12/07/15

HISTÓRIA À VISTA - 40

          Mais uma "História à vista", da autoria do VALM REF Adriano de Carvalho, redigidos em formato de Resenha Histórica do seu percurso profissional.
 
CAPÍTULO N.º II: "Fragata Corte Real"

          A minha comissão na Escola de Mecânicos terminou em Fevereiro de 1957 para voltar à América e fazer parte da guarnição de uma das duas fragatas que os EUA nos iam ceder ao abrigo da Nato e que veio a ser a “Corte Real”.
          Foi assim que nos primórdios de 57, embarquei certo dia, como mais antigo de parte da guarnição, entre os quais o Garcia Dias, e mais alguns Sargentos e Praças num avião “Constelation” fretado à Air France, com destino a New York. A viagem correu bem até às proximidades de Gandara, na Terra Nova, depois de termos feito escala em Sta. Maria.
          Passámos então pelo susto causado por uma tempestade de neve. O Comandante do avião veio falar comigo, em segredo, que devido à tempestade estava impedido de aterrar em Gandara na Terra Nova e que ia tentar fazê-lo numa base americana no Norte da Ilha, por ser a única que dava assistência electrónica a aterragens sem visibilidade. Perguntei-lhe se tal não fosse possível qual era a alternativa. Respondeu-me que não havia gasolina para mais! Só contei a situação ao Garcia Dias para não alarmar mais ninguém.
          Lá conseguimos com grande perícia do Comandante aterrar numa pista cheia de neve que apenas ficou visível a escassos metros, depois de uma fase de grande incerteza e preocupação. No dia seguinte voámos então para Nova Yorque. Aqui a Navy meteu-nos num avião muito ronceiro com destino a S. Francisco.
          Quando olhei para aquele avião tive sérias dúvidas se ele conseguia levantar voo. Efectivamente só no fim da enorme pista do aeroporto conseguiu deslocar e lá subiu muito a custo. Não passava de um cargueiro onde tinham sido posto algumas cadeiras. Fizemos uma escala em Oklaoma e depois ao atravessar as Montanhas Rochosas, apanhámos um poço de ar que nos pôs em queda livre por mais de 1000 metros e nos encostou o estomago à boca.
          Ao fim de mais de 18 horas de voo lá chegámos finalmente a S. Francisco, onde se encontravam os dois navios. Aí estivemos cerca de três meses numa situação curiosa. Os navios continuaram a ser americanos durante algum tempo e a guarnição era mista, ou seja, americana e portuguesa em partes sensivelmente iguais. Foi uma experiência inédita e devo dizer que pelo menos no meu navio que se chamava US “Mc Coy Reynolds”, tudo correu pelo melhor. Os americanos eram tipos simpáticos e convidavam-nos para as suas actividades sociais extra-serviço, especialmente para os partys em que levavam as respectivas mulheres.
          Diga-se de passagem que eles eram quase todos “warrant officers” (milicianos) e tecnicamente quem aguentava o navio eram os sargentos-chefes que de facto eram bons. Até que certo dia a bandeira mudou e os navios passaram a ser os NRP’s “Corte Real“ e “Diogo Cão”. No entanto tudo continuou na mesma e apenas se começou a beber cerveja a bordo, metida na cantina, coisa proibida nos navios americanos.
          Lembro-me que o funcionário americano do detalhe que era muito útil para requisitar sobressalentes (sabia os “stocks numbers” quase de cor) passou a render muito mais, porque tinha sempre uma cerveja à mão e em vez de sair às 5 da tarde só saía às oito. O pior é que teve a triste ideia de se gabar para os camaradas dos navios próximos.
          A coisa chegou aos ouvidos do Almirante americano Comandante da Base e saiu a ordem que os marinheiros americanos, mesmo nos nossos navios, não podiam beber bebidas alcoólicas. As refeições também passaram a ser da nossa alçada, mais gordurosas e os americanos gostavam, mas começaram todos a engordar…
          E o tempo foi-se passando alegremente, até porque os Oficiais americanos que tinham vindo com o navio do Havai, andavam sempre em partys. Já o mesmo não sucedia na “Diogo Cão” onde todos eram mais “chatos”, americanos e portugueses. No meu navio estavam também o Silvano Ribeiro, o Ramos de máquinas etc. O Imediato era o Cten. Patacho e havia boa disposição.
          Entretanto o período de três meses de transmissão dos navios chegou ao fim e tivemos que deixar S. Francisco, cidade muito interessante, um pouco semelhante a Lisboa e também assente em sete colinas e com uma ponte igual à nossa. Tive pena e também perdi o prazer de alguns fins-de-semana que passava em casa de um tio meu, emigrante já nacionalizado, que morava em Antioch, a 100Km de S. Francisco.
          Seguimos já entregues a nós próprios para S. Diego, onde teve lugar o treino básico durante cerca de um mês. Foi trabalhoso e rigoroso, mas tínhamos os fins-de-semana para espairecer e era fácil encontrar raparigas simpáticas. Por vezes atravessava-se a fronteira até ao México que era próximo. Só foi triste que o Comandante da “Diogo Cão” (Com. Teixeira) fosse uma negação para a manobra o que nos envergonhou algumas vezes, ao contrário do meu (Com. Vieira Lopes) que era muito mais desembaraçado.
          Metendo mais um parêntese, lembro-me de que todas as tardes aparecia uma senhora já “entradota” mas muito bem vestida e conduzindo um “Buik”, para vir buscar um dos nossos cozinheiros que não percebia nada de inglês. Lá se entendiam não sabemos como. O pior é que mais tarde pediu para falar com o nosso Imediato para pedir em casamento a mão do nosso cozinheiro!
          O Patacho fez-lhe saber que o cozinheiro era casado, pelo que a senhora teve um grande choque e desgostosa nunca mais apareceu. O cozinheiro ficou assim sem os seus frequentes passeios…
          De resto em S. Diego também se passou um tempo agradável nas folgas e tivemos ocasião de contactar a colónia portuguesa na Califórnia que ao contrário da existente na costa oeste (New Wark), era bastante próspera e com base em gente da Madeira.
          Houve também uma cerimónia de inauguração da estátua do navegador português Cabrillo que ao serviço da Espanha foi o descobridor da Califórnia. Para esta cerimónia já esteve presente o Alm. Sarmento Rodrigues, que veio para comandar o grupo das duas fragatas. Era um homem afável e eficiente que simpatizou comigo, até porque muitas vezes lhe servi de intérprete com os americanos.
          Foi aí que o Ten. Parente conheceu a futura mulher, uma luso-americana, que ele namorava levando o casaco à sport do Garcia Dias. Largámos com algumas saudades de S. Diego e havia que cumprir então um programa de visitas de agradecimento aos pequenos países da América Central que ainda votavam por nós na ONU, no problema emergente da descolonização.
          Assim visitámos a Guatemala, S. Salvador, Manágua, Costa Rica, Panamá e depois já no Atlântico, S. Domingos, Cuba e finalmente chegámos a Norfolk onde teve lugar um grande desfile naval internacional, comemorativo do 2.º Centenário da chegada dos primeiros colonos ingleses à América (Virgínia).
          Todos os países latinos visitados mostravam à evidência o seu subdesenvolvimento e já nessa altura havia conflitos entre eles. No entanto em S. Domingos, ofereceram-nos um Party animado pelo grupo de baile da Banda da Marinha que nos tinha recebido no cais à chegada. Na nossa retribuição pedimos o empréstimo do grupo, de que resultou outro party de arromba. O nosso Imediato descobriu que quanto mais cerveja dava aos músicos, mais e melhor tocavam.
          Daí que já em Norfolk, depois do desfile naval, no sábado seguinte, em que pelo programa, todos os navios atracados ofereciam party’s aos visitantes civis, se tivesse apresentado voluntariamente ao nosso Imediato o referido grupo de baile, (abandonando as suas fragatas) no fito de mais cerveja…
          Resultou então que o party dos nossos navios foi o mais famoso e teve honras de reportagem da revista Time, com fotografias e tudo. Daqui aconteceu que uma “amiga da onça” cá em Lisboa, fosse mostrar a revista à minha cara metade, onde eu aparecia a dançar com uma americana, fazendo as honras da casa, como era meu dever…
          Vem ainda a propósito dizer que gostei de Havana, onde ainda não tinha aparecido o barbudo do Fidel, e a cidade era uma estância de turismo dos americanos, com muitos casinos e locais de divertimento. Apareceu-me lá com o seu carro, uma moça bonita mas gordinha que aparentava ser bastante rica e que me quis conhecer por ter visto a minha fotografia num jornal qualquer e me achar bastante parecido com um seu irmão. Convidou-me para vários clubes chiques de dança (ao ar livre com frondosas palmeiras) mas sempre acompanhada da chaperon. Mais tarde fiquei a pensar o que teria acontecido a essa gente com a revolução em Cuba.
          Após os festejos de Norfolk, apareceu-nos a bordo uma missão americana a informar que havia um programa de modernização dos navios da nossa classe, incluindo novos radares, novo mastro e remodelação do CIC. Propunham entregar o material e os “blue prints” e nós trataríamos da respectiva instalação em Lisboa. Respondemos que isso a ser feito em Lisboa no nosso Arsenal levaria à paragem dos navios por mais de um ano enquanto no Arsenal de Norfolk não levaria mais de dois meses. A nossa tese (minha e do Wagner que era o electrónico da (D. Cão) acabou por convencer os americanos.
          Para tal foi muito importante a ajuda do Alm S. Rodrigues. Lá passámos o verão em Norfolk, com bastante calor a bordo, já que os navios estavam mal concebidos para o verão e a respeito de conforto eram fraquinhos, pois tinham sido feitos em série para a guerra. Vi pela primeira vez ser aplicado o método Pert na Navy. Com efeito o planeamento dos dois meses destinados aos fabricos foi cumprido à risca.
          Apareciam a bordo os operários “capitalistas” de que os nossos marujos diziam fazerem mais cera que os nossos do Arsenal do Alfeite. De facto eles tinham umas tantas horas para fazer o trabalho que lhes estava destinado e uma vez feito, ficavam na conversa connosco e a fumar charuto até à hora da saída. Não podia ser mesmo de outra forma se não “interpigaitavam” o sistema.
          Quanto à vida social em Norfolk era fraca já que a terra se resumia a pouco mais do que a Base Naval. Apesar de tudo havia um grupo de moças que de vez em quando apareciam pela C. Real com grande inveja da D. Cão.
          Findo o tempo dos fabricos largámos finalmente, ao fim de nove meses de América, com destino a Lisboa via P. Delgada. Começou então uma vida de bastantes saídas para exercícios nacionais e Nato. Mantive-me na C. Real até aos fins de Novembro de 1958, tendo sido louvado pelo Com. Vieira Lopes de que também fiquei amigo. Foi um navio de que guardo também saudades e até porque tínhamos uma Câmara de Oficiais bons camaradas, como era o caso do Eng. Ramos, o Garcia Dias, o Silvano Ribeiro, o Eng. Melo Sampaio, o Parente, o Patacho, etc.

01/07/15

FILME DO PROCESSO DE ABATE AO EFECTIVO DE 03 CHAIMITES V-200 DOS FUZILEIROS

          Inseri no canal de youtube do blogue um vídeo sobre a fase final do processo de abate ao efectivo de 03 Chaimites V-200 dos Fuzileiros, traduzindo-se no seu reboque para a Secção de Inúteis Direcção de Abastecimento da Marinha e respectivo desmanche.
          Para além das 03 Chaimites (AP-19-35 / AP-19-36 / AP-19-37), é possível observar a famosa Berliet-Tramagal GBC dos Fuzileiros modificada para desempenhar as funções de reboque com guincho (AP-18-14) e, uma viatura ligeira Todo-o-Terreno Volkswagen Iltis da Marinha Portuguesa. 
          Agradeço ao Comando do Corpo de Fuzileiros a cedência das imagens e constante disponibilidade, e ao SAJ FZ Rogério Pinho Silva pelo registo histórico efectuado:

https://www.youtube.com/watch?v=fnu5GPwbSlU&list=UUwBcnHbUtMJN7bAnj4mM6Jg&index=1

Artigo sobre a Chaimite V-200 "ARMADA 90" dos Fuzileiros:
Filme sobre a Chaimite V-200 "ARMADA 90" dos Fuzileiros:

24/06/15

MERGULHADORES DA ARMADA E O NAVIO DE SALVAMENTO NRP "PATRÃO LOPES"


Navio de Salvamento NRP "Patrão Lopes"

          O Navio de Salvamento NRP "Patrão Lopes", antigo Navio de Salvação Alemão "Newa" requisitado no Porto de Lisboa a 23 de Fevereiro de 1916 pelo Governo Português, de Julho de 1927 a 29 de Fevereiro de 1936 (data em que se afundou na área do Farol do Búgio e, curiosamente data bissexta em ano bissexto), empregou nas suas missões de Salvação Marítima, inclusivo na tentativa de salvamento do próprio navio, Mergulhadores da Armada.


























Mergulhadores da Armada tentam salvar o Navio de Salvamento NRP "Patrão Lopes" (Fotos cedidas pela Escola de Mergulhadores)
 
          Estes Mergulhadores era dotados de escafandros clássicos semi-autónomos de circuito aberto "SIEBE GORMAN", conhecidos na gíria naval por «Cabeçudo», para efectuar mergulho até à profundidade de 50 metros.
          Trata-se de um equipamento de mergulho constituído por:
- Capacete de bronze;
- Romeira;
- Fato impermeável em lona recauchutada revestida;
- Mangueira de ar;
- Cabo telefónico;
- 02 pesos de chumbo [peito e costas / 18 kg ao todo];
- Botas com solas de chumbo [18 kg].



















Fotos ilustrativas de um equipamento de mergulho escafandro clássico
 
          Os Mergulhadores destacados a bordo do NRP "Patrão Lopes" foram utilizados sobretudo para recuperação de material afundado, colocação de cargas explosivas (TNT e dinamite) para destruição de navios afundados em locais que constituíam perigo para a navegação, mas também em trabalhos submarinos que exigem uma posição vertical (corte, soldadura e cravação).

Principais características do navio:
- Deslocamento máximo: 1.100 toneladas
- Dimensões: 49 x 7,8 x 4,2 metros 
- Propulsão: 01 máquina a vapor Rostocker de 500hp / 2 veios
- Velocidade Máxima: 10 nós
- Guarnição: 63 militares (03 Oficiais e 60 Sargentos e Praças)
- Armamento: (inicialmente) 01 peça de 76mm, mais tarde substituída por 02 peças de 90mm.

18/06/15

6.º ANIVERSÁRIO DO BLOGUE BARCO À VISTA



- 437.024 visitas ao blogue desde 18/06/2009;
 
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10 vídeos publicado no canal do youtube do blogue, totalizando 10.586 visualizações.
 

11/05/15

"WALKAROUND" CHAIMITE V-200 "ARMADA 90" DOS FUZILEIROS

          Em Dezembro passado, acompanhado pelo meu Amigo SAJ FZE US REF Afonso Brandão (Mestre da Unidade de Cadetes do Mar Fuzileiros), visitei novamente o CCF e a Base de Fuzileiros, tendo aproveitado a oportunidade e solicitado autorização para fazer um registo fotográfico completo da única e emblemática Chaimite V-200 "ARMADA 90" do Corpo de Fuzileiros.
          Trata-se de uma viatura blindada anfíbia de fabrico nacional (BRAVIA-VM), única sobrevivente do seu Esquadrão de 04 exemplares que, após ter sido desmobilizada e desmilitarizada em 1995, encontra-se desde então em exposição estática a cumprir a sua última missão - guarnecer a Parada da Base de Fuzileiros!
          Actualmente apresenta um esquema de pintura camuflada a 03 tons (castanho, verde claro e escuro), diferente da pintura original, para efeitos de conservação, pintado por pessoal destacado no SAO da CAF, sendo de louvar o empenho dos Fuzileiros na preservação do blindado que outrora ombreou com os homens de Boina azul-ferrete.
          Expresso uma vez mais o meu sincero agradecimento as dezenas de pessoas, civis e militares, que ao longo destes anos me tem ajudado na odisseia de escrutinar o uso de viaturas anfíbias (LVT-4 / Chaimites / LARC-V) nos Fuzileiros, com vista à sua futura publicação em livro.
          Eis assim uma foto-reportagem em formato de "walkaround" da viatura em apreço, vocacionada para o pessoal do modelismo e, como singela homenagem aos Fuzileiros das antigas guarnições das Chaimites do designado "Esquadrão Anfíbio"!

 A Chaimite "ARMADA 90" junto da Parada da Base de Fuzileiros, em exposição estática.

 As matrículas das Chaimites dos Fuzileiros são: AP-19-34 / AP-19-35 / AP-19-36 / AP-19-37 (AP é iniciais de Armada Portuguesa), na foto é possível visualizar um olhai de elevação e o conjunto de faróis dianteiros.

          A BRAVIA-VM somente produziu em série a Chaimite V-200 versão básica de transporte de tropas e, a Chaimite "ARMADA 90" dos Fuzileiros não é excepção.
          Todas as restantes versões nunca passaram da fase de projecto ou limitaram-se a testes de torres de outros sistemas de armas no chassis de viaturas V-200, mesmo os blindados que o Exército Português optou por transformar em Porta-Morteiro de 81mm e Porta-Mísseis SS-11 eram V-200 originais da BRAVIA, sendo errado designar por V-600 e V-700 respectivamente.


 A chapa de identificação interna da BRAVIA-VM com alguns dados sobre componentes mecânicos da viatura.


 Vista exterior de parte dos componentes do motor a gasolina CHRYSLER M75 V8.

          Pese embora a Chaimite "ARMADA 90" se encontrasse totalmente fechada a aloquete, valeu-me conhecer o mecanismo interior das portas e escotilhas, aliado a um pouco de "engenho e arte", findo o registo fechou-se todo novamente, tal como se encontrou, para voltar adormecer até um dia...






 Foto de perfil da Chaimite "ARMADA 90", tendo a particularidade de que se encontrava fechada desde desmobilizada, ou seja... há 20 anos! Notar as pequenas janelas (seteiras) que permitiam efectuar tiro do interior com armas ligeiras.


 O "ARMADA 90" com a maioria das portas e escotilhas abertas de propósito para a fotografia!
Ao fim de 20 anos a Chaimite "ARMADA 90" dá a conhecer o seu interior.

          Ao contrário do que se encontra erradamente escrito em alguns sítios da Internet e até referenciado em livros como legenda de fotos deste blindado, o sistema de armas "ARMADA 90", não é composto por antigas Bazookas ou canhões sem recuo, mas sim por LGF - Lança Granadas-Foguetes de 90mm.
          Igualmente é confundido por vezes o diâmetro dos canos dos LGF (90mm) com o calibre das suas munições próprias (88,9mm) e que estas eram simples munições INSTALAZA...



Vista superior da posição do artilheiro da "ARMADA 90", podendo-se observar o manípulo de disparo e o berçário das metralhadoras, note-se ainda que passados 20 anos o assento do banco ainda se encontra bem conservado.



O periscópio M28C e todos os sistemas de armas situam-se na torre: os LGF de 90mm, as metralhadoras e o dispositivo anti-emboscada / lança-granadas múltiplo de 60mm, este último de concepção da própria BRAVIA.

          Já no seu interior por momentos recordei conversas com Oficiais que comandaram a Unidade com Chaimites à sua carga e, os testemunhos dos Sargentos e Praças que fizeram parte das suas guarnições, as suas diversas situações operacionais e outras tantas engraçadas fruto do "desenrasca", que de tantas foram até lhes dedico um tópico no livro.



A posição do condutor que a par do chefe de viatura, no caso das primeiras guarnições das Chaimites dos Fuzileiros, frequentaram um "curso de operador", ministrado na própria BRAVIA.






Vista interior do motor, notar o até relativo bom estado de conservação da viatura no geral!



A posição do rádio-operador "Tele-fuzo" situava-se junto da porta traseira, onde operava uma panóplia de equipamento radio transreceptor emissor-receptor.



Vista interior da posição do artilheiro, passível de observar o monóculo do periscópio M28C, a consola de tiro dos LFG de 90mm e do dispositivo anti-emboscada / lança-granadas múltiplo de 60mm, comutador de tiro das metralhadoras, manípulo de disparo, berçário das metralhadoras, blocos de visão blindada e as mangas que expedem os cartuchos percutidos.



Nova foto da frente interior da Chaimite, posição de condutor e do chefe de viatura, o seu banco encontra-se recolhido. Notar o grande número de blocos de visão blindada.



Calhas de suporte de Jerry-cans e matrícula traseira da Chaimite "ARMADA 90", em cima um dos 04 olhai de elevação e as bases flexíveis das antenas.









Vista superior da Chaimite "ARMADA 90" ainda com as escotilhas fechadas e do seu dispositivo anti-emboscada / lança-granadas múltiplo de 60mm.



Nova vista de todos os sistemas de armas da torre: os LGF de 90mm, as metralhadoras e do dispositivo anti-emboscada / lança-granadas múltiplo de 60mm.



Junto da escotilha do guincho, encontra-se em alto-relevo na chapa blindada o nome, modelo, patente e fabricante da viatura.


Outro ângulo de uns 04 dos 08 emblemáticos LGF de 90mm, seu sistema de elevação e de rotação transversal contínua.



Medindo todas as partes do sistema de armas "ARMADA 90" e dissipando dúvidas...




O meu Amigo SAJ FZE US REF Afonso Brandão, sempre disponível!, posa junto da Chaimite "ARMADA 90", permitindo ter noção da envergadura do blindado.

          Desde do início deste século que o Exército Português tem optado por proceder à recuperação de um número considerável de diversas viaturas militares antigas, inclusivo viaturas blindadas, quer para serem colocadas em exposição estática de instalações militares, quer para participar em eventos nacionais e desfiles militares.
          A título de exemplo o blindado ligeiro "Bren Universal Carrier Mk. II" de fabrico britânico em 1942, que se encontrava a muitos anos em exposição estática na EPI de Mafra, agora designada por "Bernardina", é utilizada à cabeça de desfiles militares.
          Mais recentemente, com o abate ao serviço da frota de viaturas blindadas "Chaimites" de fabrico nacional, várias já foram e serão cedidas gratuitamente, depois de desmilitarizadas, um pouco por todo o país: Autarquias, Museus (Elvas, Famalicão), Associações militares ou de Antigos Combatentes para serem colocadas em exposição estática ou mesmo participar em eventos.
          Será uma sugestão utópica a Marinha Portuguesa e os seus Fuzileiros fazerem o mesmo com a sua "ARMADA 90"? Recuperar a mesma para participar em eventos e desfiles militares como: 10 de Junho / Dia da Marinha / Dia do Fuzileiro / "Display Tactic" no Dia de Defesa Nacional / Imposição de Boinas, etc e etc. Fica a ideia...

"Bren Universal Carrier Mk. II" de 1942 do Exército Português.

Filme sobre a Chaimite V-200 "ARMADA 90" dos Fuzileiros:
https://barcoavista.blogspot.pt/2018/01/chaimite-v-200-armada-90-dos-fuzileiros.html

07/05/15

HISTÓRIA À VISTA - 39

          HISTÓRIA À VISTA N.º 39, da autoria do SAJ REF de Manobra Bernardino da Silva Torres (248650) de 86 anos, então conhecido por Cabo Silva, Patrão de uma LDP 107 em Santo António do Zaire - Angola.
          Tenho muitas recordações da Marinha de Guerra Portuguesa, boas e menos boas, destas últimas, por exemplo a comandar uma LPD - Lancha de Desembarque Pequena em Santo António do Zaire - Angola.
          Na tarde de 26 de Maio de 1973 deram-me conhecimento que um bote pneumático, com quatro Fuzileiros (um Primeiro-Sargento e três Praças) em que viajavam voltou-se e estes ficaram à deriva devido às grandes vagas alterosas e de muita corrente no rio Zaire, arrastou-os para o mar.
          Assim que tive conhecimento do caso dei ordens a um dos motoristas para colocar a lancha a trabalhar, saí a toda a força com as duas Praças da guarnição em direcção à boca da barra, com a ajuda dos binóculos vi um dos Fuzileiros na crista da vaga alterosa com o calção na mão a pedir socorro, olhei para o céu, pedi a Deus coragem, sai a barra com ondas alterosas e vento forte a 10 milhas da costa.
          A muito custo apanhei um a um os quatro Fuzileiros que se encontravam distantes uns dos outros, também consegui apanhar ainda o bote pneumático com motor fora de bordo e, o armamento que os Fuzileiros tinham amarrado ao referido bote.
          Já de noite e graças à minha calma debaixo de grande ondulação consegui regressar, apesar das lanchas LPD’s serem muito frágeis, mas Deus esteve do meu lado. Quando cheguei ao quartel era já meia-noite, estava todo molhado, mas alegre por ter salvado estes camaradas militares de uma morte certa.
          Gostava que se algum camarada ou até dos que salvei ler esta mensagem, que entre em contacto comigo: Sou o SAJ REF de Manobra Bernardino da Silva Torres (248650), então conhecido em Santo António do Zaire - Angola 1973 por Cabo Silva, resido em Águeda, o meu e-mail é Bernardino.torres@sapo.pt.

01/05/15

FILME SOBRE O CONTINGENTE DE FUZILEIROS NA BÓSNIA-HERZEGOVINA

          Inseri no canal de youtube do blogue um vídeo sobre a Força de Fuzileiros "DELTA" que, esteve destacada entre Setembro de 1999 e Agosto de 2000 na Bósnia-Herzegovina, no âmbito da missão de Apoio à Paz «SFOR II».
          Mais uma vez agradeço à Associação de Fuzileiros a cedência das imagens e ao SAJ FZ Rogério Pinho Silva o seu contributo:

https://www.youtube.com/watch?v=NY0J52kk7sU&index=1&list=UUwBcnHbUtMJN7bAnj4mM6Jg






































Artigo sobre os Fuzileiros na Bósnia-Herzegovina:

29/04/15

MERGULHADORES DA ARMADA NA GUERRA COLONIAL: TO DE ANGOLA

          No Teatro de Operações de Angola, os Mergulhadores da Armada estiveram destacados como parte integrante da lotação de pessoal do Comando Naval de Angola, cujos Serviços Gerais disponham de Mergulhadores-Sapadores destacados para o Comando em 1970 e, que foram rendidos individualmente após perfazer em média 04 anos de Comissão de Serviço em virtude de prestar serviço no Comando Naval.
          Esta Unidade de Mergulhadores-Sapadores foi sempre a nível de Secção, sendo constituída por: 01 Sargento US e 02 Praças US, mais tarde atendo a requisitos operacionais a Unidade recebeu o reforço de mais uma Praça US.






































Mergulhador da Armada em treinos ao largo de Luanda (Foto cedida por Cte. Duarte Costa)
 
          No entanto, é de referir que já anteriormente alguns navios da Marinha Portuguesa destacados em Comissão de Serviço em Angola, tinham incorporados nas suas guarnições Praças especializados em Mergulhadores-Vigias, a título de exemplo:
- Navio-Patrulha P582 "NRP Madeira" da classe "Príncipe" em 1962/1963;
- Navio-Patrulha P585 "NRP São Tomé" da classe "Príncipe" em 1967;
- Navio-Patrulha P584 "NRP Sal" da classe "Príncipe" em 1967.
          Entre Julho de 1962 e Setembro de 1963, o Navio-Patrulha "NRP Madeira" recebe na sua guarnição duas Praças especializados em Mergulhadores-Vigias incluídos na lotação de outras classes, por este motivo antes de partir para uma comissão de serviço em Angola, foi-lhe montado a bordo um sistema com garrafas de ar comprimido que mediante um filtro adequado permitia o recarregamento das garrafas do equipamento de mergulho, dando maior autonomia ao emprego dos seus Mergulhadores-Vigias fora do porto de Luanda, onde eram recarregadas na empresa comercial "Angases".






































Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha P582 "NRP Madeira" (Foto cedida por Cte. Duarte Costa)
 
          No início de Dezembro de 1962, os Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha "NRP Madeira" realizaram por três vezes uma inspecção às obras-vivas do Navio-mercante de passageiros "Niassa" da CNN, durante a sua estadia no Porto Comercial de Luanda em operações de carregamento de material de guerra, por recurso a busca de querena, com o escopo de detectar potenciais minas-lapa colocados por supostos mergulhadores dos movimentos de guerrilha angolana.
          A 01 de Junho de 1963, os Mergulhadores-Vigias do Navio-Patrulha "NRP Madeira" participam nas buscas de dois ocupantes de um jeep que caiu ao Rio Quanza, perto da localidade de Dondo em colaboração  com elementos da Companhia de Fuzileiros n.º 1. Por vezes eram solicitados para recuperar material militar que se perdia em cursos de água.

 Mergulhador-Vigia recupera uma espingarda automática HK G3 A4 de 7,62mm (Fotos cedidas por Cte. Duarte Costa)

          Em 1967, uma Praça Mergulhador-Vigia da guarnição do Navio-Patrulha "NRP São Tomé" efectuou a avaliação das condições do casco de uma embarcação afundada junto ao extremo Norte do cais das INIC (Instalações Navais da Ilha do Cabo) - Luanda e, a possibilidade da sua destruição parcial por recurso a cargas explosivas ou corte de chapa, dado constituir um perigo a outros navios.
          Entre os dias 09 e 12 de Março de 1967, os Praças Mergulhadores-Vigias dos Navios-Patrulha "NRP São Tomé" e NRP "Sal", procederam à recuperação de uma camioneta de passageiros que caiu da ponte sobre o Rio Luquiche-Zadi, ficando totalmente submersa e em local com corrente muito forte.
          Após reconhecimento e estabelecimento do plano de acção, a camioneta foi retirada para fora de água, com a colaboração do Batalhão de Artilharia 1853 destacado em Damba, após os Mergulhadores-Vigias terem conseguido passar um cabo de aço preso a duas das suas GMC's e máquinas de construção civil que estavam a arranjar o campo de aviação da localidade.



Fases da operação de recuperação da camioneta com Mergulhador-Vigia (Fotos cedidas por Cte. Duarte Costa)

          Terminada a operação, foi redigido um relatório pelo então Cte. da LDG 102 "NRP Ariete" da classe "Alfange" que, coordenou toda a operação (por ter sido instrutor do CIMCM) e entregou ao Comando Naval de Angola, onde advogava a vantagem do CNA dispor de uma Secção de Mergulhadores-Sapadores, atendendo ao cada vez maior número de missões para Mergulhadores.

25/04/15

FOTOS DO DIA NACIONAL DOS CADETES DAS ESCOLAS DE PORTUGAL 2015

          Visualize as fotos do "DIA NACIONAL DOS CADETES DAS ESCOLAS DE PORTUGAL" deste ano no site dos Cadetes do Mar de Portugal:

http://cadetesdomar.no.comunidades.net/index.php?pagina=1875594691

LEITURAS À VISTA - 06

          Para esta 6.ª “LEITURA À VISTA”, recomendo o livro: "Memórias de um guerreiro colonial", redigido pelo SMOR FZE José Gomes Talhadas.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
          «A GUERRA COLONIAL ainda hoje é contada, publicamente, sobre a perspectiva dos seus Oficiais e chefes militares, mesmo quando transcrita em livros de ficção. Pouco tem sido relatado ou reportado por aqueles que, embora sendo o essencial da sua componente humana, constituíram o chamado "pessoal" normal, vulgar.
          Daí, na maior parte das vezes, menosprezado. Iremos dar uma volta ao tema. O objectivo desta colecção é, precisamente, dar voz aos que, tendo algo para contar, se refugiaram sempre na dificuldade de expor, de escrever, ou de serem pessoas "sem importância" no que se passou. As suas histórias e estórias deles são essenciais, no entanto, para se formar a História da Guerra Colonial.
          Queremos que sejam eles a dar a sua versão, a sua visão, que tantas vezes se tornam uma preciosidade de memória de grande relevância, mas que, ao longo destes mais de 35 anos, têm ficado retidas apenas nos pensamentos íntimos de cada um.
          Vamos fazer um esforço para que os relatos ou as memórias da Guerra Colonial se tornem mais democráticas e sirvam para dar a conhecer, na sua singeleza, às gerações vindouras uma saga que mobilizou, directamente, mais de um milhão de portugueses e atingiu os restantes nove milhões. Um convite está lançado aos que guardam recordações ou memórias na consciência ou baús: transformem-nas em escrita».

05/04/15

NÚCLEO MUSEOLÓGICO DE VIATURAS ANTIGAS DA MARINHA

ACTUALIZADO (com fotos de José Manuel Miragaia Tomás)

          A DT - Direcção de Transportes da Marinha de Guerra Portuguesa criou o designado "Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha" em 01/10/2001, aquando da transferência para as novas instalações, contando com uma fabulosa colecção de 22 viaturas antigas que em tempos fizeram parte do efectivo activo da Armada.
          Actualmente participam em desfiles e concentrações de viaturas antigas, representando a Briosa, a par de eventos como o "Dia da Marinha" e "Dia da Unidade (da própria DT)", grande parte das viaturas estão homologadas pela CPAA e, todas têm a particularidade de se deslocarem sempre pelos próprios meios!
          A totalidade ou parte das viaturas já participaram nos seguintes eventos:
- Circuito de Viaturas Antigas OLT-DAS;
- "Dia da Marinha 2012";
- Em Maio de 2013 estiveram numa exposição na Quinta da Marialva - Corroios;
- Passeio de São Martinho 2014;
- A 28 de maio de 2014, as viaturas da marca Mercedes marcaram presença numa exposição do recém inaugurado Classic Center da Mercedes-Benz Portugal, Abrunheira - Sintra;
- No dia 20 de Setembro de 2014 estiveram presentes 09 viaturas no V Desfile “Veículos com História” organizado pela Comissão de Festas de N.ª Sr.ª do Cabo Espichel, de S. Pedro de Penaferrim - Sintra;
- Moda Lisboa 2015;
- Em Maio de 2015, estiveram no "Dia da Marinha".
          Futuramente vão marcar presença numa exposição estática a 04 de Julho no "Dia do Fuzileiro 2015".
 
As viaturas que compõe o "Núcleo Museológico de Viaturas Antigas da Marinha" são:
- AP-05-26 CHEVROLET ED LORDMASTER de 1948


          É uma viaturas com capacidade para 09 passageiros, com motor a gasolina de 3515cc de cilindrada e 90cv, caixa manual e tracção traseira.
          Na Marinha serviu como viatura de instrução de pesados de passageiros na Escola de Máquinas (Grupo nº 1 de Escolas da Armada), actualmente encontra-se em exposição permanente nas instalações da DT.
          Entrou ao serviço em 01/05/1948, no então G2EA - Grupo n.º 1 de Escolas da Armada e mais tarde na DT, com 35 anos foi abatida em 29/04/1983 e a musealização ocorreu em 2000.
          A sua produção começou em Maio de 1947, sendo as primeiras viaturas da marca GM do pós 2.ª Guerra Mundial, existiram vários modelos e eram considerados o topo de gama da marca.

- AP-35-90 MERCEDES-BENZ 190D de 1993.
           Viatura 05 passageiros equipada com um motor a gasóleo com 2497cc, caixa manual e tracção traseira, esta viatura de 05 lugares entrou ao serviço em 1993 e esteve atribuída ao Aquário Vasco da Gama e à DT para o transporte de Oficiais Generais, foi abatida em 2013 com 179.236km, foi um modelo produzido entre 1982 e 1993, sendo considerado o mais pequeno e compacto da marca.
 
- AP-20-97 DODGE WC5I de 1954.


          Designado pelas forças militares portuguesas durante a Guerra Colonial por "Jipão", trata-se de uma viatura Todo-o-Terreno de 08 passageiros, com tracção 4x4 e caixa manual, está equipada com um motor Chrysler T-214 a gasolina de 2302cc de cilindrada e 93cv.
          Entrou ao serviço em 01/01/1954 e esteve destacada do Comando da Defesa Marítima do Porto de Leixões até ser abatida a 07/02/2001. Apesar dos seus 47 anos de serviço tem somente 1960km!
          Este tipo de viatura foi muito utilizado durante a 2.ª Guerra Mundial pelo Exército Norte-americano e, pelo Exército Português durante a Guerra Colonial.
 
- AP-07-79 MERCEDES-BENZ 300 SL Automatic de 1961.

          É conhecido por Mercedes "carro de parada" ou "Adenauer" por ter sido o modelo de viatura que serviu o 1.º Chanceler da RFA Konrad Adenauer.
Esta viatura de 06 passageiros e tracção traseira, como o próprio nome indica tem caixa automática, possui um motor a gasolina de 2996cc de cilindrada e 180cv / 5500rpm.
          Entrou ao serviço em 04/01/1962 e esteve ao serviço do Gabinete do Ministro da Marinha, do Gabinete do Almirante CEMA, da BNL e da Direcção de Abastecimento e da DT, sendo utilizada para o transporte de Oficiais Generais, inclusive serviu o antigo Presidente da República Almirante Américo Thomaz enquanto Ministro da Marinha.
          Foi abatido ao serviço em Dezembro de 1980, após 53 anos de serviço e 72.355km percorridos, a 01/10/2001, quando a DT passou a ocupar as actuais instalações, esta viatura integrou o seu Núcleo Museológico.
 
- AP-07-34 JEEP WILLIS CJ 3B de 1961.

          É conhecido popularmente por "Willy's" e apresenta a configuração original do Jeep Willys da 2.ª Guerra Mundial, trata-se de uma viatura Todo-o-Terreno de 06 passageiros, com tracção 4x4 e caixa manual. Está equipada com um motor a gasolina de 2199cc de cilindrada.
          Na Marinha Portuguesa serviu como viatura de transporte de militares e esteve ao serviço do então G1EA - Grupo n.º 1 de Escolas da Armada e da Escola de Fuzileiros.
          Entrou ao serviço em 01/03/1961 e a musealização ocorreu em Novembro de 1991, após ter efectuado 43.362km.
 
- AP-10-90 MERCEDES-BENZ 300 SEL 3.5 de 1967.

          Equipada com um motor a gasolina de 06 cilindros em linha com 2996cc de cilindrada e 180cv / 3500rpm, caixa manual e tracção traseira, esta viatura de 05 passageiros entrou ao serviço em 29/03/1967 e esteve sempre atribuída à DT para o transporte de Oficiais Generais, percorreu 9.445 km, tendo apenas sido retirada ao efectivo da Marinha em Janeiro de 2000.
 
- AP-31-45 VOLKSWAGEN TRANSPORTER T2 EARLY BAY WINDOWS de 1969.

          Versão ambulância do vulgarmente conhecido “Pão de Forma”, como características principais realça-se o seu motor a gasolina refrigerado a ar com 1584cc de cilindrada e 46cv, lugar para 04 passageiros e 01 maca, caixa manual e tracção traseira.
          Entrou ao serviço em 11/06/1969 e foi abatida em Setembro de 2009, durante 40 anos e com 59.948km rodados foi usada para transporte de doentes ao serviço do Arsenal do Alfeite.
          De construção robusta monobloco (sem chassis), porta lateral de correr (uma inovação para a altura), beneficiava de boa visibilidade, excelente capacidade de manobra e uma facilidade de condução.
 
- AP-14-55 MERCEDES-BENZ 230 LONG Limousine de 1970.

          Como principais características realça-se o motor a gasolina de 2293cc de cilindrada, caixa manual de 04 velocidades e tracção traseira.
          Esta viatura de 09 passageiros esteve sempre atribuída à DT para o transporte de entidades VIP e Oficiais Generais, era considerado um marco na história da Mercedes-Benz e o modelo mais luxuoso e confortável, tendo sido produzido entre 1968 e 1976.
          Entrou ao serviço em Fevereiro de 1971, com 24.258km foi retirada do efectivo da Marinha no ano de 2000.
 
- AP-16-11 MERCEDES Unimog U411.115 de 1970.



          O Unimog 411 foi um modelo produzido com especificações do Exército Português, sendo alcunhado pelas forças militares portuguesas durante a Guerra Colonial por "Burro do Mato", devido ao seu pequeno tamanho e uso para os mais variados fins, sendo desprovido de qualquer tipo de luxo.
          É uma viatura Todo-o-Terreno de 02 passageiros equipada com um motor a gasóleo de 1767cc de cilindrada e 38cv, possui caixa manual e tracção 4x4.
          Entrou ao serviço em 18/02/1972 e foi abatida a 07/02/2011 com 25.000km efectuados, esteve ao serviço da Base de Fuzileiros e foi transferida para o Núcleo Museológico a 23/03/2011.
          Surgiu inicialmente como viatura civil da Mercedes em 1945 para trabalho agrícola e recebeu o nome de Unimog (UNIversal-MOtor-Gerät) em 1946.
 
- AP-18-49 VOLKSWAGEN BEETLE 1302 S de 1974.

          Popularmente conhecido por Volkswagen “Carocha”, esta viatura 05 passageiros está equipada com um motor a gasolina de 1285cc de cilindrada e 44cv / 4100rpm, caixa manual e tracção traseira.
          Entrou ao serviço 01/02/1974, tendo sido utilizada para transporte de pessoal e instrução de ligeiros, esteve ao serviço da Escola de Fuzileiros e da DT, abatida com 17.110km efectuados foi destacada em 2001 para o Núcleo Museológico. 
 
- AP-21-11 MERCEDES Unimog 416 de 1979.
          Esta viatura Todo-o-Terreno de 12 passageiros está equipada com um motor a gasóleo de 5675cc de cilindrada, possui caixa manual e tracção 4x4.
          Entrou ao serviço em 01/08/1979 e foi abatida a 07/02/2011 com 50.510km efectuados, esteve ao serviço da Base de Fuzileiros, foi transferida para o Núcleo Museológico em Março de 2011.

- AP-27-26 RENAULT 4GTL de 1987.

           Esta viatura ligeira misto de 05 passageiros está equipada com um motor a gasolina de 1108cc de cilindrada e 34cv / 4000rpm, caixa manual e tracção traseira.
          Entrou ao serviço 02/12/1987, tendo sido utilizada para transporte de pessoal e serviços administrativos no Arsenal do Alfeite, esteve destacada na Direcção do Serviço de Manutenção, abatida a 13/02/2003 com 16 anos e 160.000km percorridos, foi para o Núcleo Museológico em novembro de 2010.
          Foi modelo que surgiu em 1961 criado para substituir o 4cv "Joaninha" e competir com o Citroën 2cv, era considerado uma viatura original, funcional e revolucionária no seu tempo.

- AP-26 46 MERCEDES 240GD de 1985.

          Viatura táctica Todo-o-Terreno de 08 passageiros, com tracção 4x4 e caixa manual, está equipada com um motor a gasóleo de 2350cc de cilindrada e 72cv / 4400rpm.
          Fez parte dos meios da CATT - Companhia de Apoio de Transportes Tácticos do Corpo de Fuzileiros e efectuou serviços administrativos na Base de Fuzileiros.
          Entrou ao serviço em 25/09/1985, foi abatida a 03/02/2011 com 30 anos e 77.709km de serviço e, a musealização ocorreu em Dezembro de 2014.
 
- AP-19-99 INTERNACIONAL HARVESTER LOADSTAR 1700 4x4 de 1976.

          Está equipada com um motor a gasolina de 5700cc de cilindrada e 210cv, possui caixa manual e tracção 4x4.
          Tratando-se de uma viatura Auto-tanque, o seu principal papel na área da limitação de avarias destinava-se ao combate a incêndios.
          Entrou ao serviço em 01/01/1976 e foi abatida a 19/11/2002, com 26 anos de serviço e 21.000km percorridos, esteve ao serviço no depósito de munições NATO de Lisboa, foi transferida para o Núcleo Museológico a 02 de Abril de 2002.

- AP-28-73 MAGIRUS DEUTZ 178D 15 A JUPIPER 6x6 de 1959.

          Camião com motor multi-combustível (diesel, querosene, petróleo e gasolina) de 12667cc de cilindrada e 178cv / 2300rpm, possui caixa manual e tracção 6x6.
          Trata-se de uma viatura Auto-tanque de combate a incêndios de fabrico alemão, entrou ao serviço em 1959 no Arsenal do Alfeite.
          Foi desenvolvido especialmente para uso em aeródromos pelas FA's Alemãs e Polícia Federal Alemã, a cúpula no tecto da cabine era para observação, possui um canhão de água no tejadilho, com capacidade de projecção a 50 metros e um fluxo de água de 800 litros / minuto a 8 bar.

-AP-28-72 MERCEDES LG 315/46 de 1963.


          Camião com motor multi-combustível (diesel, querosene, petróleo e gasolina) de 8276cc de cilindrada e 145cv / 2100rpm, possui caixa manual e tracção 4x4.
          Trata-se de uma viatura Auto-tanque de combate a incêndios de fabrico alemão, entrou ao serviço em 1963 no Arsenal do Alfeite.
          Foi dos primeiros modelos de caminhões do pós 2.ª Guerra Mundial projetados especificamente para as FA's Alemãs, possui uma escotilha no tecto da cabine e as bombas tem capacidade de fluxo de água de 2400 litros / minuto a 8 bar.
 
- AP-02-00 Motociclo BMW R.50/5 de 1971.

          Motociclo de 02 passageiros com 02 cilindros e um motor a gasolina refrigerado a ar a 4 tempos de 494cc e 35cv / 6400rpm, caixa manual e tracção traseira, esteve ao serviço da Base Naval de Lisboa, Comando do Corpo de Fuzileiros e do então Grupo n.º 1 de Escolas da Armada e, foi utilizada na instrução de veículos ligeiros de duas rodas.
          Considerado um dos primeiros modelos de motociclos recreativos de produção modular, possuía garfo telescópico com amortecedores hidráulicos.
 
- AP-01-23 Scooter VESPA 150 de 1963.

          Famosa Scooter com um zumbido característico que lembra uma vespa, de apenas 01 passageiro com um motor a gasolina de 150cc, caixa manual e tracção traseira.
          Entrou ao serviço em 01/03/1963 como meio de transporte de correspondência e estafeta na Base Naval de Lisboa, ingressou o Núcleo Museológico em 2000. Era considerado um símbolo da liberdade e de esperança.

- AP-81-30 Motociclo FAMEL ZÜNDAPP KS SPORT 50 de 1988.
          Motociclo de 02 passageiro com um motor a gasolina de 50cc, caixa manual e tracção traseira. Entrou ao serviço em 1988 como meio de transporte de correspondência e estafeta na Delegação Marítima do Porto, foi transferida para o Núcleo Museológico em 2014.
          Célebre marca de fabrico nacional em Águeda, utilizava maioritariamente motores Zündapp produzido na Alemanha, ficou celebre a publicidade FAMEL - "Fogo a mota é linda!".

- AP-04-08 Motociclo SIS SACHS SAXONETTE MINOR GT de 1985.
          Motociclo de 01 passageiro com um motor a gasolina de 44cc, caixa manual e tracção traseira. Entrou ao serviço em 1985 como meio de transporte de correspondência e estafeta em S. Martinho do Porto, foi transferida para o Núcleo Museológico em 2013.
          Conhecida marca de fabrico nacional em Anadia, utiliza motores Sachs produzido na Alemanha.

- AP-80-52 Motociclo CASAL K182 de 1980.
          Motociclo de 02 passageiro com um motor a gasolina de 49.9cc, caixa manual e tracção traseira. Entrou ao serviço em 1980 como meio de transporte de correspondência e estafeta na Capitania do Porto de Setúbal, foi abatida em 10/09/2009 e a musealização ocorreu em 2014.
          Famosa marca de fabrico nacional em Aveiro.

- AP-81-56 Motociclo SACHS HÉRCULES 125 de 1983.



























          Motociclo de 02 passageiro com um motor a gasolina de 125cc, caixa manual e tracção traseira. Entrou ao serviço em 1983 como meio de transporte de correspondência e estafeta na Capitania do Porto de Peniche, foi abatida em 23/02/2000 e a musealização ocorreu no mesmo ano.