constatação desagradável, para todos! Ali permanecemos cinco dias, que aproveitei para dormir na minha cama pois a navegar encostava-me no sofá da camarinha! Carregámos, passeámos pelas ruas de Newark e de Manhattan, oferecemos uma Recepção, onde fez sucesso o “nosso” Bacalhau à Braz acompanhado de vinho tinto tirado, directamente da pipa, pelos convidados! Um verdadeiro sucesso!
          Tivemos a companhia de alguns Oficiais portugueses em comissão nos EUA e que muito ajudaram ao convívio com as autoridades Portuárias e Navais presentes bem como com os elementos da Guarda Costeira, dirigentes de algumas Associações Portuguesas, sediadas em Newark, portugueses ali radicados e Luso-americanos igualmente convidados.
          No terceiro dia, de manhã cedo, fomos ao Banco Totta, em Manhattan, levantar o dinheiro para a viagem, conforme instruções recebidas em Lisboa. Nesses escassos e breves quatro dias, intensamente ocupados, saboreei alguns episódios que tentarei recordar numa próxima Memória! Por agora vou deleitar-me com as recordações destes 12 dias de mar…
Um abraço aos meus amigos e de forma especial ao Alm. Abrantes Lopes.

22/05/13

ARTE MILITAR NAVAL - 02

          Na senda desta nova rubrica e, no âmbito do "CENTENÁRIO DOS SUBMARINOS EM PORTUGAL", apresento os desenhos manuscritos de Luís Filipe Silva, correspondentes às 04 classes de submarinos que foram operadas pela Esquadrilha de Submarinos da Marinha Portuguesa, acrescido da actual 5.ª Esquadrilha - classe "Tridente":

1.ª ESQUADRILHA:
Configuração do 1.º Submarino Português "Espadarte".

Configuração dos Submarinos "Hidra", "Foca" e "Golfinho" da classe "Espadarte.

2.ª ESQUADRILHA:

Configuração dos Submarinos da 2.ª Esquadrilha - Classe "Delfim".

3.ª ESQUADRILHA:


Configuração dos Submarinos da 3.ª Esquadrilha - classe "N".

4.ª ESQUADRILHA:
Configuração dos Submarinos da 4.ª Esquadrilha - classe "Albacora".

Artigo sobre os Submarinos da classe "Albacora":
http://barcoavista.blogspot.pt/2009/10/submarinos-da-classe-albacora.html

5.ª ESQUADRILHA:

Configuração dos Submarinos da 5.ª Esquadrilha - classe "Tridente".

Artigo sobre os Submarinos da classe "Tridente":
http://barcoavista.blogspot.pt/2010/01/submarinos-da-classe-tridente.html


NOTA:
EXPOSIÇÃO SUBMARINOS EM PORTUGAL:
http://barcoavista.blogspot.pt/2013/02/exposicao-submarinos-em-portugal.html

MICRO-SITE DO CENTENÁRIO DE SUBMARINOS EM PORTUGAL: http://www.marinha.pt/centenariosubmarinos/index.html

12/05/13

FOTO-REPORTAGEM DO "DIA NACIONAL DOS CADETES DO MAR" E DO "APELO AOS RESERVISTAS DE PORTUGAL"

Fotografias registadas e legendas compiladas pelo FZE Mário Manso:
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 

 
 
 
 
 
Fragata “D. Fernando II e Glória”, uma jóia da Coroa da nossa República.

















O Sr. Almirante da Comissão Cultural de Marinha – Almirante Bossa Dionísio, conversando com o Comandante dos Cadetes do Mar Fuzileiros, SMOR José Talhadas.
 
















Os representantes franceses dos Cadetes do Mar cumprimentando os Cadetes do Mar Fuzileiros.

















O Sr. Cte. Belém Ribeiro num pequeno “briefing”, com alguns dos colaboradores deste 1.º dia do Aniversário dos Cadetes do Mar e do Exército.

 















Um grupo de Jovens Cadetes antes da formatura que iria dar início ao evento junto da Fragata “Fernando II e Glória”.

 















Os Cadetes Fuzos, ouvindo atentamente o seu Comandante.

















Imagem que vale mais que muitas palavras, são dois entusiastas colaboradores nesta nobre tarefa a quem muito se deve parte do êxito já alcançado.

 















Gerações diferentes com objectivos comuns.

















A Bandeira Nacional esteve efusiva no cumprimento aos visitantes, envolvendo todos, com o seu característico som, quando fustigada pelo vento.

















Depois dos cumprimentos apresentados às entidades e convidados, pelos Cadetes em formatura, o Sr. Comandante da Fragata “D. Fernando II e Glória” e por inerência Comandante do Corpo de Cadetes do Mar - Rocha e Abreu, proferiu algumas palavras alusivas ao dia.

















Na Base Naval de novo em formatura, para continuação das cerimónias.

 















Em continência, cumprimentando as várias entidades que se associaram a este dia de festa, para os Cadetes e seus Familiares.

















Em continência aos Hinos Nacionais, que a Banda da nossa Armada tão bem executa.
 



















Os Cadetes Fuzileiros na sua marcha em acelerado, em continência às autoridades presentes.

















Final da cerimónia na Base Naval. Falariam certamente de que no futuro, Portugal tem Jovens, a quem a Pátria, pode confiar a defesa dos valores, que a têm mantido como Nação Independente.

















Escutando com muita atenção, as explicações que eram transmitidas pelo Oficial do Navio.

















Em continência à Bandeira Nacional antes de entrar a bordo, como mandam os regulamentos.

















Agora na Ponte de Comando deliciando-se com todo o seu equipamento, o que os levou a fazer várias perguntas ao Camarada, que se disponibilizou para colaborar neste dia.

















Os Cadetes mais jovens sentiram-se como se por dia, pertencessem à guarnição.

















Este foi de facto o local que mais interessou todos os Jovens, exigindo esclarecimentos minuciosos. Obrigado a toda a guarnição. A nossa gratidão pela disponibilidade com que nos receberam.

















Os Cadetes de Mar Fuzileiros, numa agradecida continência aos Camaradas do Navio visitado.

















Os Cadetes do Mar mais Jovens, descendo o portaló, um sintomático final de uma festa, que jamais vão esquecer.

















Que “A PÁTRIA HONRAI QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA”, nunca se fique só, pelas palavras. Depois de 50 anos de me ter alistado na nossa Marinha, eu Mário Manso, contínuo grato.

















No dia 28 a Universidade Lusíada apoiou o evento, em que se fazia um Apelo ao Reservistas de Portugal. As entidades apreciam uma exposição, evocando os 150 anos da Medalha Militar em Portugal.

















O Sr. Prof. Adriano Moreira com os seus interlocutores ambos Militares de carreira, em que a envolvência Militar na Sociedade Portuguesa, não estaria longe!

















A mesa sob a presidência do General Loureiro dos Santos, tendo no Sr. Cte. Bellem Ribeiro, um extraordinário estratega, intervinha no momento o representante francês dos Cadetes do Mar.

















Assistência interessada, com alguns dos vários intervenientes.

















São um exemplo estas Senhoras! Que com um extraordinário talento e dedicação se entregam à causa dos Cadetes do Mar. E que também a este evento não faltaram.

















Assinatura de protocolos com o GAMMA.

















Mais assinaturas de protocolos, aqui com um dos representantes Franceses.

















Aqui com o Director do Museu de Marinha.

















O Sr. Prof. Adriano Moreira, que com a eloquência que todos lhe conhecemos, envolveu todos os presentes. Mesmo estando em Bragança, não se escusou ao convite.

















O Sr. Almirante Reis Rodrigues, da Comissão Portuguesa do Atlântico, no uso da palavra.

















No uso da palavra, o Sr. General Director do Instituto de Defesa Nacional.

















O Sr. General do Exército, em representação do General CEME.

















O Sr. General da Força Aérea, em representação do General CEMFA, Ramo das FA’s que ainda não tem os seus Cadetes do Ar.

















O elemento da Direcção da Academia Falerística de Portugal, falando sobre a Medalha Militar e, a necessidade de algumas alterações.

 O Sr. Almirante Carvalho Abreu, no momento da sua intervenção, em representação do almirante CEMA, Comandante em Chefe honorário do Corpo de Cadetes do Mar de Portugal.



















O autor desta Foto-reportagem: FZE Mário Manso em continência.