13/07/10

LDM 404 "CHIPA"

 (ACTUALIZADO)

A "CHIPA" abicada no Lago Niassa (Foto cedida por Eng. José V. Machado, antigo Oficial da Marinha [Reserva Naval])

           A LDM 404 da classe “LDM 400” (26 unidades no total construídas entre Agosto de 1964 e Outubro de 1977) foi aumentada ao efectivo dos navios da Armada a 10 de Setembro de 1964. Juntamente com a sua 1.ª guarnição foram transportados no Navio-Mercante de carga mista “Beira” da CNN, chegando ao seu destino Lourenço Marques - Moçambique ao fim de 28 dias de navegação.
        Entre 13 de Setembro e 19 de Dezembro de 1965 decorreu a "Operação Atum" com o escopo de deslocar entre outras lanchas, a LDM 404 da costa de Moçambique para o Lago Niassa (de água doce com 30.862 Km² e profundidade máxima de 700 metros), sendo transportada primeiro por comboio ao longo de 500 km e posteriormente efectuando 250 km por camião.
      A operação, verdadeiramente épica, decorreu numa zona de grande actividade dos guerrilheiros da FRELIMO, demorou 23 dias e foi realizada sobre a supervisão de um Oficial do Comando Naval de Moçambique, chegando ao destino a lancha foi atribuída ao "Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Lago Niassa", sediado na Base Naval de Metangula, que assumia uma grande importância estratégico-militar num enquadramento geopolítico.


Transporte da LDM 404 por camião (foto cedida por António Moleiro)

          Em Maio de 1966, atendendo à estratégia fruto das relações político-militares entre Portugal e o Malawi (antiga colónia britânica do Niassalândia), na figura do Eng. Jorge Jardim (cônsul honorário do Malawi) e do então Presidente do Malawi Hastings Banda, (nacionalismo conservador pró-ocidental), a LDM 404 sofreu diversas modificações no SAO (Serviço de Assistência Oficinal) do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa, com o intuito de a descaracterizar e dar um aspecto de barcaça civil:
- Foi desmilitarizada (desprovida de armamento: 01 Peça OERLIKON Mk2 de 20mm/65 e 02 Metralhadoras MG-42 de 7,62mm);
-  No local onde se encontrava o reduto da peça OERLIKON foi fixada uma mesa ao convés e a peça foi transferida para uma estrutura em terra para reforçar a segurança das instalações navais de Metangula;
- O poço foi coberto com chapas de alumínio soltas cobertas por um oleado, após ter sido transformado em alojamento;
- Foi matriculada no Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa com o n.º de amura MT 105;
- Foi pintada de verde-escuro;
Desenho manuscrito da autoria de Luís Filipe Silva

- Foi apetrechada com uma bandeirola da companhia petrolífera SONAREP, do grupo português SONAP (também estabelecida no Malawi, sob o nome OILCOM);
- Os tanques de lastro passaram a ter capacidade de receber 36 toneladas de combustível;
- Recebeu a alcunha de "CHIPA", sendo inclusivo escrito no bordo do bote pneumático com um motor de 40 CV existe a bordo.

Bote pneumático a bordo da CHIPA, notando-se a palavra "Chipa" no bordo (foto cedida por Luís Peguicha)

          O desiderato desta transformação na embarcação, visou adequá-la para o transporte combustível (gasóleo), oficialmente destinado para fins civis (alfaias e tractores agrícolas) na Vila de Augusto Cardoso, mediante os tanques de lastro da LDM ao invés de estarem cheios de água.
          Deste modo, face à grande distância a percorrer, a sensibilidade do material volátil e frequente necessidade do mesmo, evitava-se ter de atravessar estradas de terra batida com comboios logísticos de camiões-cisternas, necessitando do emprego de forças militares destacadas para escoltarem as viaturas, e o grande problema das minas e emboscadas. O Distrito do Niassa era designado na época na gíria militar pelas tropas portuguesas por "Estado de Minas Gerais" em virtude da profusão de minas A/C e A/P colocadas nas zonas de actividade da FRELIMO.
          O combustível em apreço era oriundo do Porto da cidade da Beira (Moçambique), que atravessava a fronteira com o Malawi, transportado em carruagens-cisterna dos Caminhos de Ferro, procedendo-se posteriormente à transfega para tanques de combustível da OILCOM, existentes no Terminal de combustíveis da povoação ribeirinha de Chipoka no Malawi.

Elemento da tripulação da "CHIPA" junto do guarda do parque de combustíveis da OILCOM (Foto cedida por SCH C US Lopes Ribeiro)

          O combustível, quando necessário (mais ou menos quinzenalmente), era obtido pela "CHIPA" no cais de atracção de Chipoka, por recurso a uma conduta de gasóleo com 02 bocas de um "pipe-line" instalado no cais e originário dos tanques da OILCOM, posteriormente o combustível era transferido no cais da Vila de Augusto Cardoso (Base Naval de Metangula) para depósitos enterrados nas imediações, permitindo deste modo abastecer as viaturas, os geradores e os navios da Armada (5 LFP's, 4 LDM's e 3 LDP's) atribuídos à Base Naval.
           A 1.ª viagem da "CHIPA" ao Malawi foi realizada às 22:00 do dia 19 de Maio de 1966, chegando ao destino no Malawi às 13:00, encontrando-se à sua espera elementos de ligação (02 homens do Eng. Jorge Jardim), diversa população local que visitou a lancha a pedido das autoridades locais que decidiram revistar a embarcação por não terem conhecimento ou quaisquer instruções da sua vinda.
          Nesta 1.ª viagem, apesar de já se encontrar desmilitarizada, ainda não tinha sido pintada de verde-escuro (apenas se tinha tapado no costado o n.º de amura, distinguindo-se na mesma), mantendo a típica cor cinzenta que denunciava o seu aspecto de embarcação militar, igualmente nem a lancha nem a tripulação possuíam um único documento de identificação e ainda não tinham sido emitidas as respectivas Cédulas Marítimas, o único apetrecho de cariz civil a bordo era uma bandeirola hasteada da companhia petrolífera SONAREP. 

A "CHIPA" no cais de atracção de Chipoka junto do Terminal ferroviário, com bandeira nacional portuguesa e do Malawi hasteada (foto cedida por Luís Peguicha)

           Em 1968, foram transportados 02 depósitos de combustível a bordo da "CHIPA" (um de cada vez) de Chipoka - Malawi para Metangula onde foram posteriormente enterrados nas imediações do cais da Base Naval de Metangula, no mesmo local já existia outros 02 depósitos enterrados mais antigos, de quando o gasóleo era transportado por via terrestre pela estrada de Vila Cabral - Metangula.
        Do período de 27 de Dezembro de 1968 a 31 de Outubro de 1969 a "CHIPA" efectuou 32 missões ao Malawi de transporte de gasóleo, sendo que em duas também foi transportado 05 tanques de plástico para gasóleo provenientes de Lourenço Marques (actual Maputo), via Chipoka com destino à Base Naval de Metangula.
         De realçar que a missão da "CHIPA" não se limitou somente ao transporte de combustível, a título de exemplo, entre Janeiro de 1970 e Outubro de 1971, transportou a bordo um total de 2.740 mde gasóleo e 2,300 sacos de cimento.
       Também ao longo da sua vida activa por diversas vezes trazia no regresso do Malawi para Metangula: discos de vinil de 33 RPM ou de 45RPM; galinhas, cabritos e esporadicamente vacas, para reforço e melhoria da alimentação ("rancho") na Base Naval.
         Em finais de Julho / princípios de Agosto de 1970, a "CHIPA" juntamente com outra LDM da Marinha Portuguesa participaram numa operação de transporte de um jipe e população do Malawi da ilha de Chisimulo para a ilha de Licoma, durante uma visita do então Presidente do Malawi Hastings Banda, ilhas estas situadas no Lago Niassa em águas territoriais de Moçambique e a cerca de 01 milha da vila de Cobué, mas cuja soberania é do Malawi.


















A "CHIPA" abicada numa praia da ilha de Chisimulo carregando população do Malawi (Foto cedida pelo SCH C US Lopes Ribeiro)

          A tripulação da "CHIPA" actuava como funcionários da SONAREP, para o qual eram dotados de fatos de macaco cor de laranja da empresa e possuíam Cédulas Marítimas certificadas pelo Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa, documento que era apresentado à chegada a Chipoka ao "Port Mastercomo sendo Marinheiros da Marinha Mercante, quando na verdade eram a respectiva guarnição militar da LDM, que na maioria das vezes trajavam à civil durante a missão de reabastecimento (02 dias de viagem / percursos de 12 horas / 180 milhas no total).
           A título de exemplo, a Cédula do 1.º Oficial destacado para a "CHIPA" como Mestre da lancha (Cte. Sérgio Zilhão) referia que estava habilitado com o 2.º ano da Escola Técnica, com a categoria de Electricista de 1.ª Classe e tinha cumprido o SMO na Armada Portuguesa na incorporação de 1953 como Grumete Electricista e saído como Cabo Electricista.


Oficial Subalterno da tripulação da "Chipa" trajado a civil (foto cedida por Cte. Correia do Amaral)

           Durante a missão de reabastecimento ao Malawi não levavam qualquer documento, equipamento ou armamento que denunciasse a condição militar da embarcação ou da respectiva tripulação, à qual se juntava um Oficial Subalterno oriundo da Escola Naval ou Reserva Naval nomeado como responsável militar pela operação.
          Os Oficiais destacados para prestar serviço na "CHIPA" realizavam as missões designados de: "Oficial da LDM 404 / CHIPA MT 105", não obstante para além desta função, também tinham cumulativamente outro cargo na Base Naval de Metangula, podendo ser também a título de exemplo: Comandante do Comando de Defesa Marítima dos Portos do Lago Niassa; Capitão do Porto da Capitania dos Portos do Lago Niassa; Imediato de Companhia de Fuzileiros;  Chefe do Serviço de Comunicações; Chefe do Serviço de Armamento, etc.
             Igualmente era interdito comunicar por rádio com Metangula e optava-se por não levar o cozinheiro por ser um civil moçambicano contratado, por forma a não se correr o risco de conversar em dialectos africanos e eventualmente transmitir alguma informação confidencial. 
          Tal medida de segurança era devido aos contactos que se estabeleciam regularmente com as autoridades malawianas (Capitão do Porto, Chefe da Alfândega e Chefe da Polícia), entidades civis (Encarregado e o Guarda do parque de combustíveis da OILCOM, comandantes de Navios-Mercantes malawianos e Dono da cantina [Paquistanês]), população malawiana e populares naturais de Augusto Cardoso que iam de férias ou comprar bicicletas em Chipoka, em virtude de potencialmente existir elementos simpatizantes da FRELIMO e que por inerência comprometer a missão de reabastecimento.

Logtipo da SONAP e SONAREP

           Apesar de a missão de abastecimento de combustível ser classificada de "confidencial", as diversas tripulações que prestaram serviço na "CHIPA" desenvolveram laços amistosos com as autoridades, entidades e população malawiana, o que muito contribuiu para tal, a confraternização e as ofertas periódicas de Vinho e Bagaço.
          Não obstante, a realização das missões foram um desafio para as suas consecutivas tripulações, a LDM foi concebida para utilização temporária (máximo 48 horas), não disponha de meios de subsistência e as condições de alojamento eram precárias, pelo que por forma a melhor as condições de alojamento a bordo, os beliches triplos de chapa foram substituídos por 03 conjuntos de beliches duplos em molas e a lancha foi apetrechada com 02 cadeiras de campismo (já possuía 06 bancos).
          A falta de equipamento de navegação adequado, inexistência de faróis ao longo da costa do lago, quer no Malawi, quer em Moçambique, aliado a vagas de proa até 05 metros que alagavam o poço, devido às chuvas e ventos fortes de Inverno que chegavam a atingir 90 km, provocando a grande ondulação em temporais de determinados períodos do ano, colocava à prova os conhecimentos náuticos e de marinharia da tripulação, originando a título de exemplo a navegação nocturna orientada por estrelas baixas no horizonte ou aproveitando a luz do luar, em substituição de radar e do mau funcionamento da bússola magnética que ficava bastante afectada em certos pontos do lago devido aos fortes campos magnéticos.
        Para minimizar estes problemas as missões eram realizadas em horários específicos, tendo em linha de conta a época do ano, por forma a evitar os ventos fortes de Sul que se acentuavam pelo final da manhã, o que além de permitir uma navegação mais suave, permitia inclusivo confeccionar refeições a bordo.
- De Novembro a Março: as águas do lago estão mais calmas, é a época de muito calor e grandes chuvadas, em que a temperatura nos alojamentos em conjunto com os gases do gasóleo tornavam a bordo o ar irrespirável;
- De Abril a Julho: predominam os ventos fortes de Sul, prejudicando a viagem de ida para o Malawi, por causa da lancha ir muito vazia e apanhar as vagas de proa;
- De Agosto a Novembro: Sopravam ventos fortes predominantemente do Norte e de Leste, fazendo sentir-se mais no regresso do Malawi.
       Assim sendo, foi requisitado à SAO a montagem de uma cobertura à quase totalidade do comprimento do poço, construída em chapas de alumínio suportadas por traves de madeira e a lancha passou a dispor de chapas de ferro leves amovíveis para se colocar nas 03 janelas da porta d' abater, por forma ajudar a reduzir ao máximo a entrada de água das vagas, quando o Mar estivesse calmo (Mar chão) eram retirada para não afectar a visibilidade em navegação.
          A tripulação era constituída por:
- 1 Oficial [Mestre da lancha];
- 1 Cabo de Manobra [Patrão da lancha];
- 1 Marinheiro [Telegrafista];
- 1 Marinheiro Artilheiro [Marinheiro de convés];
- 1 Marinheiro Fogueiro [Condutor de máquinas].

Tripulação da "CHIPA" entre populares no cais de Chipoka - Malawi

18/06/10

1.º ANIVERSÁRIO DO BLOG BARCO À VISTA



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01/06/10

SALA-MUSEU DO FUZILEIRO

(ACTUALIZADO)

Farda de Fuzileiro da Brigada Real da Marinha

          O edifício onde se situa a Sala-Museu do Fuzileiro é o mais antigo da Escola de Fuzileiros, local já referenciado no reinado de D. Afonso V "O Africano" (século XV), atendendo ao carácter histórico do edifício principal do complexo dos fornos de biscoito, onde se fabricavam os biscoitos que abasteciam as Caravelas e Naus da Armada e o Exército de "rações de combate".


Farda de Fuzileiro do Terço da Armada da Coroa de Portugal em 1621

          Tratar-se de uma estrutura reconstruída após o terramoto de 1 de Novembro de 1755, apresentando traços da arquitectónica pombalina, com tijolo a cutelo e tectos em abóbadas de barrete, na fachada principal e nas galerias interiores, em 1984 foi decidido recuperá-lo parcialmente em virtude do seu estado geral, ocupando-se somente uma das três alas dos 27 fornos.





Peças de Artilharia de Campanhã

          Deste modo, a 3 de Junho de 1986 é inaugurada a Sala-Museu dos Fuzileiro que para além de permitir conhecer a história de diversas Gerações de Fuzileiros que ao longo dos séculos passaram pela instituição, tem desempenhado pela sua actividade, um papel activo na área educacional, cultural e ambiental do concelho do Barreiro e localidades limítrofes.


Painéis patentes na Sala-Museu do Fuzileiro

          O Espólio da Sala-Museu dos Fuzileiros permite apreciar um património diverso: documentos, fotografias, figuras de porcelana de temática militar, molde de biscoito, armas ligeiras antigas (espadas e armas de fogo), armas ligeiras e de apoio utilizadas na Guerra Colonial pelos Fuzileiros e exemplos de armas capturadas aos Movimentos de Guerrilha, peças de artilharia, LDM (Lancha de Desembarque Média) em kits de modelismo, bote pneumático, rádios transmissores (Guerra Colonial), estandartes, uniformes e condecorações.


Bote pneumático ZEBRO III

          A participação de unidade de Fuzileiros (Destacamentos de Fuzileiros Especiais / Companhias de Fuzileiros Navais / Pelotões Independentes) nos três TO do conflito colonial decorrido em África entre 1961-1974, tem especial destaque por toda a Sala-Museu do Fuzileiro.


Exemplos de vários tipos de rádios transmissores utilizados na Guerra Colonial


Armas ligeira empregues pelos Fuzileiros em África

          Os Fuzileiros como unidade militar, têm a distinta honra nas Forças Armadas Portuguesas de ser a 1.ª unidade militar organizada de carácter permanente em Portugal (Carta Régia de D. Filipe II "o Prudente" de 18 de Abril de 1621), que se materializa no privilégio de quando participa em cerimónias militares, forma as suas fileiras sempre à direita das outras formações militares nacionais e destroça em 1.º lugar.
          Numa das salas encontra-se os Guiões das Unidades de Fuzileiros que combateram na Guerra de Ultramar (1961-1974) e um Memorial a todos os Fuzileiros que tombaram em combate em África, perpetuando para além da memória as suas acções realizadas no mar e em terra ao serviço de Portugal.


Guiões de unidades de Fuzileiros

          Atendendo às novas missões em que os Fuzileiros participam em TO no estrangeiro ao serviço da ONU, União Europeia ou da NATO, algumas das quais, actualmente já fazem parte da história recente desta unidade militar, a Sala-Museu já foi apetrechada com meios para fazer a devida referência.


Fuzileiro ao serviço da ONU

NOTA:
- Fotos do site oficial do Corpo de Fuzileiros

22/05/10

PETIÇÃO ONLINE: "SALVEM O MUSEU DA MARINHA"

PETIÇÃO ONLINE: "SALVEM O MUSEU DA MARINHA"

PETIÇÃO ONLINE

          A passagem do espólio do Museu de Marinha português para o novo Museu da Viagem ou qualquer outro museu, como proposto pelo Ministério da Cultura, significará a morte do Museu de Marinha criado pelo Rei D.Luís. Este é um dos mais prestigiados museus do mundo na sua área, que conta com algumas colecções únicas - entre elas, a maior colecção de astrolábios do mundo nas mãos de uma entidade pública e uma das mais extraordinárias colecções de modelos de navios em todo o mundo.

          Ao longo das últimas décadas, todos os directores do Museu de Marinha batalharam para preservar e alargar o espólio do museu contra todas as dificuldades financeiras que podemos imaginar, incluindo a inércia inerente às instituições do Estado e que atingem a maior parte dos museus em Portugal.

          O Governo vem agora dizer que quer investir num novo museu à custa do Museu de Marinha.

          Ajude a salvar este Museu único com mais de 150 anos e assine esta petição.

Obrigado

Os signatários

PETIÇÃO ONLINE

07/05/10

A BOINA DOS FUZILEIROS

(ACTUALIZADO)


          A famosa Boina de Fuzileiro "azul ferrete" a que apenas tinham direito os Oficiais do Quadro Permanente ou Oficiais Fuzileiros da Reserva Naval, Sargentos e Praças com o curso de Fuzileiros Especiais, obtido na Escola de Fuzileiros desde de 1961, remonta ao tempo da chegada, após formação no Reino Unido, dos 4 primeiros instrutores (um 2º Tenente da classe de Marinha e três Marinheiros da classe Monitores de Educação Física a Portugal.


Os 4 primeiros Fuzileiros com a Boina Verde dos "Royal Marines Comandos" (Foto original cedida por Cte. Pascoal Rodrigues)


Boina e distintivo dos "Royal Marines Comandos" do SAJ FZE Mário Claudino, cedido pela sua esposa à Sala-Museu do Fuzileiro

          Optou-se por adoptar a partir de Janeiro de 1961, uma boina de cor "azul ferrete" com a âncora da Armada, em virtude de que as Tropas Pára-quedistas já utilizar a Boina Verde desde 9 de Julho de 1955, determinado por despacho do então Ministro da Defesa Nacional (legalizada a 1 de Janeiro de 1956), cor esta também usada pelos "Royal Marines Comandos" como símbolo de Forças de Élite.


Boina de Fuzileiro Especial

          A Boina assume para o Fuzileiro um significado de orgulho, honra e prestígio na Força Militar em que presta ou já prestou serviço activo, as duas fitas pretas da Boina, significam entrada e saída do quartel, ou seja o Bom dia e a Boa tarde, assim como o luto e respeito pelos camaradas mortos da unidade.
          Na sequência da Revolução do 25 de Abril de 1974, a boina deixou de ser da exclusividade dos Fuzileiros Especiais, sendo extensiva a todos os militares do Corpo de Fuzileiros, com o intuito de eliminar uma indesejável diferenciação entre «Fuzileiros Especiais» e «Fuzileiros Navais» que contribuia para a quebra de coesão na unidade.


Actual Boina de Fuzileiro

          O "ganhar a Boina" por parte dos instruendos do Batalhão de Instrução da Escola de Fuzileiros, é desde 1961 o culminar do respectivo Curso Básico de Fuzileiro, actualmente com 15 módulos e a duração de 9 meses.
          É também o reconhecimento da aptidão do militar por parte da instituição que ministra o curso e restantes camaradas d'armas, assim como funciona como factor de união, conjuntamente com o Hino dos Fuzileiros e a Sala-Museu do Fuzileiro, entre as diversas gerações de Fuzileiros.


O garbo do desfile de um Pelotão de elementos da Associação de Fuzileiros, sob o comando do SMOR FZE José Talhadas, precedidos do SMOR FZE José Coisinhas na qualidade de Porta-Estandarte da entidade (Foto cedida por SAJ Afonso Brandão / FZE e Mergulhador-Sapador)

          De salientar que a partir de Fevereiro de 1986, o distintivo foi substituído pelo modelo actualmente em vigor, observando o disposto no Despacho CEMA n.º 10/86 de 4 de Fevereiro, sendo que o 1SARG FZC João Manuel da Fonseca colaborou a convite do então Comandante da CF n.º 21 do BF n.º 2, na qualidade de artista plástico, na co-autoria do desenho.


Desenho do projecto do actual distintivo, da co-autoria do 1SARG FZC João Manuel da Fonseca (Imagem cedida pelo artista em apreço)


Actual Distintivo de Fuzileiro em vigor
 

Poema de Mário Manso dedicado a Boina dos Fuzileiros

Artigos do Tcor Miguel Machado:
- Jornal Exército / Junho 2003;
- Revista Boina Verde n.º 155 de Dezembro de 1990

20/04/10

PATENTES DA MARINHA


Almirante da ArmadaAlmiranteVice-almiranteContra-almiranteComodoro

OFICIAIS GENERAIS

Capitão-de-mar-e-guerraCapitão-de-fragataCapitão-tenente

OFICIAIS SUPERIORES

Primeiro-tenenteSegundo-tenenteGuarda-marinha / Sub-tenente Aspirante

OFICIAIS SUBALTERNOS

Sargento-mor

Sargento-morSargento-chefeSargento-ajudante

Primeiro-sargento

Primeiro-sargentoSegundo-sargentoPrimeiro-subsargentoSegundo-subsargento

SARGENTOS

Cabo

Primeiro-marinheiro

Cabo

Primeiro-marinheiro

Segundo-marinheiro

Grumete

PRAÇAS