26/07/09

NAVIOS DE PATRULHA OCEÂNICO CLASSE "VIANA DO CASTELO"

(ACTUALIZADO)

Navio Patrulha Oceânico "VIANA DO CASTELO"

          Historicamente a interdependência da Marinha Mercante / Pesca / Recreio / Investigação Científica da Marinha de Guerra, demonstra que o potencial de uma estimula e justifica a outra e vice-versa, quer no apoio directo, quer na defesa das nossas riquezas (ZEE) que por vezes se vê privada pela concorrência ilegal estrangeira.
          O paradigma da necessidade de NPO - Navios Patrulhas Oceânicos já remonta na Armada desde a Proposta de Programa Naval de 1976, com a elaboração do anteprojecto levado a cabo no âmbito do denominado GAPO - Grupo de Anteprojecto dos Patrulhas Oceânicos, com o objectivo de desenvolver um navio de fiscalização adequado para a ZEE e configuração semelhante à das corvetas da classe "João Coutinho", libertando as corvetas das missões de serviço público e assim poderem dedicar-se às de natureza militar.



Projecto do Navio Patrulha Oceânico

          O conceito tecnológico dos "Requisitos Operacionais do NPO" (POA 5 [A]) assenta num navio económico de projecto e concepção nacional, não apresentando especial inovação do ponto de vista da arquitectura e engenharia naval, apostando-se em contrapartida numa plataforma robusta e de boas qualidades náuticas, com muita automação, boa habitabilidade e capacidade para se manter eficazmente no mar em regime de permanência prolongada mesmo em condições adversas, dado que vão operar no Oceano Atlântico.


Ponte do navio com elevado nível de automação


Imagem dum monitor

          Trata-se de navios pouco exigentes a nível de guarnição e incorporação de armamento e sensores, recorrendo em grande medida a padrões de construção naval comercial, tendo em consideração o tipo de missões para as quais está concebido (patrulha da costa e ZEE / presença naval / operações de baixa intensidade).
          Deste modo, irão substituir gradualmente as corvetas restantes das classes "João Coutinho" e "Baptista de Andrade", dado que estes navios para além de estarem a alcançar o seu limite de vida útil operacional, não têm praticamente valor militar e são inadequados às suas funções actuais.
          Em Março de 2001, a Direcção de Navios conclui a especificação técnica, executando no Arsenal do Alfeite, ensaios em tanques de experiências hidrodinâmicas, de resistência, propulsão e de comportamento no mar, reformulando a posterior o Arranjo Geral dos navios, dotando-os de casco com o pontal elevado, borda falsa no castelo, estabilizadores activos não retrácteis, robaletes e de um patilhão generoso, no sentido de conferir bom comportamento no mar.
          Os requisitos operacionais solicitado pelo grupo de trabalho da Esquadrilha de Helicópteros da Marinha à Direcção de Navios, incluía a certificação do convés de voo para operar com helicópteros até 5.400kg, a aplicação de meios de reabastecimento de combustível e um hangar telescópico, com a finalidade de proteger os helicópteros da corrosão do meio marinho durante operações conjuntas mais prolongadas, não obstante o último requisito não foi atendido em virtude de os navios não serem dotados de helicópteros orgânicos.


Imagem dum possível NPO com hangar telescópio


convés de voo com grelha da FHS

          A capacidade de sobrevivência e de confinar as avarias do navio também foi levada em linha de conta: o casco e as superestruturas foram construídos em aço de grau A, subdivididos por cinco pavimentos e dez anteparas estanques, a própria construção foi certificada pela ISO 9001.


Planta do Navio Patrulha Oceânico

          De realçar a introdução de novos padrões de habitabilidade, com áreas de reduzidos níveis de ruído, grande flexibilidade para alojar elementos da guarnição de ambos os sexos e maior privacidade nos alojamentos e casas de banho.



Acomodações da guarnição

          Os militares seleccionados para formar as guarnições frequentaram um curso de especialização e qualificação, ministrado pela Direcção do Serviço de Formação, de modo a ficarem habilitados a desempenhar funções a bordo.
          O potencial bélico foi circunscrito ao necessário para desempenhar as missões que lhe serão confiadas como OPV (Offshore Patrol Vessel), a sua concepção não teve por escopo a participação em operações militares navais, assim a capacidade bélica está limitada a uma peça de artilharia na proa de 40mm (a ser substituída em finais de 2012, pelo sistema OTO MELARA MARLIN WS com canhão MK-44 de 30mm, dotado do sistema de imagem térmica ALBATROS), duas metralhadoras-ligeiras nas asas da ponte e duas calhas lança-minas na popa.


Peça de artilharia de 40mm/L60


Pavimento da popa preparada para calhas lança-minas

          Têm capacidade para efectuar minagem defensiva, mediante o lançamento de 30 minas marítimas Mk55 Mod2, por via duas calhas lança-minas na popa, com o desiderato de proteger os canais de acesso aos portos nacionais e apoio a forças navais em situações de Crise ou caso de Conflito no Espaço Estratégico de Interesse Nacional, padece no entanto de qualquer Sistema de Navegação, de Combate, de Guerra Electrónica ou de Contramedidas.
          Futuramente, no apoio prestado aos Mergulhadores Sapadores podem incorporar módulos contentorizados de guerra de minas portáteis, com capacidade de detecção e inactivação de minas e de outros engenhos explosivos.
          Como parte do equipamento, o navio está apetrechado com duas lanchas semi-rígidas com motor diesel inbord a hidrojacto omni-direcional, fabricadas pela Delta Power Group, uma de 8,5 metros com capacidade para transportar 15 passageiros ou 3 toneladas de carga, passível de ser utilizada em missões SAR e operações anfíbia, outra de 6,8 metros com capacidade para transportar 9 passageiros, vocacionada para faina regular.


Lancha semi-rígida de 6,8 metros


Lancha semi-rígida de 8,5 metros

          O navio dispõe de um compartimento multiuso que pode ser configurado para embarcar carga ou servir de acomodações adicionais, habilitado para albergar 32 pessoas ou uma Força de Fuzileiros (4 Oficiais, 3 Sargentos e 25 Praças), requisito operacional indicado pelo grupo de trabalho do Corpo de Fuzileiros à Direcção de Navios.


Compartimento multiuso

          Tal requisito permite servir como navio de apoio a operações anfíbias, valência operacional que a par do seu reduzido calado, permite-lhe penetrar em rios e braços de mar, substituindo as corvetas das classes "João Coutinho" e "Baptista de Andrade" nestas funções.
          Parte ainda do requisito operacional do Corpo de Fuzileiros atendida, é a capacidade de embarque / desembarque da Força em locais sem cais de atracação, de transportar pelo menos uma secção de botes de assalto (12 botes, 12 motores e 02 botes reserva) e uma Lancha de Assalto Rápida (LAR), de armazenagem (víveres, armamento, equipamento, munições, gasolina, material diverso), manobra e estiva.
          Destaque para a disposição de três canhões de água, dois à vante da ponte no castelo da proa e outro à ré da chaminé, conferindo aos navios a aptidão para combater incêndios deflagrados noutros navios.
          O contrato de construção foi celebrado a 15 de Outubro de 2002, por ajuste directo atendendo ao Despacho Conjunto n.º 15/2001 de 11 de Janeiro, pelo Primeiro-Ministro acompanhado pelo Ministro da Defesa Nacional com os ENVC, prevendo um custo global de cerca de 120 milhões de Euros, financiado maioritariamente pelo PIDDAC, pela Lei de Programação Militar e comparticipado pela União Europeia (programa SIFICAP).
          A construção dos navios pelos ENVC foi decidido e aprovado pelo Governo [Resolução do Conselho de Ministros n.º 138/2002 de 5 de Dezembro], advogando no preâmbulo do Despacho Conjunto n.º 15/2001 de 11 de Janeiro: "...se os navios forem construídos em estaleiro nacional ficará assegurado, logo à partida, que haverá nesse estaleiro e em diversas empresas nacionais contratadas um forte conhecimento destas novas unidades".
          De facto, verifica-se a participação de diversas empresas portuguesas no apetrechamento dos mesmos, como por ex: a EID, a EDISOFT, apresentando claras vantagens, nomeadamente no fortalecimento da Independência Nacional da assistência técnica, manutenção, tecnologia e apoio logístico do exterior e respectivos custos inerentes, factores vitais em tempo de crise ou guerra, por constituir um potencial meio de pressão sobre o Estado.
          Não obstante, a vantagem citada do conhecimento dos navios por parte destas empresas, não se perspectiva com exactidão, a título de exemplo, futuras manutenções dos navios pelos ENVC, sem colocar sequer em dúvida a sua capacidade, tal não é susceptível de se materializar, em virtude de a Marinha tradicionalmente efectuar as manutenções no Arsenal do Alfeite, a própria tecnologia electrónica instalada a bordo não justifica manter uma ligação estreita aos fornecedores.





















Bloco cirúrgico a bordo

          O contrato deverá ser cumprido até 2014, a sua execução e fiscalização da construção é tutelada pela MAF - Missão de Acompanhamento e Fiscalização (entidade da Marinha), terá a seguinte sequência de entrega:
- 1º navio em 2010;
- 2º navio em 2011;
- 3º e 4º navio (NCP) em 2012;
- 5º e 6º navio em 2013;
- 7º e 8º navio em 2014

          Em 2004, o 1.º navio da classe, o P360 foi baptizado "Viana do Castelo", em homenagem à cidade e aos ENVC onde se efectua a construção destes navios, em 2005 foi baptizado o 2.º, o P361 de "Figueira da Foz", em 2008 o 5.º de "Funchal", em 2009 o 6.º de Aveiro", sempre durante as comemorações do Dia da Marinha decorrido nessas cidades.
          No dia 1 de Outubro de 2005, decorreu nas instalações dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo a cerimónia de flutuação dos dois primeiros Navios de Patrulha Oceânicos.
          No dia 30 de Dezembro de 2010, decorreu enos ENVC a cerimónia de recepção provisória, por parte da Marinha Portuguesa do P360 / CTPA "Viana do Castelo".
          É de conhecimento público que algumas Marinhas de Guerra estrangeiras já mostraram interesse em adquirir algumas unidades desta classe, desconhecendo-se no entanto se ainda se mantém: Argélia, Marrocos e Tunísia, recentemente o Ministério de Defesa da Nigéria mostrou interesse na aquisição de 2 navios.

PRINCIPAIS TAREFAS A DESEMPENHAR:
• Patrulha, vigilância e fiscalização de longa duração das águas costeiras e oceânicas de jurisdição nacional;
• Apoiar, proteger e controlar actividades económicas, científicas e culturais ligadas ao mar, ao leito do mar e ao subsolo marinho;
• Executar, isoladamente ou integrado em acções coordenadas, operações de assistência a pessoas e embarcações em perigo, no âmbito da SAR no mar;
• Executar operações de socorro e assistência, designadamente em colaboração com o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, em situações de catástrofe, calamidade ou acidente;
• Colaborar com as autoridades civis na satisfação das necessidades básicas e melhoria da qualidade de vida das populações;
• Colaborar na defesa do ambiente, nomeadamente na prevenção e combate à poluição marítima.

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS:
- Deslocamento: 1.750 toneladas
- Dimensões: 83,1 x 12,9 x 3,6 metros
- Velocidade máxima:
    Motores a diesel 22 nós (41 km);
    Motores eléctricos 5 nós (8 km)
- Propulsão:
    2 motores diesel WÄRTSILÄ W26 12V26 de 7.800 kW;
    2 motores eléctricos MAGNETTI MARELLI de 600 kW;
    2 hélices de passo variável 5C08 LIPS;
- Energia: 4 motores electrogéneos VOLVO PENTA TAMD165A de 362 kW
- Combustível: 250 toneladas
- Autonomia: 5.000 milhas em 14 dias a 15 nós
- Guarnição:
    Oficiais: 5 (Sob o comando de um oficial superior)
    Sargentos: 8
    Praças: 25
    Total: 38
- Alojamento adicional:
    Oficiais: 4
    Sargentos: 3
    Praças: 25
    Total: 32
- Água doce: 55 toneladas, capacidade de produção de 8m³/dia
- Convés na popa para 1 helicóptero

EQUIPAMENTO:
- Sistemas de comando e controlo;
- Sistema de carta electrónica ECDIS da KELVIN HUGHES;
- Sistema integrador de informação (EDISOFT);
- Sistema integrado de gestão de plataforma (EDISOFT);
- Sistema integrado de navegação (KELVIN HUGHES);
- Sistema integrado administrativo-logístico;
- Serviços de rede diversos (Telemedicina);
- Sistema integrado de comunicações (EID): MF/HF/VHF/UHF, ETO, INMARSAT B;
- 2 Radares de navegação MANTA 2000 da KELVIN HUGHES , banda I / F (37 Km de alcance);
- Multisensor electro-óptico SAGEM VIGY 10 Mk3, para detecção, gravação e registo de imagens;
- DGPS MX 420;
- Serviços básicos de rede (correio electrónico, Web, directoria e escritório electrónico);
- Serviços de segurança da informação;
- Sistema de Informação da Configuração e Apoio Logístico aos Navios (SICALN);
- Web Information Services Environment (WISE);
- Radiodifusão da RMP (Recognized Maritime Picture Broadcast);
- Acesso à Intranet da Marinha (WAN_Marinha);
- Equipamentos GMDSS;
- Terminal SIFICAP;
- Grelha de convés de voo da FHS;
- Elevador de munições da TBV Marine Systems;
- Sistema de tratamento de resíduos;
- Sistema de separação de lixos;
- Sistema de separação de águas oleosas;
- Sistema de detecção de incêndio e de alagamento;
- 1 Propulsor transversal de manobra à proa JASTRAM com 250 kW;
- Grua e Turco SCHAT HARDING de 4 toneladas;
- 3 Canhões de água;
- Duas embarcações semi-rígidas DELTA, uma de 8,5m e outro de 6,8m;
- 2 Botes pneumáticos ZEBRO III;
- 6 Balsas salva-vidas

SISTEMA DE ARMAS:
- 1 Peça de 40mm/L60 de comando local;
- 2 Metralhadoras-ligeiras HK 21 de 7.62mm;
- 2 Calhas lança-minas / 30 minas marítimas Mk55 Mod2 ou Mk56 (exercício)

19 comentários:

  1. Dá gosto ver finalmente o futuro NRP VIANA DO CASTELO em fase avançada de conclusão. Acompanhei os dois primeiros navios nos últimos anos, espero que a concretização do programa decorra agora sem mais atrasos... Cumprimentos e saudações por este blogue de verdadeiro "interesse público".

    LMC

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  2. Tal como já nos habitou, o Dr. compila artigos de um modo simplesmente, lúdico e cativante!

    Mais uma vez, os meus parabéns

    Um abraço

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  3. Tem razão Luís Miguel Correia quando menciona no seu blogue que este é uma verdadeira referência!

    Já tinha reparado mais de uma vez no seu blogue que fazia uma citação ao Barco à Vista, mas deduzi que era mais um blogzito que não traz nada de novidade...

    Enganei-me redondamente, efectivamente nunca vi nada sobre uma Marinha de Guerra tão bem organizado e com tantos detalhes.

    Isto está simplesmente impecável.

    Os meus parabéns ao seu autor.

    Paulo Santos, Lx

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  4. Mais uma vez venho felicitar o autor deste blog pelo muito bom serviço que vem prestendo aos entusiastas dos assuntos do mar.

    Cmprimentos,

    José Barradas

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  5. Com tantos nomes só espero que no final não venha a haver mais nomes que navios construídos... De resto mantém-se o estigma de a construção de classes de navios demorarem uma eternidade. Parece a repetição da história da construção dos contratorpedeiros na Primeira República.

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  6. Dou os meus sinceros parabéns ao ilustre autor deste blogue, um verdadeiro Amigo da Armada, pelos conhecimentos profundos e abrangentes sobre a nossa Marinha que demonstra possuir.

    M.O. Oficial da Marinha Portuguesa

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  7. Os meus parabéns pelo seu post (e pelo seu blog).
    Talvez a primeira vez na net em que se descreve o Navio de modo justo.
    Desconfio que apesar de ser um «mal amado» ainda vai vencer pela sua actividade do dia-a-dia.
    «Águas safas» para ele!

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  8. António Balcão Reis5 de agosto de 2009 às 14:54

    Os meus agradecimentos à "Voz da abita" que me fez chegar a este excepcional documento do blog "Barco à vita". Pela amostra vou tentar estar mais atento aos seus conteúdos.
    Quanto ao artigo relativo ao novo NRP "viana do Castelo", como "oficial do ofício" e velho cronista reformado, simplesmente excepcional.
    Informação objectiva e clara, completa e na medida exacta.
    Um texto motivador, que provoca expontânea curiosidade e mesmo interesse, focado sobre a positiva, numa área em que nos habituaram a uma permanente ladaínha de desgraças e bota abaixo.
    Parabéns e obrigado.
    Balcão Reis

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  9. parabéns pelo magnifico blog. agradeço informação das verdadeiras razões do atraso de construção excluindo avarias de motores e dificuldades do estaleiro em execução de navios militares.será de um mau acompanhamento da evolução da construção ?

    atentamente
    rui vilela
    rui.t.vilela@hotmail.com

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  10. É admirável o nosso mundo novo e simultaneamente arrasador o que se pode criar com labor e sistemática persistência.

    Permitam uma observação e não entrar nas lamechices lusas:
    os NPO incorporam de facto duas enormes inovações (a meu ver, claro). A primeira é de ordem tecnológica: o sistema de comando e controlo, com incorporação nacional, senhores! O segundo o ALI-apoio logistico integrado que, como eu afirmo (mas poucos querem ouvir) pela primeira vez se transforma Conhecimento em Acção. Claro as vozes derrrubadoras só muito tarde o valorizarão.
    Daí a minha correcção e intervenção singular neste Blog. A afirmação:_
    sobre a Formação e Treino da guarnição está INcorrecta. Hoje, em dia, não se formam guarnições com um Curso...a coisa evoluiu muito e, felizmente, a nossa Marinha nesse capítulo aprendeu muito com a s lições dos sucessivos BOST no UK.
    Mas já quanto ao ALI sou pessimista e a "coisa" deveria merecer-nos outra atenção. No fim de contas trata-se de incorporar "saber" nestas questões da Indústria Naval.

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  11. Parece um bom navio, ainda por cima construído nos nossos estaleiros de Viana do Castelo. Haverá no nosso país capacidade para construir navios maiores e mais velozes. Falo de navios que possam intervir de forma rápida nas nossas águas territoriais e incluo obviamente Madeira e Açores. 20 nós parece pouco quando sabemos que muitos navios de outras marinhas e até navios mercantes conseguem velocidade próximas dos 30 nós. Porque não se falou mais do projecto de um navio de Apoio como têem os espanhois ou os holandeses, com capacidade de projectar as nossas tropas rapidamentente em qualquer ponto dos PALOPs por exemplo onde temos tantos portugueses. Falou-se disso há anos quando da crise na Guiné Bissau, mas nunca mais ouvi nada a respeito.

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  12. Caríssimos,
    Muito aprenderam as gentes de Viana do Castelo com este Navio!
    Só lamento que da nossa parte tenha sido encarado tal e qual aquela famosa frase que um possível leitor deste blogue proferiu; "São Navios Civis pintados de cinzento!"

    Foi com esta simplicidade que este navio foi encarado, revelando-se ao longo dos anos algo muito diferente...
    Uma especificação técnica demasiado abrangente e sempre susceptível de várias interpretações... a escolha errada de alguns parceiros e fornecedores... a falta de recursos humanos para encarar um projecto desta dimensão... a fiscalização por parte de Militares "formatados" à imagem da Vasco da Gama (em contraste com o navio civil pintado de cinzento)...

    Estes são no meu entender as origens de todo o problema; Por um lado as gentes da Marinha a quererem um Navio Militar em toda a sua essência, e por outro lado as gentes de Viana a pensar que teriam de fazer apenas mais um navio um pouco mais ou menos igual aos que estávamos habituados a fazer... e tá claro que lá pelo meio não podiam faltar os políticos! com o maior à vontade em juntar dois mundos completamente diferentes.
    Isto só podia resultar em desgraça...

    Os conflitos entre os equipamentos e respectivas funcionalidade que a "Marinha" espera (e que obviamente não existem no circuito comercial que estamos habituados) são de tal ordem acentuados que o impasse vai-se arrastando ao longo dos anos...
    Em abono da verdade, vão valendo meia dúzia de carolas que remendam aqui, remendam ali, e vão transformando aquilo que foi comprado da prateleira em algo a que os Militares Portugueses estão habituados.

    Em jeito de desabafo... Será que o País precisa realmente de um navio patrulha com os requisitos de navio militar combatente??? Não cumpriria a mesma missão a que está destinado um navio com metade da sofisticação e das redundâncias? Com equipamento realmente da "prateleira" e que significava eventualmente metade do custo deste navio??? É que parece-me que o que estava na "cabeça" dos nossos amigos políticos nessa altura era realmente isso, tendo em conta os financiamentos do PIDAC, e tal...
    Mas depois não nos podemos esquecer que estes até eram os navios esperados pela marinha à umas dúzias de anos, com uma especificação feita e refeita durante décadas... e que os ENVC fizeram questão de assinar de cruz...
    Se eu tivesse a oportunidade de especificar a minha nova casa a meu belo prazer... não duvidem que lá colocava todos os luxos... se não sou eu que pago, e ainda por cima nem a manutenção teria que sair do meu bolso...

    Desculpem o testamento, as inverdades e erros por ventura proferidos... mas é apenas a visão de um Vianense cansado e que numa bela noite tropeçou neste interessante blogue!

    Abraços.

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  13. Aproveito para enviar as minhas felicitações, ao responsável por este magnífico blogue, que acabei agora de aceder por um mero mas feliz acaso, e do qual, já guardo muito boas indicações.

    Se me permite, gostaria no entanto deixar aqui um “bitaite” em relação aos navios da classe “Viana do Castelo”. Não entendo a razão depois de tanto tempo de espera, a não dotação de um helicóptero orgânico, a uma classe de navios, cuja principal missão será a de fiscalizar a maior ZEE da Europa.

    Muitas vezes, irão detectar os navios infractores a afastarem-se cada vez mais nos monitores dos radares, sem terem a mínima possibilidade de os fazer parar, pois 20 nós, qualquer arrastão chama-lhe um figo, isto para não falar nas lanchas rápidas, que é outro departamento.

    Continuamos a ser os eternos pobretões a pensar e a realizar. No meu ponto de vista, estes navios nascem já coxos.

    Saudações marinheiras

    Luis Filipe Morazzo

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  14. Luis Filipe Barros de Carvalho6 de janeiro de 2010 às 01:18

    Concordo com Luis Filipe Morazzo. Efectivamente, estes navios poderiam e deveriam ser dotados de uma polivalência que permitiria uma utilização "dual propose", ou seja, a típica utilização em missões de caráter, dito, militar e de fiscalização. Para tal, não necessitariam de grandes alterações, qui çá, heli embarcado, oto melara 76, e a possibilidade, ou previsão (modular) de, em caso de necessidade, se adicionarem outos sistemas de armas, anti-aéreas, navio/navio e anti-submarinas. Creio que a plataforma permitira uma solução deste tipo. Também no capítulo da velocidade, algo poderia ter sido previsto pois, vinte nós, parece-me manifestamente insuficiente.

    Parebéns ao autor.

    apresento os meus melhores cumprimentos,

    Luís Filipe Barros

    05/12/2010

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  15. Parabéns por este blog! O navio vai ser (finalmente)entregue no próximo dia 30 de Dezembro.

    Cumprimentos

    Fernando Ribeiro e Castro
    Secretário-Geral
    Fórum Empresarial da Economia do Mar

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  16. Com tanta asneira copiada de jornais online e impressos de uns para os outros, com parca informação útil sobre estes navios, que isso sim, interessa dar a conhecer ao POVO, numa época em que se vive uma crise, finalmente encontro algo que até dá gosto ler, permite entender e aceitar a aquisição destes navios para a Marinha!

    Apelo aos senhores jornalistas que pelo menos se dignifiquem a transcrever daqui os dados e o porquê da utilidade deste navio para a NAÇÃO.

    Reis Pinto, Alverca

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  17. Finalmente, hoje 30 de Dezembro de 2010 foi entregu o Viana do Castelo.

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  18. Existe um boato de que já venderam os nvaios para a Argélia. Não consegui descobrir se realmente é verdade ou não.

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  19. Boa noite.
    ...há uma coisa que nãp entendi!...
    ...que manda nas especificações técnicas dos navios?...
    ...não é o cliente?...não é ele que paga?...a que propósito é que estaleiro vai querer contrariar o cliente?...isto não me entra na cabeça!...podem elucidar um pouco sobre esta parte?...obrigado
    Jean-Pierre Thiran

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